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Uso do Treinamento da Musculatura do Assoalho Pélvico na Incontinência Urinária de Esforço, em Paciente no Período do Climatério: Relato de Caso

Uso do Treinamento da Musculatura do Assoalho Pélvico na Incontinência Urinária de Esforço, em Paciente no Período do Climatério: Relato de Caso

INTRODUÇÃO

A incontinência urinária ocorre em diversas pessoas de todas as idades, sua maioria em mulheres, podendo interferir em sua vida social e qualidade de vida. Tendo um efeito negativo, principalmente no período do climatério. Cada vez que a expectativa de vida aumenta, com o passar dos anos, a incontinência se torna mais presente.

Existem vários artigos que falam sobre tratamento da incontinência urinária, utilizando eletroterapia juntamente com o treinamento da musculatura do assoalho pélvico, porém existem poucos estudos sobre o efeito com o tratamento somente manual, sem nenhuma associação com outra técnica de tratamento, como por exemplo, com a eletroterapia.

 Por esse motivo, é interessante verificar o efeito do treinamento da musculatura do assoalho pélvico, na incontinência urinária de esforço e se há melhora no padrão de força, em mulher no período do climatério.

“O Brasil é um país que está envelhecendo, ocupando o sexto lugar em número absoluto de pessoas com mais de 60 anos. Uma das consequências desse quadro é a dificuldade em planejar as ações no Sistema de Saúde. ” ¹. “O problema do atendimento fica evidenciado em relação às mulheres, por constituírem a maioria dos usuários que procuram os serviços de saúde; por possuírem, atualmente, uma esperança de vida ao nascer de 72,9 anos; e por viverem um terço de suas vidas acima dos 50 anos. Por esses motivos, a população feminina necessita de uma atenção específica e integral, sendo necessário, também, envidar esforços para que tenha melhor qualidade de vida”.² É no climatério que ocorre grandes mudanças na vida de uma mulher, onde ela passa por várias experiências na vida conjugal, social e profissional, podendo leva-la a uma grande reflexão de como anda sua vida. “Estudos sobre mulheres no climatério demonstram que elas convivem com dúvidas, anseios e desejos de superação dos problemas de saúde e socioeconômicos ”. ³

Como a menopausa ocorre em média entre 45 e 55 anos e, atualmente, a expectativa de vida da mulher situa-se ao redor dos 70 anos, significa que há ainda muito tempo de vida útil para ser usufruído após a menopausa, correspondendo cerca de 1/3 de suas vidas”.4 Por isso é de suma importância o acompanhamento do profissional de saúde durante esse período de muitas mudanças na vida da mulher, esclarecendo e direcionando da melhor forma possível, atuando não só na prevenção, amenizando sinais e sintomas como também direcionando a paciente a ter o autoconhecimento e cuidado com o corpo, durante esse período.

“Entretanto, apesar de sofrerem com os vários sinais e sintomas climatéricos, é notável que as mulheres nesta fase desconheçam ou não identifiquem a maior parte das alterações hormonais, fisiológicas e emocionais envolvidas no processo de decréscimo da produção hormonal e cessação de ciclos menstruais ”.5 “A incontinência urinária de esforço (IUE) é definida pela Sociedade Internacional de Continência (ICS) como a queixa de perda involuntária de urina no esforço físico, espirro ou tosse1 . É o tipo mais comum de incontinência urinária (IU) e a sua prevalência pode variar de 12 a 56% dependendo da população estudada e do critério empregado para o diagnóstico”. 6 e 7 “Um dos principais objetivos do tratamento fisioterápico é o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, pois a melhora da força e da função desta musculatura favorece uma contração consciente e efetiva nos momentos de aumento da pressão intra-abdominal, evitando assim as perdas urinárias”. 8

“A Incontinência Urinária de Esforço, normalmente ocorre quando aumenta a pressão abdominal e esta pressão extra será transmitida à bexiga, culminando em perda de urina. Quando uma manobra de valsava aumenta a pressão abdominal, esta pressão é transmitida igualmente para a bexiga e para a uretra, pois ambas estão confinadas a pelve verdadeira” .9

“O treinamento da contração da musculatura do assoalho pélvico auxilia no fechamento uretral, pois aproxima e eleva a musculatura além de aumentar o recrutamento das fibras tipos I e II e estimular a função da contração simultânea do diafragma pélvico evitando a perda de urina e distopias genitais. Segundo estudos, para que haja hipertrofia dessa musculatura é necessário um período de tratamento de no mínimo 3 meses”. 10

“A cinesioterapia para a musculatura do assoalho pélvico tem papel importante já que preconiza a rearmonização e reeducação da mesma através de contrações isoladas desses músculos associadas com posicionamento adequado da pelve e respiração adequada. Através de diferentes posturas é possível recrutar de forma mais fácil ou mais difícil músculos específicos aumentando o controle e consciência da mulher sobre os mesmos”.11

MATERIAIS E MÉTODOS

Relato de caso, longitudinal, quantitativo, realizado com uma participante mulher, de 58 anos, caucasiana, multípara de parto normal, com queixa de incontinência urinária aos esforços e desequilíbrio no padrão de força.

Instrumentos

 O estudo foi realizado através do uso da avaliação pélvica do Hospital Municipal da Piedade, que consiste em um questionário sobre a paciente, buscando saber: dados pessoais, queixa principal, fluxo urinário, quando iniciou os sintomas, história ginecológica e obstétrica, quais atividades perde urina, quais alimentos costuma ingerir, sistema intestinal, hábitos (cigarro e álcool), ingestão de líquido, queixa principal, mapa corporal e vaginal, tipo da dor, dor durante as 24 horas, frequência da dor, há quanto tempo sente dor, o que melhora a dor, o que piora a dor, medicamentos utilizados, hábito sexual, alimentação e exame físico (peso, altura e teste: cutâneo anal e tosse).

 Utilizamos avaliação funcional fisioterapêutica do assoalho pélvico por meio da escala de OXFORD. Escala avaliada em graus que analisa a resistência muscular, realizada em posição ginecológica, avaliando a sustentação da musculatura do assoalho pélvico, por meio da palpação bidigital simples. Onde 0 é ausência, 1 mínima, 2 fraca, 3 regular, 4 boa e 5 normal.  Utilizamos também o Diário Miccional de 3 dias, pedindo para que a paciente anote todo o consumo diário de líquido, colocando a hora e quantidade de medida ingerida, e em outra folha anotar a hora e quantidade de urina feita durante os 3 dias. Indicando utilizar um copo de medida para os líquidos ingeridos e outro para a urina.

Procedimentos

No dia da avaliação foi entregue o diário miccional à paciente e pedido para que na próxima sessão o diário fosse entregue preenchido corretamente, sem pular horários. Porém foi trazido de forma que não havia feito corretamente e ignorado. Foi então iniciado o tratamento, com massagem perineal durante 5 minutos, realizando movimentos em U e movimentos circulares. Após a massagem, foi realizado alongamento das estruturas para potencialização da força mantendo transversal a fibra, durante 20 segundos de 3 repetições nos músculos do assoalho pélvico, bulboesponjoso e isquiocavernoso. Após isso, foi feito reflexo de estiramento, com solicitação da contração e sustentação por 3 segundos e 10 repetições. Logo em seguida, no TMAP foi feito exercício resistido com dedo em tesoura. Pela escala de Oxford a paciente com 3 no grau de força, foi feito exercício resistido intravaginal por 3x de 10 repetições, sustentando 3 segundos cada, para as fibras fásicas e 3x de 10 repetições, 10 segundos cada. Após os procedimentos a paciente foi liberada.

Foram 2 sessões por semana durante 3 meses, com duração de 30 minutos cada. O teste de Oxford foi realizado em 3 momentos, no dia da avaliação, no meio do período de tratamento, com 1 mês e meio (onde foi verificado aumento de força, para grau 4) e no último dia do tratamento (onde a paciente teve alta, permanecendo com grau 4 de força, pela escala de Oxford).

RESULTADOS

A paciente obteve melhora significativa, sumindo os sintomas de Incontinência Urinaria de Esforço, sendo finalizado o tratamento na paciente com grau 4 na escala de força de Oxford.

CONCLUSÃO

 O tratamento em uma paciente no período do climatério, somente usando a terapia manual, foi totalmente eficaz.



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