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Uso de Microcorrente em Tratamento de Lesões na Pele

Uso de Microcorrente em Tratamento de Lesões na Pele

Introdução

Ao longo do tempo, as técnicas fisioterapêuticas evoluíram, contribuindo maciçamente para o retorno do paciente às suas atividades de forma antecipada, consistente e segura, permitindo um retorno antecipado às suas atividades diárias.

E nesse desenvolvimento, dentre as técnicas fisioterapêuticas, a eletroterapia é uma das mais utilizadas nos tratamentos, e é cada vez mais difundida, na medida em que os estudos em torno desta modalidade de
tratamento crescem no meio científico, permitindo a cada dia novos olhares sobre as lesões e seus efeitos, e assim, possibilitar novas condutas de maneira que se permita um tratamento mais eficaz oferecido ao paciente.

Dentre os vários de tipos de correntes elétricas terapêuticas existentes, a microcorrente está sendo bastante empregada nas lesões músculo esqueléticas, seja no controle de edema, dor ou na cicatrização. No entanto, apesar de seu uso mais crescente, seus efeitos ainda são poucos conhecidos, devido ao fato da existência de poucos estudos, comparados proporcionalmente à frequência de sua utilização.

E o presente estudo é um relato de caso de uma paciente, cuja idade é de 50 anos, portadora de diabetes, apresentando sobrepeso, sedentária e recém-saída de uma internação hospitalar de 12 dias. A referida paciente sofreu queda da própria altura, que ocasionou em escoriações em diversas partes do corpo. As lesões que de fato foram tratadas, se localizavam na região anterior da tíbia direita, que se estendia do terço proximal, até o terço médio, e a outra lesão, ipsilateral, de menor extensão, localizada de novo na região distal da perna. As lesões tiveram seu quadro agravado, pelo fato da paciente ser portadora de diabetes e uma infecção, cujo agente bacteriológico não foi identificado.

A definição clássica da diabetes consiste em diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2 de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Já a World Health Organization presume que 90% da população seja portadora da diabetes mellitus do tipo 2. A falha na produção de insulina pelo pâncreas pode provocar a diabetes mellitus em indivíduos em variados níveis de deficiência relativa da secreção ou ação desse hormônio. A idade de início é variada, mas é mais comum ocorrer em indivíduos com idade acima dos 40 anos, com pico de incidência aos 60 anos de idade.

Atualmente, o diabetes mellitus se tornou um dos mais preocupantes problemas de saúde no mundo, no que diz respeito ao número de indivíduos acometidos, bem como no de incapacitação e de mortalidade prematura, e
também, nos recusdos financeiros, gastos no seu tratamento. Trata-se de uma doença com tendência de elevação no número de casos, estimando-se que o diabetes mellitus na população brasileira atinja um total de 7%, sendo que
somente em São Paulo esse número chega a 9% na faixa etária dos 30 aos 59 anos e, na faixa etária dos 60 aos 69 anos chega a 13,4% (3). Entre os tipos de diabetes, o diabetes mellitus 2 é o de maior ocorrência, atingindo entre 90 e 95% dos casos, comprometendo geralmente pessoas de meia idade ou em idade mais adiantada. A atividade física, dieta e administração de insulina ou antidiabéticos, são formas de tratamento da diabetes mellitus.

Outros estudos apontam que o diabetes melittus afeta entre 2% a 5 % das populações ocidentais. No entanto, 40% a 45 % de todos os amputados de membro inferior são diabéticos. Nos casos de amputações, por exemplo, as chances são mais elevadas em pelo menos 10 vezes em diabéticos com doença arterial periférica do que em não-diabéticos com o mesmo acometimento. Todo este quadro é altamente correlacionado com a doença de ordens micro e macrovascular.

É elevado o risco de um paciente diabético desenvolver e avançar nas doenças cardiovasculares, o que promove doença oclusiva extensa e precoce nas circulações cerebral, coronariana e periférica, principalmente nas artérias dos
membros inferiores, como por exemplo, a hipoperfusão e a gangrena, que é o quadro apresentado pela paciente deste caso.

Método

O presente estudo foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, em ambiente domiciliar, com paciente do gênero feminino, 50 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 2, controlada com administração de insulina. Na avaliação, foram consideradas, duas áreas afetadas: uma na face anterior da tíbia e a outra, na face lateral da perna, no terço distal fibular.

Foi utilizado durante o presente estudo, o aparelho eletroestimulador Globus 1200, por cinco semanas, em um total de 15 atendimentos. Em cada sessão foi utilizada a microcorrente, com a programação úlceras de pele, mantendo o paciente ao aparelho pelo tempo de vinte minutos, com estímulo no primeiro período de 500 microamperes, e no segundo período de estímulo, de 352 microamperes posicionando os eletrodos, nas duas lesões, em cada extremidade das mesmas. A paciente também, recebeu tratamento asséptico das lesões, durante o estudo.

Resultados

Na primeira semana a paciente apresentava quadro inflamatório acentuado, com processo de supuração significativo, além de quadro álgico intenso à palpação:

Na segunda semana, já foi possível notar uma pequena evolução no quadro apresentado anteriormente, com menor fluxo supurativo, melhora na irrigação sanguínea no local e o a formação da crosta de região periférica da lesão na face anterior da tíbia e na face lateral da perna.

Na terceira semana de tratamento, nota-se uma melhora significativa do quadro inflamatório, na cicatrização, a redução quase que total da supuração e no quadro álgico. Nessa fase do tratamento, foi retirada a crosta na lesão, após tratamento com a técnica de enfermagem, nos dois locais das lesões.

O que pode ser observado na quarta semana, é a acentuada melhora na cicatrização, da lesão na face anterior da tíbia, sem a presença do processo supurativo, ausência de crosta e redução das dimensões da lesão na referida
região. Na face lateral da perna, houve redução significativa nas dimensões da lesão, mas ainda nota – se a presença de processo supurativo e redução nas dimensões da lesão.

Na quinta semana e última semana, houve melhora significativa do quadro inflamatório, cicatrização tecidual e do quadro supurativo na lesão da face anterior da tíbia. A paciente relatou a redução quase que na totalidade, do quadro
álgico. Na lesão da face lateral da perna, houve estagnação da cicatrização, mantendo-se as mesmas dimensões da semana anterior, mas houve o retorno do quadro supurativo.

Discussão

O presente estudo buscou avaliar a eficácia no uso da microcorrente em lesões de pele por trauma, em paciente portadora de diabetes melllitus, conseguindo regressão satisfatória na redução do quadro apresentado pela paciente.

O tratamento foi eficaz não apenas pelo uso exclusivo da microcorrente, já que foi recebido pela paciente, suporte medicamentoso e de assepsia.

No entanto, após a aplicação da eletroterapia por microcorrente, notou-se uma melhora, tanto dos sintomas, como dos sinais, de forma mais acentuada e acelerada.

O presente estudo apontou a necessidade de aprofundamento nas pesquisas envolvendo o uso de microcorrentes, nos mais diversos tipos de lesões.

Conclusão

O presente estudo demonstrou que o uso da microrrente em lesões na pele, no caso relatado, por escoriações em decorrência de queda, é altamente recomendado para acelerar a recomposição tecidual afetada, bem como a redução
da dor, em pacientes que sejam portadores de diabetes mellitus.

No entanto, é interessante que prossigam os estudos acerca deste tipo de corrente, tanto naqueles que apresentarem a natureza do presente trabalho, bem como nos de outras naturezas.

Referências

1. Isabele Góes Nobre, Laísa Kalil Buarque, Pedro Weldes da Silva Cruz, Jéssica Aimeé Lins de França, Gabriela do Nascimento Lima e Denise Maria Martins Vancea; ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DA GLICEMIA CAPILAR DE DIVÍDUOS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2, PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIO FÍSICO SUPERVISIONADO

2. World Health Organization. Definition,diagnosis and classification of diabetes mellitus and its complications: report of a WHO consultation. Geneva: World Health Organization; 1999. 59p.

3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Consenso sobre detecção e tratamento das complicações crônicas. Rio de Janeiro: SBD, 1999.

4. Rodrigo Dal Moro Amarante, Rodrigo Castro, André Valente Lage, José Raul Cisternas; Diabetes Mellitus como fator de risco na aterogênese; Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo 2007; 52(3):87-93.

5. Carlos A. da Silva, Walter C. de Lima; Efeito Benéfico do Exercício Físico no Controle Metabólico do Diabetes Mellitus Tipo 2 à Curto Prazo.

6. Leon Poltawski e Tim Watsonschool of Health and Emergency Professions, Universidade de Hertfordshire, Hatfield, AL10 9AB, Reino Unido; Bioeletricity and microcurrent therapy for tissue healing – a narrative review.

7. Bok Y. Lee, Keith Wendell, Glenn Butler, Noori AL-Waili; Ultra-Low MicrocurrentTherapy: A Novel Approach for Treatment of Chronic Resistant Wounds.

8. Mohammad Bayat, Zahra Asgari-Moghadam, Mohammad Maroufi, Fatemed-Sadat Rezaie, Maryan Bayat, Mohammad Rakhshan; Experimental Wound healing using microamperage eletrical stimulation in rabbits; Iran
(Islamic Republico of); Journal of Rehabilitation Research & Development; Volume 43, number 2, pages219-226, March/April; 2006.

Artigo Publicado: 18/02/2021



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