Digite sua palavra-chave

post

Relato de Caso: Beneficios do Reequilibrio Toraco Abdominal (Rta) na Mielite Transversa

Relato de Caso: Beneficios do Reequilibrio Toraco Abdominal (Rta) na Mielite Transversa

Introdução:17

A Mielite Transversa (MT) é conhecida como uma síndrome neurológica que causa inflamação na medula espinhal. É uma patologia rara na infância e na adolescência (OLIVEIrA et al, 2010). Mais precisamente trata-se de uma síndrome clínica rara (FONSECA et al, 2003) classificada dentro das eucomielopatias agudas, sendo uma das enfermidades desmielinizantes inflamatórias de mais difícil diagnóstico e de prognóstio reservado, devido à gravidade das sequelas funcionais possíveis (BARRAZA et al, 2003).

Quando ocorre em jovens, com progressão subaguda dos sintomas sensoriais e motores dentro de dias e semanas, o prognóstico é melhor, pois a função da coluna posterior e os reflexos profundos são mantidos e a recuperação se inicia rapidamente. Nos casos mais graves pode ocorrer dor nas costas como sintoma inicial, início mais agudo com evolução rápida dos sintomas em poucas horas e chegar à disfunção neurológica grave, distúrbio sensorial em níveis da coluna cervical, incontinência urinária, falta de recuperação após três meses e choque medular (KRISHNAN et al, 2004; SÀ, 2009).

Entre as técnicas fisioterapêuticas utilizadas, está o método do Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA), que se baseia no manuseio dinâmico sobre o tronco, auxiliando no sinergismo dos músculos respiratórios, adequando a mobilidade torácica, normalizando o tônus muscular abdominal, com consequente incentivo à ventilação pulmonar e à desobstrução brônquica (ZANCHET et al, 2006).

O objetivo deste trabalho é descrever um caso clínico de uma paciente portadora de Mielite Transversa.

Relato de caso:

M. S. P. 6 anos, feminina, parda, natural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Paciente há 4 anos atrás apresentou diagnóstico de Mielite transversa, após um quadro de cefaleia, crise convulsiva, mialgia em MMII, sendo internada no Hospital Oeste Dor.

Ao dar entrada no Hospital Oeste Dor, fez uma Parada Cardio Respiratória (PCR), permanecendo internada por 8 meses. Evoluiu para uma traqueostomia (TOT) acoplada a Ventilação Mecânica (VM). Após este período de internação, retornou ao seu lar em sistema de Home Care, sendo assistida por uma equipe Multiprofissional ( fisioterapeuta , médico, Fonoaudiólogo, Nutricionista). Atualmente encontra-se paraplégica, com bexiga neurogênica, traqueostomizada (TQT nº5), alimenta-se oralmente, lúcida e orientada. Realizo a fisioterapia diariamente. Tenho usado o Método de Reequilíbrio Toraco Abdominal ( RTA), e evidenciado a melhora do quadro respiratório, principalmente a correção da assimetria que apresentava anteriormente na caixa torácica. Faz uso INTERMITENTE de BIPAP (Pressão positiva continua em vias aéreas). Já passou por 14 internações no decorrer destes 4 anos, com diagnóstico de Pneumonia, Atelectasia, Infecção Urinaria (bexigoma), sendo submetida ao tratamento de antibióticoterapia venosa.

Discussão:

O método de RTA, como parte da fisioterapia respiratória, procura aperfeiçoar os movimentos biomecânicos para melhorar a performance cinético-funcional dos músculos respiratórios. Estas condutas visam prevenir um maior comprometimento respiratório e também à manutenção de uma boa funcionalidade do tronco. É importante gerar a máxima independência do paciente.

Aproximadamente 1/3 dos pacientes se recuperam sem ou com poucas sequelas após o ataque inicial, 1/3 têm um grau moderado de desabilidade permanente, e 1/3 não têm nenhuma recuperação, ficando com graves desabilidades funcionais. Várias características clínicas, como a progressão rápida de sintomas,a presença de dor nas costas, e a presença de choque medular, podem servir como indicadores de um mau prognóstico para a recuperação total. Evidências paraclínicas, como a ausência de condução central no teste de potencial evocado e a presença da proteína 14-3-3 no LCR durante a fase aguda também indicam maus resultados (KERR, 2001).

Após uma lesão incompleta ao nível medular, deve-se trabalhar a sensibilidade e particularmente o sistema proprioceptivo, preparando o paciente para a aquisição de uma deambulação mais funcional. O alongamento que mais produz efeitos é o leve e mantido, para que as fibras colágenas se alonguem progressivamente. Para os pacientes que apresentem espasticidade será preciso tratamentos mais frequentes, com a finalidade de prevenir contraturas (UMPHRED, 2013).

A recuperação do paciente pode ser nula, parcial ou completa. Geralmente se inicia dentro de 1 a 3 meses após o início dos sintomas. Estes três primeiros meses são determinantes na regressão da mielite transversa (BATISTA e TINOCO, 2015).

A fisioterapia ajuda o paciente a aumentar a força muscular, a adquirir mais autoconfiança devido à independência adquirida, motivando-o a vencer suas limitações físicas e procurar esclarecimentos sobre a patologia e o prognóstico, o que pode ser decisivo na retomada da sua vida social. É escassa a literatura que aborde a fisioterapia na MTA, portanto, todos os exercícios que favoreçam à propriocepção e equilíbrio podem favorecer as atividades do dia a dia (BATISTA e TINOCO, 2015).

A intervenção fisioterápica respiratória é de suma importância quando a patologia compromete funções musculares principais e auxiliares, apresentando alteração dos movimentos da caixa torácica. Na inspiração, são importantes o diafragma, os intercostais externos e os diversos músculos pequenos do pescoço, que tracionam para cima a parte anterior da caixa torácica. A contração do diafragma promove o descenso da parte inferior da caixa torácica, o que a expande no sentido vertical, levando ao aumento do volume da caixa torácica. A expiração é passiva. O intuito do fisioterapeuta é ajudar o paciente a manter a amplitude dos movimentos inspiratórios, principalmente. Esse auxílio tem o objetivo de repouso e manutenção dos parâmetros ventilatórios (BATISTA e TINOCO, 2015).

Conclusão:

A aplicação do método de Reequilíbrio Tóraco abdominal em pacientes com Mielite Transversa Aguda, quando bem indicada, pode contribuir na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo acometido.

Para que se tenha uma assistência individualizada, humanizada e adequada é necessário que o fisioterapeuta tenha um conhecimento científico da patologia e do método a ser aplicado. Isto poderá minimizar o sofrimento no tratamento do paciente.

Este trabalho conclui que a paciente evoluiu bem ao manuseio do Reequilíbrio Toraco Abdominal (RTA), apresentando melhora na assimetria da caixa torácica, porem, o tratamento da parte respiratória é contínuo por toda sua vida, uma vez q a paciente apresenta um quadro crônico.

Referências Bibliográficas:

BARRAZA, S.G.; GAETE, C.G.; BONACIC, S.M.; ARAYA, C.L. Mielitis transversa aguda. Boletim del Hospital San Juan de Dios. 2003; 50(5): 269-276
Batista, K.T.O.; Tinoco, M.M. Mielite Transversa: relato de caso. [Tese Mestrado em Terapia Intensiva]. Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva – SOBRATI. Rio de Janeiro, 2015.
Kerr, D. Capítulo “Mielite Transversa” de Current Therapy in Neurologic Disease, 6ª edição, Autor – editores, Johnson, R. T., Griffin, J. W., & McArthur, J.C. Mosby Press, 2001 Tradução: Leonardo D. Gorito
Krishnan C, Kaplin AI, Pardo CA, et al. Demyelinating disorders: update on transverse myelitis. Curr Neurol Neurosci Rep 2006; 6:236.
Umphred, D.A. Umphred’s neurological rehabilitation 6th.ed. Elsevier/Mosby, 2013.
Zanchet RC, Chagas AMA, Melo JS, Watanabe PY, Simões-Barbosa A, Feijo G. Influência do método reequilíbrio toraco abdominal sobre a força muscular respiratória de pacientes com fibrose cística. J Bras Pneumol. 2006; 32(2):123-9



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

×
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.