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Relação entre Qualidade de Vida e Exercício Físico na Terceira Idade

Relação entre Qualidade de Vida e Exercício Físico na Terceira Idade

INTRODUÇÃO

A possível relação entre saúde, envelhecimento, exercícios físicos e qualidade de vida têm sido objeto de estudo de inúmeros trabalhos científicos atuais. O objetivo de vários pesquisadores é integrar todas essas variáveis a fim de encontrar o segredo de um envelhecimento saudável.

A qualidade de vida na terceira idade tem sido motivo de amplas discussões em todo o mundo, pois existe atualmente uma grande preocupação em preservar a saúde e o bem-estar global dessa parcela da população para que tenham um envelhecer com dignidade. O conceito de qualidade de vida é bastante complexo e envolve dimensões como bem-estar físico, familiar e emocional, habilidade funcional, espiritualidade, função social, sexualidade e função ocupacional, que quando integradas mantém o indivíduo em equilíbrio consigo mesmo e com o mundo ao seu redor 1 .

O Estatuto do Idoso 2 , que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2004, têm por função assegurar todas as oportunidades e facilidades para preservação da saúde física e mental dos indivíduos idosos. Apesar de não incentivar explicitamente a prática de exercícios físicos, dispõe em seu artigo 15 sobre a atenção integral à saúde do idoso, com ações e serviços para prevenção, promoção, proteção e recuperação de sua saúde. Ainda em seu artigo 15, § 1º, inciso III, o Estatuto do Idoso afirma que a prevenção e manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de unidades geriátricas de referência, com pessoal especializado nas áreas de geriatria e gerontologia. Por fim o artigo 25 cita que o Poder Público apoiará a criação de universidades abertas à terceira idade e incentivará a publicação de livros e periódicos adequados ao idoso.

Segundo Clarck e Siebens 3 , o envelhecimento é acompanhado por alterações fisiológicas graduais, porém progressivas, e num aumento da prevalência de enfermidades agudas e crônicas. É comum ocorrerem distúrbios musculoesqueléticos, endócrinos, cardiovasculares, pulmonares, neurológicos, psiquiátricos, entre outros, que podem resultar em perda da função, que sem intervenção adequada e em tempo hábil causa a institucionalização precoce dos idosos 4 . A perda da força muscular é a principal responsável pela deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo 5 .

Muitas alterações fisiológicas atribuídas ao envelhecimento são semelhantes àquelas induzidas pela inatividade imposta e provavelmente podem ser atenuadas ou até mesmo revertidas pelo exercício 6 . Matsudo 7 define exercício físico como uma subcategoria da atividade física que é planejada, estruturada e repetitiva; que resulta na melhora ou manutenção de uma ou mais variáveis da aptidão física.

O exercício físico na terceira idade pode trazer benefícios tanto físicos, como sociais e psicológicos contribuindo para um estilo de vida mais saudável dos indivíduos que a praticam 8 . De acordo com Santarém 9 alguns dos efeitos salutares da atividade física são: o aumento do HDL-colesterol, redução da pressão arterial, redução da gordura corporal, aumento da massa muscular, além de funcionar como um estímulo hormonal e imunológico. Sendo assim, a prática de exercícios físicos atua na profilaxia de doenças melhorando os fatores de risco para o desenvolvimento de diversas patologias.

Na terceira idade os exercícios que atuam revertendo perdas como a da massa muscular e massa óssea, são os mais eficazes, já que contribuem para uma maior autonomia funcional 9 .

O posicionamento da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) 10 é que o exercício físico regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso, beneficiando-o em vários aspectos principalmente na prevenção de doenças que podem levar a incapacidades 10 .

A fisioterapia, cujo objeto de estudo é principalmente o movimento humano, vem colaborar lançando mão de conhecimentos e recursos fisioterapêuticos, com o intuito de melhor compreender os fatores que possam acarretar perda ou diminuição da qualidade de vida e bem-estar nos idosos 11 ; podendo o fisioterapeuta contribuir, além da reabilitação, na conscientização da população idosa quanto à importância da prática regular de exercícios físicos, exercendo seu papel de agente promotor de saúde e colaborando para o envelhecimento bem sucedido.

Este estudo buscou investigar o perfil das mulheres freqüentadoras da Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Católica de Goiás em relação à adesão em programas de exercício físico e sua possível relação com a qualidade de vida.

MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo foi realizado com 50 mulheres, com idade acima de 60 anos, freqüentadoras da UNATI (Universidade Aberta à Terceira Idade) da Universidade Católica de Goiás, no primeiro semestre de 2004, na cidade de Goiânia.

Os dados foram coletados em abril de 2004, através da aplicação de um questionário com perguntas objetivas composto de duas partes: a primeira com 20 perguntas onde as mulheres foram indagadas a respeito de sua vida pessoal, nível de escolaridade, profissão, se é portadora de alguma doença, se pratica exercícios físicos, que tipo de exercício, qual a regularidade da prática e se não pratica quais os motivos; a segunda, composta de uma adaptação da Escala de Qualidade de Vida de Flanagan 12 , um instrumento auto-aplicável, que conceitualiza a qualidade de vida a partir de cinco dimensões: bem-estar físico e material, relações com outras pessoas, atividades sociais, comunitárias e cívicas, desenvolvimento pessoal e realização, e recreação. Essas dimensões são mensuradas através de quinze itens onde o entrevistado tem sete opções de resposta, que vai de “muito insatisfeito” (escore 1) até “muito satisfeito” (escore 7). A pontuação máxima alcançada é de 105 pontos e a mínima de 15 pontos, que refletem a mais alta e a mais baixa qualidade de vida respectivamente.

Esta escala, versão em português, tem sua confiabilidade calculada, refletindo o coeficiente alfa de Cronbach de 0,90, e o teste das metades (dados dos itens pares X itens ímpares) o índice de 0,86 13 . Em relação à validade do construto, esta já foi conferida pelo autor ao construir o instrumento indutivamente, a partir dos resultados da análise fatorial efetuada 14 .

Os questionários foram entregues a um total de 74 mulheres matriculadas no primeiro semestre de 2004 , e após o recolhimento dos mesmos somente 50 aceitaram participar da pesquisa. A participação de cada indivíduo foi voluntária e todas as participantes concederam autorização por escrito e assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Católica de Goiás.

Para a análise estatística as participantes foram divididas em três grupos: grupo A (mulheres que praticam exercícios físicos 3 vezes ou mais por semana) com idade média de 68,571 anos, grupo B (mulheres que praticam exercícios de 1 a 2 vezes por semana) com idade média de 69,714 anos e grupo C (mulheres que não praticam exercício físico) e com idade média de 73 anos.

Nos resultados onde se obteve quantias utilizou-se o teste de Qui-Quadrado e nos resultados de medidas utilizou-se a Análise de Variância. O nível de significância adotado nestes testes estatísticos foi de p<0,05. Utilizou-se ainda o Teste Kruskal Wallis.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No que diz respeito aos dados sóciodemográficos (Tabela I) não foi identificada diferença significativa entre os três grupos. Nota-se um predomínio de viúvas na população estudada, o que já foi constatado em outros estudos relacionados com idosos 13,15,16 .

Outro aspecto interessante é o número de idosas que moram sozinhas (42%) o que segundo Chamowicz apud Santos 16 é explicado não somente pela menor longevidade dos homens, mas, também, pela maior freqüência de recasamento dos homens, após a viuvez, e maior tendência destes se casarem com mulheres mais jovens.

Uma consideração importante diz respeito ao nível de escolaridade das participantes da amostra, onde 42% relataram possuir apenas o nível primário, dado bem abaixo da média de 80% encontrada no Brasil 15 .

A maioria das idosas da amostra é aposentada e não recebe pensão. Quanto à situação atual, 35 delas não trabalham, embora um número significativo (15) ainda continua exercendo alguma atividade remunerada como forma de complementar o orçamento familiar.

Tabela I – Perfil sóciodemográfico das mulheres maiores de 60 anos freqüentadoras da Unati/UCG da cidade de Goiânia-GO, 2004.

CARACTERÍSTICAS GRUPO A (%) GRUPO B (%) GRUPO C (%)
Estado conjugal
Casada 13,6 36,8 37,5
Solteira 22,7 5,3 12,5
Viúva 45,5 57,9 37,5
Divorciada 13,6 0,0 12,5
Outros 4,5 0,0 0,0
Não responderam 4,3 0,0 0,0

CONVIVÊNCIA

Sozinha 52,2 26,3 50,0
Com filhos 17,4 52,6 37,5
Outros 30,4 21,1 12,5

ESCOLARIDADE

Primário 34,8 47,4 50
Ginásio 13,0 31,6 25
Colegial 21,7 15,8 25
Nível Superior 30,4 5,3 0,0

PROFISSÃO

Dona de casa 10,3 38,1 30,0
Operária 3,4 0,0 10,0
Lavradora 10,3 4,8 0,0
Empregada doméstica 3,4 9,5 10,0
Profissional liberal 20,7 9,5 10,0
Outros 51,7 38,1 40,0
Não responderam 3,3 0,0 0,0

APOSENTADA

Sim 81,0 78,9 75
Não 19,0 21,1 25
Não responderam 8,7 0,0 0,0

PENSIONISTA

Sim 33,3 43,8 14,3
Não 66,7 56,3 85,7
Não responderam 8,7 15,8 12,5

SITUAÇÃO ATUAL

Trabalha 38,1 16,7 14,3
Não trabalha 61,9 83,3 85,7
Não responderam 8,7 5,3 12,5
Doenças
Possui
Não possui

Segundo a SBME e SBGG, o programa ideal de exercícios físicos para os idosos deve durar de 30 a 90 minutos, se possível todos os dias da semana, incluindo exercícios aeróbicos, de força muscular, de flexibilidade e equilíbrio 10 . De acordo com essa recomendação somente 46% das idosas da Unati/UCG praticam exercícios da forma ideal. O restante, 54%, ou praticam exercício uma ou duas vezes por semana ou não o fazem. (Tabela II)

Os exercícios mais praticados pelas idosas são a caminhada e a hidroginástica, ou seja, a maioria ainda não segue um programa de exercícios de acordo com a proposta da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Tabela II – Exercícios Físicos

 

GRUPO A (%) GRUPO B (%) GRUPO C (%)
Importância
Sim 100,0 100,0 100,0
Não 0,0 0,0 0,0
Prática
Sim 100,0 100,0 0,0
Não 0,0 0,0 100,0
Freqüência
1 X semana 0,0 31,6 0,0
2 X semana 0,0 68,4 0,0
3X ou mais por semana 100,0 0,0 0,0
Tempo
Menor 30 min. 13,6 16,7 0,0
Maior 30 min. 86,4 83,3 0,0
Não respondeu 0,0 5,3 0,0
Modalidade
Caminhada 52,2 42,1 0,0
Natação 0,0 5,3 0,0
Hidroginástica 47,8 68,4 0,0
Exercícios Resistidos 21,7 5,3 0,0
Outros 39,1 31,6 0,0

Entre as doenças mais comuns encontradas na amostra estudada destacam-se as doenças músculoesqueléticas e cardíacas, o que corrobora com vários trabalhos atuais que citam a perda de massa muscular, massa óssea e força muscular como as responsáveis pelas grandes perdas funcionais advindas do envelhecimento 3,5,9 . Esse talvez seja o principal motivo para que as mulheres se tornem adeptas de programas bem orientados de exercícios físicos pois estes constituem uma medida eficaz para minimizar os efeitos das alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento 11 ; contribuindo para um estilo de vida mais saudável dos indivíduos que os praticam 8 .

Apesar do exercício físico fazer parte da programação que a Unati/UCG oferece uma vez por semana às idosas, nota-se que 16% delas não aderiram ao programa. De acordo com a Tabela III os motivos pelos quais as idosas não aderem à prática regular de exercícios físicos são: acomodação, falta de estímulo, falta de local apropriado, falta de tempo por cuidados com os filhos e com a casa. Essas barreiras poderiam ser transpostas com programas orientados por Fisioterapeutas sobre a importância do exercício físico para a promoção da saúde do idoso.

Tabela III – Motivos de não praticar exercícios físicos

JUSTIFICATIVA GRUPO C (%)
Não considero importante 0,0
Falta de tempo por cuidados com a casa 12,5
Falta de tempo por cuidados com o(s) filho(s) 12,5
Falta de tempo por cuidados com o trabalho 0,0
Falta de dinheiro 0,0
Falta de local apropriado 12,5
Falta de estímulo 25,0
Acomodação 75,0
Outros 12,5

ESCALA DE QUALIDADE DE VIDA DE FLANAGAN

De acordo com Ciconelli citado por Costa e Duarte 17 ; os instrumentos de avaliação de qualidade de vida e/ou saúde que estão disponíveis até o momento, não têm a capacidade de direcionar com exatidão, procedimentos propostos. No entanto podem mostrar o indivíduo em seu aspecto geral e apontar o melhor caminho para uma intervenção.

A Escala de Qualidade de Vida de Flanagan 14 é um instrumento auto-aplicável que conceitualiza a qualidade de vida a partir de cinco dimensões: bem-estar físico e material, relações com outras pessoas, atividades sociais, comunitárias e cívicas, desenvolvimento pessoal e realização, e recreação.

A primeira dimensão, que inclui os itens bem-estar físico e material, não apresentou diferença significativa entre os grupos. No item conforto material uma boa parte das idosas do grupo A (90,9%) apresentou um grau de satisfação variando de pouco a muito satisfeito; já o grupo B apresentou 84,3 % das idosas nessa mesma faixa de satisfação; e o grupo C possui 100% das idosas com essa mesma variação de satisfação.

Ainda na dimensão bem-estar físico e material, o item relacionado à saúde mostrou que no grupo das mulheres que não praticam exercício físico 75% estão pouco satisfeitas com seu atual estado de saúde; e nos outros grupos a maioria das mulheres relatou um grau de satisfação que variou de satisfeito a muito satisfeito (78,2% no grupo A e 61,1% no grupo B). Esse resultado se deve ao fato de que os exercícios físicos programados e bem orientados melhoram a auto-estima, o metabolismo do organismo, a força, o equilíbrio, a resistência e minimiza as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento capacitando o indivíduo a realizar AVDs e maximizando sua qualidade de vida 11 .

A dimensão relações com outras pessoas também não apresentou diferença significativa entre os três grupos. O item relacionamento com pais, irmãos e outros parentes demonstra homogeneidade entre os grupos. Apenas duas idosas do grupo A e duas do grupo B relataram grande insatisfação em relação a este item o que pode refletir a presença de conflitos familiares. Já no item constituir família: ter e criar filhos, observamos que nove idosas não informaram seu grau de satisfação, o que nos leva a pensar na presença também de conflitos familiares; na possibilidade de problemas de fertilidade, falta de um companheiro ou timidez em expor seus sentimentos a respeito disso.

No item relacionamento íntimo com esposo, namorado ou outra pessoa relevante, as respostas variaram de muito satisfeito a muito insatisfeito e, ainda 10 idosas não responderam essa questão. Mais uma vez o pudor em relatar suas experiências pode estar refletido neste item.

O item amigos próximos mostrou que grande parte das idosas está satisfeita com seu círculo de amizades.

A dimensão desenvolvimento pessoal e realização foi a única que apresentou diferença significativa em um dos seus quatro itens analisados.

O item participação em associações e atividades de interesse público mostrou que no total nove idosas são indiferentes em relação a essa questão e que 40% das idosas do grupo B relataram um certo grau de insatisfação. Esse achado parece contraditório com a realidade dessas mulheres, que estão participando voluntariamente de um grupo da terceira idade, ou que talvez esse grupo não tem correspondido às suas expectativas.

Na dimensão desenvolvimento pessoal e realização o item autoconhecimento mostrou diferença significativa entre os três grupos estudados. As mulheres que praticam exercício físico 3 vezes ou mais por semana (Grupo A) apresentaram um grau de satisfação maior que as dos outros grupos, ficando a maioria (52,2%) muito satisfeita quanto ao reconhecimento de seus potenciais e limitações. No grupo das mulheres que não praticam exercício físico (Grupo C) nenhuma delas apresentou esse grau de satisfação. Esse resultado de certa forma reforça a idéia de Santarém 9 de que o exercício físico sempre esteve ligado à imagem de pessoas saudáveis e vigorosas; e que pessoas fisicamente ativas preservam sua capacidade funcional e autonomia 11 , o que as tornam mais independentes, mais observadoras do mundo ao seu redor e capazes de experimentar novas oportunidades na vida. O exercício físico pode ajudar no combate à depressão atuando como catalisador do relacionamento interpessoal, produzindo agradável sensação de bem-estar e estimulando a autoestima pela superação de pequenos desafios 9 .

Tabela IV – Item Autoconhecimento

Grau de Satisfação Grupo A Grupo B Grupo C
Quantia % Quantia % Quantia %
Muito Insatisfeito 0,0 0,0 0,0
Insatisfeito 1 4,3 1 5,6 0,0
Pouco Insatisfeito 0,0 0,0 0,0
Indiferente 2 8,7 2 11,1 0,0
Pouco Satisfeito 1 4,3 5 27,8 3 42,9
Satisfeito 7 30,4 7 38,9 4 57,1
Muito Satisfeito 12 52,2 3 16,7 0,0
Total 23 100,0 18 100,0 7 100,0
Não Informado 0,0 0,0 1 5,3 1 12,5

A dimensão recreação, quinta e última da escala, não mostrou em nenhum item diferença significativa entre os grupos.O item participação e recreação ativa apresentou no grupo C um grau elevado de indiferença e pouca satisfação, totalizando 71,5% das respostas. Isso demonstra a atual situação dessas idosas de sedentarismo e inatividade.

No item assistir TV, ouvir música e outros entretenimentos, todos os grupos relataram alto grau de satisfação assim como no item socialização, o que condiz com o momento ao qual estão vivendo na Unati onde as possibilidades de entretenimento e socialização são grandes.

O Gráfico 1 apresenta a média de pontuação na Escala de Qualidade de Vida de Flanagan de cada grupo, em cada item do questionário. A maioria das participantes deste estudo obteve escore total na Escala de Qualidade de Vida de Flanagan acima de 60, o que indica um grau de satisfação com a qualidade de vida variando de pouco a muito satisfeitas. (Gráfico 2).

qualidade-vida-exercicio-terceira-idade-1
qualidade-vida-exercicio-terceira-idade-2
De acordo com os dados apresentados não houve diferença significativa na qualidade de vida dos três grupos avaliados. Apenas o item autoconhecimento mostrou diferença significativa, evidenciando melhor grau de satisfação nos indivíduos que praticam exercícios três ou mais vezes por semana.

CONCLUSÃO

Apesar da Escala de Qualidade de Vida de Flanagan ser um instrumento auto-aplicável e conter apenas 15 itens, a dificuldade das idosas em respondê-los pode ter influenciado neste resultado. Santos 16 relata algumas limitações em alguns itens da EQVF, chamando-os de pouco operacionais, pois não evidenciam, plenamente, comportamentos físicos por meio dos quais o constructo de qualidade de vida se expressa, resultando em dificuldades quanto à sua compreensão pelos idosos pesquisados. Outra possibilidade é que o exercício físico não seja um fator determinante da qualidade de vida como vários estudos relatam 7,9,10 ; ou que este instrumento não seja o ideal para a avaliação da qualidade de vida dessa população sendo necessário o acréscimo de uma questão dissertativa que segundo Gonçalves 13 torna-se básica pois identifica a dimensão dinâmica da definição do conceito segundo as circunstâncias pelas quais o respondente está passando; ou ainda que, o número de idosas da amostra tenha sido insuficiente.

É necessário que sejam realizados mais estudos a fim de estabelecer a relação da qualidade de vida com a prática regular de exercícios físicos.

REFERÊNCIAS

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