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Recursos Terapêuticos que Auxiliam na Melhora da Qualidade de Vida do Idoso com Lesão por Pressão – Uma Revisão Sistemática

Recursos Terapêuticos que Auxiliam na Melhora da Qualidade de Vida do Idoso com Lesão por Pressão – Uma Revisão Sistemática

INTRODUÇÃO

Úlcera por pressão é uma lesão localizada na derme ou nos tecidos/estruturas subjacentes como fáscia, músculos, tendões, sobre as proeminências ósseas. Inúmeros fatores contribuintes podem estar associados a essas lesões, entretanto uma das principais causas é uma pressão isolada ou combinada com fricção/cisalhamento exercida sobre as estruturas que estão sobrepostas a um período prolongado de tempo. Elas surgem em locais de pressão contínua, interrompendo o fluxo sanguíneo resultando em necrose isquêmica dos tecidos. Essas lesões podem se apresentar clinicamente sob forma de eritema, bolhas, ulcerações ou de lesões cobertas com escaras necróticas (GOODE; ALLMAN, 2002). As complicações mais frequentes estão relacionadas a problemas infecciosos, tanto em nível local como sistêmico decorrente da proliferação de microrganismo que colonizam as úlceras (MARINI, 2002). As localizações mais acometidas pelas úlceras de pressão são: região isquiática (24%), podendo chegar aos índices próximos de 50% (YAMAMOTO et al.,1990 apud COSTA et al.,2005) sacrococcígea (23%), trocantérica (15%), calcânea (8%), maléolos laterais (7%), cotovelos (3%), região occipital e escapular correspondem a 1% (ROCHA et al., 2006). Acometem aproximadamente 9% dos pacientes internados e por volta de 23% dos acamados que estão em tratamento domiciliari. No entanto, a incidência de LP é elevada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), podendo ultrapassar 50%, porque os pacientes encontram-se sedados, sem mobilidade e sensibilidade, favorecendo o desenvolvimento dessas lesões.

A classificação adotada baseia-se na profundidade do acometimento e no limite entre os tecidos lesados:

Grau I: é uma resposta inflamatória aguda, nas camadas da pele. Pele intacta com uma área localizada de eritema não branqueável. Pode ser apresentar diferente em pele/ de pigmentação escura: alteração na temperatura ou endurecimento

Grau II: perda parcial da espessura da pele com derme exposta. O leito da ferida é viável, rosa ou vermelho, úmido e também pode apresentar flictena (bolha) com exsudato seroso intacto ou rompido

Grau III: Perda total da espessura da pele no qual o tecido adiposo é visível na lesão. O tecido de granulação e a borda despregada da lesão estão frequentemente presentes. Esfacelo podem ser visíveis (Se o esfacelo cobrir a extensão de perda tecidual, tem-se uma LPP não estadiável).

Grau IV: Perda total da espessura da pele e exposição ou palpação direto de tecidos como fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso. Esfacelos podem ser visíveis. Bordas despregadas ou deslocamentos ocorrem frequentemente.

Lesão por pressão não estadiável:

Perda total da espessura da pele e perda tissular não visível. O dano tecidual no interior da lesão não pode ser confirmado porque está coberta de esfacelo. Se o esfacelo for removido, a LPP poderá ser classificada como Grau 3 ou 4.

Atualmente, as lesões por pressão (LPs) são um dos principais problemas de saúde pública. É considerado um problema grave, especialmente em pacientes idosos, com situações de doenças crônico-degenerativas e também é encontrado em inúmeras situações clínicas onde o paciente apresenta déficit motor e alterações de sensibilidade. É uma patologia que apresenta altos níveis de morbidade, sendo associada à diminuição da qualidade de vida dos pacientes, devido à condição física e psicológica que a doença promove, determinando assim, um impacto socioeconômico e de saúde pública de grande relevância no Brasil. A existência de inúmeras ulcerações cutâneas, suas variedades etiológicas e semelhanças clínicas podem dificultar na hora de identificar e classificar a úlcera por pressão. O conhecimento de suas características clínicas e das alterações cutâneas é de extrema importância para o diagnóstico e conduta correta. Para que o paciente tenha qualidade em seu tratamento, é importante que o profissional seja capacitado para realizar uma boa avaliação inicial, detectando os fatores de risco e escolhendo corretamente as medidas preventivas que serão implantadas por ele.

A Fisioterapia acaba atuando na prevenção das úlceras de pressão, realizando mudança de decúbito, exercícios ativos e passivos, observação do estado geral do paciente, bem como a integridade física da pele e deambulação precoce (ANDRADE; FULCHINI, 1998). A movimentação passiva dos membros melhora a circulação sanguínea aumentando a oferta de oxigênio aos tecidos, prevenindo desta forma a formação de úlceras e contraturas (CAMPEDELLI; GAIDZINSKI, 1991). A fisioterapia tem como objetivo nos processos ulcerativos, a redução no período de cicatrização destes, possibilitando aos indivíduos um retorno mais rápido às suas atividades sociais e de vida diária trazendo uma melhora na qualidade de vida de pessoas portadoras de úlceras cutâneas (GONÇALVES et al., 2000).

MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho constitui-se de uma revisão sistemáticaintegrativa de caráter descritivo. A busca de dados ocorreu em um período de 10 anos (2011-2021) nos portais e nas bases de dados: PubMed, Embase que compreende a Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Web of Science, Physiotherapy Evidence Database (PEDro), Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e Scopus. As palavras chaves utilizadas foram: Úlcera; Lesão por pressão; Lesão por pressão e Fisioterapia; Lesão por pressão e Modalidades Fisioterapêuticas. Foi realizada também busca no Google acadêmico no período de 2011 a 2021.

RESULTADO

A literatura científica traz alguns recursos eletrotermoterápicos utilizados na prática fisioterapêutica no tratamento de úlceras de pressão, dentre os quais, destacam-se:

Laser de baixa potência

Os relatos dos primeiros tratamentos de úlceras crônicas com laser de baixa intensidade em humanos aconteceram durante o final da década de 60, onde se utilizaram do laser tipo HeNe (hélio-neônio) com doses de 4 J/cm2, em que houve bons resultados na velocidade de cicatrização e da redução da dor (KITCHEN, 2003). O laser atua na pele aumentando a migração de fibroblastos e consequente formação de colágeno, promovidos pela vasodilatação, estimulando a síntese de DNA, e promovendo o aumento da atividade das células epiteliais basais, facilitando a neovascularização de vasos já existentes, gerando melhores condições para uma cicatrização rápida. Dessa forma, este recurso favorece a cicatrização de feridas cutâneas (GONÇALVES et al., 2000; LOW; REED, 2001; VEÇOSO, 1993).

Ultrassom terapêutico

Consiste numa modalidade de penetração profunda, capaz de produzir alterações nos tecidos por mecanismos térmicos e não- térmicos. É uma forma de energia mecânica não audível, que consiste em vibrações de alta freqüência (SPEED, 2001 apud FERREIRA; MEDONÇA, 2007). Este recurso é amplamente utilizado no tratamento de feridas cutâneas, pois acelera a cicatrização da ferida, aumentando a  fase inflamatória, estimulando os macrófagos a liberarem fatores de crescimento e agentes quimiotáticos que são necessários para o desenvolvimento de um novo tecido conjuntivo no local da lesão (DYSON, 1987 apud MARQUES et al., 2003; O’ CONNOR, KIRSHBLUM, 2002).

A estimulação Elétrica de Alta Voltagem

Designada impropriamente de Estimulação Galvânica pulsada de alta voltagem, pois o termo refere-se a uma corrente contínua, unidirecional, portanto sem pulsos (RALSTON, 1995 apud DAVINI et al., 2005). A estimulação elétrica para o reparo do tecido tem sido usada clinicamente para tratar uma variedade de condições e tipos de feridas, incluindo úlceras de pressão (O’CONNOR, KIRSHBLUM, 2002). Os mecanismos pelos quais a EEAV promove a cicatrização de úlceras cutâneas não estão totalmente esclarecidos, porém, uma das hipóteses mais provável para explicar o sucesso dos tratamentos parece estar relacionada ao efeito bactericida promovido por esse recurso terapêutico (SZUMINSKY et al., 1994 apud DAVINI et al., 2005). Especula-se que as mudanças eletroquímicas são as principais responsáveis por esse efeito, pois parecem ocasionar mudanças no pH, geração de calor localizado e, por fim, o recrutamento de fatores antimicrobianos já presentes no organismo (DAVINI et al. 2005).

Alta frequência

Alta frequência (AF) é utilizado para atuar no processo cicatricial da LP, o recurso age variando entre corrente alternada de baixa e alta intensidade em períodos específicos, desta forma os efeitos causam um efeito térmico e bactericida no local lesionado, levando ao aumento da circulação sanguínea e oxigenação celular. O recurso de AF possui eletrodos monopolares confeccionados em vidro numa base metálica, tendo um vácuo no seu interior, contendo um gás específico para o tratamento, devido a um único campo elétrico causado. Possui a capacidade de desenvolver alterações fisiológicas desencadeando resultados positivos no tratamento de reparos e lesões teciduais. A intensidade deve ser aplicada respeitando o limiar do paciente.

CONCLUSÃO

Diante das complicações que as úlceras de pressão trazem à saúde dos pacientes, como porta de entrada para microrganismos, aumentando a morbidade e mortalidade destes indivíduos e diminuindo a qualidade de vida, é necessária a prática de medidas preventivas e curativas para esta condição. Os recursos eletrotermoterápicos fisioterapêuticos são apontados como forma de tratamento, de maneira efetiva e de baixo custo, reforçando também a importância dos cuidados preventivos que devem ser prestados aos pacientes de risco pela equipe multidisciplinar treinada.

REFERÊNCIAS

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25737261/- Nonpharmacological Interventions to Heal Pressure Ulcers in Older Patients: An Overview of Systematic Reviews (The SENATOR-ONTOP Series)

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/805289/- [Pathology, prevention and therapy of decubitus ulcer. 3. Etiology other than sustained physical pressure] https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25105475/- A prospective, randomized, controlled, clinical study to evaluate the efficacy of high-frequency ultrasound in the treatment of Stage II and Stage III pressure ulcers in geriatric patients

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30123047/- Effect of laser therapy on expression of angio- and fibrogenic factors, and cytokine concentrations during the healing process of human pressure ulcers https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25553751/- Lifestyle changes and pressure ulcer prevention in adults with spinal cord injury in the pressure ulcer prevention study lifestyle intervention

https://doi.org/10.31011/reaid-2016-v.77-n.15-art.373- Silveira IA, Oliveira BGRB de, Carvalho MR de, Andrade NC, Peixoto BU. Eletroterapia em úlceras venosas: uma revisão integrativa. 8abr.2019. https://www.scielo.br/j/fp/a/KCGtxZvGqqNjT7k5ZYQkD4q/?lang=pt- Estimulação elétrica de alta voltagem incrementa a cicatrização de lesões cutâneas crônicas: análise de seis casos

https://periodicos.pucpr.br/index.php/fisio/article/viewFile/19603/18945- USO DA ELETROESTIMULAÇÃO DE ALTA VOLTAGEM NA CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS VENOSAS. Rittche Pires Santos[a], Carolina Almeida Nascimento[b], Everaldo Nery de Andrade[c]

https://www.unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/revistafafibeonline/sumario/21/21112012211553.pdf- Atuação fisioterapêutica na úlcera de pressão: uma revisão de literatura

https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1289590- Lopes, Alexandra Nogueira Mello; Batassini, Érica; Beghetto, Mariur Gomes. Rev. gaúch. enferm ; 42: e20200001, 2021

https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-908648- Efeito da estimulação elétrica de alta voltagem para o tratamento de úlceras por pressão: um estudo experimental de caso único.

https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1032214- High frequency generator in the treatment of injury by pressure in elderly. Almeida, Rafael de; Giacomolli, Cristiane Maria Hagemann; Coelho, Edina Linassi; Bittencourt, Vivian Lemes Lobo; Callegaro, Carine
Cristina; Stumm, Eniva Miladi Fernandes. Rev.enferm. ago.2017.

https://leaosampaio.edu.br/repositoriobibli/tcc/JULIANA%20ALVES%20DE%20MEDEIROS.pdf

https://doi.org/10.5327/Z1806-3144201700040007 i Souza NR de, Freire D de A, Souza MA de O, Santos ICRV, Santos L de V dos, Bushatsky M. Fatores predisponentes para o desenvolvimento da lesão por pressão em pacientes idosos: uma revisão integrativa. ESTIMA 2017 15(4).

ARTIGO PUBLICADO EM: 21/09/2023



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