Digite sua palavra-chave

post

Prática Mental No Exercício De Marcha No Paciente Hemiparético

Prática Mental No Exercício De Marcha No Paciente Hemiparético

INTRODUÇÃO

O paciente hemiparético é aquele onde após o Acidente Vascular Encefálico (AVE) ou Acidente Vascular Cerebral (AVC) teve a sua marcha afetada causando uma redução ou imobilidade.
A marcha é um movimento normal do movimento do corpo e necessária, e qualquer desvio pode acarretar em um padrão anormal, como acontece com o paciente hemiparético, onde há grande espasticidade e a musculatura encontra-se hipotrofiada.
Na marcha hemiparética, após o AVE, o membro inferior afetado não consegue suportar o peso durante a fase de apoio, nem de projetar corretamente o corpo. Recebe também o nome de marcha em ponto e vírgula, ou ceifante.
Assim, alguns estudos com pacientes hemiparéticos começaram a ser realizadas por americanos como Twitchell nos anos 1950, que descreveu o curso natural das paralisias, identificando padrões de recuperação. Anos depois avaliando os padrões através de métodos e escalas.
Os estudos de marcha mostram que ela a envolve a ação muscular de vários grupos desde o tornozelo, do pé, do joelho e do quadril. Baseado no fato de que, 63% das pessoas que sobrevivem a um AVE, por exemplo, terão algum déficit motor por curto período e que mais da metade, continuarão com esses déficits motores por 1 ano, que se faz necessário a discussão sobre o assunto.
Dessa forma é muito importante a recuperação da capacidade de movimentação desse paciente. Estudos indicam que a melhoria na marcha é a principal meta no processo de reabilitação.
A prática mental como conceito é basicamente um método de treinamento em que a reprodução interna de uma ação ou evento é repetida com finalidade de aprender uma nova habilidade ou melhorar o desempenho de uma ação já conhecida, mas que pode estar esquecida ou estagnada. Pode ainda, no que concerne ao movimento, o ato de imaginar um movimento, é chamado de imaginação motora.
A prática mental tem sido analisada como técnica na reabilitação de hemiplégicos, que consiste no treinamento mental onde o sujeito imagina ativamente determinada ação motora, mesmo sem executá-la que podem ser realizadas de duas formas: cinestésica- quando o paciente imagina-se executando a ação, tentando reproduzir em sua mente as sensações do mesmo e a segunda, imaginética- baseada na percepção visual do movimento imaginado, que já é uma estratégia de imaginação em terceira pessoa.
Segundo estudos, as técnicas de neuroimagem permitem que o circuito neural empregado no processo de simulação mental do movimento seja semelhante ao utilizado durante a execução da ação.
Assim, a importância de um estudo que investigue a prática mental no treinamento de marcha para paciente hemiparético.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi utilizado como metodologia do estudo descritivo e exploratório, através da revisão bibliográfica em livros e artigos científicos dos últimos quinze anos.
A revisão bibliográfica tem por finalidade levantar todas as referências encontradas sobre um determinado tema, de modo que tais referências possam estar em qualquer formato que possa contribuir para um primeiro contato com o objeto de estudo investigado.
O estudo exploratório tem por objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito, e objetiva o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições.
No que diz respeito à pesquisa descritiva, salienta-se que esse tipo de pesquisa expõe as características de determinada população ou fenômeno, estabelece correlações entre variáveis e define sua natureza.
As bases de dados utilizadas foram Scielo, PubMed e Lilacs, onde descriptores foram utilizados em língua inglesa e portuguesa. Os descriptores utilizados foram: Marcha or March; Paciente hemiparético or Hemiparetic patient; Prática Mental or Mental practice e Exercícios or Exercises.

RESULTADOS

Foram encontrados 33 artigos científicos sobre o tema, utilizando os descriptores acima listados. Dois artigos com mais de quinze anos de publicação, foram excluídos por se enquadrarem nos critérios de exclusão, restando assim, 31 artigos para a discussão.

DISCUSSÃO

O AVC é uma patologia altamente incapacitante e de alta incidência, que além de ser um problema de saúde pública, incapacita pessoas principalmente na marcha, facilitando quedas e incapacitando para as atividades de vida diária.
O AVE é uma patologia clínica que consiste em um déficit neurológico proveniente de distúrbio na circulação cerebral, resultando em morte ou incapacidades, cujas manifestações envolvem alterações motoras, cognitivas e/ou emocionais e até sensitivas.
O AVE, afeta a marcha dos pacientes, trazendo um padrão ceifante, ocasionando numa abdução exagerada do membro durante a fase de balanço, dificultando a flexionar o quadril e o joelho. Segundo estudos, a espasticidade é piorada no AVE e interrompe a resposta postural automática que contribui para que o indivíduo consiga ficar de pé, dificultando a marcha e aumentando o risco de quedas.
Segundo estudos, os pacientes hemiparéticos não têm o controle motor necessário para distribuir o peso do corpo uniformemente sobre os membros inferiores quanto tentam se colocar de pé, o que acarreta em apenas cerca de 36% de peso corporal apoiado pelo membro parético. Na marcha, o corpo e seu equilíbrio ficam em déficit, e acabam limitando a capacidade de desviar e apoiar o peso corporal no membro parético, ocasionado diminuição da velocidade, deteriorando a marcha.
Diversas abordagens são utilizadas para intervenção fisioterapêutica no AVC, dentre estas a prática mental, como uma das práticas que melhora a habilidade motora dos pacientes pós AVE e AVC.
Efeitos benéficos são apontados em áreas motoras suplementar e o córtex pré-motor que são ativados durante a imaginação motora, na prática mental. Como os neurônios da área motora suplementar estão envolvidos na preparação dos movimentos, pode-se haver uma preparação dos movimentos através da imaginação relacionada a esses movimentos.
Assim, em relação ao córtex pré-motor, estudos mostram que diferentes estratégias de imaginação como a imaginética e cinestésica, imaginando o próprio movimento ou imaginar o movimento no espaço ativam diferentes áreas desta região.
A prática mental no treinamento da marcha não depende que o paciente mantenha a capacidade de movimento, mas a intenção da mesma, e segundo estudos, juntos com outros treinamentos, podem alcançar objetivos como forma de fortalecer o programa motor.
A técnica através da neuroimagem demonstra também que durante a imaginação motora as vias motoras descendentes são ativadas, o facilita o trabalho corticoespinal quando a prática mental é realizada, e quando comparada à prática física. Ocorrendo também na modulação no tempo de duração da tarefa e na resposta, fazendo com que a imaginação motora e a prática real reajam de formas similares.
Segundo estudos, os dois tipos de prática mental, auxiliam o paciente hemiparético, pois, tanto por meio da imaginação externa quanto por meio da imaginação interna ativam as redes cerebrais sobrepostas, que incluem as áreas motoras. Há apenas diferenças com predominância de ativação nas regiões occipitais e parietais superiores, e no visual, e de áreas frontais, cerebelo e parietal inferior na simulação cinestésica.
O estudo analisou o treinamento mental e análise instrumental da marcha hemiparética pós AVE, em um estudo com quatro indivíduos do sexo masculino, recrutados através da avaliação de prontuários da Clínica Escola, portadores de acidente vascular encefálico (AVE). Após o estudo, considerou-se que, os pacientes que realizaram o treinamento mental somado ao tratamento cinesioterapêutico apresentaram maior porcentagem de melhora. Em relação ao equilíbrio, avaliado pela Escala de Equilíbrio de Berg e pelo Time up and Go, observou-se ganhos em ambos grupos, sendo que o grupo de estudo obteve melhores pontuações.
Outro estudo realizado através de análise de literatura, concluiu que prática mental em pacientes com sequelas motoras após AVC pode utilizada como complementar a terapêutica disponível para pacientes com AVE ou AVC.
O estudo realizado com pacientes com AVC, cuja idade média dos participantes foi de 60,8 anos, sendo predominantemente do gênero masculino, onde foi verificado que a prática mental contribuiu para que os pacientes se sentissem mais motivados e autoconfiantes, e segurança para desempenhar determinadas atividades de vida diária.

CONCLUSÃO

Através da revisão bibliográfica dos artigos encontrados foi possível perceber que o pós AVE e AVC podem provocar alteração na marcha e trazendo assim, incapacidade ao indivíduo.
Há necessidade primordial de técnica para o restabelecimento da marcha no paciente hemiparético, necessitando assim da investigação de técnicas para o tratamento terapêutico.
A prática mental tem sido analisada juntamente com outras técnicas fisioterapêuticas, mostrando em diversos estudos que a concomitância dos dois acarreta em melhora significativa na marcha, como também autoconfiança e segurança de pacientes hemiparéticos.
Apenas alguns estudos analisaram a prática mental como treinamento da marcha nessa população. Assim, deixa-se aqui a indicação para que outros estudos sejam realizados analisando a prática mental para o treinamento da marcha em paciente hemiparético.



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Open chat
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.
Powered by