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Pilates na Lombalgia: Estudo de Caso

Pilates na Lombalgia: Estudo de Caso

INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, a lombalgia tem sido considerada um sério problema na saúde pública, pois afeta grande parte das pessoas economicamente ativas, incapacitando-as temporária e até mesmo definitivamente para as atividades físicas e profissionais (REISE MORO, 2003).
Segundo Zavarize e Wechsler (2012) a dor lombar pode ser classificada de várias maneiras, uma das formas mais utilizada é de acordo com a duração. As agudas apresentam início súbito e com duração inferior a seis semanas, já as lombalgias subagudas tem duração de seis a doze semanas, e as crônicas são definidas com duração superior a doze semanas. Pode-se afirmar que as dores lombares classificadas como crônicas são caracterizadas por uma síndrome incapacitante e por dor. Dor esta que perdura após o terceiro mês, a contar a partir do primeiro episódio de dor aguda, além de gradativa incapacidade, muitas vezes tendo início impreciso e com quadros instáveis
de melhora e piora.
Quando se é acometido por dores crônicas, exercitar-se adquire ainda maior relevância, pois a prática de exercício pode reduzir problemas musculoesqueléticos, como encurtamento, perda de mobilidade articular e fraqueza, situações essas que contribuem para a piora da dor. O tratamento da dor é dirigido à sua fonte e a quaisquer deficiências ou limitações funcionais musculoesqueléticas, bem como quaisquer problemas e disfunções que podem ser prevenidos e identificados durante o processo de avaliação. O alongamento tem se mostrado muito eficaz para diminuição da dor e tensão muscular (ALMEIDA e JABUR, 2006).
O método Pilates surgiu durante a 1ª Guerra Mundial, para reabilitar os lesionados da guerra. Recentemente, o método passou a ser usado por profissionais de saúde, com o objetivo de integrar corpo e mente, proporcionando melhora do condicionamento físico, flexibilidade, força, equilíbrio e a consciência corporal
(LATEY,2001).
Os exercícios que compõem o método envolvem contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e, principalmente, isométricas, com ênfase no que Joseph Pilates denominou power house (ou centro de força). Este centro de força é composto pelos músculos abdominais, glúteos e paravertebrais lombares, que são responsáveis pela estabilização estática e dinâmica do corpo. Durante os exercícios a expiração é associada à contração do diafragma, do transverso abdominal, do multífido e dos músculos do assoalho pélvico, visando o tratamento e a prevenção de dores lombar
(PIRES E SÁ,2005/ APARICIO E PERES,2005/ HODGES E RICHARDSON,1997).
Essa técnica é caracterizada por movimentos em que os executantes mantêm a coluna vertebral em posição neutra, utilizando o recrutamento muscular apenas da musculatura necessária, evitando fadiga precoce e diminuição da estabilidade corporal. O método previne lesões e proporciona um alivio nas dores crônicas, além de estimular
a circulação, melhorar o condicionamento físico, a flexibilidade, amplitude muscular, alinhamento postural, melhorar a coordenação motora e os níveis de consciência corporal (ARAÚJO et al, 2010).
Sendo uma das técnicas utilizadas pelo fisioterapeuta no tratamento de diversas disfunções, torna-se imprescindível que se conheçam suas aplicações, contraindicações, forma de utilização, além de outras características; oferecendo ao paciente a técnica de forma adequada à disfunção apresentada.
Portanto, este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia do Método Pilates no tratamento de lombalgia, uma vez que há ênfase no fortalecimento do centro de força e correção postural.

MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizado uma intervenção através do método pilates no Studio Shyra Fraga, em um paciente portador de lombalgia, durante o período de 1 mês, em duas sessões semanais. Utilizou-se para a mensuração do quadro de dor lombar a Escala Visual Analógica (EVA) durante um mês, sendo as seguintes perguntas: 1- Você tem dor? 2-
Como você classifica sua dor? questionando-o: a) Se não tiver dor, a classificação é zero/ b) Se a dor é moderada, seu nível de referência é cinco/ c) Se for intensa, seu nível de referência é dez. Pergunta repetida 1 vez por semana. O paciente foi acompanhado e avaliado por mais 2 meses Através de pesquisa eletrônica utilizando a base de dados da MEDLINE e LILACS, utilizando como termos de procura as palavras- chaves: Pilates, lombalgia, beneficios, fisioterapia e tratamento, foram selecionados artigos originais com populações adultas (> 18 anos), publicados entre 1997 e 2015, publicados em língua inglesa e portuguesa, e classificados como Artigo cientifico. Foram excluídos artigos publicados antes do ano 1997 ou classificados como reportagem.
Relato do caso:
Paciente G.C.F, sexo masculino, 35 anos, vendedor, com história de dor lombar há 4 meses. Praticante de corrida de rua, com nenhum tratamento e diagnóstico fechado para a dor lombar sem comorbidades. Submetido no dia 05/11/2015 a uma avaliação postural e de flexibilidade onde foi observado alterações posturais sendo as principais: Anteriorização da cabeça, ombros protusos, retificação lombar e torácica, joelhos valgos. O aluno apresentou também encurtamento muscular de isquiotibias, tríceps sural, adutores além de mobilidade reduzida na torácica e lombar.
Foi feita uma aplicação semanal da escala visual analógica de dor. A partir da primeira sessão foram focados exercícios nos quais a paciente trabalhou alongamento, mobilização e fortalecimento de forma progressiva e respeitando o limite do paciente.
Durante as sessões foram repetidas a mesma rotina de trabalho, com algumas variações. Em todos os movimentos foi enfatizada a respiração, trabalho dos músculos abdominais, assoalho pélvico e consciência corporal. No total o paciente realizou 26 sessões. Sendo 18 sessões feitas após cessação da dor permanecendo nula.

RESULTADO E DISCUSSÃO
O paciente apresentou melhora gradativa da dor até a sua nulidade, com o tratamento exclusivo do método Pilates como mostra a tabela 1.

Tabela1. Resultado da escala analógica de dor
Semana: Nota para dor (EVA*):
Primeira – 10
Segunda – 7
Terceira – 4
Quarta – 0
*EVA- Escala Visual Analógica.

O paciente durante os 2 meses adicionais continuou a referir ausência da dor. Entre as possíveis indicações do método Pilates, o tratamento da lombalgia tem sido motivo de especial estudo, provavelmente devido a alta incidência e ao alto custo com seu tratamento.
A incapacidade de estabilização da coluna vertebral causada pelo desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e flexores do tronco é um importante fator para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar. (LEE, HOSHINO E NAKUMURA, 1999). Os estudos mostram que maior que as contra-indicações são os cuidados que
devem ser tomados. Segundo Mallery et al. (2003), a maioria dos pacientes que são proibidos de participar de programas de exercício convencionais poderiam realizar os exercícios do Pilates, pois os mesmos podem ser feitos no ritmo do paciente e com progressão proporcional ao desempenho apresentado. Sendo que, em todos os estudos
analisados nesta revisão, mesmo quando foram realizadas adaptações nos exercícios, os princípios básicos do método Pilates – como centragem e respiração diafragmática – foram seguidos.
Para Conceição e Mergener (2012), o método Pilates proporcionou estabilização da coluna lombar, proporcionando uma melhora significativa na dor lombar e na qualidade de vida, pois o Pilates é um método que trabalha com exercícios musculares de baixo impacto, provocando fortalecimento da musculatura abdominal e extensores do
tronco, proporcionando maior estabilidade para tronco, tratando e prevenindo quadros álgicos lombares. Neste estudo foi comprovado que com apenas 3 meses de intervenção houve melhora significativa na diminuição da dor e no controle da lombalgia.
Segundo Maher (2004), em sua revisão sistemática sobre tratamento da dor lombar, os métodos utilizados atualmente podem ser divididos em três grandes grupos: os efetivos, os ineficazes e os que ainda não foram devidamente estudados para concluir sua eficácia. Maher (2004) concluiu que o exercício é um dos tratamentos mais
eficientes para esta disfunção, tanto a longo quanto em curto prazo. Embora em seu estudo o Pilates esteja entre as técnicas que precisam ser mais estudadas, os exercícios descritos como mais eficientes seguem os princípios do método, como contração dos músculos múltifido e transverso abdominal associados a respiração, além de progressão de acordo com as características do paciente.
Na pesquisa de Donzelli et al.(2006), os pacientes também foram divididos em dois grupos, enquanto um praticava Pilates o outro fazia exercícios baseados no método proposto pela Escola de Coluna. Foram aplicados questionários para obter intensidade de dor e o escore de disfunção, que ao final do tratamento eram de 4,3 e 6,2, respectivamente, no grupo de Pilates. Enquanto no grupo da Escola de Coluna a intensidade da dor foi de 4 e o escore de disfunção 6,5. Os valores médios encontrados foram similares em ambos os grupos, embora no grupo que praticava Pilates houve uma melhora um pouco maior no escore de disfunção no primeiro mês, que passou de 12,5 para 6,5, enquanto no outro grupo a mudança foi de 10,5 para 6,5.
Donzelli et al. (2006), conclui que o Pilates seria tão eficiente quanto a Escola de Coluna no tratamento da lombalgia, houve porém uma diferença quanto a satisfação com o tratamento. No grupo com Pilates a maioria dos participantes se declarou muito satisifeitos (61% versus 4,5% no grupo da Escola da Coluna), tal fato se deve, provavelmente, aos exercícios do Pilates serem mais simples e adaptáveis aos pacientes.
Já no estudo de Rydeard et al.(2006), pacientes que apresentavam lombalgia foram divididos em dois grupos, um realizava exercícios do método Pilates e os outros exercícios convencionais; sendo monitorada a intensidade da dor e o escore de disfunção através de um questionário. Após o tratamento, a intensidade de dor era de 18.3 e o escore de 2.0 no grupo com Pilates, enquanto no grupo controle os valores eram de 33.9 e 3.2. Levando os autores a concluir que os exercícios baseados no Pilates são mais eficazes que os usualmente utilizados no tratamento da lombalgia.
Os exercícios do método Pilates são na sua maioria executados nas posições de decúbito ventral e dorsal, havendo uma diminuição dos impactos nas articulações de sustentação do corpo, principalmente da coluna vertebral. Um programa de exercícios realizados com ênfase no fortalecimento da musculatura extensora do tronco tem se
mostrado muito eficaz, restaurando a função da coluna vertebral prevenindo o surgimento de lombalgia, e prevenções oesteoarticulares do corpo humano. O programa de estabilização central no Pilates foi criado com o intuito de ajudar indivíduos a obter ganhos de força, equilíbrio e resistência muscular, tornando-se essencial para o
equilíbrio apropriado de carga dentro da coluna vertebral, pélvis e cadeia cinética (MARÉS et al, 2012).

CONCLUSÃO
Embora mais pesquisas se façam necessárias, aplicando o método Pilates em amostra maiores, as evidências cientificas demonstra que o Método Pilates tem grande eficácia no tratamento e prevenção de dores lombares, proporcionando melhora na estabilização, força, equilíbrio e restaurando a função da coluna lombar.
Este estudo piloto mostra que o Pilates pode ser uma ferramenta eficaz para o fisioterapeuta na reabilitação, apresentando benefícios variados e poucas contraindicações.



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