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Os Impactos da estimulação e mobilização precoce em Recém nascidos pré-termos submetidos a tempo prolongado nas unidades de terapia intensiva (UTI)

Os Impactos da estimulação e mobilização precoce em Recém nascidos pré-termos submetidos a tempo prolongado nas unidades de terapia intensiva (UTI)

Introdução

Os primeiros anos de vida definem um período de extrema importância para os lactentes. Visando o desenvolvimento motor os lactentes pré termos apresentam maior evidência em impactos motores globais (RANIERO, 2010). Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) lactentes pré termo são aqueles nascidos até 37 semanas gestacionais. O período lactente é aquele que se passa entre os primeiros anos de vida da criança, evidenciado a partir dos 28 dias de vida até 24 meses (SILVA, 2006).

Recém nascidos pré termo, apresenta maior comprometimento motor e no desenvolvimento tendo em vista sua distonia transitória, consequência da prematuridade (RANIEIRO, 2010).

Panceri, Ruttnig e Cristina (2012) acrescentam que esse período é caracterizado por fases de marcos e aquisições motoras decorrentes do desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC). Assim, no primeiro ano de vida esse lactente terá uma sequência de marcos motores que o levaram a aprimorar suas capacidades neuromotoras.

Os marcos motores seguem geralmente uma sequência de habilidades simples que com o aprimoramento levam os lactentes a exercerem atividades mais complexas, como controle de cabeça e tronco, preensão palmar, rolar, ficar em quatro apoios, sedestação, ortostatismo e a deambulação (PANCERI, 2012).

Estudos demonstram que o desenvolvimento motor de um lactente pode ser influenciado por diversos fatores, desde estímulos intra-uterino, momento do parto, fatores socioambientais, a estimulação lúdica, e o ambiente onde vivem (SACCANI, 2009).

Devido a essa fase de maturação neuropsicomotora esses lactentes são influenciados de forma direta e indireta pelo ambiente onde estão inseridos (SILVA, 2006).

Silva, Santos e Gonçalves (2006), destacam que o ambiente de vivência pode influenciar diretamente o desenvolvimento nessa fase da vida. Assim um ambiente com contextos desfavoráveis podem afetar diretamente o desenvolvimento desse lactente.

Os ambientes hospitalares muitas vezes são verificados como hostis, visto a quantidade de estímulos dolorosos aos pacientes. Tendo em vista os procedimentos muitas vezes invasivos, manipulações em excesso, barulhos, luminosidade, tempo prolongado em uma posição, sensação de abandono e ausência dos pais (MARTINS, 2010).

Visando compreender em quais aspectos o tempo de permanência nas unidades de terapia intensiva (UTIs), pode afetar a capacidade do desenvolvimento motor dos lactentes, este estudo tem como característica uma revisão literária bibliográfica.

Objetivos

OBJETIVO GERAL

Entender os impactos gerados na aquisição motora de lactentes pré-termos submetidos a tempo prolongado nas unidades de terapia intensiva (UTI).

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

● Identificar o que classifica um lactente como pré termo;
● Entender em que aspectos à UTI impacta esses RNs;
● Citar os marcos motores mais importantes;
● Entender o papel da fisioterapia no desenvolvimento motor desses lactentes.

Métodos e Materiais

Foram realizadas buscas de artigos que abordavam a permanência em UTIs de lactentes, e seus efeitos, publicados nos últimos 15 anos nos seguintes sites de pesquisa: Pubmed, SciELO e Biblioteca virtual. Utilizando os descritores (hospitalized child/ motor activity/ infant/ Child development). Como critério de exclusão os artigos que não se passavam em âmbito hospitalar e utilizavam crianças acima de 24 meses, não foram utilizados no estudo.

Resultados e Discussões

PREMATURIDADE
Segundo a OMS , prematuros são aqueles recém nascidos menores que 2,500g, que não completaram acima de 37 semanas de gestação, sendo assim bebês nascidos antes deste periodo são considerados pré termos.

Essa prematuridade é classificada como pré termo leve 34 a 36, pré termo moderado 30 a 33, pré termo extremo 26 a 29, pré termo muito extremo 23 a 25.

Bebês acima de 37 semanas são considerados termos, ou seja, nasceram dentro da idade gestacional adequada para o desenvolvimento saudável intrauterino (MARTINS, 2010).

RNs pré termos também são classificados de acordo com o peso de nascimento, o que segundo Kilsztajn, (2003) impacta na reatividade dessas crianças ao estimulo.

Classificando assim á OMS:

● Menor que 2.500 g, baixo peso;
● Menor que 1.500 g, muito baixo;
● Menor que 1.000 g, extremo baixo peso.

Segundo Tronco et al., (2015) lactentes prematuros são considerados de alto risco devido a sua imaturidade de orgãos e sistemas corporais.

Kilsztajn et al., (2003) Ressalta que existe uma mortalidade maior em crianças pre termos e de baixo peso. Além de quanto mais imaturo a sua idade gestacional, mais complicações essa criança pode vir a ter após o seu nascimento.

Quanto maior o grau de prematuridade, maior o tempo de prevalência desta criança em uma UTI (RANIERO, 2010). Levando a esses bebês estímulos muitas vezes dolosos e nocivos, impactando diretamente o desenvolvimento neuromotor desses lactentes.

UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA (UTI)

Unidades de terapia intensivas oferecem suporte e monitoramento a pacientes em estado crítico. Assim também acontece nas UTIs neonatais, proporcionando assim uma maior sobrevida a esses bebês muitas vezes imaturos (SILVA et al., 2015)

Entretanto, assim como relata Martins et al., (2013), é um ambiente que submete esses RNs a estímulos muitas vezes estressantes, com ruídos, luzes e manipulações excessivas. Roseiro (2015) acrescenta, essa hiperestimulação, manipulação, ruídos e luzes, e até mesmo a monitorização do bebê, favorecem um ambiente de estresse impactando diretamente o desenvolvimento motor destes prematuros.

Lactentes termos, se adaptam melhor a estímulos externos pois já possuem maturidade de sistemas importantes como o sistema nervoso central (SNC) (TRONCO et al., 2015).

Procianoy (2006) ressalta os dispositivos invasivos que em geral os prematuros utilizam nos ambientes de UTIs como, sondas orogástrica, sondas uretrais, tubos oral ou nasal em casos de ventilação mecânica, acessos venosos. Mas também destaca os não invasivos como o saturimetro e até mesmo os sensores de frequência cardíaca.

DESENVOLVIMENTO MOTOR
Os bebês naturalmente nascem com uma imaturidade de múltiplos sistemas, o Sistema
Nervoso Central (SNC) é um deles. Assim a capacidade motora e funcional desses
lactentes está diretamente ligada à plasticidade do SNC. Esse desenvolvimento situa-se em
marcos motores que são de extrema importância para o período lactente (LUNDY-EKMAN,
2008).

Segundo Maggi et al., (2014), lactentes pré termos possuem maior propensão para atrasos
motores, cognitivos e funcionais, pois a saída do ambiente intra-uterino precocemente
impacta diretamente o processo fisiológico do desenvolvimento motor.

Já no ambiente intrauterino, existem reflexos que proporcionam ao feto uma base inicial do
desenvolvimento motor. Segundo Lundy et al., (2008) esse desenvolvimento intratuterido
influencia diretamente na maturação motora dos primeiros anos de vida.

Os prematuros além de serem submetidos a essa ruptura com o meio intrauterino,
possuem as intervenções externas que também associadas a essa perda podem interferir
diretamente no desenvolvimento. Fatores ambientais, psicológicos e genéticos somam as
possibilidades de conceber os marcos motores desse lactente (SILVA et al., 2015).

Tendo em vista uma UTI, os lactentes submetidos a tempos prolongados nessas unidades
são expostos naturalmente a estímulos considerados nocivos (RANIERO, 2010).

A maturação motoras desses lactentes, provém da inibição de alguns reflexos chamados
de reflexos primitivos. Segundo Ohlweiler et 2005, a mielinização e evolução do SNC e suas
células nervosas, provocam a diminuição e posteriormente desaparecimento desses
reflexos.

Essa maturação motora pode ocorrer em momentos distintos em cada indivíduo tendo em
vista os estímulos e o grau de dificuldade de cada criança.(SILVA et al., 2015). Com as
habilidade e desaparecimento dos reflexos citados a seguir.

Raflitte, (1 ed, 2002) descreve os reflexos citados:

● Reflexo tônico cervical assimétrico;
● Reflexo tônico Labiríntico;
● Reflexo de Galant;
● Reflexo plantar;
● Reflexo fundamental;
● Reflexo de moro;
● Reflexo de estremecimento;
● Reflexo de sustentação positiva.

Os recém nascidos tem como início dos seus movimentos os reflexos primitivos, que vão se aperfeiçoando com o amadurecimento do SNC. Esses reflexos acabam trazendo ao RN a habilidade e para aperfeiçoar as aquisições motoras (URZÊDA et al., 2009)

Esses reflexos desaparecem em lactentes entre quatro a seis meses de idade, tendo em vista um nascimento termo, sem tempo prolongado de internação nas UTIs. (LUNDY-EKMAN, 2008)

O tempo prolongado nas unidades de terapia intensiva, muitas vezes podem gerar a esses lactentes um período de imobilidade. Além disso, todos os estímulos nocivos a esse lactente interferem diretamente nas aquisições e desaparecimento desses reflexos. (MARTINS, 2010)

O PAPEL DO FISIOTERAPEUTA

A estimulação precoce tem como objetivo incentivar o sistema neuropsicomotor, a través de estímulos como tátil, vestibular, olfativo, auditivo, visual e a combinação deles (SANCHEZ, 2021)

Segundo Santos et al., (2015) através da avaliação e plano de tratamento de estimulação com exercícios de acordo com a faixa dos marcos motores deste lactente, pode-se adquirir desempenho cognitivo e motor levando ao amadurecimento para as atividades futuras deste prematuro.

Ressalva também Formiga et al., (2004) que essas intervenções devem acontecer o mais precoce possível, visando adiar impactos consequentes ao tempo de internação prolongado nas UTIs.

Vasconcelos et al., (2011), destaca a importância do profissional fisioterapeuta dentro das UTIs, utilizando de técnicas de estímulos sensoriais e respiratórios dessas crianças. Que além de prevenir atrasos motores, ajudam com o conforto e acalento do prematuro.

Dentre essas técnicas estão a massagem torácica e facial e trazem um estímulo tátil prazeroso ao bebe, dissociação de membros tanto MMSS quanto MMII, dissociação de cintura pélvica (RANIERO, 2010).

Com isso Formiga et al., (2004), relata que tem se observado um melhor desempenho em lactentes que foram estimulados precocemente na unidade de internação, além de favorecer boa resposta ao tratamento, desmame de suportes respiratórios com CPAP, desmame de oxigênio, e diminuição do tempo de permanência desses bebês nas UTIs.

Conclusão

Devido ao avanço da tecnologia e da medicina, a sobrevida de recém nascidos pré temos têm aumentado a cada ano. Porém esses bebês são submetidos a tempos prolongados de internações em unidade de terapia intensivas, as chamadas UTIs. Essa permanência gera estímulos nocivos a esses lactentes, impactando diretamente seu desempenho neuromotor.

É observado ainda um grande tabu nas manipulações desses RNs por serem pacientes em observações e cuidados críticos. Diferentemente das UTIs adultas onde já se discute mobilização precoce como rotina indispensável para a desospitalização desses pacientes.

Observação que bons resultados tem se encontrado em UTIs que já utilizam da mobilização precoce em RNs pré termo, existe uma carência de estudos, protocolos e recomendações que podem ajudar ao crescimento desta área.

A fisioterapia com princípio de reabilitar e manter funcionalidade, tem um papel de extrema importância na estimulação precoce desses pacientes, visando sempre os marcos motores e o desempenho desses lactentes.

REFERÊNCIAS

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FORMIGA, Cibelle Kayenne; PEDRAZZANI, Elisete Silva; SILVA, Fernanda Pereira dos Santos and LIMA, Carolina Daniela de. Eficácia de um programa de intervenção precoce com bebês pré-termo. Paidéia (Ribeirão Preto) [online]. 2004, vol.14, n.29, pp.301-311. Graminha SSV, Martins MAO. Condições adversas na vida de crianças com atraso no
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ARTIGO PUBLICADO EM: 14/03/2024



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