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Os efeitos do método pilates em pacientes com lombalgia e depressão

Os efeitos do método pilates em pacientes com lombalgia e depressão

Introdução

O indivíduo moderno permanece, em média, um terço da sua vida na postura sentada, o que pode causar alterações biomecânicas, como desequilíbrio muscular, entre força extensora e flexora do tronco e redução da estabilidade e mobilidade do complexo lombo-pelve-quadril, responsável pelo desenvolvimento de dores na porção inferior da
coluna (SACCO et al, 2009). E estas dores interferem na realização das atividades diárias, originando desde limitação de movimentos até invalidez temporária, dependendo da veemência da doença (KNOPLICH, 2003).

A lombalgia é um conjugado de manifestações dolorosas que acometem na região lombar, lombosacral ou sacroilíaca. Essas manifestações estão entre as mais corriqueiras apresentadas pelo ser humano. As condições desencadeantes deste distúrbio são várias, incluindo acometimentos degenerativos ou traumáticos no disco
intervertebral ou no corpo vertebral, elevada sobrecarga nas atividades laborais, movimentação exagerada, fatores psicológicos, inatividade física, flexibilidade e força diminuídas, obesidade e fumo (REISet al, 2003).

Esses distúrbios e disfunções agridem não só o corpo, mas tem impacto na habilidade em realizar tarefas e na atuação das pessoas e, por isso, representam um alto custo no seu tratamento para o sistema de saúde e para a previdência social, devido ao elevado índice de afastamento e incapacidade para o trabalho (SALVETTI, 2005).
Alguns autores analisam a intensidade da dor como o principal fator e outros afirmam que os fatores psicossociais são os mais incapacitantes (WOBY SR et al, 2007).

A lombalgia crônica frequentemente está associada à depressão, causando maior intensidade e insistência da dor, maior inabilidade, maior consumo econômico e mais fatos adversos da vida (CURRIE et al, 2004). A prevalência de dor lombar crônica varia entre 9% e 21% e muitos autores consideram-na como a dor que mais gera incapacidade
e afastamentos do trabalho (FREBURGER JK et al, 2009). A incapacidade em pacientes com dor lombar crônica varia de 11% a 76%, porém, sua gênese é frequentemente relacionada à fadiga e às deficiências musculares proporcionadas em posturas impróprias e repetitivas (PEREIRA et al, 2006).

Pacientes com dor crônica (acima de três meses) exibem problemas complexos e frequentes com motivo específico e não aparente. Com grande frequência, podemos localizar associados à lombalgia casos de depressão e ansiedade. Estas, por sua vez, podem prolongar o quadro doloroso, o que gera angústia, incapacidade e insatisfação, seja no trabalho ou na vida social (WEINSTEIN et al, 2002).

Dessa forma, na tentativa de diminuir a dor e a tensão muscular, pessoas que apresentam dores crônicas estão buscando formas de melhora, sendo o Pilates, atualmente, um dos métodos de exercício físico mais procurado.

O método Pilates surgiu durante a 1º guerra mundial, para reabilitar os lesionados da guerra. Preconiza a melhoria das relações musculares agonistas e antagonistas, favorecendo o trabalho dos músculos estabilizadores, sendo de grande valia para o tratamento da lombalgia crônica (RYDEARD et al, 2006).

Discussão

Todos os estudos analisados nesta pesquisa demonstraram que o método Pilates é importante para a melhora da dor lombar crônica inespecífica, sendo uma ferramenta eficaz na reabilitação. Em quatro estudos, a técnica de Pilates se mostrou semelhante às demais terapias convencionais utilizadas, não havendo superioridade. Em três pesquisas, os autores sugeriram que mais estudos fossem realizados a respeito da técnica em questão, embora reconhecessem seus benefícios.

Na questão pratica e clínica é importante trabalhar estabilização central, pois, de acordo com Marés et al. (2012), em sua revisão sistemática, a estabilização, quando bem trabalhada, auxilia na obtenção de força, controle neuromuscular, potência e resistência muscular, facilitando a estabilização da coluna vertebral como um todo, mas
principalmente da região lombar. Da mesma maneira, Rydeard, Leger e Smith (2006) preocuparam-se com a estabilização central em um ensaio randomizado e controlado, em que dividiram 39 indivíduos em dois grupos, sendo um grupo controle e outro submetido ao tratamento com o método Pilates, onde ambos os grupos possuíam indivíduos com sintoma de depressão. A intervenção foi realizada com exercícios para ativação de músculos da região lombo-pélvica, com ênfase na estabilização. Os autores concluíram que a dor crônica inespecífica na coluna lombar melhorou no grupo submetido à intervenção com o método Pilates, o que não pôde ser observado no grupo
controle submetido a tratamentos usuais; Onde os indivíduos com depressão presentaram uma melhora da autoestima e um maior índice de execução ao retorno das atividades de vida diária.

Segundo Meira, Vilela e Pinto (2012), o método Pilates foi eficaz na melhora da lombalgia por restaurar a função da coluna lombar por meio do ganho de força, da melhora do desempenho motor, do alinhamento postural do tronco, da resistência, da amplitude de movimento e do equilíbrio. Kolinyak e seus colaboradores (2004) demonstraram, também, com a prática do método Pilates em 20 pessoas, melhora da lombalgia pelo ganho de força. Esse método é uma eficiente ferramenta para fortalecer a musculatura extensora do tronco, favorecendo, dessa forma, uma melhora dos distúrbios da coluna lombar, com o ganho de equilíbrio entre os músculos que realizam extensão e flexão do tronco.

Semelhante estudo foi realizado por Wajswelner et al. (2012), que compararam a eficácia do Pilates com a de exercícios gerais para o tratamento da dor lombar crônica. Foram avaliados 87 voluntários com lombalgia há pelos menos três meses, sendo submetidos a sessões com duração de 60 minutos, duas vezes semanais, por um período
de seis semanas. Os autores constataram que não houve diferença entre os grupos na melhora da dor lombar, pois ambos apresentaram melhoras significativas. Puderam concluir que o método Pilatesproduz benefícios semelhantes aos de um programa de exercícios gerais, em relação à dor lombar.

Com o objetivo de verificar a eficácia do método Pilates sobre a dor lombar crônica não específica, Pereira et al. (2012) realizaram uma revisão sistemática e constataram que a técnica de Pilates, quando comparada com o grupo controle, grupo que realizava exercícios de estabilização lombar, obteve resultados semelhantes para melhora da dor lombar crônica inespecífica. Essa pesquisa corrobora a de Lim e seus colaboradores (2011), que realizaram uma revisão sistemática com meta-análise e também verificaram que os exercícios de Pilates trazem benefícios para melhora da dor lombar crônica não específica, porém não foram encontradas diferenças estatisticamente
significantes, quando comparados com outros tipos de exercícios físicos. Evidenciaram que não há superioridade dessa técnica em relação às demais terapias utilizadas para o tratamento específico da lombalgia.

La Touche, Escalante e Linares (2007), em sua pesquisa que teve por objetivo revisar e analisar artigos científicos em que o método Pilates foi utilizado para tratamento da lombalgia, verificaram que houve melhora da dor lombar crônica não específica e da função geral. Porém, sugeriram mais estudos para determinar quais parâmetros devem ser utilizados na prescrição de exercícios baseados no método Pilates em indivíduos que sofrem de dor lombar crônica não específica. A pesquisa de La Touche, Escalante e Linares (2007) foi feita de acordo com a revisão sistemática de Maher (2004), que verificou que o exercício físico produz grandes reduções na dor e na incapacidade, desempenhando um papel importante no tratamento da lombalgia.

Evidencia-se que a terapia baseada no método Pilates precisa ser mais estudada e elucidada, assim como a acupuntura, a hidroterapia, a eletroterapia, a tração e a manipulação, dentre outras. Posadzki e seus colaboradores (2011) fizeram uma revisão sistemática e verificaram que o método Pilates foi eficaz no tratamento da dor lombar,
mas salientaram a necessidade de realizarem mais pesquisas com um número maior de participantes, utilizando definições mais claras sobre a forma de utilização dos exercícios e sobre a comparação de resultados.

Considerações finais

Pela análise dos artigos apresentados nesta pesquisa, foi possível observar que o método Pilates demonstra ser eficaz na melhora da dor lombar crônica inespecífica. A técnica trabalha ganho de força e resistência, melhora da flexibilidade e amplitude de movimento, realiza trabalho respiratório, auxilia a função corporal, estabiliza a musculatura da região lombar e orienta a postura, contribuindo de forma positiva na percepção da qualidade de vida, além de ter poucas contraindicações, sendo, dessa forma, utilizada como um recurso terapêutico importante na melhora da lombalgia, independentemente de causa ou idade.

Algumas pesquisas salientam a necessidade da realização de mais estudos a respeito desse tipo de intervenção, por não haver um protocolo de exercícios específicos e por não ter tempo e frequência bem definidos para o tratamento da dor lombar crônica inespecífica, embora reconheçam os benefícios do método.

Referências

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Artigo públicado em: 20/05/2021

 



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