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Os Efeitos da Atividade Física Programada e Supervisionada em Idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica

Os Efeitos da Atividade Física Programada e Supervisionada em Idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um processo de degradação progressiva e diferencial que afeta todos os seres vivos (OMS, 2015) culminando com a morte do organismo, sendo o envelhecimento um processo dinâmico e progressivo, no qual há alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, tornando o idoso mais propenso a adquirir certas doenças (CANCELA, 2008). Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) descrevem que a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) atinge mais de 30% das pessoas em algumas cidades brasileiras, podendo acometer 75% da população com idade avançada (SBC, 2010). De acordo com a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (7DBHA, 2016), a HAS é uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg, sendo, 140 mmHg para Pressão Arterial Sistólica (PAS) e 90 mmHg para Pressão Arterial Diastólica (PAD). Frequentemente se associa a distúrbios metabólicos, alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos-alvo, sendo agravada pela presença de outros fatores de risco, como dislipidemia, obesidade abdominal, intolerância à glicose e diabetes melitus (WEBER et al., 2014). Mantém associação independente com eventos como morte súbita, Acidente Vascular Encefálico (AVE), Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), Insuficiência Cardíaca (IC), Doença Arterial Periférica (DAP) e Doença Renal Crônica (DRC) fatal e não fatal (SBC, 2010). A HAS é um importante fator de risco cardiovascular modificável (ROSARIO, 2009; PITSAVOS, 2011). Devido a sua alta prevalência e sua relação com todas as doenças cardiovasculares, é o principal fator de risco para a mortalidade em todo o mundo, revelando-se como importante problema de saúde pública (LIM et al, 2012). No Brasil, a HAS atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular (LIMA et al, 2015). Isso se deve ao estilo de vida contemporâneo, que devido o sedentarismo, a ingestão de alimentos processados, consumo exagerado de sal, tabagismo, abuso do consumo de álcool e a obesidade, fazem que o envelhecimento da população brasileira seja tão afetado pela hipertensão arterial (SIMÕES, 2010).
A abordagem terapêutica na HAS inclui medidas não medicamentosas e o uso de fármacos anti-hipertensivos, a fim de reduzir a pressão arterial, proteger órgãos-alvo, prevenir desfechos cardiovasculares e renais (ZATTAR, 2013). O exercício físico é parte da conduta não medicamentosa para tratamento da HAS, sendo capaz de reduzir os níveis tensionais e os fatores de riscos associados, como excesso de peso, resistência à insulina e dislipidemias (TORIJA, 2017). Programas de exercícios físicos são de suma importância para idosos hipertensos, pois, além de estarem sujeitos aos efeitos da HAS, como os declínios da capacidade funcional, também estão sujeitos às limitações físicas inerentes ao avanço da idade. Idosos hipertensos apresentam 4,2 vezes mais chances de desenvolverem limitações funcionais ou 39% mais chances de serem dependentes nas atividades da vida diária comprometendo a Qualidade de Vida (LAMINA, 2012; NETO, 2017). Estudos têm descrito que tanto exercícios aeróbios, quanto exercícios resistidos realizados de maneira isolada provocam importantes adaptações autonômicas e hemodinâmicas que vão influenciar o sistema cardiovascular, entre essas adaptações, a redução nos níveis durante o repouso da pressão arterial é especialmente importante no tratamento da HAS, já que por meio de atividade física é possível para o paciente hipertenso diminuir a dosagem dos seus medicamentos antihipertensivos ou mesmo ter sua pressão arterial controlada sem a adoção de medidas farmacológicas (TERRA et al. 2008), o que irá melhorar o desempenho dos idosos em suas atividades de vida diárias de forma segura e independente, melhorando sua qualidade de vida (FREITAS, 2010; MORALAES, 2011; BARBOSA, 2012).

JUSTIFICATIVA

A relevância deste estudo é evidenciada pela falta de pesquisas e estudos com desfechos significativos sobre o tipo, intensidade e frequência do exercício físico em idosos hipertensos. Com o aumento da estimativa de vida, o que significa crescimento da população idosa, verifica-se o aumento da HAS na população geral. Além disso, acredita-se que este estudo proporcionará dados importantes das adaptações agudas e crônicas do exercício físico no idoso hipertenso e a funcionalidade destes pacientes em relação à realização das suas atividades de vida diária e vida prática, sua interação com o meio em que vivem, possibilitando um maior reconhecimento de suas dificuldades e o desenvolvimento de intervenções que auxiliem na reabilitação destes pacientes e na promoção da qualidade de vida.

OBJETIVOS

• Objetivo Geral:
Avaliar efeitos de atividade física programada e supervisionada em idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica

• Objetivos Específicos:
– Comparar os efeitos agudos e crônicos entre os três grupos;
– Correlacionar achados com capacidade funcional e qualidade de vida;

METODOLOGIA

4.1 Pacientes. Estudo do tipo longitudinal, no qual foram avaliados os efeitos da atividade física programa e supervisionada em idosos hipertensos. Todos os participantes do estudo são acompanhados e assistidos no Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquaquecetuba, (CCMII), atualmente conta com 50 pacientes com diagnóstico de HAS. O estudo foi aprovado sob o parecer n°3.240.479. Todos os indivíduos com diagnóstico de HAS foram convidados a participar deste estudo, de modo que foram incluídos ou excluídos de acordo com os seguintes critérios:
Critérios de inclusão:
• Diagnóstico confirmado de HAS;
• Ambos os sexos, idade superior a sessenta anos;
• Participar de qualquer atividade no CCMII;
• Fazer uso de medicação para controle da HAS;
• Ter frequência de 75% para se manter no estudo;

Critérios de exclusão:
• Pacientes incapacitados de deambular;
• Pacientes com cardiopatia grave;
• Pacientes com deficiência cognitiva, incapazes de executar testes de capacidade funcional e ou protocolo de exercícios físicos;

4.2 Preparação e aplicação do Teste da Caminhada de 6 Minutos Avalia-se através do teste a máxima distância percorrida durante um período de seis minutos, possibilitando o paciente a ditar a velocidade dos passos e interromper a caminhada se houver sintomas que o impossibilitem de continuar o teste, podendo refletir de forma mais adequada às atividades de vida diária do indivíduo, e consequentemente, avaliar sua capacidade funcional. O teste é realizado em uma superfície plana com cones demarcando uma distancia de 30 metros em linha reta, o paciente percorre essa distancia indo e voltando por 6 minutos. Na fase pré-teste os participantes preencheram uma ficha de avaliação, composta por dados como: nome, sexo, idade e peso, medicamento em uso. Posteriormente, sentados, numa cadeira, por cerca de 10 minutos foi anotado:
• Pressão Arterial foi aferida de acordo com a Diretriz Brasileira de Cardiologia, por meio de estetoscópio e esfigmomanômetro, ambos da marca Premium, frequência cardíaca e saturação da oxihemoglobina por oximetria de pulso (SpO2%) da marca Alfamed;
• Escores de dispneia e fadiga geral pela escala categórica modificada de Borg (escores de 0-10). (ANJOS et al. 2012). Os pacientes que se voluntariaram para o estudo foram divididos de forma aleatória e também foram cuidadosamente informados dos seguintes aspectos: o objetivo do teste, ressaltando que o mesmo envolvia o registro da distância percorrida. Foi demonstrado para os pacientes como realizar o teste. Antes da realização do teste foi observada a presença ou não de contraindicações absolutas (angina instável e Infarto Agudo do Miocárdio no mês precedente) e relativas (frequência cardíaca basal acima de 120 bpm, pressão arterial acima de 180/100 mmHg), além dos critérios de interrupção do mesmo (dor torácica, dispneia intolerável, cãibras, incoordenação motora, diaforese, palidez). Durante o Teste de Caminhada de 6 minutos (TC6) (SOARES, 2011), foram aplicados estímulos padronizados a cada minuto, a fim de informar o tempo restante de teste, como por exemplo: “O Senhor está indo muito bem, faltam X minutos”. Os pacientes não foram superestimados utilizando outros comandos, sentenças longas ou linguagem corporal. Foram anotados dados, como: Frequência cardíaca, escala de Borg, para percepção do cansaço e dispneia e Saturação periférica de oxigênio a cada minuto.
Ao final do teste, foram anotados os mesmos dados da fase pré-teste, em seguida foram anotados o 1º e 2º minuto de recuperação, para posterior análise.

Também foi registrada a distância percorrida em metros. Posteriormente foram divididos de maneira aleatória em 3 grupos, sendo estes:
• G1= composto por exercícios aeróbios com carga de 40% e relaxamento (programa de exercícios A);
• G2= composto por exercícios aeróbicos, resistidos e relaxamento (programa de exercícios B);
• G3= composto por exercícios resistidos e relaxamento (programa de exercícios C);

4.3 Programa de exercícios. O programa de exercícios foi realizado 3 vezes por semana, durante 10 semanas e contou com exercícios aeróbicos e exercícios resistidos dinâmicos e estáticos, os exercícios foram realizados de forma funcional, trabalhando vários grupos musculares, com duração de 50 minutos. A intensidade foi definida através da fórmula de Karvonein (FC máxima – FC de repouso X % intensidade + FC de repouso) para determinar frequência cardíaca de treino (FCT).

O programa de exercícios foi divido da seguinte maneira:

• Programas de Exercícios para G1. Composto de: 10 minutos de aquecimento, através de caminhada, seguido de circuito funcional com duração de 30 minutos, utilizando bambolês, cones, degrau de 20 cm, corda e bola, finalizando com 10 minutos de relaxamento.

• Programa de Exercícios para G2. Composto de: 10 minutos de aquecimento, através de caminhada, seguido de 30 minutos de circuito funcional intercalando com exercícios resistidos isométricos e isotônicos de membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII), divididos em 3 série de 12 cada, com intervalo de 1 minuto entre as séries, finalizando com 10 minutos de relaxamento.

• Programa de Exercícios para G3.
Composto de: 10 minutos de aquecimento, 30 minutos de exercícios resistidos isométricos e isotônicos de membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII), foi realizado 3 séries de 12 repetições, com caneleiras e halteres de 2kg cada, com intervalo de 1 minuto entre as séries, finalizando com 10 minutos de relaxamento.

4.4 SF36. O teste de qualidade de vida foi utilizado para avaliar a qualidade de vida dos pacientes durante a primeira e última avaliação realizada. O SF36 avalia 8 domínios que são: capacidade funcional, aspectos físicos, aspectos emocionais, intensidade da dor, estudo geral da saúde, vitalidade, aspectos sociais e saúde mental (ADORNO, 2013).

Os participantes foram avaliados em 3 momentos diferentes, sendo eles: Avaliação inicial; Avaliação na 5ª semana e Avaliação ao final da 10ª semana, lembrando que o SF36, (TOSCANO, 2009) somente foi aplicado na avaliação inicial e avaliação final. 4.5 Análises estatísticas. A análise estatística foi realizada por meio do teste T é um teste de hipótese que usa conceitos estatísticos para rejeitar ou não uma hipótese nula quando a estatística de teste segue uma distribuição.

RESULTADOS

Inicialmente a amostra era composta por 30 voluntários, no entanto 5 pacientes foram excluídos do estudo por não terem frequência mínima de 75%, permanecendo assim 25 participantes, onde eram 6 do sexo masculino e 19 do sexo feminino, a média de idade foi de 67,5 anos. Os participantes foram divididos em três grupos de maneira aleatória, sendo estes divididos por diferentes exercícios:
• Grupo 1: realizados somente exercícios aeróbios com carga de 40%;
• Grupo 2: realizados exercícios aeróbios com carga de 40% e exercícios resistidos;
• Grupo 3: realizados somente exercícios resistidos;
De modo que os grupos ficaram da seguinte forma: Grupo A composto por 9 participantes sendo: 5 homens e 4 mulheres, a faixa etária média neste grupo foi de 71,5 anos; Grupo B composto por 7 participantes, sendo: 1 homem e 6 mulheres com uma faixa etária média de 67,2 anos; Grupo C composto por 9 participantes, sendo: 9 mulheres e a faixa etária foi de 63 anos. (Gráfico 1).

Gráfico 1: Dados da Amostra.
Em relação as variáveis FC, SpO2 e Borg foi realizada análise estatística por meio do teste T, onde foi analisada intragrupo e intergrupo, mostrando que todos apresentaram melhora, no entanto, não houve significância estatística, também não houve grupo que se sobressaiu. Quando analisada a Pressão Arterial Sistêmica (PAS) dos participantes, de forma que foram utilizadas as variáveis PAS de repouso no TC6 da primeira avaliação e da última avaliação.
A tabela 1 demostra que todos os participantes apresentaram queda na PAS de repouso de maneira significativa.

Quando analisado de maneira individualizada, o grupo 2, que realizou exercícios aeróbios e resistidos apresentou maior significância estatística, conforme tabela 1a.

A tabela 2 demonstra que todos os participantes apresentaram queda na PAD de repouso de maneira significativa.

Quando analisado individualmente o grupo 1 que realizou somente exercícios aeróbios apresentou maior significância estatística, conforme tabela 2a.

O TC6 foi realizado na primeira e décima semana, onde se avaliou a distância percorrida. A média em metros da distância percorrida do Grupo 1 na primeira semana foi de 215,6m, no Grupo 2 foi de 249,3m e no Grupo 3 foi de 270m. Na décima semana as médias foram de 283,1m no Grupo 1, 333m no Grupo 2 e 354,3m no Grupo 3 exposto na tabela 3.

Notou-se que houve melhora da capacidade funcional nos três grupos, no entanto, a melhora foi mais significativa no Grupo 1, composto somente por exercícios aeróbios,  o que sugere que melhor resistência da musculatura periférica influência diretamente na capacidade funcional (tabela 3 a).

Notou-se melhora estatística no grupo 3 também.

O questionário de qualidade de vida SF36 foi aplicado na primeira e décima semana. Observou-se que houve melhora em todos os domínios como, por exemplo, aumento da resistência, aspecto físico que os idosos responderam ter sentido melhora, aspectos sociais e emocionais, dor, vitalidade, aspectos da saúde em geral, aspectos  emocionais, mentais e também sobre sua capacidade funcional, no entanto como não se tratava de idosos sedentários, não houve significância estatística.

DISCUSSÃO

Os achados no presente estudo comprovaram que um programa supervisionado de exercícios físicos em idosos hipertensos diminui drasticamente os níveis pressóricos, levando a uma melhora significativa na sua capacidade funcional, logo, a uma melhora expressiva na qualidade de vida. Oliveira et al. (2010) realizaram um estudo onde verificaram a importância do exercício físico no controle da PA em indivíduos hipertensos com idade entre 46 e 77 anos, eles realizaram um programa de 10 semanas de treinamento durante 3 vezes na semana com duração de 60 minutos, iniciando com 10 minutos de aquecimento 30 minutos de aeróbio, 10 minutos de exercício de fortalecimento e 10 minutos de alongamento, os pacientes iniciaram com uma carga de 50% e terminaram com uma carga de 70%, os pacientes não foram divididos em grupos inicialmente mas conforme a continuidade do programa os pacientes foram subdivididos de acordo com a frequência de participação nas sessões, considerando adesão acima de 75% e 50% do número total de sessões, onde chegaram à conclusão que programa de exercício físico com foco em exercícios aeróbicos é uma importante estratégia para o melhor controle da HAS, provocando melhora significativa da qualidade de vida, corroborando com os achados no presente estudo. Nogueira et al. (2012) em um estudo de revisão bibliográfica, onde foi comparado os efeitos dos exercícios aeróbicos e resistidos, foram selecionados 12 artigos onde eles analisaram objetivo, metodologia, técnica utilizada, parâmetros mensurados e resultados. Nesta revisão foi possível perceber que há um padrão de quantidade de sessões e as semanas de treinamento do exercício aeróbio, que são de 3 vezes por semana em um período de 10 a 12 semanas, com uma duração de 60 minutos, foi possível notar também que em todos os trabalhos analisados pelo autor, eles obtiveram reduções drásticas nos níveis da PAS e PAD, assim como no presente estudo. No exercício resistido foi possível notar a semelhança com este estudo tanto no número de repetições quanto na quantidade de vezes por semana que eram de 10 a 15 repetições durante 60 minutos, igualmente aos exercícios aeróbios, os exercícios resistidos também levaram a uma redução na PAS e PAD. Na comparação feita entre os dois tipos de exercícios não foi possível estabelecer qual o melhor tipo de exercício, concluindo que ambas formas de exercícios foram  benéficas igualmente no que diz respeito ao efeito hipotensor, no entanto, tal efeito se deu melhor com intensidade moderada, igualmente o presente estudo, onde a intensidade moderada, ou seja, 40% da Frequência Cardíaca Máxima pareceu gerar mais benefícios do que quando realizado com alta intensidade. Stewart et al. (2005) realizaram um ensaio clínico randomizado, controlado, comparando o efeito do treinamento aeróbico com resistência e o aconselhamento sobre os cuidados habituais de atividade e dieta em pacientes hipertensos. Participaram do estudo indivíduos com HAS leve ou pré-hipertensos com idade entre 55 e 75 anos e que não necessitassem de medicação anti-hipertensiva, o estudo teve duração de seis meses e foram realizadas sessões de 3 vezes na semana com duração de 60 minutos. O estudo dividiu seus participantes em grupo experimental e controle sendo o experimental constituído por exercícios aeróbios e resistidos com um total de 51 participantes de ambos os sexos e o controle apenas o aconselhamento com 53 participantes ambos os sexos. O grupo experimental teve início da terapia com um alongamento, seguido por treinamento de resistência e aeróbio, o treinamento de resistência consistiu em duas séries de 10 a 15 repetições por exercício utilizando uma carga de 50%, os exercícios foram realizados de forma concêntrica e excêntrica para membros superiores, tronco e membros inferiores. Quando o participante completou 15 repetições de um exercício com facilidade, o peso foi aumentado, já exercício físico aeróbio teve duração de 45 minutos com intensidade de 60% a 90% da FC máxima e os participantes foram autorizados a escolher uma esteira, bicicleta estacionária, ou stairstepper um tipo escada esteira para o seu treino. Houve diminuição na PAS e PAD e ocorreram em ambos os grupos, porém com maior redução na PAD, ocorrendo no grupo experimental, o estudo relata também que ao longo dos 6 meses de tratamento teve aumento da intensidade pois ao continuar com a mesma intensidade por longos períodos os valores da PAS e PAD não diminuíam. Corroborando com o presente estudo onde obtivemos a redução da PAS e PAD, porém com intensidade menor e por um período de 10 semanas, mas sabemos que para perdurar o efeito hipotensor o paciente não poderá cessar as atividades físicas. No estudo de Santos et al. (2015) onde analisou-se os efeitos do exercício aeróbico em 61 idosos, eles foram divididos em três grupos, um grupo de moderada intensidade, de alta intensidade e o último grupo que fazia a utilização de medicamentos realizou o tratamento somente clinico, o grupo controle participou apenas da fase de avaliações e realizou somente tratamento clínico. A intensidade do primeiro grupo foi defina em 6570%, do segundo em 80-85% eles realizaram exercícios aeróbicos na esteira ergométrica,  o programa teve uma duração de 8 semanas e foi realizado durante três vezes na semana. Eles acharam que em pacientes hipertensos controlados por medicamentos tem efeito hipotensor semelhante em relação ao treinamento físico aeróbio de moderada e de alta intensidade. Apenas os pacientes do grupo de alta intensidade apresentaram redução da carga pressórica. O que se assemelha ao presente estudo, onde se obteve melhores resultados quando utilizada intensidade moderada. Reis et al. (2015) realizaram um estudo transversal descritivo com o objetivo de verificar e comparar o efeito da hipotensor pós exercício de uma sessão treinamento resistido com diferentes intensidades 75% de uma repetição máxima estimada e 50% de uma repetição máxima estimada em hipertensos leves, e verificar o estresse cardiovascular promovido em diferentes exercícios. O trabalho teve a participação de 14 indivíduos do sexo masculino, hipertensos leves não medicados e sem lesão de órgão salvo ou limitações osteomioarticulares, divido em dois grupos, grupos treinados praticantes de treinamento resistido regular há no mínimo seis meses e grupo não treinado sem praticar treinamento resistido há no mínimo seis meses. Os grupos realizaram um protocolo de exercícios que constituiu em três series consecutivas de 12 repetições com carga equivalente a 50% de uma repetição máxima estimada, com intervalos de 90 a 120 segundos, o treinamento resistido a 75% consistiu também em três series consecutivas de 8 repetições, com intervalos de 90 a 120 segundos. Desta forma conclui-se que o treinamento resistido é eficaz para indivíduos hipertensos leves. No que se refere ao comportamento da PA após o treinamento resistido, o protocolo de menor intensidade mostrou-se mais eficiente na promoção da hipotensão pôs exercício em ambos os grupos, com resultados de maior evidência no grupo não treinado, corroborando com os achados presente estudo que também obteve a redução da PA com uma intensidade menor, ainda sim o presente estudo tem a menor carga. Andrade et al. (2015) em seu estudo do tipo exploratório de abordagem quantitativa, feito para avaliar a capacidade funcional de idosos praticantes de atividade física por meio do teste de caminhada de seis minutos (TC6), selecionou 40 idosos hipertensos. O TC6, método utilizado por ele para avaliação, foi o mesmo método utilizado neste estudo. O resultado apresentou dados estatisticamente significativos quando comparou indivíduos hipertensos com indivíduos sem a patologia. A distância percorrida pelos sujeitos hipertensos foi menor do que o valor encontrado, tiveram redução da distância percorrida, desta forma podendo contribuir negativamente para a capacidade funcional de idosos.

Porém, indivíduos praticantes de atividades físicas, como exercícios aeróbicos e  resistidos, fizeram o teste em menos tempo. Os idosos que praticam atividade física apresentaram capacidade funcional satisfatória, conforme mostrou os valores das distâncias percorridas no TC6 deste estudo. Igualmente ao nosso estudo, o TC6 foi realizado na primeira, quinta e décima semana, onde os três grupos realizaram o teste. Após dados colhidos, verificou-se que houve melhora da capacidade funcional em todos os grupos, entretanto o Grupo 1, onde só praticaram exercícios aeróbicos, apresentou melhor resultado, sugerindo que melhorar a resistência da musculatura periférica é um recurso efetivo para a promoção da saúde e melhoria da capacidade funcional.

CONCLUSÃO

O presente estudo permitiu-se concluir que o exercício físico aeróbio se sobressaiu quando comparado com os efeitos do exercício resido devido aos efeitos crônicos PAS, PAD e TC6, referente a intensidade dos exercícios, podemos observar que com baixa intensidade (40%) foi possível obter os mesmos resultados de estudos que utilizaram intensidades maiores devido aos efeitos agudos encontrados na FC, SPO2 e BORG, sugerindo que a intensidade não precisa ser alta. No entanto pode-se afirmar que a associação de um programa de treinamento físico com exercícios aeróbios de baixa intensidade e exercícios resistidos resultam em reduções significativas nas variáveis PAS, PAD e distância percorrida em metros em idosos hipertensos, melhorando sua qualidade de vida.



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Some Toughts (2)

  1. Avatar
    Ana Bragantini
    added on 6 maio, 2020
    Responder

    Uma pesquisa maravilhosa com resultados maravilhosos! Obrigada a todos os envolvidos!

    • InterFISIO
      InterFISIO
      added on 7 maio, 2020
      Responder

      Obrigado pelo feedback. Abraços. 🙂

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