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Órteses e suas aplicações em Fisioterapia

Órteses e suas aplicações em Fisioterapia

A confecção de órteses é uma combinação de ciência e arte. Embora este seja mais um dos recursos de tratamento à disposição do fisioterapeuta, poucos são os profissionais que se envolvem com este tipo de trabalho. Por isso, destacamos a importância da abordagem deste tema através de um estudo resumido de seus princípios de aplicação e do manuseio dos materiais utilizados.

São necessários conhecimentos de patologia, fisiologia, anatomia, cinesiologia e biomecânica para a fabricação da órtese correta para cada paciente. Além disso, devemos sempre considerar o seu aspecto estético. O mais importante, no entanto, é termos sempre em mente que cada paciente é diferente, necessitando de uma órtese personalizada. Atualmente, os termos órtese e splint têm sido usados como sinônimos, embora tecnicamente, o termo splint refira-se a um aparelho de uso temporário que compõe parte de um programa de tratamento, enquanto órtese refere-se a um aparelho de uso permanente. Splints e órteses não apenas imobilizam, mas também mobilizam, posicionam e protegem uma articulação ou parte específica do corpo.

O uso de órteses e splints presta-se a diversas abordagens: · Abordagem Biomecânica: Baseia-se no princípio do movimento e da aplicação de forças no corpo; · Abordagem Sensorimotora: É usada quando o paciente apresenta lesão no SNC para inibir ou facilitar respostas motoras normais; · Abordagem Reabilitativa: Enfoca-se nas habilidades remanescentes mais do que nas desabilidades e facilita o retorno à melhor função individual, usando as potencialidades dos pacientes.

Materiais
O material mais utilizado na confecção de órteses e splints é o termoplástico de baixa temperatura. A denominação “baixa temperatura” é dada porque este material torna-se maleável e adequado para ser trabalhado a temperaturas entre 65 e 75º C, recuperando sua rigidez após seu resfriamento. Existem diversos tipos de termoplástico, cada qual com suas indicações específicas, sendo suas características determinadas por suas propriedades de manuseio e performance. As propriedades de manuseio referem-se ao material quando aquecido e as de performance ao material resfriado e endurecido.

– Propriedades de Manuseio
Memória: Descreve a habilidade do material de retornar à sua forma e ao seu tamanho originais. Esta propriedade permite que ele seja moldado diversas vezes sem que se deforme excessivamente.

Maleabilidade: É o grau de facilidade com que o material sujeita-se a uma deformação sem assistência. Isto pode dificultar o uso de certos materiais em splints grandes ou em pacientes pouco colaborativos mas, por outro lado, permite a confecção de órteses bastante estéticas.

Elasticidade: É a resistência do material ao estiramento e sua tendência a retomar sua forma original após o mesmo. Materiais mais resistentes permitem trabalhar melhor com pacientes pouco colaborativos.

Aderência: A auto-aderência é a capacidade do material de colar em si mesmo quando adequadamente aquecido.

Bordas auto arredondantes: Permitem que qualquer borda cortada adquira uma textura suave quando o corte é feito no material aquecido. Isto economiza tempo no acabamento da órtese.

Outras considerações: Outras características de manuseio a ser consideradas são: tempo de aquecimento, tempo de trabalho e encolhimento. Após o aquecimento, geralmente o material pode ser trabalhado por 1 a 6 minutos, dependendo do tipo de material. Alguns plásticos podem encolher ligeiramente quando resfriados.

– Características de Performance:
Conformabilidade: É a propriedade de moldar-se intimamente às áreas aplicadas, promovendo maior conforto ao paciente e diminuindo a probabilidade de migração do splint.

Flexibilidade: Um material com alto grau de flexibilidade pode ser submetido a stress repetidos. Esta é uma característica importante dos splints circunferenciais, que podem ser abertos para colocação e retirada.

Durabilidade: É o tempo de duração do material.

Rigidez: Materiais com alto graus de rigidez são fortes e resistentes aos stress repetidos. Isto é importante para os grandes splints.

Permeabilidade à umidade e à troca de ar: Relacionam-se às perfurações do material, que diminuem a superfície de contato com a pele e o peso do splint.

Acabamento, cor e espessura: O acabamento refere-se à textura do produto final. A cor relaciona-se a aspecto estético e pode auxiliar na adesão ao tratamento no caso de crianças. A espessura mais comum varia entre 1,6 e 4,8 mm.

As órteses podem ser estáticas ou dinâmicas. As estáticas visam prover suporte a áreas do corpo e não têm partes móveis; as dinâmicas visam imobilizar algumas regiões e têm uma ou mais partes móveis. De acordo com a American Society of Hand Therapists (1992) as órteses são classificadas como:

Mobilização: Usado para mover articulações primárias ou secundárias. No exemplo ao lado, a órtese está sendo utilizada para auxiliar o paciente na realização da preensão com a ponta dos dedos. O movimento de extensão pode ser realizado ativamente, porém, a flexão necessita do auxílio da órtese.

Imobilização: Usado para imobilizar articulações primárias ou secundárias.
Neste caso, a órtese limita o desvio das articulações MCF em sentido ulnar, permitindo os demais movimentos livremente.

Restritiva: Limita um aspecto específico do movimento articular das articulações primárias. Na figura ao lado, a órtese limita a flexão dos dedos. Isto pode ser válido como proteção em pós-operatório de tenorrafias.

As órteses de imobilização e restritiva visam imobilizar, prevenir deformidade adicional e contratura de tecidos moles, além de proverem suporte às articulações hipermóveis e em casos de lesões ligamentares. Também ajudam a corrigir o alinhamento articular e realizam o alongamento de partes moles, auxiliando no ganho de amplitude articular. As órteses dinâmicas têm inúmeras funções, como substituir uma função motora perdida, corrigir uma deformidade existente, prover controle do movimento e auxiliar no alinhamento de fraturas e tecidos em fase de cicatrização.

Avaliação para a Indicação de Órteses e Splints
A avaliação fisioterapêutica deve ser realizada como de costume, porém, para a indicação de órteses e splints, alguns fatores devem ser considerados.

Um exame organizado e claramente documentado pode ser a base para o desenvolvimento de um plano de tratamento e para a escolha do tipo de órtese mais adequado. O exame requer a reunião de dados de várias fontes, como um laudo médico, um relato cirúrgico, o relato do paciente, além de uma avaliação fisioterapêutica detalhada.

Idade: crianças são pouco colaborativas com este tipo de tratamento;

Ocupação, mão dominante, habilidades funcionais: dizem respeito ao impacto social da lesão e as conseqüências que possa ter trazido para a subsistência da família, assim como para a situação econômica do paciente, seu bem estar social e emocional;

Composição familiar: importante do ponto de vista social (quem colabora para o sustento da família ? ), assim como para saber se o paciente terá algum auxílio nos cuidados com a órtese;

Queixas do paciente: quais são as suas reais limitações. Deve-se investigar o nível de motivação do paciente para o tratamento;

Posicionamento: Avaliar a presença de postura antálgica ou de defesa/proteção;

Condições de pele: coloração, temperatura e textura; presença de ferimentos ou cicatrizes, edemas ou massas anormais. Idosos necessitam de cuidados especiais, devido à fragilidade da pele;

Avaliar presença de fraturas, lesões articulares, musculares, tendinosas ou nervosas. Neste último caso, é fundamental uma avaliação minuciosa da sensibilidade para evitar áreas de pressão na colocação da órtese;

Avaliar força e amplitude de movimento articular para a escolha do melhor tipo de órtese a ser instituído.

Princípios Básicos para a Fabricação de Órteses
A utilização de splints envolve a aplicação de forças externas. A observação dos princípios biomecânicos na confecção de órteses provê o ajuste apropriado e reduz o risco de irritações cutâneas e áreas de pressão. Para diminuir este risco, o splint deve ser largo e longo, provendo maior conforto, uma vez que diminui a concentração de forças pelo aumento da superfície da área de contato.

Na prática diária, não há um tipo de splint que possa ser aplicado a todos os pacientes. A seleção do splint, o posicionamento articular e as formas de uso variam porque cada lesão é única.

A habilidade para resolver problemas baseia-se no conhecimento do diagnóstico do paciente, na percepção de sua motivação e adesão ao tratamento, nas necessidades do seu estilo de vida, no conhecimento dos protocolos e técnicas de splint e na experiência adquirida. Entretanto, a fabricação de órteses é um processo de tentativa e erro e requer que o terapeuta se disponha a assumir riscos e experimentar as técnicas e materiais que podem mais beneficiam o paciente.
O comprimento de uma órtese de antebraço, por exemplo, pode ser de 2/3 do comprimento do antebraço, permitindo a flexão completa do cotovelo. Sua largura deve ser de ½ circunferência do antebraço.

A pressão contínua e bem distribuída é a meta do splint, embora não deva existir pressão sobre proeminências ósseas. Bordas imperfeitas são potenciais áreas de pressão. Pode ser feito um modelo da órtese para cada paciente, tendo em vista que uma fôrma genérica raramente se adapta a todos. Este modelo pode ser feito em papel umedecido para moldar-se adequadamente às regiões mais arredondadas.

Com base neste modelo, recorta-se o termoplástico aquecido e molda-se o material na região a ser tratada, com cuidado para evitar queimaduras. Depois de pronta, a órtese deve ser fixada com velcro ou outro material semelhante.

Cuidados
1) Deve-se sempre acolchoar a órtese nas regiões que entram em contato com proeminências ósseas. A espuma utilizada deve ser trocada periodicamente para evitar o acúmulo de suor e bactérias.

2) As bordas do splint podem ser dobradas para fora ou alargadas para evitar pressão sobre a pele do paciente.

3) Se alguma região do splint necessitar de reforço, uma peça adicional de termoplástico pode ser colocada nesta região.

4) Procedimentos para a controle de infecção: cuidados com feridas, curativos …

5) Deve-se reservar bastante tempo para a confecção da órtese e orientação do paciente.

6) Monitorização pós fabricação: – zonas de pressão: a pressão deve ser bem distribuídas em áreas maiores; – coloração da pele: o ideal é aguardar cerca de 20 minutos após a colocação da órtese, retirá-la e observar a coloração da pele. Não deve haver vermelhidão ou marcas; – edema: uma órtese bem desenhada e bem ajustada pode reduzir o edema e prevenir lesões teciduais e contratura articular. Às vezes é preciso remodelar a órtese à medida em que o edema for reduzindo. – Reajustes devem ser feitos à medida em que o paciente for melhorando. Por isso, a órtese deve ser monitorada periodicamente.

7) Protocolo de tratamento: pode ser prescrito um protocolo de tratamento explicando os períodos de utilização da órtese e intercalando seu uso com exercícios e períodos de repouso. Uma órtese feita para mobilização, por exemplo, não deve ser utilizada para dormir. Se necessário, este protocolo deve ser entregue ao paciente por escrito.

8) O uso da órtese deve ser descontinuado quando seu objetivo final for alcançado ou quando o paciente conseguir realizar a mesma função sem ela.



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Um comentário

  1. Responder

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