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O Esfigmomanômetro Modificado Utilizado na Avaliação da Assimetria de Forças Musculares: Um Método Simples e Alternativo

O Esfigmomanômetro Modificado Utilizado na Avaliação da Assimetria de Forças Musculares: Um Método Simples e Alternativo

Diferentes métodos, subjetivos e objetivos, vêm sendo aplicados ao longo da história da fisioterapia, objetivando a avaliação da força muscular (quadro 1).

Quadro 1 – Métodos de avaliação da força muscular

Métodos Subjetivos Métodos Ojetivos
1 – Perimetria 1- Dinamômetro Portátil
2 – Teste Muscular Manual (TMM) 2- Dinamômetro Isocinético

A importância da investigação da hipotrofia muscular e do desequilíbrio de forças (agonista/antagonista) durante o processo de avaliação realizado pelo fisioterapeuta para a profilaxia ou controle evolutivo do tratamento é ponto pacífico nas discussões acadêmicas. Entretanto, há controvérsias quanto à aplicação, limites e validade destes métodos (1,2,3,4,5,6,7,13,20,25,31). (quadro 2)

Quadro 2 – Discussão resumida sobre os métodos de avaliação de força muscular. Limitações, viabilidade, confiabilidade.

Métodos Dicussão
1 – Perimetria A assimetria do perímetro de coxa é freqüentemente relacionada à diminuição de| torque. A associação entre perímetro e torque é questionada. Cooper concluiu que assimetria de| perímetro não indica assimetria de força (1,4,5,6,7,25)
2 – Teste Muscular Manual (TMM) Principal teste muscular por muitas décadas. Beasley, há mais de trinta anos, já defendia aaplicação de testes mais objetivos. O TMM pode fornecer uma resposta submáxima se a força do paciente exceder à do fisioterapeuta. Williams relatou que a confiabilidade deste teste é de apenas 60 a 65% (2,6,20,31).
3 – Dinamômetro portátil Embora tenha limitações, na última década sua aplicação tem sido defendida. Ainda não são regularmente fabricados no Brasil e o seu alto custo, dificuldades para manutenção e diferentes leituras de acordo com o modelo e fabricante, são fatores que reservam sua utilização na rotina de avaliação(3).
4 – Dinamômetro isocinético Tem ajudado a vencer algumas dificuldades nos testes musculares. De grande confiabilidade, tem como fator limitante primário para aquisição o seu alto custo e a necessidade de espaço físico apropriado(13).
5 – Esfigmomanômetro modificado Portátil, confiável, de baixo custo, simples e de rápida aplicação para avaliação de força muscular na profilaxia e monitoramento do processo de reabilitação. Só pode ser utilizado de forma comparativa. Não fornece índices de força de grupos musculares individualizados, mas percentuais de assimetria(11,17, 20, 25).

O objetivo deste estudo, é apresentar o Esfigmomanômetro Modificado (EM) como instrumento para o método de avaliação comparativa da assimetria de forças dos músculos envolvidos na estabilização dinâmica das articulações

O Esfigmomanômetro Modificado (EM)

Helewa et alli (17), demonstraram que a aplicação do EM era mais sensível na avaliação muscular do que os pesos livres (DeLorme, 1945) e concluíram, através de uma série de estudos, que a técnica de mensuração de força com o EM oferece uma medida quantitativa e objetiva sensíveis às diferentes forças musculares. Concluíram também que os resultados são reproduzíveis quando aplicados repetidamente por examinadores diferentes , sendo potencialmente seguro e adaptável para utilização em pelo menos vinte e quatro grupos musculares.

Fernando e Robertson (11), mostraram uma diferença de menos de 2% entre as medidas obtidas por diferentes examinadores utilizando o EM, no teste de força de preensão manual.

Segundo Isherwood et alli (20), existem dois tipos diferentes de teste utilizando o EM:

1 – BREAK TEST – É o teste manual, onde o EM é posicionado entre o segmento do examinado e a mão do examinador, a força do examinador supera o esforço muscular máximo do examinado.
2 – MAKE TEST – É o teste mecânico, onde o EM é posicionado entre o segmento do examinado e um objeto ou aparelho estacionário com o examinado exercendo esforço máximo contra. Neste teste, o examinador não aplica nenhum tipo de força. A contração produzida é isométrica e assim diminuímos bastante os erros de mensuração.

Materiais e Métodos

Os materiais utilizados:
a) Esfigmomanômetro modificado – O aparelho para aferir pressão arterial, tem a parte de velcro removida. O saco inflável é dobrado em três partes iguais e fixado dentro de um saco inelástico. Após as modificações, o protótipo apresenta as seguintes dimensões: 9 cm de largura, 14 cm de comprimento, 2,5 cm de espessura e os tubos aéreos 48 cm de extensão.

b) Cálculo dos valores gerais obtidos – Os valores finais do teste para cada posição adotada, são calculados através da média aritmética do valor obtido em cada posição.
Exemplo: Se na extensão de coxa, a partir de 90o , o voluntário conseguisse para membro inferior direito os valores: 58, 50, 52, a média aritmética seria 53,3.

c) Cálculo do percentual de assimetria – Para cada posição, subtraí-se a média aritmética menor (A) do maior (B), o resultado obtido da subtração (X) é dividido pela média aritmética maior (B) e este resultado (Y) multiplicado por 100. Encontrando-se assim, o percentual específico para cada caso.

B – A = X
X / B = Y.100 = %

Com o objetivo de tornar este método de avaliação mais simples e utilizável na clínica diária, como controle de avaliação e evolução do tratamento, não foi feita correlação entre pressão (mmHg) e força (N); os valores obtidos foram utilizados somente como unidade de referência para se estabelecer o índice de assimetria.

d) Exemplo de Aplicação – para verificarmos a assimetria de força entre quadríceps direito e esquerdo : a unidade (EM) é insuflada e colocada nas posições preconizadas por Daniels e Worthinghan (6) para realizarmos o BREAK TEST , ou então utilizamos a estabilização mecânica (mesa extensora), MAKE TEST. No nosso exemplo, preferimos utilizar o MAKE TEST para evitar erros de mensuração. O equipamento deve ser fixado em sua carga máxima ( acima de 80 kg ) e quando necessário acrescentamos resistência manual na extremidade do braço de alavanca. Adotamos, então, a posição de extensão de joelho a partir de 90o . O teste será de contração isométrica, pois o examinado não vai conseguir superar a resistência máxima imposta.

Antes de realizar o teste de esforço, o voluntário realiza aquecimento, recebe as instruções de como deve proceder e é solicitado para realizar o movimento desejado uma única vez, em cada segmento , como forma de aprendizagem, antes que o EM seja posicionado e que o teste de força seja iniciado.

O EM é posicionado na extremidade distal entre a perna e o ponto de apoio da mesma com o braço de alavanca do aparelho.

O teste consiste de três repetições em cada membro e o voluntário é induzido a exercer esforço máximo através de estímulos verbais de encorajamento.

Se após o protocolo de avaliação realizado o resultado obtido for (segundo o cálculo de valores já descrito) :

quadríceps direito = 58 (B)
quadríceps esquerdo = 48 (A)
Aplicamos a fórmula: B – A = X ou 58 – 48 = 10.
Logo ,
X / B = Y ou 10 / 58 = 1,8
X / B = Y x 100 = % ou 10 / 58 = 1,8 x 100 = 18%

Resultado final: quadríceps direito com força 18% superior ao quadríceps esquerdo

Conclusão

A utilização de EM modificado acima descrita, já foi testada em 31 voluntários saudáveis, onde estabelecemos índices percentuais de assimetria entre os grupos extensor e flexor de coxa (32). Concluímos que ficou comprovada a eficácia do EM com instrumento na avaliação da assimetria de forças e que os índices obtidos poderão ser utilizados como referência para futuros estudos, com baixo custo, visando a profilaxia das lesões musculares ou o controle evolutivo na recuperação pós cirúrgica de joelho.

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