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Mobilização Precoce nas Unidades de Tratamento Intensivo Pediátrico: Uma Revisão de Literatura

Mobilização Precoce nas Unidades de Tratamento Intensivo Pediátrico: Uma Revisão de Literatura

INTRODUÇÃO:

As inovações tecnológicas causaram uma transformação na assistência à saúde pediátrica, diminuindo a mortalidade e aumentando a morbidade. Consequentemente, essas crianças podem apresentar condições crônicas e complexas de saúde, as quais influenciam diretamente no seu desenvolvimento neuropsicomotor e na sua estrutura familiar [3-4].

Quando são internadas na Unidade de Tratamento Intensivo Pediátrico (UTIP), a filosofia da maioria dos profissionais destas unidades é que a criança permaneça bem sedada e restrita ao leito, contribuindo para sua segurança, conforto e reestabelecimento clínica. [3].

Atualmente os estudos têm demonstrado que a longa permanência na UTIP causa alterações anatômicas e psicológicas como: diminuição de massa muscular e flexibilidade, descondicionamento cardiopulmonar, mudanças nas cascatas inflamatórias, alterações na integridade da pele e delirium. Causando diminuição da qualidade de vida e da independência funcional [8-9].

Uma intervenção que está sendo utilizando nas Unidades de Terapia Intensiva adulta com bons resultados na redução das sequelas causadas  permanência nesse setor é a mobilização precoce [1].

A mobilização precoce é definida como atividades físicas progressivas, iniciando pela mobilização (passiva/ativa) evoluindo até a deambulação, que começam imediatamente após a estabilização hemodinâmica e respiratória, entre 24 – 48 horas após a admissão nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). [8]

Um grande número de estudos tem demonstrado que a mobilização precoce é possível de ser realizada nas UTI’s de forma segura, e melhora a performance física dos pacientes após a internação. É necessário ressaltar que ela, exclusivamente, demonstra redução do tempo de internação, incidência de delirium e melhora o retorna às atividades da vida diária de forma independente. [8].

O público pediátrico é mais suscetível a permanecer mais tempo com sequelas funcionais e cognitivas causadas pela estagia nas UTIP’s, por essa razão pesquisar a respeito de um método, não invasivo, que pode proporcionar benefícios a longo prazo para a criança e sua família se faz necessário [4-9]. O objetivo específico deste estudo é identificar o que estão publicando a respeito de mobilização precoce em pediatria e os resultados encontrados.

METODOLOGIA: 

Foi realizada uma busca criteriosa no site Pubmed, no período de Outubro de 2017 até Agosto de 2018, utilizando palavras-chaves: mobilização precoce, pediatria, crianças, terapia intensiva e reabilitação precoce. Utilizou-se 2 filtros, os textos deveriam ter sido publicados nos últimos 5 anos; e os textos deveriam ser livres para leitura. Ao total 10 artigos foram encontrados, porém apenas 5 artigos estavam diretamente envolvidos com o objeto do estudo. Estudos relacionados a estimulação precoce em neonatologia foram excluídos.

RESULTADOS:

Os pacientes que necessitam de tratamento intensivo adquirem diminuição da massas muscular, perda da integridade da pele, aumento das cascatas inflamatórias, ocorrência de delírium e desenvolvimento da síndrome pós Unidade de Terapia Intensiva, porém deve-se ressaltar que no público pediátrico estes sintomas aparecem nas primeiras 48 horas. [9 – 10]

Os programas de mobilização precoce que obtiveram bons resultados demonstraram melhor evolução funcional percebida pelos pacientes e  cuidadores e uma mudança cultural dos profissionais que trabalham nas UTIP. Porém como barreiras para implementação da mesma destacam-se o escasso embasamento teórico, pouca experiência profissional, a preocupação com a segurança dos pacientes, o aumento da carga de trabalho e a dor informada pelo paciente. [7]

A dicotomia entre evitar as perdas funcionais e manter os pacientes seguros, levou a equipe de profissionais da UTIP a montar projetos de melhoria desta prática nestes setores. [9]

A importância de montar uma equipe multidisciplinar voltada para a mobilização precoce, composta por Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais, Psicólogos, Psiquiatras, Enfermeiros e Terapeutas Infantis, que possam montar um plano de tratamento específico para cada criança, respeitando o seu desenvolvimento cronológico e cognitivo. Esta equipe deverá sempre se empenhar em agregar conhecimentos e melhorar a divulgação dos resultados alcançados com a implementação do programa. [4-7]

Entre as técnicas utilizadas podemos citar a mobilização articular passiva e/ou ativa, sedestação à beira do leito, sedestação fora do leito, jogos de realidade virtual, ciclo ergométrico e deambulação. [7-10]

A ausência de instrumentos de avaliação específico e/ou a dificuldade em realizar testes de mensuração funcional, como por exemplo grau de força muscular manual devido ao baixo entendimento e cooperação do público pediátrico, interfere diretamente na realização das pesquisas voltadas para este público específico. [4-7-10]

O melhor resultado encontrado na implementação do programa de mobilização precoce na UTIPs foi a diminuição da permanência na mesma. Pode-se destacar também a diminuição do tempo na ventilação mecânica, a redução do delírios e dos custos hospitalares. [7]  A redução na morbidade neurocognitivas e nas sequelas psicológicas; melhora na qualidade de vida e melhor entendimento do cuidado após a alta hospitalar pelos familiares. [4] Há o relato da diminuição da mortalidade em 1 ano. [10]

Embora as publicações na pediatria sejam poucas, os estudos não demonstraram aumento nos eventos adversos durante a mobilização precoce. [7-10]

DISCUSSÃO:

A fraqueza muscular adquirida  UTIP é o resultado multifatorial da inflamação sistêmica, medicamentosa, distúrbios eletrolíticos e imobilidade que causam degeneração axonal do nervo e perda da miosina. [10]

A perda de massa muscular associada à imobilização nessas unidades começa nas primeiras 48h de internação e permanecem até 3 semanas após a alta. [10]

A mobilização precoce nas UTIP se demonstrou ser uma prática segura e viável para o público pediátrico, proporcionando benefícios físicos e psicológicos para esta população e reduzindo os custos com a internação. Porém na maioria das instituições, apenas metade dos pacientes realizam Fisioterapia por causa das restrições da equipe médica. [10]

Um  guidline de mobilização precoce nas UTIP deve ser montado com as seguintes informações: quando iniciar e terminar; tempo de duração; qual instrumento de avaliação física a ser utilizado e qual a intensidade do exercício. [6,7,10]

CONCLUSÃO:

A mobilização precoce realizada nas UTI adultas está sendo amplamente estudada e tem demonstrado resultados muito bons em relação a diminuição das sequelas motoras e psicológicas causadas pelo período de internação nessa unidade, porém em relação ao público pediátrico, as pesquisas estão iniciando, pois existem várias barreiras que dificultam a implementação deste programa nestas unidades, sendo a principal delas, a cultural. [6,7,10]

Existe um grande vácuo neste setor, que necessita de estudos. Primeiramente há a necessidade de uma grande divulgação em relação aos resultados alcançados, de ser um método seguro e viável, e de educação específica para a construção de uma equipe multidisciplinar voltada para a implementação do programa de mobilização precoce nas UTIP. É necessário que a equipe médica seja favorável ao desenvolvimento do objeto, pois sua participação é importantíssima, principalmente em relação aos níveis de sedação das crianças. [4,6,10]

Após transpassar estas barreiras, questões relacionadas a quando iniciar, frequência, tipo e intensidade e o que cada profissional trabalhará com as crianças, são aspectos que deverão ser pesquisados e divulgados para melhor entendimento do que é a mobilização precoce.[10]

Paralelamente, estudos voltados apenas ao público pediátrico brasileiro também é sugerido. O fato de termos restrições e atuações profissionais diferentes, além da própria estrutura encontrada na maioria dos hospitais da rede pública, indicão resultados diferentes dos obtidos na Europa, Estados Unidos e Canadá.

É importante que os Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais levantem a bandeira sobre a importância da implementação do programa de mobilização precoce nas UTIP por serem os que possuem o melhor conhecimento e instrumentos de avaliação da condição musculoesquelética destas crianças e conseguirem identificar como prevenir futuras alterações estruturais, além de, muitas vezes, acompanharem o cuidado com essas crianças no pós alta hospitalar, esses profissionais são peça chave para a implementação desta nova filosofia de cuidado intensivo. [2]



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