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Manipulação de Pacientes com Deficiência Motora no Homecare

Manipulação de Pacientes com Deficiência Motora no Homecare

Nos dias atuais, é comum o fato de certos pacientes saírem do hospital de alta porém, com indicação de homecare. Estes pacientes estão clinicamente estáveis contudo, no seu dia-dia, necessitaram de cuidados médicos, fisioterápicos, nutricionais e de enfermagem. Isto significa Ter uma assistência especializada, menos onerosa em relação ao hospital e em casa, no convívio social que é favorável a sua recuperação.

São várias as patologias que podem oferece indicação de homecare e muitas delas apresentam em seu quadro clínico déficit motor como traumatismos raqui – medulares e acidentes vascular encefálico (AVE)… Contudo, tais déficits motores não impedem atividades da vida diária desde que sejam assistidas ou orientadas ( exceto se o paciente não tenha bom nível de consciência ou orientação).

Pensando nestes pacientes e na sua abordagem domiciliar, segue abaixo comentários de procedimentos realizados no dia – dia que merecem importância:

Troca de decúbitos

É muito comum a incidência de pacientes restritos ao leito ou que ficam boa parte do dia acamados. Geralmente, trata-se de pacientes neurológicos que não interagi com meio.

Nestes pacientes é de fundamental importância a troca de decúbitos para evitar úlceras de pressão e favorecer a ventilação dos pulmões. Além de trocar o decúbito, o paciente deve ser posicionado de forma que as suas estruturas ósteo – mio – articulares não fiquem sob estresse e ainda, a favor de uma boa circulação sangüínea. Para tanto, deve se lançar do uso de coxins de apoio.

O melhor remédio para úlcera de pressão é a sua prevenção. Se o paciente estiver nutricionalmente estável , a troca de decúbito sistemática associada a massagens de alívio é suficiente para evitar processos cutâneos esquêmicos. Contudo, isto é otimizado se o paciente tem a sua bomba muscular estimulada pela cinesioterapia. Uma dica na mudança de decúbito na cama é sempre flexionar a perna oposta ao lado que vai virar. Desta forma o quadril fica otimizado na mudança.

A troca de decúbitos também favorece a ventilação pulmonar pois , em ventilação espontânea o pulmão dependente vai ventilar e perfundir mais do que o não dependente. Em contra partida, o pulmão não dependente vai reexpandir mais do que o dependente. Diante destes conhecimentos é possível favorecer um pulmão diante do decúbito colocado, ou seja, se quero reexpandir o pulmão esquerdo , coloco o paciente em decúbito lateral direito.

Contudo, não é só acamado que o paciente deve ficar. Sentar na poltrona com apoios é um dispositivo para estimular receptores de gravidade.

Translados

O transporte dos pacientes é uma prática rotineira e que merece um manuseio apropriado para minimizar os esforços de quem faz o translado como também, para o paciente que tem diferentes graus de independência. Abaixo segue alguns tipos de translados :

a) pacientes com déficit motor total ( tetraplégico ou tetraparético): Para este indivíduo o transporte deve ser feito com o auxílio de um pano rígido que passe pelo início das coxas e suba por baixo das nádegas e vá até a parte superior do tronco. No mínimo são necessárias duas pessoas para o transporte deste indivíduo.
b) paciente com déficit motor parcial – paraplégico : nestes pacientes o transporte é feito dando o suporte nos membros acometidos onde o mesmo paciente deve se ajudar usando os membros superiores e tronco. Um trabalho de fortalecimento de braço e abdome deve ser enfatizado para que o próprio paciente realize as suas transferências.
c) paciente com déficit motor parcial – paraparético : sente-o na lateral da cama com as pernas em descenso e os pés apoiados no solo. O indivíduo irá lhe abraçar pelo pescoço e você irá abraçá-lo por debaixo das axilas. Apoie seu joelho no joelho do indivíduo de forma que ao levanta-lo você estire as pernas dele e dê um suporte para que as mesmas permaneçam esticadas. De pé, gire o seu corpo junto com o da pessoa e leve-o até a cadeira.

Uso do banheiro com segurança

Neste item vamos nos deter apenas aos pacientes que mesmo diante de um déficit motor podem ir ao banheiro ou usar a cadeira higiênica.

O banheiro que irá receber o paciente não deve atender a valores estéticos e sim que lhe favoreça funcionalmente com segurança. O piso deve ser do tipo emborrachado, antiderrapante, principalmente, dentro do box do chuveiro e imediatamente fora deste para evitar deslizamentos ou desequilíbrios. É de fundamental importância colocar barras e corrimãos bem firmes nas paredes próximas ao vaso sanitário e dentro do box do chuveiro. Estas barras tem como intuito auxiliar o indivíduo a fazer transferências, manter o equilíbrio e por isto devem ser constituídas de material que não escorregue quando molhado.

Nenhum gancho de toalha ou saboneteira pode estar disposta sem que esteja extremamente fixas ou que não dêem firmeza suficiente para deter uma queda.

Caso se faça útil, pode se colocar um extensor de assento sanitário ( adquirido em lojas especializadas em material médico) onde o paciente não precisa se abaixar muito para usar o sanitário e , assim, arriscar-se em perder o equilíbrio.

Finalmente, o banheiro deve ser muito bem iluminado e arejado além de Ter um sistema na porta que evite que a pessoa se prenda dentro desta unidade.

Apetrechos para dar maior segurança a marcha

A marcha faz parte do objetivo de cada paciente durante a reabilitação e para ela que as condutas cinesioterápicas se voltam. A marcha deve ser sempre, quando possível, estimulada mesmo que necessite do uso de apetrechos para auxiliar. O paciente deve ser orientado quanto ao uso dos dispositivos para que os mesmos sejam corretamente manipulados sem causar estresses ósteo – mio – articulares.

No mercado existem diversos tipos de dispositivos onde cada um é mais indicado para determinado caso. Em primeiro lugar, existe o andador. Este apetrecho pode ser encontrado de duas maneiras: uma com rodas e outra sem rodas. O andador sem rodas é indicado para aquele paciente que possui um déficit de equilíbrio porém possui um certo grau de força.

Assim, o indivíduo, passa a ter um dispositivo que auxilia a fase de balanço da marcha. O andador com rodas é indicado para o paciente que possui um certo equilíbrio porém com um déficit na parte que concerne as estruturas ósteo-mio-articulares.

Ele possibilita uma marcha ininterrupta e confortável para o indivíduo. O treinamento correto para o uso do andador inclui desde o uso em movimento até o uso dos freios.

Outro dispositivo para auxiliar a marcha são as muletas. Para o uso deste apetrecho, o indivíduo deve ser capaz de sustentar parte do peso de seu corpo com os membros superiores. O treino do uso das muletas é um pouco mais complexo porém elas dão maior liberdade de ação do que os nadadores principalmente em recintos menos amplos.

Para os pacientes que só precisa de um leve apoio ao deambular, o indicado é uma bengala comum ou se este necessite de um apoio um pouco mais seguro, indique a bengala com estabilizador.

É importante salientar, que todos estes apetrechos devem ser indicados e treinados por um profissional gabaritado que irá realizar uma avaliação para constatar a real necessidade do uso do dispositivo para o caso do determinado indivíduo.

Cadeira de rodas

A cadeira de rodas, em geral, é o último dispositivo indicado para auxiliar a deambulação do paciente. Isto porque tanto as transferências são complicadas quanto, em muitos casos, a residência do indivíduo não comporta um apetrecho desta monta.

Assim, caso seja necessário o uso de uma cadeira de rodas, esta deve ser muito bem dimensionada para ofertar a maior independência e conforto para o paciente.

Hoje em dia, no mercado de materiais médico – hospitalar podemos encontrar variações nas cadeiras de rodas que vão desde o estofado até o peso das estruturas utilizadas para a manufatura deste instrumento.

As vantagens e desvantagens de cada tipo de cadeira devem ser avaliadas cuidadosamente antes de adquiri-las. Pontos importantes a serem observados concernem a postura do paciente, o grau de asseio, conforto para o paciente e para o responsável pelo seu cuidado.

A cadeira de rodas deve ser confortável para o usuário que irá permanecer por um longo período além de possuir um estofado que minimize os efeitos do decúbito prolongado. Deve ser fácil de limpar e possuir uma estrutura que ao mesmo tempo que seja leve e fácil de guardar seja segura. A altura deve ser suficientemente boa para que a pessoa que realiza as transferências não sobrecarregue a sua coluna.

A cadeira de rodas também deve ser indicada avaliando-se o grau de consciência do indivíduo. Isto porque existe atualmente cadeiras que são motorizadas e que facilitam o manuseio pelo próprio paciente ofertando a este um maior grau de independência.

Referências Bibliográficas

1 – Guide to Phisical tharapist practice, 2nd ed. Phys Ther. 2001; 81;9-744.

2 – SCHMITZ, Thomas J. Fisioterapia avaliação e tratamento. 2 ed. São Paulo: Mende, 1993.

3 – SULLIVAN, Susan. Fisioterapia avaliação e tratamento. 2 ed. São Paulo: Mande, 1993.

4 – THOUMIE P., THEVINE- LEMOINE E. M. Reabilitación de los parapléjicos y tetrapléjicos adultos IN: Encycl. Méd. Chir Kinesioterapie., 26-460-A-10, 1999.



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