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Lesão de Ombro na Remada do Surf

Lesão de Ombro na Remada do Surf

I- Introdução

O tema dessa pesquisa é fazer um levantamento, para investigar a principal estrutura lesionada no ombro durante a prática no movimento na remada do surf.

O surf é um esporte, no qual vem sendo praticados principalmente por jovens atletas competidores ou amadores que além das necessidades financeiras, onde o surf tem um mercado de alta quantia de dinheiro, há também o prazer do desafio da própria natureza.[anonymus]

Em 1964, só haviam quatro países em que se praticava o surf. Hoje, em quase todo país com praias tem surfistas pegando onda, quase todas as ilhas, em cada um dos oceanos.(Endless Summer II, 1994)

Se você procurasse uma onda perfeita indo a todos os lugares de todos os países onde o surf é praticado e ficasse um dia em cada um, você levaria cinqüenta anos. (Endless Summer II, 1994 )

A remada destaca-se como a principal função do surf, onde o atleta terá uma certa resistência da própria água, forçando a musculatura, principalmente dos membros superiores.

Em cima do tema dessa pesquisa, as lesões de ombro são bastante comuns, devido ao grande trabalho da remada no surf.

Com alto riscos de lesões relacionados com a prática deste esporte, o papel da fisioterapia seria junto a prevenção, através do aquecimento, exercícios de alongamento, fortalecimento e proprioceptivos reduzindo o índice dessas lesões.

No surf, infelizmente, há uma grande carência em relação às suas prevenções e tratamentos à lesões adquiridas durante a sua prática. A vontade de praticar e competir são tantas que os atletas esquecem, ou deixam de se cuidar, levando assim à sérias conseqüências.

Portanto, através dessa pesquisa onde será levantado qual a principal lesão de ombro na remada do surf, estudaremos, se a fisioterapia poderá atuar no trabalho de prevenção no surf , reduzindo o risco dessas lesões.

O objetivo dessa pesquisa é fazer um levantamento da principal lesão de ombro na remada do surf, e mostrar como a fisioterapia preventiva pode trabalhar em cima, dessa musculatura, deixando-a propícias para o movimento realizado, evitando assim lesões, no qual o atleta não deixará de praticar o seu esporte em boas condições.

I.1- Análise da biomecânica do ombro X na remada

“Para estudarmos mais a biomecânica da remada do Surf, iremos agora separar todos os movimentos encontrados na articulação do ombro e compará-los aos movimentos encontrados neste esporte”.

I.1.A- Movimentos da remada

No momento da remada, um dos braços do atleta iniciará os movimentos com uma extensão ombro, junto com uma flexão de cotovelo, depois segue para uma abdução pura com flexão de cotovelo, logo após inicia uma adução seguido de uma flexão de ombro, estendendo o cotovelo para a entrada da mão na água, o qual encontra a resistência da água. Neste momento o atleta irá terminar o movimento da remada, realizando uma extensão seguida de uma hiperextensão horizontal, onde reinicia o movimento com a mão já fora da água, chamado de movimento de puxada.

Será mostrado agora os movimentos isoladamente do ombro na remada.

# Flexão de ombro: primeiro movimento da remada, ocorre na fase de entrada da mão na água. A amplitude da flexão do ombro nesta fase, é aproximadamente 90º.(Knutzen, 1999) Nesta fase envolve principalmente a articulação glenoumeral, com ação de vários músculos como: Deltóide anterior, Bíceps, Peitoral maior e Coracobraquial.(Knutzen, 1999) Acima de 90º de flexão a força da bainha rotatória diminui, deixando a articulação do ombro mais vunerável à lesão. Um dos músculos da bainha, o supra-espinhoso, continua sendo um grande contribuinte à ter comprometimentos.(Knutzen, 1999)

# Extensão do ombro: Ocorre na fase de puxada. Envolve-se nesta fase a articulação Glenoumeral.(Knutzen, 1999) Na extensão concêntrica contra uma resistência externa, como no caso da remada, à água, os músculos responsáveis são: Grande dorsal, Redondo maior e porção esternal do Peitoral maior. O Redondo maior, fica ativo somente quando o movimento é contra uma resistência.(Knutzen, 1999)

# Hiperextensão horizontal: Inicia na fase de retirada da mão na água. O movimento de hiperextensão horizontal é produzido primeiramente pelo Infra-espinhoso, Redondo menor e cabeça posterior do deltóide. Essa ação articular é comum no balanceio para trás e ações preparatórias em habilidades dos membros superiores.(Knutzen, 1999)

# Abdução do ombro: O movimento começa a ser realizado na fase final da extensão horizontal, sendo um movimento muito importante, onde se realiza uma “alavanca”, tendo-se um maior trabalho.(Knutzen, 1999) A medida em que o braço abduz acima de 90º, o tubérculo maior na cabeça do úmero aproxima-se do arco coracoacromial, à compressão dos tecidos moles, no qual começa a limitar uma abdução adicional e a tuberosidade faz contato com o acrômio. A abdução é limitada ainda mais e pode ocorrer somente por 60º com rotação interna do braço, já que o tubérculo maior é mantido sob o arco.(Knutzen, 1999) Os músculos responsáveis: Supra-espinhoso, Deltóide, Bíceps cabeça longa. Como a flexão o músculo que mais contribui é o Supra-espinhoso, e o Tendão da porção longa do Bíceps, tendo maior comprometimento.(Knutzen, 1999)

# Adução do ombro: Inicia no final da abdução pura, junto com uma flexão do ombro. A força da adução dos músculos do ombro é o dobro da força do movimento de abdução oposto. Os músculos que contribuem para a adução é os mesmo para extensão sendo: Grande dorsal, Redondo maior e peitoral maior.(Knutzen, 1999)

# Rotação interna do ombro: É o movimento que ocorre em todas as fases da remada, juntamente com os outros.(Knutzen, 1999) É produzida primariamente pelo Subescapular, Grande dorsal, Redondo maior e porção do Peitoral maior.(Knutzen, 1999)

I.1.B- Movimentos da remada X lesões tendíneas do ombro

No momento da remada, algumas regiões do ombro, estão sobrecarregadas, podendo haver lesões como: As tendinites (inflamação dos tendões) dos músculos rotatores, especialmente do biciptal e do supra-espinhoso, formam a maioria das incapacidades funcionais do ombro e são importantes fatores na ruptura desses tendões.[anonymus]

– Tendinite de supra-espinhoso – A tendinite do supra-espinhoso parece ser causada por relações anatômicas desfavoráveis, levando a isquemia local e degeneração. Exercício muscular excessivo, traumas e atividades repetitivas do braço principalmente em abdução e flexão do ombro podem levar ao quadro de tendinite.(Almeida, 2002)

– Tendinite Biciptal – Pode ser encontrada como uma entidade isolada, mas, freqüentemente, é secundária a lesões nas bainhas dos rotatores. A tendinite biciptal primária pode ser devida a traumas diretos e indiretos no ombro, exercícios excessivos e atividades repetitivas dos braços. O quadro clinico varia desde sensação de peso no local até dor na tuberosidade pequena do úmero e face anterior do braço, podendo, nos casos mais graves, irradiar-se para o todo o membro superior.(Almeida, 2002)

– Também é bastante comum as bursites que são dores originadas numa das bolsas sinoviais ( bursas ) existentes no organismo. A mais comum é a bursite subacromial, responsável pela maioria dos casos de dor no ombro em que não há sinais de doença reumática. Normalmente tem como causas principais: traumatismo agudo ou crônico ou movimentos repetitivos bruscos, que provocam o rompimento parcial do tendão de um dos músculos rotadores, o cálcio se deposita então no local traumatizado. As dores no ombro são violentas, agravando-se com os movimentos.(Almeida, 2002)

I.2- Prevenção

Segundo Krusen (1994), as lesões mais fáceis de tratar são aquelas que não ocorrem. Isto, porém, é mais fácil falar do que fazer. Para atingir o objetivo de evitar lesões eficácia, a atuação do fisioterapeuta deve ser baseada na prevenção de lesões esportivas, caso contrário correrá o risco de ter sempre um ou mais atletas lesados, afastados dos treinos e competições por um período prolongado, com lesões mais graves e recuperação mais trabalhosa, acarretam do prejuízo ao atleta.(Malta, 1995)

Com a necessidade de minimizar as lesões e ao mesmo tempo, não prejudicar o rendimento do atleta, percebeu-se que o primeiro passo seria mudar o conceito de tratar o atleta quando estiver machucado. Esta mudança, levou a uma conceito mais moderno dentro do esporte que é a prevenção de lesões. ( Malta,1995 )

Diante a importância da prevenção de lesões no Surf, sugerimos através de revisão bibliográfica princípios profiláticos em que pelos efeitos fisiológicos poderão ser benéficos para o complexo do ombro.

A realização através de exercícios de alongamento, fortalecimento e proprioceptivos, temos como objetivo melhorar a força, a resistência, a flexibilidade e os reflexos musculares.( Kloetzel,1985 )

1.2.A- Aquecimento

O aquecimento antes da prática do surf, como em qualquer modalidade desportiva, é extremamente indispensável; sua realização é a maneira de enviar um aviso prévio às estruturas musculares alertando que elas estão prestes a serem utilizadas. O fato do surf ser um esporte acíclico, onde em todo momento o praticante está realizando movimentos diferentes e vigorosos, recrutando diversos músculos há, conseqüentemente, uma sobrecarga de trabalho nos grupos musculares, em especial os dos membros superiores.(Palmeira, 2002).

Realizando o aquecimento antes de entrar na água o surfista minimiza a velocidade do acúmulo de lactato devido ao aumento da circulação sanguínea favorecendo uma melhor vascularização nos músculos com uma maior oferta de oxigênio ( Palmeira, 2002).

1.2.B- Alongamento

É um termo geral usado para descrever qualquer manobra terapêutica elaborada para aumentar o comprimento (alongar) estruturas de tecidos moles patologicamente encurtadas e desse modo aumentar a amplitude de movimento (Kisner,Colby,1992).

1.2.C- Fortalecimento

O músculo se torna mais forte com resultado de hipertrofia de suas fibras musculares e do aumento do recrutamento de suas unidades motoras. A medida que a força de um músculo aumenta, eleva-se também sua resposta cardiovascular, de modo que a resistência à fadiga e a potencia também.(Kisner; Colby, 1992)

Exercícios ativos desempenhados repetidamente com carga moderada, até o ponto de fadiga aumentarão a resistência de um músculo(Kisner; Colby,1992).

1.2.D- Flexibilidade

É a habilidade para mover uma articulação ou articulações através de uma amplitude de movimento livre de dor e sem restrições. O termo flexibilidade é usado para referir-se mais especificamente à habilidade da unidade musculotendínea para alongar-se enquanto um seguimento corporal ou articulação se move através da amplitude de movimento ( Kisner; Colby, 2000 )

Na preparação física desportiva, a flexibilidade é necessária para a execição dos movimentos com maior amplitude ( Zakharov, 1992 ).

1.2.E- Propriocepção

A propriocepção é a aferência dada ao sistema aos sistema nervoso central pelos tipos de receptores sensoriais presentes em diferentes estruturas ( Greve; Amatuzzi, 1999 ). Refere-se ao uso do input sensitivo a partir de receptores nos fusos musculares, tendões articulações para discriminar a posição articular e o movimento articular, incluindo direção, amplitude e velocidade, bem como a tensão relativa dos tendões ( Lehmkuht et al, 1997

II- Meteriais e métodos

Este trabalho foi desenvolvido através de uma pesquisa de campo, o qual foi realizado em algumas cidades do litoral do estado de São Paulo como: Ubatuba, Bertioga na praia de Riviera, Guarujá na praia do Tombo e Santos na praia do Gonzaga, em alguns campeonatos realizados, como nos campeonatos estaduais ocorridos no ano de 2002.

Foi utilizado um questionário específico(fig:A4), onde foram submetidos a responder o questionário 50 praticantes do surf (surfistas), entre freesurf(amadores, aqueles que não competem os campeonatos) e competidores(aqueles que competem nos campeonatos), com faixa etária média de 20 à 30 anos de ambos os sexos.

Neste questionário foram feitas questões, em relação a freqüência em que o atleta pratica o esporte, se faz alguma atividade para o melhor rendimento neste esporte, se realizam aquecimento e alongamento antes e depois da prática do surf, se tem, ou já tiveram alguma lesão de ombro, se teve, qual foi e como foi, e que tipo de tratamento foi feto em torno dessa lesão

Abaixo segue as informações colhidas na ficha de entrevista e as perguntas do questionário

Dados do Surfista :

Nome, data, idade, sexo, nacionalidade, cidade, profissão, e categoria: # FREESURF ou # COMPETIÇÃO.

Perguntas do questionário :

1- Tempo de Prática do Esporte?

2- Freqüência com que pratica? ( 1x semana, 2x semana, 3x semana, 4x semana, 5x semana, 6x semana, 7x semana)

3- Faz alguma atividade física para auxiliar no desempenho da modalidade? (NATAÇÃO, YOGA, MUSCULAÇÃO, OUTROS )

4- Pratica algum outro esporte? Qual?

5- Freqüência com que pratica esse outro esporte?

6- Realiza antes do Surf algum Aquecimento e/ou alongamentos ?

7- Qual a duração média do alongamento realizado antes e depois da prática ?

8- Possui ou já teve algum tipo de dor ou lesão no ombro ocasionado pela prática do surf?

9- Se tem, ou teve, qual o tipo de lesão? ( Tendinite do supra-espinhoso, tendinite biciptal, bursite, instabilidade glenoumeral anterior (luxação), instabilidade glenoumeral posterior (luxação), instabilidade tendinosa e outros)

10- Como ocorreu? (Na remada, no joelho, em alguma queda da prancha, contato com a prancha, outros)

11- Toma ou tomou algum medicamento para dor ou lesão?

12- Procurou algum tipo de tratamento para a dor ou lesão no ombro?

13- Se sim, à quanto tempo e qual o tipo de tratamento? ( Medicamentoso, fisioterapia, outros )

14- Você aceitaria uma orientação de prevenção para lesões de ombro?

III- Resultados

1- Freqüência de prática do esporte por semana

11 pessoas (22%) praticavam surf 1X por semana

14 pessoas (28%) praticavam surf 2X por semana

11 pessoas (22%) praticavam surf 3X por semana

01 pessoa (02%) praticava surf 4X por semana

02 pessoas (04%) praticavam surf 5X por semana

07 pessoas (14%) praticavam surf 6X por semana

04 pessoas (08%) praticavam surf 7X por semana

2- Categoria de surf praticado

22 pessoas (44%) praticavam Freesurf

28 pessoas (56%) praticavam Surf para competição

3- Números de pessoas que realizavam Aquecimento antes do Surf

40 pessoas (80%) realizavam aquecimento prévio

10 pessoas (20%) não realizavam aquecimento prévio

4- Números de pessoas que realizavam Alongamentos antes e depois do Surf

35 pessoas (53%) realizavam alongamentos prévio

17 pessoas (26%) realizavam alongamentoantes e depois do Surf

14 pessoas (21%) não realizavam alogamentos

5- Números de pessoas com lesões no Ombro

07 pessoas (14%) possuem lesão no ombro

22 pessoas (44%) já tiveram lesões no ombro

6- Tipos de lesões encontradas

05 pessoas (17%) relataram Tendinite Biciptal

09 pessoas (31%) relataram Tendinite Supra-espinhoso

14 pessoas (49%) relataram Bursite

01 pessoa (03%) relatou Instabilidade gleno umeral anterior

7- Tipo de tratamento utizado nas lesões

07 pessoas (23%) usaram apenas medicamentos

13 pessoas (42%) realizou fisioterapia

Niguém fez tratamento cirúrgico e/ou imobilização

IV- Discussão

Após a coleta de dados expressos dos questionários analisados através de uma pesquisa de campo, realizados em praias do litoral da cidade de São Paulo, onde foram preenchidos por 50 praticantes do surf, foi observado na categoria que com 44% dos atletas são freesurf (amadores), enquanto a maioria com 56% são profissionais (competidores), onde os treinamentos serão mais cobrados, portanto terão um trabalho maior para o seu desenvolvimento na prática do esporte.

Nota-se também que 80% desses esportistas realizam aquecimento antes da prática do esporte, sendo que 53% realizam exercícios de alongamento antes, e somente 26% realizam antes e depois da prática. Com isso pude observar que 29 praticantes do esporte tem ou já tiveram alguma lesão de ombro na prática do surf, principalmente no movimento da remada com 69%. Desses 29 esportistas a principal estrutura lesionada na articulação do ombro com 49% foi a bursite subacromial, seguida de uma tendinite supra-espinhoso com 31%.

Por final observou-se que desses 29 atletas lesionados, apenas 23% procuram tratamento medicamento, enquanto 42% procuram a fisioterapia como tratamento e 35% optaram por outros meios de tratamento.

Faz-se necessário à explicação da fisiopatologia, no qual através dos resultados obtidos, foi identificada a Bursite sendo a lesão mais comum do ombro no movimento da remada.

A Bursite raramente é uma condição primária. Segue-se freqüentemente a lesão degenerativas da bainha músculo-tendínea e é portanto um fenômeno secundário. A relação estreita entre as paredes da bolsa subdeltóidea, na parte superior, altamente vascularizada e ricamente inervada pelo nervo simpático, e na parte inferior inseparavelmente aderente à porção supra-espinhal da bainha músculo-tendínea rotadora, resultará numa “bursite” acompanhada por irritação e inflamação dos tecidos da bainha múculo-tendínea. (Cailliet,1989)

As bolsas sinoviais são pequenas estruturas saculares, envolvida por uma membrana sinovial semelhante a que recobre uma articulação verdadeira. A sua finalidade é facilitar o deslizamento dos músculos ou tendões sobre ossos ou superfícies ligamentosas.(Almeida; Stefanova; Silva, 2002)

Sobre o tendão da coifa dos rotadores do ombro encontra-se a grande bolsa subacromial.(Almeida; Stefanova; Silva, 2002)

A bolsa subacromial facilita o movimento entre a grande tuberosidade do úmero, onde se insere o supra-espinhoso, o infra-espinhoso e o redondo menor no acrômio, durante a abdução do braço, movimento que provoca a sua compressão.(Cailliet, 1989)

Portanto, o movimento de abdução do braço irá provocar compressão na bolsa, como no caso do surfista no momento da remada, onde a abdução junto com uma flexão são movimentos usados repetidamente para a realização de uma remada eficaz, sendo assim, o ombro estará sujeito a lesões como no caso do aparecimento de uma bursite.

Através desta pesquisa tentei demonstrar que a fisioterapia através de um trabalho preventivo adequado, os atletas terão uma melhor condição no momento da remada, onde há alto índices de lesões no ombro como mostra os dados. A Bursite subacromial a principal estrutura lesionada no ombro como é mostrado na pesquisa pode ter sido acometida devido ao uso repetitivo de alguns movimentos e pela própria prática do esporte como: a grande ansiedade de praticar o esporte, sem se preocupar com a prevenção, a própria biomecânica do esporte e a postura arqueada dos surfistas sendo um alto indício para a lesão.

Os esforços feito pelos surfistas de nadar contra à maré para pegar suas ondas, podem provocar desequilíbrio na musculatura dos ombros, e facilitar a ocorrência de lesões na região, de acordo com pesquisa do Centro de Estudo de Fisiologia do Exercício da Universidade Federal do Estado de São Paulo.

Ao nadar no sentido contrário às ondas, os surfistas forçam a musculatura do ombro, sendo os rotadores internos os abdutores e os flexores do ombro os movimentos mais usados na remada. Já os rotadores externos, que levam os ombros para trás, são bem menos requisitados, pois os atletas não fazem o movimento contrário.

A irritação mecânica e a diminuição do suprimento de sangue durante as repetidas remadas são os pontos básicos envolvidos em lesões de ombro. Isso acontece principalmente na fase de entrada da mão na água e na metade da fase de puxada, assim resultando na instabilidade dos ombros, que pode ser acompanhada de dor e, em casos extremos, provocar degeneração dos tendões, pois os atletas continuam treinando apesar da dor. (Steinman, 1999)

Os movimentos repetitivos, comuns na pratica do surf, geram desequilíbrios que podem ir se agravando. Para o bom funcionamento dos ombros, é necessário que os músculos estejam bem preparados, igualmente fortes.

A fisioterapia preventiva, cuida da saúde em si, ou seja procura-se evitar a pré- patologia ou a patologia aguda que antecede a patologia crônica.

Não podemos afirmar nada em relação se a fisioterapia preventiva pode, ou não, evitar que essas estruturas no caso da articulação do ombro não sejam lesionados, porem, Krusen (1994), ” Para atingir o objetivo de evitar lesões eficácia, a atuação do fisioterapeuta deve ser baseada na prevenção de lesões esportivas, caso contrário correrá o risco de ter sempre um ou mais atletas lesados, afastados dos treinos e competições por um período prolongado, com lesões mais graves e recuperação mais trabalhosa, acarretam do prejuízo ao atleta.”

A realização através de exercícios de alongamento, fortalecimento e proprioceptivos, temos como objetivo melhorar a força, a resistência, a flexibilidade e os reflexos musculares.(Kloetzel, 1985).

V- Conclusão

Foi observado através desse trabalho que o surf, é uma modalidade individual bastante praticada, principalmente por pessoas com idade média de 20 à 30 anos. Encima de uma prancha, com o contato da natureza, esses atletas através do desafio direto com as ondas do mar tendem a mostrar o que realmente são capazes de fazer. Com isso o surf vem atraindo com sua beleza , cada vez mais pessoas do mundo inteiro.

Através de questionários entregue para 50 praticantes do surf, foi mostrado que a principal lesão na articulação do ombro no movimento da remada, foi a Bursite subacromial.

Por fim, fica a proposta para um trabalho futuro, onde será visado um trabalho mais específico e preventivo voltado para esta lesão.

VI- Referências Bibliográficas

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