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Intervenção Fisioterapêutica na Fadiga Oncológica da Criança e Adolescente com Câncer

Intervenção Fisioterapêutica na Fadiga Oncológica da Criança e Adolescente com Câncer

INTRODUÇÃO

O câncer infanto-juvenil corresponde a um grupo de doenças, que tem em comum a proliferação descontrolada de células anormais, dividindo-se rapidamente. Esse processo decorre de várias alterações no DNA da Célula, chamada mutação. Esta proliferação tende a ser muito agressiva e incontrolável, determinando a formação de tumores malignos, que podem espalhar para outras regiões do corpo (metástases).  O câncer infanto-juvenil tem características que diferem do câncer na população adulta, sendo que as neoplasias mais frequentes em adultos dificilmente ocorrem em crianças. Os tumores próprios da infância e adolescência diferem dos tumores comuns em adultos em relação à sua localização, tipo histológico e comportamento clínico, e corresponde a um grupo específico, geralmente embrionário, do sistema reticuloendotelial, do sistema nervoso central, do tecido conectivo e de vísceras. Por outro lado, tumores epiteliais são extremamente raros nessa faixa etária. Nos adultos são comuns tumores pulmonares, estômago, mama, intestino e fígado. (1).

Os tumores de maior prevalência na criança e no adolescente são as leucemias, tumores do sistema nervoso central e linfomas. Ainda constam na lista dos mais frequentes: neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles). (2).

Assim como em países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Estima-se que em 2017 tenham ocorrido cerca de 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes no Brasil. As regiões Sudeste e Nordeste apresentaram estimativas de maiores números de casos novos, 6.050 e 2.750, respectivamente, seguidas pelas regiões Sul (1.320), Centro-Oeste (1.270) e Norte (1.210). (2) Havendo possibilidade de cura se diagnosticados precocemente, receber o tratamento adequado pode promover melhores taxas de sobrevida dos pacientes, e na maioria dos casos, com boa qualidade de vida.

O tratamento geralmente é agressivo, onde se tem o objetivo de cura ou remissão da doença. A terapia na maioria das vezes é multimodal, incluindo radioterapia, quimioterapia e cirurgia. Devido à repercussão dos inúmeros procedimentos que são envolvidos no tratamento do câncer, alguns sintomas podem ser negligenciados pela equipe de saúde ou considerados como consequências da doença e sua terapêutica. Sintomas relevantes e de maior desafio para o paciente em tratamento contra o câncer são dor e a fadiga relacionada ao câncer (FRC).

A FRC tem sido descrita como o sintoma mais prevalente em pacientes oncológicos pediátricos, ocorrendo em 36% a 93% dos casos, com maior nível de fadiga experimentado por aqueles submetidos ao tratamento quimioterápico 70% a 100% dos casos. (3) A fadiga pode afetar significativamente as atividades de vida diária das crianças e adolescentes, o relacionamento com familiares e amigos, além de dificuldade de adesão ao tratamento.

A fisioterapia como recurso adjuvante no tratamento da fadiga pode ser benéfica, pois ajuda na melhora da qualidade de vida dos pacientes, na prevenção e alívio dos sintomas e quando possível permitir a independência funcional, através de técnicas e orientações fornecidas ao paciente, familiares e ao cuidador.

O presente estudo trata-se de uma narrativa da literatura acerca do suporte fisioterapêutico na fadiga oncológica de crianças e adolescentes, como o profissional fisioterapeuta poderá ajudar o paciente no processo de tratamento e pós-tratamento e a importância da adesão do paciente a proposta da fisioterapia na equipe.

Definição e mecanismo da Fadiga relacionada ao câncer

A FRC é descrita como uma sensação subjetiva de cansaço incomum e persistente relacionada ao câncer e ao seu tratamento, que interfere com a execução de atividades cotidiana (4), resultando em diminuição significativa na capacidade funcional, levando-os a uma perda muito grande da qualidade de vida. Podendo ser aguda, quando o paciente relata cansaço extremo, estresse físico e mental melhorando com o repouso, ou crônica, quando não há melhora com o repouso, resultando em diminuição da funcionalidade e incapacidade para realizar atividades diárias.

A fadiga pode ser relatada pelos doentes com câncer em todas as fases da doença, como um dos sintomas mais frequentes, principalmente nos casos que apresentam metástase. Apesar de frequente, há divergências quanto a sua definição.   A ausência de um conceito bem estabelecido e esclarecido entre os profissionais da área da saúde, tratada como baixa prioridade, o que torna a fadiga oncológica um desafio.

Presente desde o inicio do diagnóstico e continua durante todo o tratamento, persistindo por um longo período de tempo, sendo relatada por sobreviventes, mesmo após o termino do tratamento, visto que pacientes em quimioterapia sofrem mais com os efeitos. (5)

Causas da Fadiga Relacionada ao Câncer

Tratando-se de um sintoma multicausal e complexo de acordo com um consenso, no qual a origem envolve aspectos físicos e psíquicos podendo ser considerada uma síndrome. (4) Mecanismos que contribuem para que a fadiga ocorra: ausência de condicionamento, inatividade, insônia, estresse, desidratação e deficiência nutricional. (6) Para minimizar os efeitos, terapias e estratégias não farmacológicas podem ser utilizadas.

Causas de fadiga em pacientes oncológicos podem estar associadas ao estado hipermetabólico ligado ao crescimento tumoral, à competição por nutrientes entre o organismo e o tumor, aos efeitos deletérios da quimioterapia e radioterapia, à ingesta nutricional inadequada, associada à náusea e vômitos decorrentes da terapêutica antineoplásica, à anemia, ao distúrbio do sono, à incerteza quanto ao futuro, ao medo da morte e de mutilações. (7)

Considerando que a agressividade da terapêutica e o enfoque na cura são aspectos próprios do tratamento de pacientes na oncologia pediátrica, a origem dos sintomas da FRC são considerados como consequência inevitável da doença e sua terapêutica. (5)

Sinais e sintomas da fadiga relacionada ao câncer

Os sinais e sintomas mais frequentes da FRC são: redução da tolerância ao exercício, dispneia, sensação de exaustão, fadiga muscular, fraqueza, alteração de humor e comportamento, mudanças no tempo de reação e realização das tarefas, declínio da performance cognitiva e falta de motivação.(4)

O paciente se cansa com facilidade, havendo um decréscimo do status funcional. Definida como sensação antecipatória de cansaço e dificuldade para iniciar uma atividade, fadiga mental, perda de concentração e memória. Havendo a existência de outros sintomas associado à fadiga.

Avaliação da Fadiga relacionada ao câncer em crianças e adolescentes

Atualmente, na literatura, existem vários instrumentos utilizados para avaliar fadiga, entretanto, a grande maioria deles é aplicada apenas em adultos e nem todos são específicos para paciente com câncer. (5)

Em revisão minuciosa na literatura foram encontrados seis instrumentos que avaliam a fadiga para a faixa etária infanto-juvenil. Sendo eles: 1.Pediatric Functional Assessment of Chronic Illness Therapy Fatigue (peds FACIT-F), desenvolvida por Lai et al. (2007); 2.Fatigue Scale-Child (FSC);  3.Fatigue Scale-Adolescent (FSA); 4. Fatigue Scale-Parent (PFS); 5. Fatigue Scale-Staff (SFS); desenvolvidos pelo mesmo grupo de pesquisadores (HINDS et al.,2007b; HOCKENBERRY-EATON et al., 2003) e o 6.PedsQL  Multidimensional fatigue Scale que possui tanto versão de auto relatos de crianças e adolescentes quanto a versão do relato dos pais, ambas divididos por faixa etária (VARNI et al., 2002).(5)

Para a fisioterapia é indispensável à avaliação da fadiga, pois toda conduta fisioterapêutica será baseada na investigação de sinais e sintomas apresentados pelo paciente.

A FRC é o tratamento farmacológico

Abordagens farmacológicas sistêmicas não são usadas como tratamento para controle da fadiga em crianças e adolescentes com câncer, não devendo ser usada rotineiramente. As recomendações apoiadas em estudos de qualidade moderada indicam atividade física, relaxamento e mindfulness para reduzir a fadiga. (8)

O mindfulness é caracterizado por um estado psicológico onde se é trabalhado a forma intencional com esforço gentil de não se julgar experiências. Sendo percebidos pensamentos, sensações corporais e emoções no momento em que estão ocorrendo, sem que se tenha uma reação automática ou de hábito. Visto que em condições difíceis, se faz escolhas mais conscientes e funcionais, ajudando na maneira de lidar com os desafios do dia a dia. (9)

Quando as abordagens proposta com atividades não são bem sucedidas ou não são viáveis, terapia comportamental cognitiva pode ser oferecida. No qual é necessário que a maturidade e a capacidade cognitiva dos pacientes estejam preservadas para facilitar e tornar viável o trabalho com o paciente. (8)

FADIGA E A INTERVENÇÂO FISIOTERAPÊUTICA

A fisioterapia atua no controle do aumento dos sintomas por meio de técnicas e recursos onde são realizadas mudanças posturais, deambulação precoce, alongamentos, treinamento físico, corrida, exercícios aeróbicos, mobilização articular, treino de equilíbrio… Entre outras atividades funcionais para a criança.

A principal forma de controlar a fadiga e suas consequências e a partir de uma avaliação acurada do fisioterapeuta, devendo ser de forma humanizada. Avaliar função neurológica, tônus muscular, sistema sensorial e função cardiopulmonar, marcha, mobilidade e funcionalidade.  A partir dessa avaliação, serão feitas estratégias de controle de gasto de energia, sendo distribuídas em categorias, De essa forma restaurar e aliviar o cansaço, privacidade da criança, principalmente nos momentos de descanso e por último minimizar perdas de energia. (5)

Visto que há grande necessidade de educar os profissionais, doentes e cuidadores para que a fadiga seja identificada, avaliada e tratada. Uma boa relação deve haver entre a equipe de saúde e familiares, pois as orientações dadas à família são de extrema importância.

A toxicidade à quimioterapia pode permanecer após o termino da terapia ou até a resolução da doença. Adaptações fisiológicas e metabólicas implicarão na cronicidade da fadiga, levando ao descondicionamento físico e a caquexia. Durante a quimioterapia é importante a pratica e/ou aumento da atividade física, como estratégia para diminuir a perda da musculatura esquelética (atrofia), durante a quimioterapia.

Os exercícios são os únicos fatores com forte evidência no controle da fadiga durante e após o tratamento. Pode-se dizer que exercícios terapêuticos são eficazes no controle e melhora da fadiga e da qualidade de vida do paciente. (10)

Exercícios podem ser utilizados durante as sessões de fisioterapia, estudos revelam que o exercício exerce efeito moderado na redução a fadiga, além de melhorar a depressão e distúrbios do sono. Não influenciando o tipo de exercício, apenas que seja executado. (11)

A toxicidade proveniente da quimioterapia pode permanecer após o termino do tratamento ou ate a remissão total da doença. Adaptações fisiológicas e metabólicas implicaram na cronicidade da fadiga, levando o paciente a um quadro de descondicionamento físico e a caquexia. Durante a quimioterapia é importante à prática e/ou aumento da atividade física como estratégia para diminuir a perda da musculatura esquelética (hipotrofismo), durante a quimioterapia. (11)

Os exercícios são os únicos fatores com forte evidência no controle da fadiga durante e após o tratamento. Pode-se dizer que exercícios terapêuticos são eficazes no controle melhora da fadiga e da qualidade de vida do paciente. (11)

Os treinos aeróbicos, fortalecimento de membros inferiores e alongamentos, são protocolos que são utilizados para prevenir complicações advindas do tratamento devido ao tempo de internação, fazendo com que a criança tenha mais mobilidade para realizar suas atividades rotineiras e evoluir na fisioterapia, pois com a prática da atividade física a criança caminha melhor, reduzindo o desuso e possíveis quadros dolorosos e fadiga. (12)

A utilização de massagem, brinquedos terapêuticos, bonecos e desenhos para pintar  é reduz dor, fadiga e ansiedade em 75% da crianças, o resultado é satisfatório, pois tira a criança da rotina hospitalar e a faz viver sua infância, chegando a conclusão de que terapias complementares podem ajudar na redução ou até mesmo evitar os possíveis efeitos tardios do tratamento promovendo qualidade de vida á longo tempo. (12)

Considerações Finais

Os principais recursos utilizados durante a fisioterapia são os brinquedos, desenhos, pinturas, massagem e cinesioterapia global, verificou-se que essas técnicas e recursos, como também a avaliação acurada, mostraram resultados satisfatórios pois dispõe de um arsenal de métodos que auxiliam no controle não só da fadiga, mas da dor e ansiedade das crianças.

O trabalho da fisioterapia no tratamento desses pacientes é importante, pois, mistura o lúdico promovendo na criança uma distância de tudo que é relacionado a doença, levando uma facilitação na adesão ao tratamento.

Acredita-se que muito ainda tem para se estudar a respeito desse assunto, uma vez que são raros estudos disponíveis. Visto que a importância da fisioterapia é de grande importância, já que cada vez mais se vê o aumento de crianças doentes.



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