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Incontinência Urinária no ciclo gravídico puerperal

Incontinência Urinária no ciclo gravídico puerperal

A incontinência urinária (IU) é definida pela International Continence Society como uma reclamação de qualquer perda involuntária de urina. Essa condição é comumente associada à gravidez e pós parto. Mesmo não colocando em risco a vida da mulher, a perda urinária gera grande impacto psicossocial afetando sua qualidade de vida. No entanto, nem sempre é reconhecida, e encontra-se subdiagnosticada e subtratada.

Mudanças fisiológicas importantes que ocorrem durante a gestação influenciam a continência. Isso inclui o aumento de peso corporal que quando associado com gerações de pressões abdominais mais elevadas, pode predispor a perda urinária, que tende a aumentar no terceiro trimestre. Diminuição do comprimento funcional da uretra e da pressão máxima de fechamento uretral, aumento da mobilidade da uretra, bexiga e cervix e redução da pressão intra-vaginal também devem ser considerados como fatores que influenciam a continência. Outro fator de risco seria o aumento dos hormônios, número de gestações, paridade, tipo de parto, partos intervencionistas, episiotomia e lacerações.

Segundo Rocha J. et al (2017), a prevalência de incontinência urinária em mulheres grávidas é variável, com maior impacto no terceiro trimestre de gestação e diminui significativamente no pós parto. Uma estimativa precisa de prevalência de incontinência urinária é importante por várias razões, incluindo o impacto da perda urinária para a saúde pública e a estimativa do tamanho da amostra ao elaborar estudos de pesquisa. Além de investigar os subgrupos de mulheres com maior risco de desenvolver incontinência urinária.

O objetivo desse estudo é fazer uma revisão sistemática sobre a prevalência de incontinência urinária no período gravídico puerperal e assim dar importância a essa condição que gera um impacto negativo na vida das grávidas e puérperas.

Materiais e Métodos

Foram utilizados os descritores incontinência urinária, puerpério, gestação e prevalência nos idiomas português e inglês. Base de dados PubMed, LILACS e ScieLo no período de 2010 a 2020.

Critério de inclusão utilizado foram os artigos que abordavam a incidência de incontinência urinária na gestação e pós-parto. Foram excluídos os artigos que não abordavam incidência.

Resultados

O resultado total da busca 385 artigos encontrados, sendo 12 artigos selecionados e retirados na base de dados PubMed, LILACS e ScieLo. Os artigos foram divididos em três grupos: incontinência urinária na gestação (Tabela 1), incontinência urinária na gestação e pós-parto (Tabela 2) e incontinência urinária no pós-parto (tabela 3).

Na tabela 1, temos cinco artigos de incontinência urinária na gestação, todos com número de participantes grande e dois apresentaram questionários próprios na coleta de dados. Nos resultados, todos possuíam taxa de prevalência para IU e fatores de risco e quatro deles a prevalência do tipo de incontinência.

Na tabela 2, foram selecionados três artigos que apresentam incontinência urinária na gestação e pós-parto, todos também com número de participantes elevados e utilizaram para coleta de dados questionários validados. Nos resultados, prevalência IU na gravidez e pósparto e fatores de risco associados.

Na tabela 3, separados quatro artigos sobre incontinência urinária no pós-parto dentre eles temos um artigo de revisão sistemática e artigos com amostra de participantes grande e utilizaram questionários validados e questionários estruturados durante a consulta. Nos resultados, prevalência de IU no pós-parto e fatores de risco.

Tabela 1: Incontinência urinária gestação

Tabela 2: Incontinência urinária na gestação e pós-parto.

Discussão

Esta revisão sistemática denota a incidência de incontinência urinária no ciclo gravídico puerperal, a prevalência durante a gravidez ficou entre 17,9% a 51,89% apresentando principalmente no terceiro trimestre de gestação. Para esse grupo, a incontinência urinária de esforço teve um maior evidência e fatores de risco como idade materna, idade gestacional, histórico de incontinência urinária, IMC, raça se destacaram.

No período pós-parto, a incidência ficou entre 6,8% e 33%3,6,10,11 e incontinência urinária de esforço foi também a maior queixa. Incontinência urinária na gestação, duração do trabalho de parto, bebê no perímetro cefálico, idade materna, parto vaginal instrumental foram associados aos fatores de ricos de perda urinária nesse período.

As tabelas 2 e 3 apontam a incontinência urinária na gestação permanecendo no pósparto. Leroy, Lígia da Silva (2016) observou que a maioria das mulheres incontinentes na gestação continuavam com a queixa no pós-parto, esses resultados sugerem que os esforços para prevenir a IU no puerpério devem ser iniciados durante a gravidez.

O Treinamento dos músculos do assoalho pélvico realizados no pré-natal com supervisão de um profissional mostrou-se eficaz reduzindo a prevalência e tratando a incontinência urinária na gestação e puerpério, sendo indicado como medida preventiva para até seis meses após o parto.

A promoção da continência além de gerar um bem-estar físico, irá impactar diretamente no bem-estar psicológico das mulheres que sofrem com a perda urinária, assim foi pontuado por Ahlund, Susanne et al (2019) em seu estudo, as gestantes e puérperas que sofriam de IU tiveram um impacto negativo em suas vidas alterando sua rotina, planejando suas atividades, situações sociais e íntimas para evitarem constrangimentos. Muitas entendem
a perda urinária como algo normal e inevitável associado à gravidez e ao pós-parto.

Conclusão

As taxas de incidência descritas nessa revisão revelam a necessidade de um trabalho de promoção de continência durante a gravidez e pós-parto e também conscientizar essas mulheres que a perda urinária não é normal e tem tratamento.

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