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Impacto do Uso do Smartphone em Punho e Mão de Estudantes Universitários: Um Estudo de Revisão

Impacto do Uso do Smartphone em Punho e Mão de Estudantes Universitários: Um Estudo de Revisão

INTRODUÇÃO

Tecnologia móvel é definida como a maneira de acesso à internet e outros recursos computacionais por intermédio de dispositivos móveis, como: celulares, smartphones, tablets, notebooks, dentre outros. O interesse crescente das pessoas pela mobilidade, fácil acesso às informações e a conexão interpessoal, impulsionaram a internet móvel a se estruturar e expandir rapidamente, adaptando-se à modernidade e necessidades dos usuários finais e organizações.

Grande parte da evolução dos aparelhos pode ser atribuída à globalização da informação pela internet. Cada vez mais esses aparelhos móveis evoluem e incorporam mais funcionalidades, se tornando mais parecidos com computadores, porém de maneira mais pessoal. Os aparelhos são utilizados e personalizados de acordo a preferência de um único usuário, coisa que não acontece, necessariamente, com os computadores.

A primeira ideia de aparelhos móveis, mais especificamente telefones portáteis, veio a ser concebida em 1947, logo após a segunda grande guerra. Entretanto, o conhecimento tecnológico da época impossibilitava a realização desse feito.

Na década de 1990, no início da Internet no Brasil, as telecomunicações ainda eram, em sua maior parte, realizadas pelo uso do telefone fixo e, em escala muito menor, dos telefones celulares. Com o passar dos anos, foram adicionados novos recursos aos celulares, tornando-os os smartphones, populares atualmente.

O smartphone é caracterizado como sendo um telefone inteligente, tratando-se de um equipamento que possui um sistema operativo contribuindo dessa forma para executar funções mais complexas comparativamente a um telefone móvel simples.

O uso de tecnologias de informação e comunicação como smartphones e tablets tem aumentado todos os anos na população em geral. O aumento da procura pelos smartphones deveu-se à proliferação e, consequentemente, aos baixos preços praticados, contribuindo dessa forma para o aumento exponencial das suas vendas.

Dados da Anatel indicam que o Brasil terminou setembro de 2018 com 234,3 milhões de celulares e densidade de 111,84 celulares por habitante.

A classe C é a que mais cresce em número de usuários de smartphones no Brasil, com 39%, sendo a classe B a com maior número de usuários, 45%. Isso representa uma democratização desses aparelhos, derivada do barateamento de sua tecnologia de fabricação, aliada ao aumento histórico do poder de compra da classe C no Brasil nos últimos dez anos. Dessa forma, com grande penetração, as mudanças provocadas por esta tecnologia não se limitam mais a uma pequena parcela da população, mas já são representativas de toda a sociedade.

Com tantos usos práticos da internet, é difícil aceitar que além de tantos benefícios, existem também diversos malefícios, principalmente em seu uso descontrolado. Um deles é a Dependência de Internet, conceito que passou a ser aceito como um transtorno na última década. A dependência é caracterizada por excesso de indulgência, tolerância, abstinência, fissura e perda de controle.

Smartphones são usados frequentemente na vida cotidiana e afeta os usuários física e psicologicamente. O uso excessivo da internet pode também gerar alguns agravos ou problemas musculoesqueléticos como as lesões por esforço repetitivo. Esses distúrbios estão relacionados a prolongada, vigorosa e repetitiva utilização de dispositivos móveis. Além disso, quando um indivíduo usa um smartphone, o aumento da flexão e extensão do polegar e punho e a postura estática certamente podem contribuir para o aumento da carga na articulação, músculos e tendões relacionados.

O uso excessivo do smartphone pode causar inúmeras patologias. Os primeiros sintomas de desconforto estão presentes nas regiões de ombros, costas, pescoço, mãos, punhos e olhos. As síndromes nos punhos são as lesões mais comuns pelo uso excessivo das extremidades superiores.

 

OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo analisar o impacto do uso do smartphone em punho e mão de estudantes universitários.

 

METODOLOGIA

Trata-se de revisão de literatura, realizada no período de julho a outubro de 2018. Foram feitas pesquisas através do acesso às seguintes bases de dados eletrônicas: Scientifica Eletronic Librabry Online (SCIELO), Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (PUBMED), GOOGLE Acadêmico, Journal Author Name Estimator (JANE) e Sci-Hub.

Os descritores utilizados para a realização da pesquisa, escritos em inglês e português, foram: smartphone; dispositivos móveis; punho; síndrome do túnel do carpo, tenossinovite, uso excessivo e dor. Foram incluídos 36 artigos no presente estudo, os quais foram publicados entre os anos de 1997 e 2018, escritos na língua portuguesa e inglesa.

A seleção dos artigos foi constituída, inicialmente na leitura de títulos, onde foram encontradas 82 publicações, das quais 46 foram excluídas pois não abordavam a temática proposta e o público-alvo.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Recentemente, o uso de smartphones inovou o meio de comunicação e interação entre as pessoas (12). Essa tecnologia traz aparelhos acessíveis para a maior parte da população, porém o seu uso excessivo está diretamente ligado ao desenvolvimento de quadros patológicos.

Foi realizada uma pesquisa com 104 sujeitos e constatou-se que uma parte significativa dos entrevistados, principalmente jovens de até 20 anos de idade e pessoas de 21 a 30 anos, são apegados aos seus dispositivos móveis. Em estudantes universitários, o uso de redes sociais é o principal fator responsável pela percepção do uso problemático. A casuística tem aumentado nas décadas de 2006 a 2016.

Um estudo realizado com estudantes com idade média de 23,1 anos, mostrou que os usuários de smartphone geralmente permanecem online de 40 a 80 horas por semana; a utilização diária pode variar em até 20 horas. Esta atitude é considerada patológica, podendo acarretar danos. Dentre os usuários, 86 pessoas utilizavam o celular por cerca de 8h a 10h diárias e 61 relataram sentir desconforto; 70 pessoas utilizam o celular por cerca de 5h a 7h diárias e 49 pessoas relataram sentir desconforto.

Um estudo com 140 estudantes universitários relatou que 98% dos participantes usavam dispositivos móveis e gastaram mais de 3,5 horas por dia digitando, enviando e-mail, pesquisando e navegando na internet. Além disso, 84% dos participantes relataram dor em ao menos uma parte do corpo.

O estudo de Guterres et al. em uma Instituição de Ensino Superior no município de Foz do Iguaçu (PR) com 100 pessoas, entre alunos e professores, com média de idade de 25 anos, mostrou que 52% dos sujeitos utilizam smartphone por mais de 5 horas, e apenas 16% utilizam apenas por 1 hora ao dia.

Estudos recentes estimam que 45% dos americanos tem seu próprio smartphone e que os usuários passam uma média de 4,7 horas por dia usando dispositivos móveis portáteis. Várias posturas são usadas para interagir com os dispositivos móveis, com mais da metade dos usuários preferindo usar os polegares.

A alta portabilidade dos smartphones permite aos seus usuários notáveis variações de posturas. Observa-se a influência desses estilos de teclar nas posturas do corpo e nas atividades musculares do pescoço e membros superiores. A postura ideal para o uso do smartphone ainda não foi bem estabelecida, mas é recomendado aos usuários escolher estilos de digitar que promovam posturas mais neutras ou reduzam a atividade muscular.

Com a generalização dos dispositivos móveis de tecnologia e comunicação, vem aumentando as queixas relacionadas a dores e desconfortos no corpo. Os celulares com o peso e o tamanho aumentados são fatores de risco para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas quando associados ao uso excessivo. Nesse contexto, observa-se que o teclado digital, pequeno espaçamento do teclado, tamanho do telefone móvel e peso do aparelho são fatores que influenciam negativamente.

Um estudo com adultos acima de 20 anos revelou que 18.8% dos participantes tem experimentado sintomas relacionados a desordens musculoesqueléticas a partir do uso do smartphone e que a dor aumentou com a duração do uso.

Outro estudo mostrou que as principais queixas musculoesqueléticas relacionadas ao uso excessivo de dispositivos móveis foram em pescoço e membros superiores, com prevalência de 43% de dores no pescoço e 37% nos punhos e mãos.

A grande prevalência de dores no pescoço, punhos e mãos também foi encontrada no estudo de Seghetto, sendo 51,9% no pescoço e 44,2% em punhos e mãos.

No estudo de Junio et al., foi visto uma maior prevalência de dores na região lombar 42,6%, mãos e punhos 33,33% e ombros com 12,5%.

Um estudo com universitários mostrou que entre a faixa etária de 21 e 23 anos, 51,2% deles sentiam desconforto no punho e nos dedos e 20,8% relataram não sentir desconforto. Dentre a faixa etária de 24 a 26 anos, 10% relataram que sentiam desconforto nesta região enquanto 3,8% relaram não sentir. Indivíduos com idades entre 27 e 29 anos tiveram um percentual de 8,1% de respostas afirmativas e 1,2% de negativas. Nos indivíduos acima de 30 anos, apenas 1,9% relataram sentir algum desconforto enquanto 3,1% informaram não sentir desconforto.

Em um estudo com estudantes universitários com idade média de 23,1 anos, foi observado no protocolo de Boston que as médias nas perguntas referentes a dor foram relativamente maiores quando comparadas à gravidade de sintomas como formigamento, dormência e fraqueza. Na escala analógica visual EVA, 75% dos participantes relataram sentir dor moderada, seguido de 18% com dor leve e apenas 7% com dor intensa.

Dissonante desses estudos, uma pesquisa com 300 estudantes revelou que 42% da amostra apresentou dor no polegar ou punho e os demais estudantes, correspondendo a 58% da amostra, não apresentaram dor.

Balakrishnan et al também estudaram os sintomas de dor em estudantes de 18 a 30 anos usando a Escala Visual Analógica (EVA), e concluíram que apenas 27,5% da amostra apresentou sintomas de dor na mão.

Uma pesquisa durante um ano de observação com adultos suecos de 20 a 24 anos, revelou uma associação entre voluntários de alto envio de SMS por dia (mais de 11 SMS por dia) e sensação de dormência e formigamento em mão e dedos.

O uso de dispositivos móveis ao promoverem o uso predominante do polegar ou apenas um dedo enquanto digita ou joga, está associado com a maior prevalência de desordens musculoesqueléticas e, consequentemente, os usuários são advertidos em escolher dispositivos cujo design permitam digitar com todos os dedos. O uso de duas mãos nos dispositivos móveis resulta em uma maior extensão de punho e polegar, pode aumentar a performance e diminuir a tensão musculoesquelética em comparação ao uso de uma única mão.

Um estudo com 27 sujeitos de 20 a 39 anos revelou que digitar com um polegar ou bilateralmente influencia a performance da atividade muscular. O estilo de digitar com a mão dominante não é a postura preferida quando comparada ao uso duas mãos. A postura do corpo e a atividade muscular também podem ser afetadas significantemente ao segurar smartphones de diferentes pesos.

Um estudo com 384 estudantes universitários mostrou que quase a metade dos estudantes usam seus telefones móveis para digitar mais de 50 mensagens por dia e experimentam dor e fraqueza no polegar e base do punho por causa da alta velocidade de digitação do teclado do celular.

Um estudo com 60 adultos jovens entre 19 e 25 anos, revelou que a atividade muscular do abdutor curto do polegar, abdutor longo do polegar, extensor dos dedos e trapézio esquerdo, foi maior quando se insere mensagem de SMS no telefone móvel, quando comparado a falar. Em relação a posição do polegar, enviar SMS coloca o polegar em posição de abdução e flexão; enquanto se fala, o polegar assume a postura de extensão e adução. Enviar mensagem SMS aumenta a sobrecarga física do polegar quando comparada a falar ao telefone.

A gama de movimentos do polegar realizados durante a utilização do smartphone varia de acordo com o pequeno espaçamento do teclado e o tamanho do aparelho, neste sentido, os usuários estão mais propensos a lesões de punho e dedos, em especial, no polegar de acordo com o designer do aparelho móvel.

Um estudo com 240 estudantes revelou que quase metade dos participantes sentiam dor e fraqueza na base do punho e polegar; o estudo mostrou, ainda, uma associação positiva entre a presença de dor no polegar e a frequência de envio de mensagens de texto pelos participantes.

Um estudo realizado com 102 estudantes universitários mostrou que o tendão do flexor longo do polegar esteve espessado na articulação metacarpofalangeana e na região palmar média após o uso do smartphone.

Um estudo realizado com 70 voluntários portadores de desordens musculoesqueléticas, mostrou que o uso de dispositivos móveis, ao promoverem o uso predominante do polegar ou de apenas 1 dedo enquanto digita ou joga, está associado com a maior prevalência de desordens musculoesqueléticas.

Sujeitos com sintomas musculoesqueléticos tendem a mover o polegar com maior velocidade quando comparados aos sujeitos assintomáticos.

Mensagens de texto excessivas causam danos no primeiro e terceiro compartimentos dos extensores do punho.  Movimentos repetitivos e forçados do polegar podem agravar ou causar traumas cumulativos e desordens como a tenossinovite do extensor longo do polegar e a tenossinovite de Quervain.

A síndrome de Quervain é desencadeada por uma inflamação estenosante na bainha do tendão do primeiro compartimento dorsal do punho resultante de microtraumas cumulativos. Os pacientes podem sentir dor, além de outros sintomas de disestesias associados como dormência, formigamento, ardor e câimbras. Adultos que usam a mão e polegar de maneira repetitiva são mais propensos a ter tenossinovite de Quervain.

As dores nas mãos e punhos podem progredir para uma tendinite, síndrome do túnel do carpo ou bursite.

A Síndrome do túnel do carpo é uma condição dolorosa e progressiva que ocorre no punho e é causada pela combinação de fatores que estão associados com o aumento da pressão carpal, tal como trauma ou dano, diabetes, artrite reumatoide, acromegalia, hipotireoidismo e gravidez. Além desses fatores, movimentos repetitivos de punhos, envolvendo especialmente movimento de digitação combinado com extensão, desvio ulnar ou compressão externa do punho, aumenta o risco da síndrome do túnel do carpo.

A síndrome do carpo é a principal causa de prejuízo e incapacidade de trabalho como resultado do dano do nervo mediano no punho e está alcançando proporções epidêmicas no setor industrial. Vários estudiosos têm sugerido que o aumento da pressão do canal carpal pode ser o fator causal do desenvolvimento da mononeuropatia mediana do punho. Quando o punho é colocado em flexão ou extensão há um aumento significante da pressão do canal intracarpal. O aumento da pressão do líquido intersticial faz os capilares colapsarem e interfere na profusão do nervo mediano. Os consequentes sintomas de dormência, formigamento e fraqueza são marcantes na síndrome do túnel do carpo.

O túnel do carpo é um espaço fechado, o nervo mediano não pode mover-se distante dos tendões, que ficam comprimidos causando mudanças no contorno e na área.

Os estudos histológicos do túnel do carpo na síndrome do túnel do carpo mostraram espessamento do tecido conectivo subsinovial, o que parece ser uma característica dessa patologia. Esse espessamento pode aumentar o volume e a pressão no túnel do carpo e também diminuir a permeabilidade do tecido conectivo subsinovial, resultando em uma isquemia e reperfusão tenosinovial.

A mobilidade do nervo mediano foi diminuída em pacientes com síndrome do túnel do carpo. No túnel do carpo saudável, os tendões e os nervos estão circundados pelo tecido conectivo subsinovial, o qual é transparente e flexível; assim, pode facilitar o deslizamento e deformação suave do nervo mediano dentro do túnel do carpo.

Pacientes com síndrome do túnel do carpo apresentam uma diminuição da deformação e da mobilidade do nervo mediano no plano transverso proximal ao túnel do carpo, com punho em flexão e desvio ulnar.

Inal et al. realizaram um estudo com 102 universitários, divididos em grupos relacionados a frequência de uso do smartphone (muito, pouco e que não o faziam). Por meio de ultrassonografia, foram mensuradas as espessuras do nervo mediano e do tendão do músculo flexor longo do polegar no membro dominante de cada voluntário. O resultado nos voluntários que utilizavam o smartphone por período prolongado apontou que o tendão do músculo flexor longo do polegar e o nervo mediano, apresentaram maior espessura comparado aos que utilizavam por menor tempo. De acordo com os autores, essas descobertas podem estar associadas ao aumento do escore de dor, decréscimo da força de pinça e diminuição do escore relacionado à função da mão nos voluntários que faziam uso prolongado.

Um estudo com 125 universitários avaliou a medida do nervo mediano com ultrassonografia entre os usuários de baixo uso (menor ou igual a 3 horas/dia), médio uso (3 a 7 horas/dia) e alto uso (8 horas ou mais por dia). Os resultados não mostraram diferenças significantes entre os usuários. O autor conclui que ao invés do período de uso do smartphone, usá-lo continuamente por longo período, elevaria a pressão no túnel do carpo e aumentaria a probabilidade da ocorrência da síndrome do túnel do carpo.

Algumas posições específicas dos membros superiores aumentam ou diminuem a tensão do nervo mediano. Abdução do ombro, extensão de punhos, dedos e cotovelos produzem o maior aumento de tensão no nervo mediano.

Quando o nervo mediano é exposto a sobrecarga repetitiva, esse pode ficar mais largo e síndrome do túnel do carpo pode se desenvolver.

Um estudo foi realizado com 29 voluntários saudáveis e 29 voluntários com síndrome do túnel do carpo idiopática. Foi verificado que em flexão e extensão, especialmente no movimento dos dedos, a área de seção transversal do nervo mediano é maior nos pacientes com síndrome do túnel do carpo que no grupo controle.

Um estudo com 102 universitários classificados em não usuários, usuários de baixo uso e de alto uso de smartphone, estudou o nervo mediano e o tendão do flexor longo do polegar através de ultrassonografia. Foi constatado que, em relação a dor ao movimento, houve diferença significante entre os usuários de alto uso e os não usuários; não houve diferença significante entre o grupo de baixo uso e não usuários. O tendão do flexor longo do polegar foi mais largo na mão dominante em relação a não dominante em todos os grupos, com maior diferença no grupo de alto uso. A área de secção transversal do nervo mediano foi maior no lado dominante nos usuários de alto uso quando comparados ao lado não dominante. Nos usuários de baixo uso, a área de seção transversal foi levemente maior no lado dominante, mas estatisticamente não significante.

O nervo mediano de 30 adultos jovens foi estudado através de ultrassonografia em diferentes atividades com a mão: movimentos de oposição do polegar em posição neutra, oposição do polegar em desvio ulnar e pinça. Dentre as três atividades com a mão, a oposição do polegar com desvio ulnar causou a maior redução da área de seção transversal do nervo mediano, indicando a maior força de compressão em direção a ele. O autor concluiu que o nervo mediano esteve rodado, deformado e deslocado durante as atividades com a mão das pessoas quando usam smartphone, sugerindo aumento do risco de síndrome do túnel do carpo.

A redução significante da área de seção transversal do nervo mediano durante as atividades com a mão pode ser devido provavelmente ao movimento dos tendões adjacentes. Durante as atividades com a mão, o músculo flexor longo do polegar, flexor superficial dos dedos e flexor profundo dos dedos precisam se contrair e empurrar os tendões para flexionar o polegar e os dedos. Enquanto os tendões e o nervo mediano estão livremente se movendo no plano tridimensional, os tendões podem mover-se tanto longitudinalmente quanto transversalmente dentro do estreito espaço do túnel do carpo. Devido estreitamento desse espaço, esses tendões geralmente se movem em direção ao nervo mediano e, assim, o comprimem. Sabendo que o nervo mediano é uma estrutura móvel, ele passivamente irá se estirar e deslizar em resposta às mudanças de posição das estruturas adjacentes. Através do contato direto entre o nervo mediano e os tendões circunjacentes, é esperado que que eles sejam a primeira fonte de compressão do nervo mediano e que a compressão persistente e repetitiva irá aumentar o risco de desenvolver a síndrome do túnel do carpo.

Estudos prévios demonstraram que a área de seção transversal do nervo mediano foi reduzida depois do uso de smartphone por 30 minutos e sugerido que a redução do espaço do túnel do carpo foi devido ao espessamento dos músculos e ligamentos após o uso de smartphones.

Ao realizar pinça e oposição do polegar com o punho em desvio ulnar, há uma redução gradual da área de seção transversal do nervo mediano. Isso é devido ao alargamento dos tendões e tecidos moles no túnel do carpo que reduzem o tamanho do espaço para o movimento do nervo mediano.

 

CONCLUSÃO

O repetitivo movimento de digitar e posturas inadequadas de punho quando se usa dispositivos eletrônicos pode ocasionar sintomas de dor, formigamento, dormência e fraqueza em punhos e mãos, especialmente quando há desvio da posição neutra do punho. Há, ainda, o risco aumentado de desenvolver a síndrome do túnel do carpo e tenossinovites dos extensores do punho em estudantes universitários, particularmente quando esses dispositivos forem usados por tempo considerável ou continuamente por longo período.

Assim, os smartphones devem ser utilizados com moderação, de preferência com o uso de ambas as mãos, atentando-se ao tempo de uso e à sua utilidade, para que sejam evitados os sintomas apresentados e para obter melhor aproveitamento do tempo disponível do usuário.



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