Digite sua palavra-chave

post

Hidroterapia no Tratamento da Síndrome Pós-Póliomielite: Uma revisão Literária da Atuação do Fisioterapeuta

Hidroterapia no Tratamento da Síndrome Pós-Póliomielite: Uma revisão Literária da Atuação do Fisioterapeuta

INTRODUÇÃO
A poliomielite anterior aguda, até 1960, representou a maior causa de paralisia motora e óbito em crianças e adultos jovens em todo o mundo. Trata-se de uma doença viral que se apresenta tipicamente sob a forma bifásica, com cefaleia, febre, sintomas gastrintestinais, irritação meníngea, seguidos dias mais tarde, de comprometimento dos neurônios motores da medula espinhal, ocasionando paralisia, geralmente predominando nos membros inferiores, sob forma assimétrica e desproporcional. Pode haver associadamente, comprometimento da musculatura do tórax e da inervação bulbar. A progressão da paralisia, usualmente, cessa em cinco a sete dias. Há então, um período de estabilidade e, nos meses subsequentes, alguns músculos paralisados podem recupera-se pelo processo de reinervação ou por recuperação dos motoneurônios pouco lesados. Esta patologia foi erradicada há alguns anos.

A Síndrome Pós-Poliomielite é uma desordem do sistema nervoso que se manifesta em indivíduos que tiveram poliomielite com o recrudescimento dos sintomas neuromusculares, muitos anos depois da fase aguda, em média 15 anos ou mais, é a intensa demanda metabólica sofrida pelas unidades motoras já combalidas, pelos neurônios remanescentes que buscam o restabelecimento da função e o uso excessivo dos neurônios motores ao longo dos anos. Ela apresenta um novo quadro sintomatológico: fraqueza muscular e progressiva, fadiga anormal, dores musculares e nas articulações (mioarticulares), é considerada uma das “doenças” do neurônio motor de maior incidência na América do Norte. O vírus pode danificar até 95% dos neurônios motores do corno anterior da medula, matando pelo menos 50%. Com a morte destes neurônios os músculos de sua área de atuação ficam sem inervação, provocando paralisia e atrofia. Embora danificados, os neurônios remanescentes compensam o dano enviando ramificações para evitar esses músculos órfãos. Com isso, a função neuromuscular é recuperada parcial ou totalmente, dependendo do número de neurônios envolvidos na “adoção”. Assim, um neurônio inerva um número muito maior de fibras neuromusculares do que normalmente faria, restabelecendo a função motora, sobrecarregado após muitos anos de estabilidade funcional, começa a se degenerar, surgindo o novo quadro sintomatológico, potencializado pelo: aumento da idade, o índice de massa corporal e o grau de distribuição da paresia. Distúrbios do sono e da memória, problemas respiratórios, deficiências / incapacidades na execução de atividades básicas e instrumentais da vida diária, intolerância ao frio contribuem para acentuação do grau de aumento da dependência dos enfermos.
Há várias descrições de casos desde 1875, especialmente relacionados a epidemias que ocorreram na primeira metade do século XX, em várias partes do mundo. Foi contudo, na década de 1970 e início dos anos 1980 que se observou uma procura crescente dos sobreviventes da poliomielite aos serviços de saúde, primeiramente interpretados como de natureza psicológica. A SPP ao contrário da poliomielite, não é uma doença de notificação compulsória no mundo, e por isso, não faz parte do sistema de vigilância epidemio-lógica, só foi reconhecida como síndrome e nova entidade nosológica em 1986. Foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID G-14) código para identificação e registro do diagnóstico nos sistemas de informação. A prevalência da SPP é desconhecida no mundo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima a existência de 12 milhões de pessoas no mundo com algum grau de limitação física causada pela poliomielite. No Brasil, um estudo publicado encontrou prevalência de 68% de SPP entre pacientes com sequelas de poliomielite e, em São Paulo, apontou prevalência de 77,2% numa de-manda espontânea. No Rio de Janeiro tem comprovado 40 casos.

O diagnóstico clínico da SPP é feito por exclusão. Requer diferenciação com outras doenças neurológicas, ortopédicas ou psiquiátricas, que podem apresentar quadro semelhante. Entretanto existem critérios que fundamentam o diagnóstico:
1) confirmação da poliomielite paralítica com evidência de perda de neurônio motor – por meio de história de doença para-lítica aguda, sinais residuais de atrofia e fraqueza muscular ao exame neurológico e sinais de denervação na eletroneuromiografia;
2) período de recuperação funcional, parcial ou completa, seguido por um intervalo (15 anos ou mais, em média 40 anos) de função neurológica estável;
3) início de novas complicações neurológicas: uma nova e persistente atrofia e fraqueza muscular;
4) os sintomas persistem por mais de um ano;
5) exclusão de outras condições que poderiam causar os novos sinais e sintomas. O exame físico e a aplicação de questionário e a caracterização das perdas funcionais dos pacientes com SPP. A descrição da doença foi efetuada segundo aspectos relativos ao tempo, es-paço e pessoa.

MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho foi realizado a partir de uma revisão bibliográfica em bases dados BIREME, LILACS, PUBMED E SciELO, onde foram utilizadas as seguintes palavras chaves: poliomielite, fisioterapia, hidroterapia, realizado no período de março a maio de 2010.

DISCUSSÃO
A Hidroterapia como técnica fisioterapêutica, vem pra estabelecer uma harmonia entre atividade física e fadiga muscular, comumente definida como a “exaustão profunda” que se agrava com a atividade física mínima, a dor é apontada como sintoma predominante em 65% dos pacientes. Terapias na água visam reduzir o processo álgico, melhora do equilíbrio estático e dinâmico de tronco, relaxamento muscular, ganho de arco de amplitude de movimento (ADM) e fortalecimento em membros, obtendo com isso uma melhora no quadro clínico. Ao inspirar o paciente bóia, e ao expirar ele afunda, pois com 5% da estrutura corporal acima da água, o corpo flutua, é utilizada esta propriedade como resistência ao movi-mento, sobrecarga natural, fortalecimento da musculatura respiratória, estímulo à circulação periférica, facilitação do retor-no venoso e participante do efeito massa-geador da água. Com o calor da água durante a terapia diminui a sensibilidade da fibra nervosa com rapidez (tato) e a exposição prolongada diminui a dor, através da sensibilidade da fibra nervosa lenta, consequentemente diminui o tônus (diminuindo as referências fusais) redução dos espasmos e dores musculares, diminuição da fadiga, melhora do condicionamento físico, melhora da resistência e da força muscular (trabalho de equilíbrio), recuperação da lesão e melhora da performance geral (trabalho de agonista e antagonistas). A piscina previne deformidades e atrofia; piora do quadro do paciente; diminui o impacto e a descarga de peso sobre as articulações. Com relação ao sistema motor ocorre a melhora da flexibilidade; trabalho da coordenação motora global; da agilidade e do ritmo; facilitação do ortostatismo e da marcha; e fortalecimento do músculo e reeducação dos músculos paralisados. Para o sensorial há o estimulo ao equilíbrio; a noção de esquema corporal; a propriocepção e a noção de espacial. Sendo a água um meio instável o paciente se vê obrigado a realizar alterações posturais devido à flutuação e turbulência.
Método de WATSU, também conhecido como “Water Shiatsu”, criado por Harold Dull em 1980. Tal técnica aplica os alongamentos e movimentos do shiatsu zen na água. Preferencialmente inicia-se com a fase de alongamentos passivos e mobilização de articulações e finalizamos o tratamento com o relaxamento através dos alongamentos passivos, bem como pressão sobre (acupontos) para equilibrar através dos meridianos (caminhos de energia).

Método Halliwick foi desenvolvido em 1949, inicialmente uma atividade recreativa que visava independência individual na água. Com os seguintes princípios este método vem a ajudar com eficiência ao tratamento da SPP, pois com o a força da gravidade e empuxo combinados, levam ao movimento rotacional dos membros, enfatizando a utilização de grandes padrões de movimentos, principalmente com os braços, para mover o corpo em diferentes posturas e ao mesmo tempo manter o equilíbrio; inibição de padrões posturais patológicos.

Método de BAD RAGAZ tal técnica de exercícios originou-se na Alemanha pelo dr. Knupfer Ipsen, cujo objetivo é de pro-moção da estabilização do tronco e das extremidades através de padrões de movimentos básicos e, se resistidos, realiza-dos segundo os planos anatômicos. É usado como facilitação neuromuscular com padrões de movimentos anatômicos e diagonais, com resistência e estabilização do fisioterapeuta, esta técnica pode ser utilizada passiva e ativamente nestes pacientes.

Um tratamento objetivo segue-se de: 5 minutos de mobilização de membros inferiores de forma passiva, para facilitar o retorno venoso; 7 minutos de alongamentos em membros superiores; 6 minutos fortalecimento de abdominais; dez minutos de fortalecimento de membros superiores com a técnica Bad Ragaz; 12 minutos deambulação na piscina com auxílio de halteres, finalizando com um relaxamento durante 5 minutos, utilizando a técnica de Watsu, com frequência de 2 vezes por semana, com a permanência na piscina de 50 minutos.

CONCLUSÃO
O presente estudo, concluir que a hidrote-rapia como recurso terapêutico traz benefícios importantes para o alívio dos sintomas da SPP. A fisioterapia aquática mostra-se eficaz, pois atua na manutenção do quadro clínico, aumenta a amplitude de movimento, melhora o equilíbrio, pro-move um relaxamento muscular, levando a uma evolução da capacidade funcional do paciente. É importante ressaltar que os exercícios devem ser realizados dentro das limitações físicas dos pacientes, sem-pre evitando a fadiga muscular.



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Open chat
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.