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Fundamentais nos atendimentos a pacientes com coronavírus, fisioterapeutas são em número reduzido e enfrentam escassez de equipamentos

Fundamentais nos atendimentos a pacientes com coronavírus, fisioterapeutas são em número reduzido e enfrentam escassez de equipamentos

RIO – Na linha frente do combate ao coronavírus, um outro profissional tem sido tão fundamental quanto médicos e enfermeiros: o fisioterapeuta respiratório, responsável por monitorar os casos graves que necessitam de ventilação mecânica e fazer a primeira triagem respiratória. O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2 ª Região (Crefito-2) tem recebido denúncias da falta de equipamentos e do número insuficiente desses profissionais na rede de hospitais do Rio. No CER-Leblon, por exemplo, aparelhos da ambulância têm sido utilizados nos pacientes internados.

Segundo  Bruno Guimarães, fisioterapeuta especialista do Crefito-2, o número padrão recomendado é de um fisioterapeuta intensivista para cada 10 pacientes internados em terapia intensiva – mesmo quantidade de médicos. O atendimento a pacientes com coronavírus, entretanto, exige um número muito superior. A especificidade do vírus, que pode atacar gravemente e de formas distintas os infectados, pede uma atenção maior. Em média, o monitoramento é feito a cada uma ou duas horas. E tudo isso precisa ser feito por gente especializada e com o uso de bons equipamentos.

– É humanamente impossível um único fisioterapeuta dar conta de dez pacientes ao longo de todo o dia. Os casos exigem acompanhamento constante e uma atenção individualizada. Os protocolos que eram feitos para centenas de pessoas não se aplicam a essa doença. Cada paciente reage de uma maneira diferente, por isso é necessário o monitoramento e novos ajustes o tempo todo – explica o fisioterapeuta, que trabalha há 15 anos na área e contabiliza uma explosão de casos nas últimas 48 horas.– Da última segunda-feira para hoje, triplicou o número de internações em terapia intensiva onde trabalho (hospital particular). Saí do hospital na sexta-feira, com cinco pacientes no CTI por Covid-19, cheguei nesta segunda-feira e já são 15.

Além da escassez de profissionais capacitados – a prefeitura abriu edital para contratação de fisioterapeutas intensivistas, sendo 75 apenas para o Hospital municipal Ronaldo Gazolla, referência da cidade para o coronavírus –, outra questão é a quantidade e qualidade dos equipamentos, sobretudo na rede pública. Ventiladores mecânicos usados estão sendo recuperados para uso nas unidades de saúde.

– Óbvio que é melhor ter do que não ter. Mas há equipamentos com mais de 20, 30 anos. A performance deles é outra. Esses equipamentos antigos não têm a capacidade do controle de ventilação mecânica com a precisão de que os pacientes necessitam. Há uma demanda técnica e de paciência para esses casos, pois demoram muito a ter resultado. E é uma técnica muito invasiva, necessita sedação dos pacientes – conta.

O tempo médio dos pacientes graves nos ventiladores mecânicos – além desses aparelhos, há os tubos e máscaras utilizados – tem sido superior a 10 dias. Quando ultrapassa duas semanas, normalmente é feita uma traqueostomia (o oxigênio passa por um tubo inserido diretamente na traqueia) no paciente para que não haja sequelas.

– Com a evolução positiva do paciente, o ventilador tem de ser tirado aos poucos. É o desmame de uma situação onde o paciente respira com ajuda de aparelhos para a respiração espontânea. Todo esse acompanhamento deve ser feito por um fisioterapeuta, incluindo sessões de fisioterapia respiratória após a saída do CTI – explica.

Guimarães reconhece que a precariedade da saúde pública pode elevar a taxa de letalidade do coronavírus no país.

– A falta de pessoal especializado e equipamento adequado vão fazer a letalidade brasileira bem maior que em outros lugares – avaliou.



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