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Estudo Comparativo entre Microagulhamento e o Minoxidil Isoladamente Versus Drug Delivery no Tratamento da Alopecia Androgenética

Estudo Comparativo entre Microagulhamento e o Minoxidil Isoladamente Versus Drug Delivery no Tratamento da Alopecia Androgenética

INTRODUÇÃO

Alopecia androgenética (AAG), também conhecida como calvície, é uma doença que causa a rarefação dos fios de cabelo, e está associada a fatores genéticos e hormonais, sendo o tipo de alopecia mais comum, e pode afetar ambos os sexos.

Embora a AAG tenha início na adolescência, só é evidente após alguns anos, em torno de 40 a 50 anos de idade, pois com o passar do tempo, os fios vão se tornando mais fracos, ficando mais delgados, deixando assim, o couro cabeludo mais evidente, e quanto mais precoce o início da manifestação clínica, pior será o quadro. Apesar de não afetar a saúde, pode impactar na qualidade de vida dos indivíduos que sofrem tal condição, causando abalo emocional e social, colaborando para quadros psiquiátricos, como a depressão.

Ambos os sexos são acometidos, porém a AAG acomete mais os homens, pois a está relacionada aos hormônios sexuais masculinos “testosterona”. Hipócrates realizou uma pesquisa em 1940 para elucidar a correlação entre os andrógenos e a AAG, com Eunucos, homens do oriente médio que tiveram o pênis e os testículos decepados. Através desta pesquisa realizada por Hipócrates, observou-se que há crescimento dos pelos corporais, porém não dos
pelos do couro cabeludo, ou seja, os homens que tinham predisposição a serem calvos perceberam a diminuição dos pelos em seu corpo, e diminuição de cabelo no couro cabeludo, e foi assim que observaram a influência hormonal.

O processo de crescimento capilar envolve a ação do folículo piloso e seu ciclo. Este ciclo passa por três fases principais: fase de proliferação (anágena), fase de regressão (catágena) e fase de repouso (telógena) (Figura 1). No couro cabeludo saudável, a fase anágena perdura por dois a sete anos, a catágena cerca de duas semanas, e a telógena aproximadamente três meses.

Na AAG a fase anágena tem o seu término de forma prematura, devido a redução dosfatores estimulantes e aumento de citocinas que promovem a morte do folículo (apoptose). Ademais, há aumento da quantidade de folículos em repouso na fase telógena, além da modificação do ciclo folicular, ocorre miniaturização dos fios terminais para fios velus. Tais alterações ocorrem em ambos os sexos.

A estimulação dos folículos pilosos acontece pela presença dos hormônios masculinos (testosterona), que atinge o couro cabeludo dos indivíduos com predisposição genética para a calvície, onde ocorre a ação da enzima 5 alfa-redutase que, posteriormente é convertida em diidrotestosterona (DHT).

O hormônio dihidrotestosterona (DHT) é derivado da testosterona que tem sua participação nas funções envolvidas nas características sexuais. No couro cabeludo, o DHT causa a miniaturização do folículo, principalmente, nos indivíduos que têm tendência a serem calvos devido a hereditariedade.

A hereditariedade é um fator muito importante na AAG. O DNA dos familiares próximos, como pai, mãe e avós, corroboram para esse fator. Segundo estudiosos, se o pai ou a mãe tiver desenvolvido a alopecia, há probabilidade de o filho desenvolver é de 50%, e se os dois sofrem com a doença, a probabilidade é de 75%.

A prevalência entre as mulheres varia, sendo que 6% das mulheres com idade inferior a 50 anos são afetadas, observando que a proporção de acometidos aumenta juntamente com a idade de 30. 40% das mulheres acima de 70 anos de idade manifestam e apenas 43% das mulheres com 80 anos ou mais não evidenciam a AAG. Já os homens, cerca de, pelo menos, 50% com idade de até 50 anos e até 70% de todos os homens na vida adulta desenvolvem a AAG.

A região central da cabeça é a área mais acometida nas mulheres, e as áreas mais acometidas nos homens são, o vértex (coroa) e a região frontal (entradas). Existem diversos fatores que podem agravar o problema, como por exemplo, o uso de suplementação de hormônios masculinos e a menopausa. Através de exames podem diagnosticar os pacientes predisponentes a desenvolverem a doença. Porém, sem o tratamento adequado, não há como evitar totalmente o desenvolvimento da doença.

O diagnóstico de AAG é acima de tudo clínico. Para fechar um diagnóstico, é necessário realizar uma anamnese detalhada e o exame físico minucioso. As alterações metabólicas e endócrinas devem ser investigadas, alimentação, uso de medicamentos, produtos químicos e história familiar. Nas mulheres, deve-se observar os sinais do aumento dos níveis de testosterona (hiperandrogenismo), menstruação irregular, infertilidade, hirsutismo e acne. Exames laboratoriais devem ser solicitados para investigar distúrbios do ferro e da ferritina.

Na análise do couro cabeludo, deve-se observar a presença de dermatite seborreica, cicatrizes ou outras desordens que podem estar ligadas ou serem agentes agravantes. É de suma importância analisar o padrão e o grau de acometimento da alopecia para então poder fechar o diagnóstico clínico. A tricoscopia pode ajudar no diagnóstico da AAG, por ser rápida e não invasiva. É possível fazer uma comparação da densidade capilar em diferentes áreas do couro cabeludo e analisar diferenças no diâmetro das hastes, como miniaturização e alterações de coloração.

Diversos tratamentos da AAG são descritos na literatura, tais como: medicamentos por via oral, como a finasterida e minoxidil, os tópicos, como o minoxidil, shampoos antiquedas, terapia de laser de baixa potência, tratamento cirúrgico (implante capilar), a intradermoterapia com os ativos: minoxidil, finasterida, zinco, cobre, biotina, D Pantenol, fatores de crescimento.

O plasma rico em plaquetas (PRP) é um tratamento que ganhou notoriedade para AAG por ser autólogo, ter baixa invasividade, não apresenta efeitos colaterais importantes, e valor mais acessível comparando com a cirurgia de restauração capilar. A carboxiterapia também é opção de tratamento para a AAG, técnica que utiliza o gás carbônico.

O microagulhamento é um tratamento que se destaca na AAG, pois pode ser utilizado para promover a permeação transdérmica dos ativos associados à técnica de drug delivery. O método contribui para obter os resultados almejados, pois facilita a absorção das drogas por meio da pele. Além disso, o microagulhamento libera fatores de crescimento proveniente de plaquetas e fatores de crescimento da derme, ativando células-tronco no bulbo capilar através das feridas ocasionadas pelas microperfurações, estimulando o crescimento capilar.

Outrossim, o microagulhamento consiste em uma técnica não invasiva, segura, eficaz e bom custo benefício.Segundo Kalil, o drug delivery potencializa os resultados do microagulhamento,trazendo resultados mais favoráveis devido ao aumento da permeabilidade do estrato córneo. A técnica envolve o uso das microagulhas para criar micro canais que atravessam o estrato córneo.Estes micros canais facilitam a permeação da droga de maneira
efetiva e pode ter um aumentoem até 80% na absorção do fármaco.

O minoxidil é um modificador biológico que reverte o processo de miniaturização do pelo na AAG ao normalizar o ciclo do folículo, estendendo a fase anágena ou de crescimento. Seu princípio ativo, a substância encarregada por estimular o folículo piloso, é o Sulfato de minoxidil (SM). Ele pode ser manipulado na concentração de 5%, dose recomendada para o tratamento de AAG em homens, podendo variar entre 2 e 5% na dose aplicada em mulheres.

Desta forma o objetivo deste estudo, é analisar os efeitos do microagulhamento associado minoxidil (drug delivery), minoxidil tópico e o microagulhamento isoladamente na alopecia androgenética (AAG) no sexo masculino.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa, que tem por objetivo apresentar os resultados do tratamento com microagulhamento associado ao minoxidil (drug delivery), minoxidil tópico e o microagulhamento isoladamente na alopecia androgenética no sexo masculino. Para tal, foram selecionados diversos artigos publicados entre os anos de 2011 a 2022, por meio das bases de dados PUBMED, SciELO, MEDLINE e LILACS. Utilizaram-se como critérios de seleção, artigos que continham em seu título: alopecia androgenética, calvície, microagulhamento, minoxidil, drug delivery.

DISCUSSÃO

O estudo da alopecia tornou-se de extrema relevância para que os profissionais possam compreender o mecanismo da patologia e traçar um plano de tratamento adequado de acordo com o grau de acometimento. É cada vez maior o número de pessoas que sofrem com a alopecia, impactando na qualidade de vida e gerando um abalo emocional desses pacientes.

As pesquisas ressaltam que esta doença tem influência hormonal quando a testosterona é convertida em diidrotestosterona, causando a miniaturização do folículo. De acordo com Brenner, existe ainda a possibilidade de herança genética para a alopecia androgenética.

Conclui-se também que a alopecia androgenética não causa o a queda imediata e permanente, na verdade o que acontece é a perda de estrutura da haste, que enfraquece e diminui a pigmentação, apresentando uma rarefação dos cabelos nas áreas que são atingidas pela AAG.

No estudo de BAO, 3 grupos foram divididos, um grupo foi utilizado a terapia combinada de microagulhamento associado a solução de minoxidil 5%, no outro grupo foi utilizado somente a solução de minoxidil a 5%, e no último grupo, somente omicroagulhamento. Eles puderam observar uma melhora significativa no grupo que recebeu o microagulhamento associado ao minoxidil a 5%.

Na pesquisa de DHURAT, observaram que o grupo que recebeu o microagulhamento associado ao minoxidil foi estatisticamente superior ao grupo que recebeu somente o minoxidil isolado.

KUMAR realizaram um estudo com 68 homens, onde foi divido em dois grupos. Um grupo recebeu o microagulhamento semanal associado ao minoxidil e o outro grupo recebeu o minoxidil isoladamente. O resultado foi satisfatório no primeiro grupo que recebeu o microagulhamento associado ao minoxidil.

Contudo, Contin publicou um trabalho com dois pacientes que apresentaram divergências aos autores citados anteriormente, seu estudo concluiu que houve resultado satisfatório em ambos os pacientes tratados, tanto no paciente que recebeu o microagulhamento associado ao minoxidil injetável a 0,5%, quanto no paciente que recebeu o microagulhamento isolado.

CONCLUSÃO

Concluímos que a utilização do minoxidil isolado, ou o microagulhamento isolado, contribuíram para o crescimento capilar e diminuição da queda, auxiliando o tratamento da alopecia androgenética. Contudo, os resultados mostraram que o microagulhamento associado ao minoxidil (drug delivery) foi superior quando comparado as técnicas citadas anteriormente. Embora obtenha resultados semelhantes aos anteriores, os mesmos são mais rápidos e intensos, acelerando o processo de recuperação dos fios e, consequentemente, do tratamento.

Mesmo que já existam resultados suficientes que embase o tratamento da alopecia androgenética com microagulhamento associado ao minoxidil, recomendamos novos estudos ainda mais consistentes e com número de pacientes maior, auxiliando ainda mais o aperfeiçoamento da técnica.

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ARTIGO PUBLICADO EM 26/09/24



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