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Estrias no Pós-Parto

Estrias no Pós-Parto

INTRODUÇÃO

O período gestacional é desencadeador de diversos pontos para a mulher, a saúde precisa de mais cuidados, a parte emocional e psicológica fica aflorada, bem como o corpo sofre com a elasticidade do aumento da barriga, dos seios e, quase sempre, a mulher tem ganho de peso. Isso tudo faz com que a gestante tenha uma relação alterada com seu próprio corpo. Os hormônios ocupam uma função grandiosa nas mudanças do corpo feminino, uma vez que
as alterações hormonais são elevadas fazendo com que o estrogênio, a progesterona, a prolactina e outros atuem fazendo uma grande alteração no funcionamento do organismo através de estiramentos mecânicos (FROES, 2013).

Por volta da trigésima semana de gestação, o sistema circulatório passa por modificações, já que há um aumento do volume sanguíneo de 50%. Assim, esse aumento acontece porque o bebê, ainda em formação, precisa de uma quantidade adequada de sangue, assim como é necessário também para o alargamento do útero e para o crescimento da placenta. Dessa maneira, é comum acontecer alterações de pressão arterial, respiratórias e metabólicas (TABORDA, 2004).

Todas essas mudanças que ocorrem no período gestacional proporcionam alterações na gestante, sendo assim, disfunções estéticas tais como edema, estrias, fibro-edema, acne, varizes e melasmas, aparecem no corpo materno durante o período gestacional, no entanto existem tratamentos estéticos que amenizam essas alterações no corpo (FROES, 2013). É preciso cuidado redobrado para se aplicar tais tratamentos, uma vez que durante o período gestacional a aplicação de tratamentos estéticos pode gerar problemas não só para a saúde da criança, como para a saúde do bebê. Dessa maneira, o ideal é que o tratamento estético seja realizado após o parto, respeitando o período do puerpério.

Sobre as alterações no corpo da gestante, Barros et al. (2020), afirmam que “Uma das alterações bastante comum dentre elas são as temidas estrias, aparecendo normalmente no terceiro trimestre de gestação, localizando-se normalmente em mamas, coxas, abdômen, lateral dos quadris e glúteo. Inicialmente mostram-se mais largas e avermelhadas, após o parto a estria se torna atrófica, com aspecto pálido. Essas alterações costumam ser mais comum em gestantes jovens ou com obesidade, entretanto a mulher grávida mostra certo transtorno por conta dessas alterações fisiológicas, proporcionando-as muitas vezes uma baixa autoestima” (RODRIGUES; GUEDES, 2009). (BARROS et al., 2020, p. 37)

Logo, o surgimento das estrias no período gestacional é, por vezes, motivo de grandes inquietações sobre o corpo da mulher, atingindo questões psicológicas e estética.

MATERIAIS E MÉTODOS

Essa pesquisa foi realizada de modo observacional e descritivo de revisão bibliográfica das pesquisas já realizadas e disponíveis para acesso. Como base, foi possível o acesso a materiais elaborados por autores, constituídos de artigos científicos.

RESULTADOS

O sistema tegumentar é composto de pele e anexos (glândulas, unhas, cabelos, pelos e receptores sensoriais), sendo a pele o maior órgão do corpo em área de peso e superfície. As funções da pele são revestimento e proteção, podendo ser fina, espessa, lisa e áspera. A epiderme e a derme são as duas camadas distintas do tecido. Um dos problemas mais comuns que envolve a pele são as estrias, atrofias ocasionadas a partir do rompimento das fibras colágenas e elásticas. Devido a pele estar associada a estética, a beleza e ao bem-estar como um todo, quando ela é afetada, proporciona baixa autoestima nas pessoas (BARROS et al., 2020).

Os recursos eletroterápicos e seus princípios ativos, radiofrequência ou vácuo, quando utilizados com o objetivo de gerar um processo inflamatório controlado, estimulam a produção de colágeno e elastina, sendo assim os fatores de crescimento ajudam no processo de cicatrização e renovação celular. Segundo Silva et al. (2020), estrias não acontecem apenas em gestantes, mas elas são mais densas quando aparecem no período gestacional, como é possível analisar melhor abaixo

As estrias não estão relacionadas apenas à gravidez, e que também é comum em homens, e quanto a idade, poderá aparecer em qualquer faixa etária. Já as partes afetadas do corpo, “o surgimento é mais importante no abdome, mas podem também ocorrer estrias nas mamas, axilas, glúteos, área inguinal interna e coxas”. (Addor, 2010, p. 254). Destaca-se ainda que, no caso da gravidez, as estrias poderão ser mais severas conforme o número maior de gestações, uma vez que as distensões são novamente desenvolvidas na mesma região, isso envolve portanto, um novo estiramento do tecido e o aumento do peso que, aliás, é próprio da gravidez (De Souza; De Paula; Sobrinho, 2016, p. 42). Embora a estria não seja uma patologia, seu surgimento poderá gerar resultados desagradáveis, assim como “acarretar problemas emocionais e, tendo-se em vista que saúde se descreve por bem-estar físico e psicológico, as estrias passam a ter grande importância social e clínica”. (Santos; Coelho, 2017, p. 1). A radiofrequência possui uma corrente de alta frequência que produz calor por conversão, alcançando de maneira profunda as camadas da pele, possibilitando uma melhor oxigenação, nutrição e dilatação dos vasos sanguíneos (Moreira; Giusti, 2013, p. 23). De acordo com Guirro e Guirro 2004, o vácuo promove uma sucção na pele através da pressão negativa, fazendo com que o sangue seja encaminhado com mais intensidade para a superfície, acarretando um aumento da circulação. Os Fatores de crescimento (do inglês growth factor) formam um conjunto de substâncias, a maioria de natureza proteica, que juntamente com hormônios, citocinas e neurotransmissores desempenham importante papel na comunicação intra e intercelular. A função principal dos fatores de crescimento é o controle externo do ciclo celular, mediante abandono da quiescência celular (Rother,1989) Segundo Salven 2000, a função dos fatores de crescimento não se limita à estimulação da proliferação celular mediante a regulação de seu ciclo iniciando a mitose, mas é também crucial na manutenção da sobrevivência, na estimulação da migração e na diferenciação celular, bem como na apoptose. Eles promovem a diferenciação e a maturação das células, dependendo do tipo de fator de crescimento envolvido, bem como de seu local de ação. As proteínas ósseas morfogenéticas (BMPs), por exemplo, estimulam a diferenciação óssea, enquanto o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) estimula a diferenciação dos vasos sanguíneos. (SILVA et al., 2020, p. 366)

Sendo assim, para o melhoramento tanto estética quanto emocional e psicológica da mulher, já que os tratamentos trarão significativas melhoras da autoestima, há diversas técnicas tais como radiofrequência e vacuoterapia com o uso de cosméticos que possuem fatores de crescimento. Tais técnicas têm apresentado cada vez mais resultados relevantes. Um método que é considerado mais seguro para o tratamento de estrias e de flacidez é a radiofrequência, uma vez que a corrente elétrica, que é produzida, é capaz de alcançar tecidos mais profundos a partir da energia que condiciona um forte calor. À medida em que ocorre o aquecimento no interior do tecido mais interno, a superfície se mantém resfriada. No momento em que são aquecidas, ocorre a formação de novas fibras (neocolagênese tardia) que ocorre quando as fibras de colágeno se desnaturam e ocorre a contração imediata. O aumento da vasodilatação acontece, uma vez que há uma irrigação da área tratada, a oxigenação e a nutrição dos tecidos (CARVALHO et al., 2011).

Como resultado, Barros et al. (2020) colheu dados de setembro a dezembro de 2019, em um total de 10 sessões registrada sua evolução na Escala de Silhuetas de Stunkard e através de registro fotográfico. Todos os indivíduos participantes foram devidamente informados dos objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Ao final do processo, foi observada uma significativa melhora na flacidez cutânea e na espessura das estrias, como é possível observar melhor na tabela a seguir.

Assim, citando os mesmos autores:

Capellari e Blanco (2014), afirma que a radiofrequência é um equipamento muito importante para a melhora do aspecto da estria, mas não como um tratamento definitivo. Precisa de mais pesquisa com associação de outros equipamentos e/ou cosméticos. CROCCO et al. (2012) citam tratamentos tópicos que pode associar a radiofrequência para melhorar o quadro clínico de estrias durante a fase ativa (striae rubra), pode ser usada tretinoína 0,1% bem como ácido glicólico 20% associado a 0,05%tretinoína ou a 10% de ácido Lascórbico. (BARROS et al., 2020, p. 39)

Além da radiofrequência, com o intuito de estimular o fortalecimento muscular, a eletroestimulação russa também é um recurso utilizado no tratamento da diástase. A correste russa, como também é conhecida, tem o objetivo de estimular os nervos motores, despolarizando as membranas, após uma contração muscular mais forte e sincronizada, o que resulta no fortalecimento muscular, uma vez que tudo isso é possível porque a corrente russa é composta por impulsos de correntes elétricas ao emitir uma frequência de 2.500 hertz.

Para endossar melhor a experiência apresentada por Barros et al., 2020, os autores afirmam que

Para potencializar o resultado almejado podemos associar a corrente russa que tem grande referência no tratamento da flacidez abdominal no pós parto, para Borges e Valentin (2002) citado por Kaoritoyoki et al.(2015) “Com o uso da eletro estimulação russa, a recuperação pode ser mais rápida e eficaz quando comparada a recuperação fisiológica, com melhora da tonicidade muscular, flacidez, redução de medidas, e redução da diástase do músculo reto-abdominal.” De acordo com Borges (2006), a corrente russa pode ser definida como corrente alternada de média frequência (entre 2500 e 5000Hz) que pode ser modulada por bursts e pode ser utilizada com fins excitomotores. Esse recurso estimula os nervos motores, despolarizando as membranas, induzindo assim contração muscular mais forte e sincronizada, resultando em fortalecimento muscular. (BARROS et al., 2020, p. 39 e 40)

DISCUSSÃO

É possível constatar a relevância dos tratamentos aplicados nas mulheres no pós-parto, uma vez que contribuem para a melhora das disfunções oriundas da gestação. Apesar do corpo da mulher passar por diversas transformações, a ciência e a tecnologia avançam cada vez mais para que, com a ajuda de procedimentos estéticos e dermatológicos, o corpo tenha uma melhora significativa no que tange as estrias e a flacidez, contribuindo assim para a melhora também de aspectos psicológicos e emocionais, uma vez que aumenta a autoestima.

Dessa maneira, o tratamento requer cuidados, então o fisioterapeuta deve conhecer as técnicas e as alterações fisiológicas esperadas para o período gestacional. Só assim, é possível que o tratamento seja de fato realizado com eficácia.

REFERÊNCIAS

BARROS, Jessica Dalla Rosa de. et al. O efeito da radiofrequência associado à estimulação russa no tratamento de estria e flacidez pós-gestação em lactantes. Anais da Semana Acadêmica. Senac Santa Catarina. Dezembro de 2020. Disponível em http://repositorio.sc.senac.br/bitstream/handle/12345/13825/ANAIS%20SEMANA%20ACAD%C3%8AMICA.pdf?sequence=6#page=39. Acesso em 20 de setembro de 2022.

CARVALHO, G. F. et al. Avaliação dos efeitos da radiofrequência no tecido conjuntivo. Revista Brasileira de Medicina, v. 68, 2011, p.10-25.

FRIELINK, Pâmela et al. A IMPORTÂNCIA DOS CUIDADOS ESTÉTICOS NA GRAVIDEZ E PÓS-PARTO. Unicruz. 2019. Disponível em: https://www.unicruz.edu.br/seminario/anais/anais2015/XX%20SEMIN%C3%81RIO%20INTERINSTITUCIONAL%202015%20%20ANAIS
/Graduacao/Graduacao%20%20Resumo%20Expandido%20%20Ciencias%20Biologicas%20e%20da%20Saude/A%20IMPORTANCIA%20
DOS%20CUIDADOS%20ESTETICOS%20NA%20GRAVIDEZ%20E%20POSPARTO.pdf. Acesso em 10 de outubro de 2022.

FROES, P. Atuação da Fisioterapia Dermato Funcional nas disfunções estéticas recorrentes da gravidez. Disponível em https://negocioestetica.com.br/. Acesso em 02 de outubro de 2022.

SILVA, Esthefani Santos. TERAPIA COMBINADA PARA TRATAMENTO DAS ESTRIAS PÓS PUERPÉRIO: BENEFÍCIOS DA RADIOFREQUÊNCIA, VACUOTERAPIA E FATORES DE CRESCIMENTO. Brazilian Journal of Natural Sciences. Julho 2020 – pag. 365 – 373 Revista eletrônica. Disponível em file: ///C:/Users/User/Downloads/102-Texto%20do%20artigo-332-1-10- 20200728.pdf. Acesso em 30 de setembro de 2022.

TABORDA, W.; DEUTSCH, A. D. A bíblia da gravidez. Ed: CMS, Vol.3 São Paulo, 2004.

ARTIGO PUBLICADO EM: 21/03/24 



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