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Equoterapia

Equoterapia

A Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiência e/ou de necessidades especiais, ou seja, é um método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento de trabalho, baseada na prática de atividades eqüestres e técnicas de equitação. A Equoterapia é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como método terapêutico desde 09 de Abril de 1997.

A equoterapia é indicada no tratamento dos mais diversos tipos de comprometimentos motores, como paralisia cerebral, problemas neurológicos, ortopédicos, posturais; comprometimentos mentais, como a Síndrome de Down, comprometimentos sociais, tais como: distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia, psicoses; comprometimentos emocionais, deficiência visual, deficiência auditiva, problemas escolares, tais como distúrbio de atenção, percepção, fala, linguagem, hiperatividade, além do trabalho com pessoas “saudáveis” que tenham problemas de posturas, insônia ou estresse.

O movimento rítmico, preciso e tridimensional do cavalo, que ao caminhar se desloca para frente / trás, para os lados e para cima / baixo, pode ser comparado com a ação da pelve humana no andar, permitindo a todo instante entradas sensoriais em forma de propriocepção profunda, estimulações vestibular, olfativa, visual e auditiva, provocando um deslocamento do centro gravitacional do paciente, desenvolvendo assim o seu equilíbrio, a normalização do tônus, controle postural, coordenação, redução de espasmos, assim como, respiração, fala, linguagem. Visto que se trabalha em cima da manta para se ter o contato direto do movimento do cavalo com o corpo do paciente, também há um estímulo dos receptores exteroceptivos. Durante toda a sessão as terapeutas também ajudam a estimular a auto-confiança, auto-estima, estimulação tátil, lateralidade, cor, organização e orientação espacial e temporal, memória, percepção visual e auditiva, direção, analise e síntese, raciocínio, e vários outros aspectos.

Na esfera social, a Equoterapia é capaz de diminuir a agressividade, tornar o paciente mais sociável, diminuir antipatias, construir amizades e treinar padrões de comportamento como: ajudar e ser ajudado, encaixar as exigências do próprio indivíduo com as necessidades do grupo, aceitar as próprias limitações e as limitações do outro.

O praticante em tratamento conta com o acompanhamento de uma equipe interdisciplinar formada por profissionais da área da Saúde – Fisioterapeuta, Fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Psicóloga, Psicomotricista e Médico; da área da Educação ? Pedagoga, Professor de Educação Física; da área da Equitação – Instrutor de Equitação, Puxador, Tratador, Zootecnista, Veterinário.

O praticante é avaliado pela equipe e a partir disso é elaborado um programa especial e definido os seus objetivos. As sessões são normalmente individuais, uma vez na semana e tem a duração média de 30 minutos cada. O custo é equivalente ao de uma terapia tradicional.

Relato de caso:

Paciente de 52 anos foi encaminhada à Equoterapia em Janeiro 2000 com diagnóstico de Mielomeningocele. Realiza tratamento fisioterápico desde a infância. No momento da avaliação apresentava paraplegia e muita dificuldade em realizar abdução de coxo-femural chegando a ficar com a região medial do joelho hiperemiada, o que dificultava a realização de suas atividades de vida diárias (AVD’S). Possuía equilíbrio na posição sentada deficiente, não realizava dissociação de cinturas, apresentava pequenas dificuldades na lateralidade, memória e concentração.

Iniciou-se o tratamento em seguida, com um membro da equipe montando com a paciente para trabalhar o equilíbrio de tronco, dissociação de cinturas e as funções intelectivas citadas acima.

Nas primeiras sessões houve dificuldade em posicionar corretamente a paciente sobre o cavalo devido à limitação em sua abdução de coxo-femural, o que foi contornado ao colocá-la mais à frente no cavalo (à frente do centro de gravidade do eqüino – onde deve-se sentar para praticar equitação).

Durante todo o ano foram realizados exercícios semanais com o bastão, bola, dissociação de cinturas, atividades para concentração e memória. Ao final desse período observou-se melhora do equilíbrio de tronco, na abdução de coxo-femural, visto que a paciente relata maior facilidade para realizar sua higiene pessoal e outras atividades no lar, como a troca de roupas sem ajuda de terceiros. Já consegue se posicionar bem próximo ao centro de gravidade do cavalo, dependendo menos do profissional que encontra-se sobre o cavalo para dar-lhe segurança.

A mesma demonstra-se menos estressada, com aumento significativo em sua auto-estima. Relata ter mais facilidade na realização de seu trabalho (arquivista) devido a um aumento na concentração e memória.

Continua em tratamento com o objetivo de alcançar maior independência sobre o cavalo melhorando ainda mais seu equilíbrio.



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