Efeitos do Exercício Físio em Pacientes com Síndrome Metabólica Submetidos a Reabilitação Cardiopulmonar após Covid-19: Uma Revisão Narrativa
INTRODUÇÃO
Em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China, foram detectados os primeiros casos de uma doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19), que logo se tornaria um desafio mundial de saúde pública. A SARS-CoV-2 é uma infecção viral conhecida por causar insuficiência respiratória aguda (IRpA), com rápida evolução para uma hipoxemia importante, desconforto respiratório e declínio da capacidade funcional, sendo os sintomas mais comuns: dispneia, fadiga, febre, tosse e queda de saturação. Após análise de dados epidemiológicos foi constatada maior letalidade e suscetibilidade em desenvolver a forma grave da doença em pacientes com doença cardiovascular (DCV), diabetes e hipertensão arterial, englobando assim maior risco para Síndrome Metabólica, definida como um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina. Em pacientes gravemente enfermos (cerca de 20%), é esperada uma deterioração musculoesquelética considerável, como consequência do imobilismo com propriedade de gerar incapacidades motoras importantes. Longos períodos de hospitalizações, inatividade física, desuso da musculatura e administração de corticoesteroides promovem a redução gradual da renovação protéica muscular, com isso há uma diminuição da massa e da força muscular. Os prejuízos funcionais advindos do longo tempo de permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o uso da ventilação mecânica prolongada deterioram sobremaneira o quadro funcional do doente, sendo necessário uma intervenção de condicionamento cardiopulmonar e metabólico, com o objetivo de atenuar tais efeitos. Desse modo, o programa de reabilitação deve ser adaptado ao paciente, respeitando suas limitações e a prescrição do exercício deve ser considerada individualmente (intensidade, duração, frequência, modalidade de treinamento e progressão de carga) e de acordo com cada etapa. O principal objetivo do Programa de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólico em pacientes pós-COVID-19 é restabelecer função, retorno às atividades de vida diária (AVD’s), reduzir a incapacidade e promover mudança no estilo de vida. No entanto, existem diversas complicações que podem comprometer à adesão, como por exemplo, a falta de orientação e informação, a condição pré-infecção (obesidade e sedentarismo), disponibilidade de serviços, dificuldade para o deslocamento e situação financeira.
MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizada uma revisão integrativa. As seguintes etapas foram devidamente seguidas: identificação do problema e a formulação da pergunta. O levantamento de dados bibliográficos foi feito nas bases de dados PubMed, PEDro e SciELO através de descritores, em português e inglês: reabilitação cardiopulmonar, coronavírus, exercício físico e síndrome metabólica. Os critérios de inclusão foram artigos disponíveis na íntegra que abordaram o efeito do exercício físico em pacientes portadores de síndrome metabólica submetidos a um programa de reabilitação cardiopulmonar após COVID-19. Os artigos foram selecionados mediante leitura criteriosa, sendo excluídos os estudos que desviaram do tema proposto. A data de publicação não foi limitada devido ao escasso número de estudos sobre o tema.
RESULTADOS
Foram selecionados 13 estudos envolvendo exercício físico, síndrome metabólica, reabilitação cardiopulmonar e infecção pelo novo coronavírus. Costa et al descrevem os efeitos da COVID-19 como complicações frequentes em diversos grupos de risco. Gomes et al concluíram que durante e após o tratamento da COVID-19 é fundamental evitar o sedentarismo, sendo assim podem ser realizados alongamentos e exercícios resistidos de baixa intensidade antes do treinamento aeróbico em pacientes infectados com sintomas de leves a moderados. No estudo de Tozato et al foram selecionados relatos de casos de 4 pacientes contaminados pelo novo coronavírus em que a reabilitação cardiopulmonar teve um impacto positivo, com melhora da capacidade funcional e tolerância ao exercício. De acordo com Moreira et al, a obesidade é uma doença inflamatória, o que indica o grande papel das reações hiperinflamatórias diante da infecção pela COVID-19. Desse modo, um maior índice de gravidade da doença está relacionado a pacientes obesos, sendo necessário o incentivo à atividade física que repercute de forma positiva na qualidade de vida deste paciente. Ainda segundo Fraga-Maia et al, pacientes submetidos a uma ventilação mecânica prolongada e a internação por longos períodos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) promovem sequelas como a fraqueza muscular adquirida na UTI, polineuropatia do doente crítico e outras. Desse modo, foi observado, após a alta hospitalar, uma capacidade funcional comprometida, sendo necessária uma indicação para a reabilitação cardiopulmonar pós-COVID-19. No entanto, vários fatores podem dificultar tal recomendação como por exemplo: falta de orientação, condição pré-infecção, sedentarismo, obesidade, dificuldade para o deslocamento. Por isso, este paciente deve ser bem conduzido desde o momento de sua admissão no serviço até o momento da alta no ambulatório. Portanto, os autores concluem que um programa de reabilitação cardiopulmonar influencia sobremaneira na qualidade de vida e recuperação da infecção causada pelo novo coronavírus, mostrando a importância de protocolos bem definidos e intervenções qualitativas, já que este paciente além de portador de síndrome metabólica que já possui diversos marcadores inflamatórios, chega ao ambulatório do fisioterapeuta com diversas sequelas, bem como fraqueza muscular e limitação da capacidade funcional.
DISCUSSÃO
Vários estudos comprovam o impacto da COVID-19 nas estruturas e funções do corpo, assim como as sequelas deixadas pela infecção: motoras, respiratórias, cardiometabólicas, neurológicas, cognitivas e emocionais. Sendo assim, tais questões acompanham o indivíduo mesmo após a alta hospitalar, limitando seu desempenho funcional e atividades de vida diária. A literatura ainda aponta que programas de reabilitação com pouco tempo de duração diminuem sobremaneira os efeitos positivos na retomada à sua vida social e funcional. Desse modo, um protocolo com média de 3 meses de duração e testes específicos, como por exemplo, o Teste de Caminhada de 6 Minutos (TC6M), ressaltam a garantia de um bom condicionamento cardiopulmonar e metabólico. No entanto, alguns estudos mostram sequelas permanentes, como a dificuldade respiratória à submissão de esforços progressivos. Outro achado importante discursa sobre o comprometimento da capacidade em limitar um metabolismo de resposta imunológica apropriado. Nesse sentido, a sobrecarga cardíaca, associada ao desuso da musculatura e à diminuição dos volumes e capacidades pulmonares, tem efeitos prejudiciais. Sabendo-se que pacientes submetidos a hospitalização prolongada, uso de terapias medicamentosas e escassez de movimentos, na maioria das vezes, devido à dispneia, o que constitui grande fator de risco para a fraqueza muscular, bem como outras consequências negativas, a função do profissional da Fisioterapia torna-se essencial para o restabelecimento de suas funções. Isso aponta a necessidade de uma reabilitação cardiopulmonar e metabólica adequada e individualizada, com o objetivo de otimizar o desfecho clínico desses pacientes.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus e à minha família que sempre me apoiou em meus sonhos. Sou grata também à Interfisio por ter me proporcionado vivenciar tamanha experiência em minha vida profissional.
REFERÊNCIAS
1- Costa, Isabela Bispo Santos da Silva et al. “The Heart and COVID-19: What Cardiologists Need to Know.” “O Coração e a COVID-19: O que o Cardiologista Precisa Saber.” Arquivos brasileiros de cardiologia vol. 114,5 (2020): 805-816.
2- Gomes, B. B. C; Paula, W. F. Efeitos do exercício físico na prevenção e atenuação da severidade dos sintomas e na reabilitação de indivíduos infectados por SARS-COV-2. Monografia (Graduação em Educação Física) – Faculdade de Ciências da Educação e Saúde, Centro Universitário de Brasília. Brasília. 2020.
3- Tozato, C. et al. Reabilitação cardiopulmonar em pacientes pós-COVID-19: série de casos. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2021, v. 33, n. 1, pp. 167-171. Epub 19 Abr 2021.
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ARTIGO PUBLICADO EM 02/10/2025
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