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Efeitos da Terapia de Contensão Induzida na Funcionalidade do Membro Superior Parético – Revisão Sistemática

Efeitos da Terapia de Contensão Induzida na Funcionalidade do Membro Superior Parético – Revisão Sistemática

Introdução

Aproximadamente 80% dos pacientes com acidente vascular encefálico (AVE) apresentam diminuição da função do membro superior (MS), devido a limitação causada pela espasticidade. Em função disso ocorre uma perda das realizações das atividades de vida diária (AVD) (CHANG; KIM, 2018). A terapia de contensão induzida (TCI) é uma abordagem elaborada por Eduard Taub, que consiste em fazer a contensão do MS menos afetado, submetendo o paciente a utilizar o braço afetado em 90% do dia (YUE et al., 2017), tem como objetivo a melhorara da funcionalidade, promovendo o aumento da amplitude de movimento (ADM) e minimizando a negligência do MS (SOARES et al., 2017).

A TCI é praticada no período de 2 semanas, 5 dias por semana, sendo 3 horas por dia, agregado a atividades domiciliares, sendo feita a utilização de uma luva no MS menos afetado, para que ocorra o aumento da estimulação do MS mais afetado (SOARES et al., 2017).

Estudos tem mostrado que a TCI promove a melhora quantitativa e qualitativa do uso do MS acometido (YUE et al., 2017). Em vista disso, o objetivo do presente estudo é analisar os efeitos da TCI na funcionalidade do MS dos pacientes com AVE.

Metodologia

O presente estudo trata-se de uma revisão sistemática da literatura a respeito da funcionalidade do MS parético, para concluir a ideia acerca do assunto, foi feito uma pesquisa primária sobre o tema. A busca e seleção dos artigos foram feitas conforme explicado na figura 1.

Figura 1. Fluxograma do processo de seleção de artigos.

A pesquisadora conduziu uma busca nas bases de dados PubMed e Lilacs, utilizando o período de janeiro de 2013 a dezembro de 2018. Os descritores adotados para consulta foram combinações de termos da língua inglesa: stroke AND Constraint Induced Movement therapy AND Rehabilitation AND upper limb.

Os estudos selecionados foram ensaios clínicos randomizados e controlados, publicado entre 2013 e 2018, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram incluídos na presente revisão os estudos que investigaram o efeito da TCI na funcionalidade do MS parético pós AVE.

Resultados

Foram selecionados 188 artigos nas bases de dados Pubmed (n= 115) e Lilacs (n= 73) para leitura de títulos e resumos. Após leitura foram excluídos 183 artigos por não apresentarem o desfecho estipulado. Em seguida foi realizada a leitura completa dos 5 artigos elegidos, onde 2 artigos foram excluídos, 1 artigo era repetido e outro apresentava muito viés. As características dos estudos estão representados na tabela 1, para proporcionar a comparação entre eles. Participaram dos estudos, indivíduos de ambos os sexos, tendo idade média entre 46,3 a 65,3 anos. O tempo de lesão avaliado variou entre 14 a 304 dias.

 

Conclusão O grupo de TCI mostrou melhoras significativas em comparação ao grupo controle para o WMFT,NHPT. Apesar do bom resultado pós tratamento, não houveram efeitos significativos após 6 meses. O grupo TCI demonstrou melhora significativa da função motora no membro superior parético de pacientes com AVE.
Instrumentos de avaliação -Wolf Motor Function test

-Fugl-Meyer

-Nine-Hole Peg test

-Stroke Impact Scale

-Foi realizado avaliação pré, pós e follow up após 6 meses

-Fugl-Meyer Assessment (FMA)

-Motor Activity Log (MAL) composta por Amount of Use (AOU) e Quality of Use (QOU)

Foi realizado avaliação pré, pós e follow up após 1 e 3 meses

Intervenção -Grupo de TCI:

2 horas de treino de tarefa orientada, 5 horas de práticas de tarefas domiciliares , uso de luva em 90% do dia, durante 10 dias consecutivos.

-Grupo controle:

O grupo controle foi tratado de acordo com as diretrizes norueguesas para tratamento de pacientes com AVE.

-Grupo de TCI:

3 horas de treino de tarefa orientada, 5 horas de práticas domiciliares e restrição do MS, 3 vezes por semana, durante 4 semanas.

-Grupo controle:

Realizaram reabilitação convencional;

 

Método/ População Ensaio multicêntrico randomizado simples cego

N total: 47

N GTCI: 24

N GC: 23

Média de Idade (anos):

N GTCI: 65.3 ± 8.0

N GC: 61.0 ± 14.8

Tempo de lesão (dias):

N GTCI: 16.6 ± 7.2

N GC: 18.8 ± 6.5

 

Ensaio clínico randomizado e controlado

N total: 65

N GTCI: 32

N GC: 33

Média de Idade (anos):

N GTCI: 47.03 ± 13.76

N GC: 46.3 ± 13.6

Tempo de lesão (dias):

N GTCI: 304.1

N GC: 304.1

 

Autor/ Ano de publicação Anke et al.  (2014)

 

Kothari et al. (2016)

 

Conclusão A TCI se mostrou mais eficaz que a terapia usual em termos de recuperação

da funcionalidade do membro superior. A EMG-NMS demostrou um resultado desfavorável em relação a terapia usual.

Instrumentos de avaliação -Action Research Arm Test (ARAT)

-Fugl-Meyer (FMA-UE)

 

Intervenção -Grupo TCI:

1 hora de treino de tarefa orientada, 3 horas de uso da luva durante 3 semanas consecutivas.

-Grupo controle 1:

30 min de terapia durante 3 semanas, consistiu em terapia de exercícios baseada em recomendações de diretrizes holandesas

-Grupo controle EMG:

2 sessões de 30 min de EMG-NMS de estimulação dos extensores dos dedos, durante 3 semanas.

Grupo controle 2:

30 min de terapia durante 3 semanas, consistiu em terapia de exercícios baseada em recomendações de diretrizes holandesas.

Método/ População Ensaio clínico randomizado

N total: 159

N GTCI : 29

N GC1: 29

N GEMG: 50

N GC2: 51

Média de Idade (anos):

N GTCI: 58.97 ± 14.05

N GC1: 65.34 ± 11.36

N GEMG: 58.94 ± 11.64

N GC2: 58.53 ± 11.82

Tempo de lesão (dias):

N GTCI: 14

N GC1: 14

N GEMG: 14

N GC2: 14

Autor/ Ano de publicação  

Meskers et al. (2016)

 

 

Dos 3 artigos selecionados, todos demonstraram resultados positivos para melhora da funcionalidade do MS parético, após o tratamento com a TCI, porém um dos resultados positivos demonstrou que não houveram resultados positivos após follow up de 6 meses.

Todos os artigos empregaram instrumentos para medir a atividade e/ ou a função do MS. A escala de Fulg-Meyer (FM) foi utilizada em todos os artigos (ANKE et al., 2014; MESKERS et al., 2016; KOTHARI et al., 2016.); a Motor Activity Log (MAL) foi usada apenas em Kothari et al., (2016); o Wolf Motor Function test (WFMT), Nine-Hole Peg test e Stroke Impact Scale foram empregadas no estudo de Anke et al., (2014); Action Research Arm Test (ARAT) foi utilizada por Meskers et al., (2016). Os estudos realizaram avaliação pré, pós e follow up.

As intervenções incluídas nos estudos foram a TCI na reabilitação (ANKE et al., 2014; MESKERS et al., 2016; KOTHARI et al., 2016); terapia convencional(ANKE et al., 2014; MESKERS et al., 2016; KOTHARI et al., 2016), os artigos não citam detalhadamente sobre a terapia, porém um dos estudos realizou a terapia de acordo com as diretrizes norueguesas (ANKE et al., 2014) ; e a electromyography-triggered neuromuscular stimulation (EMG) que foi praticada com ênfase nos extensores de dedos (MESKERS et al., 2016).

A frequência das intervenções variaram de três vezes por semana até três semanas consecutivas; o tempo de cada sessão variou entre os artigos (30 min, 1h, 2h, 3h e 5h), o tempo total de cada tratamento variou entre 10 dias a 4 semanas.

Os estudos utilizaram tempos diferentes para a aplicação da TCI, em um dos estudos foi feito 2 horas de treino de tarefa orientada, 5 horas de práticas de tarefas domiciliares , uso de luva em 90% do dia, durante 10 dias consecutivos (ANKE et al. 2014), no artigo de Kothari et al. (2016) foi realizado 3 horas de treino de tarefa orientada, 5 horas de práticas domiciliares e restrição do MS, 3 vezes por semana, durante 4 semanas, Meskers et al. (2016) utilizou em seu estudo 1 hora de treino de tarefa orientada, 3 horas de uso da luva durante 3 semanas consecutivas. Em todos os estudos a TCI demonstrou resultado significativo.

A terapia convencional no estudo de Kothari et al., (2016) incluiu treinamento de AVD, alongamento, ganho de amplitude de ADM, fortalecimento, treinamento de endurance, treinamento de marcha, órtese e educação, o artigo de Meskers et al. (2016) utilizou exercícios baseados nas diretrizes holandesas e o estudo de Anke et al. (2014) não descreveu os exercícios utilizados na intervenção.

A EMG aplicada no estudo de Meskers et al. (2016) foi realizada com a participação ativa do paciente, para os movimentos de dorsiflexão de punhos e dedos, sendo o estímulo de 5 segundos e o descanso de 25 segundos.

Discussão

Esta revisão teve como objetivo analisar os estudos sobre os efeitos da TCI e identificar a melhora na funcionalidade do MS parético, pós AVE. Há evidencias que a TCI é eficaz para aumentar a funcionalidade, contudo foram poucos artigos encontrados sobre o tema, e os protocolos variam muito em relação ao tempo de execução (ANKE et al., 2014; MESKERS et al., 2016; KOTHARI et al., 2016).

Kothari et al. (2016) demonstram melhoria significativa na função da mão de pacientes com AVE após TCI em termos de recuperação motora e resultado funcional em todos os desfechos medidos. O resultado corrobora com os achados de Chang; Kim, (2018) onde verifica a eficácia no desempenho ocupacional dos pacientes com AVE, bem como na função da extremidade superior.

De acordo com Anke et al. (2014) os efeitos da CIMT podem mudar de acordo com o nível de comprometimento da extremidade superior. Porém Yue et al., (2017) demonstrou que a TCI pode ser mais benéfica do que as tradicionais terapia de reabilitação no AVE agudo e subagudo.

As Limitações desta revisão sistemática incluem a pouca combinação de termos de busca, o uso de poucos bancos de dados e não foi realizada uma avaliação nos estudos em relação a qualidade (escala PEDRO). Todavia o estudo buscou dados atuais (artigos publicados nos últimos 5 anos). Estudos futuros devem detalhar os protocolos utilizados e avaliar especificamente cada função.

Conclusão

Dos três estudos avaliados, todos apontaram melhora da funcionalidade do MS após a TCI. No entanto, é necessário fazer uma maior busca de artigos para se confirmar a eficácia da técnica e qual discutir qual tempo de execução trará mais benefícios para os pacientes .



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