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Efeitos da Intervenção Fisioterápica Precoce em Paciente Acometido por Acidente Vascular Encefálico: Estudo de Caso

Efeitos da Intervenção Fisioterápica Precoce em Paciente Acometido por Acidente Vascular Encefálico: Estudo de Caso

Este artigo relata o caso clinico da paciente P.S., de 19 anos, com história de Acidente Vascular Encefálico (AVE) no dia 11/03/01, quando deu entrada em uma determinada unidade hospitalar com quadro de cefaléia, desvio da comissura labial para direita e hemiparesia braquio-crural a esquerda. No setor de emergência desta instituição, foi realizado entubação oro-traqueal e uma tomografia computadorizada (TC) com imagem sugestiva de trombose na emergência da artéria cerebral média.

Neste momento a paciente se encontrava na escala de sedação em Ramsay IV. Não há relato histórico de quadro de cefaléia ou outro fator precipitante para AVE. Sua história patológica pregressa remonta o fato de fazer uso de contraceptivo oral por 1 mês.

Foi transferida de hospital e na segunda instituição, no dia 12/03/01, foi realizada nova TC que evidenciou um desvio da linha média e discreto aumento da área hipodensa. Neste momento, a equipe clinica e neurocirúrgica optou por realizar o processo de craniotomia e monitorização da pressão intracraniana.

No dia 13/03/01, a paciente se encontrava no CTI, sedada e curarizada, ventilando no modo ventilatório de PRVC- volume controlado com pressão regulada, com FiO2 de 0,26, Peep= 08 cm/H2O e apresentava secreção clara. A atuação fisioterápica neste momento se voltava para manobras de desobstrução brônquica e cinesioterapia passiva motora com posicionamento ideal no leito ( toda conduta era feita sob monitorização da PIC que estava limitada em 20 cm/H2O).

É importante salientar que a referida paciente estava sendo monitorizada com Pressão Intracraniana (PIC) o que dificultava determinadas manobras motoras, como mudança de decúbitos. O processo de desmame da prótese ventilatória evoluiu de acordo com a sua estabilidade clínica, sendo extubada no dia 17/03/01 quando a mesma pouco tempo depois, por falta de endurance muscular respiratória ( hemimusculatura esquerda do tórax estava plégica determinando um padrão com aumento do trabalho respiratório ) não conseguiu se manter fora do respirador e teve que ser reintubada.

Salientamos que, a força da musculatura respiratória, previamente mensurada, era de – 30cm/H2O . No dia 18/03 foi realizado o procedimento de Traqueostomia da referida paciente e no dia 19/03/01 reiniciado o desmame do ventilador mecânico usando um programa para ganho de endurance muscular respiratório. Desta vez o processo foi realizado com sucesso e no dia 21/03/01 a paciente teve alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) passando para a Unidade Semi-Intensiva (USI).

A fisioterapia motora durante o tempo de permanência na UTI estava relacionada ao trabalho passivo sempre com estímulos verbais e nos momentos finais com estímulo visual. Foi iniciado um tarabalho com estimulação nas diagonais de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva bilateralmente em membros inferiores e somente no lado não plégico em membro superior.

No dia 22/03/01, um dia após sua admissão na USI, foi iniciado um trabalho de fisioterapia motora mais intensa com abordagem duas vezes ao dia. O trabalho de fisioterapia pneumo-funcional permanecia com as manobras desobstrutivas e reexpanssão pulmonar através CPAP – gerador de fluxo associado manobras para estimular o lado plégico (pois a paciente apresentava atelectasia de repetição).

O trabalho motor consistia em uma mistura de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva com cinesioterapia convencional, ortostatismo, equilíbrio de tronco e a permanência da paciente sentada fora do leito. No dia 23/03/01, a paciente começou a apresentar esboço de movimento de perna e no dia 24/03/01 este padrão apresentava maior melhora. Os exercícios continuavam na intensidade acima citada sendo que no dia 30/03/01 a paciente começou a esboçar movimento de ombro. No dia 02/04/01 a paciente foi capaz de realizar deambulação no corredor com auxílio da Fisioterapeuta. No dia 03/04/01 houve uma melhora tênue no padrão motor de braço e foi retirado a cânula de Traqueostomia definitivamente.

A paciente foi de alta hospitalar no dia 13/04/01 realizando deambulação sozinha no corredor do hospital, bom equilíbrio de tronco, boa coodenação de movimento e movimentando ombro e braço. Até o momento da alta, não apresentou resposta motora em antebraço e mão.



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