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Efeito da Fotobiomodulação no Tratamento Secundário de Câncer de Mama: Uma Revisão da Literatura

Efeito da Fotobiomodulação no Tratamento Secundário de Câncer de Mama: Uma Revisão da Literatura

Introdução

O câncer de mama é caracterizado por alterações no DNA das células, desencadeando sua degeneração, proliferação desordenada e disseminação irregular para tecidos saudáveis adjacentes, com potencial para metastatizar para outras regiões do corpo. A origem dessa neoplasia está associada a diversos fatores, como predisposição genética, nuliparidade, influência hormonal, estilo de vida, mutações somáticas ao longo da vida, entre outros fatores.

A progressão do câncer de mama pode ser variável, manifestando-se tanto de forma rápida quanto gradual. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, no Brasil, estima-se que, somente no ano de 2019, 18.068 mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama. Três anos após, em 2020, esse número aumentou significativamente para 66.280 novos casos, evidenciando a prevalência significativa dessa patologia. Desse modo, evidencia-se que os elevados índices de incidência e mortalidade associados ao longo dos anos ressaltam a necessidade de incentivar as mulheres sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

O diagnóstico exerce um papel crucial na contenção da progressão do câncer de mama. Para garantir a precisão do diagnóstico, são empregados métodos como o autoexame, incentivado desde a adolescência, e a mamografia, preconizada para mulheres a partir dos 40 anos, considerando a maior propensão relacionada à faixa etária para o desenvolvimento de tumores mamários. Salienta-se, ainda, que o autoexame e a mamografia representam, na atualidade, os meios mais eficazes para a detecção precoce da patologia, cuja confirmação pode ser obtida por meio de biópsia após a identificação do nódulo.

Dentre as modalidades terapêuticas selecionadas após o diagnóstico de neoplasia mamária, destaca-se a radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, terapia biológica e intervenções cirúrgicas, como a mastectomia, que se caracteriza pela remoção da mama, de forma total ou parcial, com a possibilidade de reconstrução mamária posterior ao tratamento.

Diante disso, a neoplasia mamária merece destaque devido à intervenção quimioterápica, radioterápica e/ou cirúrgica que pode resultar na insuficiência das vias de drenagem. Logo, o diagnóstico e tratamento do câncer de mama impactam múltiplos aspectos na vida das mulheres, abrangendo aspectos psicológicos, sexuais, familiares, socioeconômicos e de qualidade de vida, demandando abordagens específicas para cada uma.

No entanto, para as pacientes que enfrentam o tumor mamário, o linfedema surge como uma das sequelas mais temidas, ocasionando desconforto significativo no membro superior da mesma mama afetada, resultando no aparecimento de diversos sinais e sintomas como edema, dor, sensação de peso no membro afetado e dificuldade de movimento do membro.

Quanto ao tratamento do linfedema, não há consenso estabelecido. Contudo, preconiza-se a combinação de diversas modalidades terapêuticas. À vista disso, a abordagem clínica é a opção preferencial, sendo indicada a combinação de diversas terapias, incluindo fotobiomodulação, drenagem linfática manual, prática de exercícios e atividades linfomiocinéticas, cuidados higiênicos, utilização de mecanismos de contenção, além de suporte psicológico e nutricional.

Nesse contexto, a fotobiomodulação é uma abordagem tecnológica que utiliza lasers vermelho ou placas de LED infravermelho de baixa potência com a finalidade de intensificar a atividade celular através da aplicação de luz nas regiões do membro afetado. A implementação da fotobiomodulação desempenha um papel substancial na redução do processo inflamatório, na atenuação da intensidade da dor e na promoção do processo de cicatrização.

Além disso, ressalta-se que esta abordagem terapêutica não invasiva ocorre através da estimulação da atividade celular e do aumento do fluxo sanguíneo local que, posteriormente, irá resultar em aumento na produção de ATP, na modulação da resposta inflamatória, na estimulação da angiogênese e na modulação da atividade celular. Consequentemente, esse conjunto de ação culminará na redução dos efeitos secundários adversos, contribuindo, dessa forma, para estimular a regeneração celular, analgesia, mitigar a inflamação e favorecer a reparação tecidual.

Considerando a fotobiomodulação como um importante instrumento facilitador para a terapêutica não invasiva na redução do linfedema, levantou-se o seguinte questionamento: “Qual o efeito da fotobiomodulação na redução do volume do linfedema de membros superiores no processo secundário ao tratamento de câncer de mama?”. Infere-se, ainda, que os profissionais que trabalham com a terapêutica devem realizar uma avaliação criteriosa e contínua para poder intervir de maneira adequada às necessidades apresentadas pelas pacientes acometidas por neoplasias mamária.

A importância do presente estudo baseia-se no repasse de conhecimento para a comunidade acadêmica além de possibilitar aos profissionais da área de saúde aprofundamento científico acerca do uso de materiais e equipamentos de fotobiomodulação na prática clínica e/ou assistencial. A partir das informações levantadas e fundamentadas, este estudo tem como objetivo avaliar as produções científicas nacionais acerca do efeito da fotobiomodulação no tratamento secundário de câncer de mama.

Materiais e Métodos

O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que, de acordo com Gil, a referida abordagem tem a finalidade de reunir vários estudos previamente publicados. O seu objetivo é proporcionar uma visão ampla dos resultados de cada pesquisa, bem como de um tópico ou questão específica a fim de viabilizar a combinação de estudos tanto experimentais quanto não experimentais, visando obter uma compreensão mais aprofundada do fenômeno em análise e das metodologias utilizadas.

Para elaborar o presente estudo, seguiu-se as seis etapas delineadas por Souza, Silva e Carvalho, as quais detalham o processo de construção e execução de uma revisão de literatura (Figura 1).

As buscas pelos artigos ocorreram em diferentes bases de dados científicos, como LILACS, SciELO e Google Acadêmico. Foram cruzadas as palavras-chave “Neoplasias da Mama” com “Linfedema”, “Tratamento Secundário” e “Terapia com Luz de Baixa Intensidade”, no idioma português, combinadas pelo operador booleano “AND”.

Para avaliar a pertinência dos estudos foram definidos os seguintes critérios: artigos científicos completos, com resumo disponível e que estivessem disponíveis em formato eletrônico e fossem de livre acesso, com recorte temporal de 2018 a 2022, publicados no idioma português. A partir disso, foram eliminados da análise os estudos duplicados, aqueles que exigiam pagamento para acesso e os que não continham informações relevantes relacionadas à questão norteadora da presente pesquisa.

A partir do cumprimento dos critérios de inclusão e exclusão, permaneceram os artigos selecionados e encontrados nas respectivas bases de dados elencadas para o estudo, totalizando uma amostra de sete artigos. Após a coleta de dados, foi realizada a leitura prévia dos materiais em seus títulos e resumos. Na sequência, procedeu-se à leitura completa de cada um dos estudos.

Com relação à coleta das informações, criou-se um formulário para reunir as informações encontradas nos estudos contendo informações sobre os autores, título, ano de publicação, objetivos e os principais resultados.

Resultados

Foram selecionados sete estudos que retratam a análise da produção científica nacional acerca do efeito da fotobiomodulação na redução do volume do linfedema de membros superiores no processo secundário ao tratamento de câncer de mama. A seguir (Figura 2), demonstram-se as etapas realizadas em cada base de dados.

Dentre os achados é possível observar que a base de dados que obteve o maior número de publicações foi o Google Acadêmico, seguido da LILACS e, por último, a biblioteca eletrônica SciELO. Apesar da LILACS e do Google Acadêmico obterem um número elevado de publicações após aplicação das palavras-chave, salienta-se que muitos dos artigos não respondiam à questão norteadora da presente pesquisa.


Os artigos também foram avaliados de acordo com o recorte temporal. Os anos que obtiveram o maior número de publicações foram 2023, 2021 e 2020, respectivamente, seguido de 2018 com uma publicação. Nos anos de 2022 e 2019 não houve publicações relacionadas à temática em questão.

A seguir (Tabela 1), demonstra-se que os estudos foram publicados em diversas revistas. A revista com maior quantidade de publicações foi a Revista Brasileira de Cancerologia com duas publicações, enquanto as demais obtiveram uma publicação cada.

Abaixo (Tabela 2), são expostos os achados acerca dos autores, título, ano de publicação, objetivos e os principais resultados dos sete artigos selecionados para compor a amostra final da presente pesquisa.

Discussão

O linfedema é uma condição que surge posteriormente aos diferentes tipos de tratamento em mulheres acometidas por neoplasias mamárias, representando prevalência significativa que pode associar-se com diversos fatores. À vista disso, Bonisson, Fu, Matos, et al. evidenciam fatores que podem ter relação com a ocorrência do linfedema como obesidade, biópsia de linfonodo sentinela, radioterapia e a presença de alguma complicação durante o tratamento. Dentre as complicações mencionadas, destacam-se o surgimento de fibrose, aderência, retração, seroma, parestesia, infecção e deiscência.

Macedo, Costa, Ferreira, et al. evidenciam que o profissional fisioterapeuta desempenha um papel crucial na prevenção precoce do linfedema, fornecendo orientações abrangentes sobre os cuidados com o membro superior, englobando a importância da hidratação da pele e cuidados gerais, visando prevenir infecções. Além disso, o profissional deve enfatizar a adoção de hábitos de vida saudáveis, abrangendo orientações sobre alimentação, prática regular de atividade física e controle do peso corporal a fim de possibilitar medidas preventivas que possam contribuir significativamente para reduzir o risco de desenvolvimento do linfedema.

Para Silva, Rocha, Araújo, et al. a fisioterapia desempenha um papel essencial no tratamento das disfunções relacionadas ao câncer de mama, dispondo de recursos eficazes. No contexto do tratamento do linfedema, a técnica predominante é a laserterapia e a terapia complexa descongestiva. No entanto, outras abordagens terapêuticas, como a cinesioterapia postural, drenagem linfática manual e a estimulação elétrica nervosa transcutânea, também figuram como práticas amplamente empregadas e eficientes para o tratamento secundário.

A complicação decorrente da radioterapia é explorada por Lima, Costa, Santos, et al. durante sua análise da literatura sobre a eficácia do tratamento com laserterapia. Os autores ressaltam que cerca de 86% dos estudos apresentaram resultados positivos em relação à eficácia do tratamento com laserterapia. No entanto, um estudo adicional indicou resultados positivos com o PDL (laser de pulso), mas, em contrapartida, foram observadas reações transitórias e complicações no tratamento pós-laser, incluindo dor, púrpura e eritema. Outros pesquisadores chegaram à conclusão de que a utilização do LED (diodo emissor de luz) em pacientes prévios à radioterapia proporcionou uma melhora na intensidade da dor associada à toxicidade cutânea induzida pela radiação. Ou seja, os resultados obtidos indicam que a laserterapia demonstra eficácia satisfatória no tratamento de lesões oncológicas, destacando-se como uma alternativa valiosa para o tratamento secundário.

Gonçalves, Tomadon, Cruz, et al. identificaram as tecnologias em saúde empregadas na reabilitação física de mulheres que apresentaram alterações no membro superior homolateral após cirurgia para o câncer de mama. No âmbito das tecnologias leve-duras, os programas de exercícios físicos se destacaram como os mais utilizados, abordando tanto a limitação da amplitude de movimentos do membro superior quanto o tratamento do linfedema. No que concerne às tecnologias duras, observou-se que a fotobiomodulação foi positivamente avaliada, sendo empregada predominantemente para tratar complicações como dor e linfedema.

A fotobiomodulação é uma abordagem promissora para gerenciar os efeitos associados ao tratamento do câncer de mama. Para Silva e Pereira, no contexto do linfedema, especificamente, a terapia complementar com fotobiomodulação demonstrou significativa eficácia em aliviar sintomas e melhorar o bem-estar emocional das pacientes. Além disso, evidenciou-se que a aplicação da fotobiomodulação produz resultados notáveis na redução e prevenção da radiodermite aguda subsequente à radioterapia no tratamento do câncer de mama e também surge como uma ferramenta favorável na prevenção da neuropatia periférica induzida por quimioterapia.

A utilização da fotobiomodulação é descrita no relato de caso de Pinto e Silva, Sunemi, Lenzi, et al., onde verifica-se a síndrome de Stevens-Johnson e de Li-Fraumeni Like no câncer de mama metastático. A síndrome é uma condição rara e potencialmente fatal, que demanda diagnóstico precoce e intervenção terapêutica adequada para assegurar um prognóstico favorável. À vista disso, o indivíduo do caso apresentava dores e feridas cutâneas eritematosas em quase toda a superfície corpórea. Foram administradas duas aplicações de fotobiomodulação, utilizando luz vermelha com comprimento de onda de 660 nm nas regiões occipital e auricular, com dose de 2 Joules por ponto; adicionalmente, foi aplicada luz infravermelha com comprimento de onda de 808 nm na região escapular, totalizando 4 Joules, visando analgesia. Ambas as sessões foram seguidas por mobilização e liberação miofascial na região escapular. Em 48 horas, observou-se regressão das lesões cutâneas e melhora significativa da dor. Após completar 15 sessões de fisioterapia com foco na aplicação da fotobiomodulação, a paciente recebeu alta hospitalar.

Os resultados dos estudos que compuseram a amostra da presente pesquisa evidenciam a eficácia da fotobiomodulação como estratégia complementar para o tratamento secundário de câncer de mama, especialmente no que concerne à regeneração tecidual e analgesia. No entanto, ressalta-se a importância de estabelecer parâmetros de tratamento e irradiação específicos para cada condição, considerando, sobretudo, as características individuais de cada paciente, assegurando a efetividade da fotobiomodulação. As evidências apresentadas demonstram, ainda, a necessidade contínua de pesquisas que refinem e otimizem os protocolos de fotobiomodulação, a fim de garantir sua aplicação precisa e bem-sucedida no contexto do tratamento secundário do câncer de mama.

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ARTIGO PUBLICADO EM 29/01/2026



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