Digite sua palavra-chave

post

Efeito da Fisioterapia Aquática na Capacidade Funcional dos Idosos

INTRODUÇÃO

O envelhecimento tem sido descrito como um processo inerente a todos os seres vivos e que se caracteriza pela perda da capacidade de adaptação ao ambiente e pela redução da funcionalidade. O mesmo é conceituado como um processo dinâmico e progressivo, no qual ocorrem modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam a perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando, desta forma, maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos.
Dentre as diversas alterações que ocorrem no processo de envelhecimento, os distúrbios relacionados ao equilíbrio estão entre os mais alarmantes devido ao alto índice de quedas, o que pode gerar perda de autonomia e independência para a realização de atividades básicas da vida diária.
Em uma pesquisa realizada, foi evidenciado que mais da metade das quedas em idosos, ou seja, 55%, ocorre em ambiente externo ao domicílio, sendo jardins, pátios, calçadas e ruas os locais de maior ocorrência. As alterações do equilíbrio corporal estão entre as queixas mais comuns da população idosa e constituem um problema médico de grande relevância. Há uma estimativa que a prevalência de queixas relacionadas ao equilíbrio chegue a 85% da população acima de 65 anos.
A capacidade funcional ou limitação funcional pode ser definida como a capacidade do indivíduo de cuidar de si próprio e viver de forma independente, ou seja, manter suas capacidades físicas e mentais em suas atividades básicas e instrumentais.
A atividade física para o idoso é capaz de proporcionar efeitos orgânicos benéficos, incluindo o bem-estar geral, a preservação da independência, a prevenção e o tratamento de doenças e a diminuição de dores crônicas. Os programas de fisioterapia aquática têm sido frequentemente indicados como uma modalidade de atividade física para a população idosa em razão do ambiente ser seguro, menos sujeito a quedas e ter boa aceitação e adesão ao tratamento.
Estudos afirmam que exercícios em meio aquático são capazes de auxiliar idosos com diminuição da capacidade funcional, déficits de equilíbrio e limitações físicas inerentes ao avanço da idade.
Buscou-se explanar este tema tendo em vista que a fisioterapia aquática vem sendo apontada como um importante indicador da saúde do idoso, tendo em vista que a presença de fatores limitantes, como doenças ou imobilidade, pode desencadear diferentes impactos na sua vida diária.
Sendo assim, este estudo teve como objetivo analisar o efeito da fisioterapia aquática na capacidade funcional dos idosos, na busca de caracterizar a capacidade funcional dos idosos, definir as alterações funcionais encontradas no envelhecimento e descrever os benefícios da fisioterapia aquática para população idosa.

METODOLOGIA DA PESQUISA

Estudo do tipo revisão integrativa exploratória, mediante busca de artigos de cunho científico publicados nos últimos dez anos – 2007 a 2017, foi realizado a partir da consulta de material da literatura de caráter acadêmico e de fácil acesso.
Procurou-se identificar artigos de pesquisa que atendessem o seguinte requisito ou critério: comentarem aspectos relacionados ao benefício da fisioterapia aquática para os idosos. Para conferir sensibilidade aos resultados do estudo foram utilizados os seguintes descritores: “Fisioterapia aquática”, “Idosos” e “Qualidade de vida”.
Os critérios de inclusão que foram utilizados são artigos que apresentavam importância com o tema, ano de publicação (2007 a 2017) e nacionalidade dos artigos (Brasil). Como critério de exclusão artigos que não atendiam os critérios propostos pelos pesquisadores.
A busca bibliográfica foi realizada por dois indexadores: Lilacs, ou Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (http://www.bireme.br/bvs); e SciELO, ou Scientific Electronic Library Online (http://www.scielo.org).
Por fim, foi realizado a análise descritiva da amostra bibliográfica, acompanhada de discussão sobre os aspectos abordados nos trabalhos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na busca inicial para a realização desta revisão integrativa, foram encontradas 280 publicações nas bases de dados LILACS, BDENF e SciELO, destas 268 foram excluídas por não abordarem a temática analisada. Assim, 10 publicações foram selecionadas para esta revisão, sendo elas: 4 pela LILACS e 6 pela SciELO, uma vez que atenderam aos critérios de inclusão preestabelecidos e trouxeram contribuições relevantes à discussão proposta pelo estudo. Abaixo, foram discutidos os temas; prevenção de quedas, independência funcional e fortalecimento muscular, dos quais refletem a influência da terapia aquática no tratamento aos idosos nessas modalidades.
Os exercícios em meio aquático são capazes de auxiliar idosos com diminuição da capacidade funcional, déficits de equilíbrio e limitações físicas inerentes ao avanço da idade.

Prevenção de quedas
A queda pode ser definida como uma falta de capacidade para corrigir o deslocamento do corpo no espaço, durante o movimento.
Atualmente as quedas na população idosa tornaram um dos maiores problemas clínicos a saúde publica devido aos gastos para família e a sociedade. Os fatores de risco a esta população esta relacionado à limitação funcional, aumento da idade, fraqueza muscular, riscos ambientais e déficit visual.
A população idosa apresenta instabilidade postural devido a alterações do sistema sensorial e motor levando ao desequilíbrio12,13. Os idosos possuem maiores chances de sofrerem quedas devida a perda de massa muscular e força, podendo estar relacionadas direto com doenças crônicas degenerativas.
Estima-se que a prevalência de quedas em pessoas com idade acima de 65 anos chegue a 85%, podendo se manifestar como desequilíbrios, náuseas, vertigens, desvio na marcha, instabilidade, tonturas resultando em quedas frequentes.
Os autores realizaram um treinamento aquático de 12 semanas. Ao final da intervenção os autores verificaram, um aumento significativo nos scores obtidos pela escala de BERG e pelo Timed up & Go (TUG) o que demostra que os idosos obtiveram um aumento significativo de equilíbrio e na mobilidade. O mesmo resultado encontrado nos estudos12 que relata que os idosos não sentem ou não apresentam instabilidade no meio liquido, o que possibilita a realização de atividades complexas sem medo, pois o ambiente aquático se caracteriza como um lugar seguro para a realização destas atividades.
Após sessões de hidroterapia os idosos obtiveram aumento significativo de equilíbrio, a avaliação desta vez foi realizado através de teste de Romberg Afiada (equilíbrio estático com os olhos abertos e fechados) e o teste Timed Up & Go14. Os autores concluem que a água auxilia por conta de viscosidade, aceleração dos movimentos e retardação de quedas, o que prolonga o tempo disponível para recuperar postura quando o corpo se desequilibra.

Independência Funcional
Um estudo feito pela Supplement on Aging do National Health interview Survey de 1984 , mostra que no processo de envelhecimento ocorre uma escala hierárquica das principais incapacidades enfrentada pelos idosos, sendo as dificuldades de marcha, líder da listagem, seguidos pela dificuldade de tomar banho, transferir-se, vestir-se, ir ao banheiro e alimentar-se. De forma direta essas incapacidades ou dificuldades geram uma restrição de mobilidade, interferindo no convívio social do idoso, na sua autoestima e na sensação de bem-estar, podendo acarretar processos depressivos e de reclusão social.
A marcha humana é descrita pelo deslocamento de um corpo no espaço, na posição bípede, com um gasto energético mínimo, uma postura aceitável e uma estabilidade adequada.
Na piscina terapêutica atuam forças contrárias a da gravidade como o empuxo, e a pressão hidrostática, que ajudam a manter o paciente que normalmente não consegue ficar em bípede no solo sem ajuda de aparelhos ortopédicos, a ficar em bípede por longo período de tempo na piscina, além de que a água aliada as propriedades do calor a uma temperatura 36º C aumenta a extensibilidade dos tecidos, favorecendo maior flexibilidade e um aumento da amplitude articular além de outros fatores como a resistência da água que promove o fortalecimento de membros superiores e membros inferiores, influenciando assim na melhora da marcha19.
Além dessa independência funcional dentro da piscina os pacientes idosos relatam sensação de bem estar, que aliados com a cinesioterapia, fortalecimento muscular e treino de atividade de vida diária (AVD’S), podem trazer ganhos também no solo.
Fortalecimento Muscular
O processo de envelhecimento causa mudanças biomecânicas como a diminuição no tamanho das fibras musculares, da quantidade de força, diminuição da massa óssea, rigidez de ligamentos e tendões, causando uma redução da mobilidade articular e da flexibilidade do corpo, que incluem alterações posturais, redução da força muscular, déficit de equilíbrio e marcha, e que podem aumentar o risco de quedas.
Os exercícios de fortalecimento com o idoso submerso utiliza o princípio físico da hidrostática, em que se emprega flutuabilidade, para sustentar, auxiliar e causar resistência multidimensional constante aos movimentos.
A resistência da água aumenta proporcionalmente, à medida que a força é exercida contra ela.
A hidroterapia aliada a cinesiologia e alguns equipamentos são capazes de fortalecer os músculos sem pressão da força e com um mínimo de estresse nas suas articulações.
A graduação da resistência se dá de diversas maneiras, incluindo aumento do número de repetições ou séries, acréscimo de equipamento, aumento da velocidade do exercício, mudança na posição do paciente ou profundidade de imersão do corpo.

CONCLUSÃO

Os vários benefícios da piscina terapeuta proporcionam aos idosos uma independência funcional diferenciada, devido a uma diminuição de sobrecarga nas articulações, possibilitando ao idoso realizar atividades com grau de dificuldade maior, do que as atividades que ele realizaria no solo. As propriedades físicas da água aumentam a flexibilidade tecidual, possibilitando uma maior mobilidade, além de proporcionar bem estar, convívio social, melhorando a autoestima do idoso.
Pode-se avaliar que é necessária uma padronização da metodologia propostas pelos estudos pois isto, muitas vezes, impossibilita a comparação entre os resultados das pesquisas.
Mesmo com as limitações deste estudo, pode-se concluir que a hidroterapia apresenta-se como um recurso terapêutico eficaz, possibilitando aos fisioterapeutas ampliarem suas condutas com a população idosa.



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.
Powered by