Digite sua palavra-chave

post

Avaliação dos Pacientes Acometidos por Síndrome do Impacto do Ombro Através da Modified University Of California At Los Angeles Shoulder Rating Scale (Modified-Ucla)

Avaliação dos Pacientes Acometidos por Síndrome do Impacto do Ombro Através da Modified University Of California At Los Angeles Shoulder Rating Scale (Modified-Ucla)

INTRODUÇÃO

O ombro é um conjunto formado por três ossos, úmero, clavícula e escapula, três articulações sinoviais e uma articulação fisiológica. Os componentes acromiocavicular(AC), esternoclavicular (EC), e glenoumeral (GU) são articulações verdadeiras enquanto a escapulotorácica(ET) é a fisiológica, sendo esta estabilizada pelo binário trapézio e serrátil anterior, ambas juntamente com os ligamentos e os músculos do manguito rotador trabalham em conjunto para produzir e controlar os diversos movimentos do ombro.1,2,3

A articulação AC é o ponto de fixação das escapulas as clavículas, possui uma cápsula fibrosa e um disco intra-articular e os ligamentos acromiocaviculares, coracoclaviculares que mantem a sua estabilidade4,5,6. A articulação (EC) funciona em todos os movimentos da cintura escapular fixando o complexo do ombro ao tórax, sendo estabilizada pelos ligamentos costocavicular e esternoclavicular.

A clavícula mantem a articulação (GU) em distancia correta do esterno, um disco articular aumenta o grau de ajuste e atua como amortecedor de impacto para as forças transmitidas da região do ombro1,7,8.

A articulação ET também compõe o complexo articular do ombro, sendo considerada uma articulação funcional por não apresentar características anatômicas comuns as outras articulações. A ativação dos músculos escapulotorácicos contribuem para a mobilidade e estabilidade do ombro, as quais são necessárias durante as atividades funcionais.9,10

A articulação GU é a mais importante do ponto de vista biomecânico por apresentar maior amplitude de movimento. A parte óssea côncava é o lábio glenoidal, que contribui para aprofundar a cavidade e a parte óssea convexa é a cabeça do úmero que é relativamente grande para ser acomodada, fazendo com que haja pouco contato entre ambos tornando a articulação instável. Sendo assim a posição anatômica dos ligamentos e do manguito rotador auxiliam na manutenção da estabilidade da articulação e nas translações da cabeça umeral. 1,4,11,12

Alguns grupos musculares são importantes para o funcionamento do ombro , um deles é o manguito rotador composto pelos tendões dos músculos supra espinhal, infra espinhal, redondo menor e subescapular que contribuem para estabilizar dinamicamente e equilibrar a cabeça do úmero em relação à glenoide13,14,15. A bursa subacromial também tem a função de diminuir o atrito entre o acrômio e o tubérculo maior do úmero onde se inserem os músculos supra-espinhal e infra-espinhal.4
O ombro é articulação proximal do membro superior que possui três graus de liberdade. Podem ser realizados diversos movimentos de forma combinada ou isolada: flexão, extensão, adução, abdução, abdução horizontal, rotação externa e interna. É a articulação do corpo com maior mobilidade e permite orientar o membro superior em relação aos três planos de movimento: sagital, frontal e transverso.4,11

As desordens do Manguito rotador estão entre as mais frequentes causas de dor no ombro, lesões por excesso de uso ou por esforço repetitivo com o membro superior acima da cabeça tem sido cada vez mais reconhecida como causadora de lesão dos tendões do manguito rotador, principalmente do supra-espinhal. Esse complexo do ombro é uma região que apresenta suscetibilidade a traumatismos devido à integração de varias estruturas e a sua instabilidade.14,18,19,20,21,

A síndrome do impacto é uma patologia inflamatória e degenerativa que se caracteriza por compressão ou impactação do tendão do supra espinhal, tendão da cabeça longa do bíceps e bursa subacromial que se localizam no espaço úmero coracoacromial. A sua etiologia pode ser decorrente da compressão mecânica do manguito rotador sob a porção antero inferior do acrômio, sendo os tipos curvo e ganchoso que propiciam maior impacto entre as estrutruras. 1,4,20,23,24,25,26

Quando estas lesões estão instaladas a dor no ombro pode ser uma condição persistente e incapacitante sendo responsável por prejuízos na função da articulação. Sendo assim são necessários instrumentos para avaliar as alterações ocorridas decorrentes das lesões.22

Um dos instrumentos utilizados na literatura internacional para a avaliação do ombro é o Universityof California at Los Angeles (UCLA) Shoulder Rating Scale,que foi criada por Amstutz em 1981, para avaliar pacientes que se submetiam a artroplastia de ombro. Em 1986 foi modificada por Ellman. A escala é composta pelos seguintes domínios: dor(10 pontos), função (10 pontos), amplitude de flexão anterior ativa(5 pontos),teste de força manual para flexão anterior(5 pontos) e satisfação do paciente(5 pontos), totalizando 35 pontos. A pontuação é classificada da seguinte forma: 34-35 pontos equivalem a resultados excelentes, 28-33 bons, 21-27 razoáveis e 0-20 ruins. 30,31,32

Considerando a frequente citação da escala UCLA-modified na literatura brasileira foi necessária uma tradução e adaptação cultural para a língua portuguesa. Inicialmente foram realizadas duas traduções das versões originais para o português por dois professores brasileiros. Em seguida a primeira versão foi traduzida e encaminhada ao comitê formado por dois ortopedistas e dois fisioterapeutas. 30

A versão revisada em português foi convertida para o inglês por dois professores de inglês. Para adaptação cultural foi aplicada em dois grupos : (1) pessoas com idade entre 35 e 45 anos e (2) profissionais de saúde vinculados à Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Uma vez realizadas as aplicações nos dois grupos as questões que deveriam ser modificadas eram reunidas em uma única versão, levando em conta as considerações da população leiga e dos profissionais e o nível de escolaridade para que a ultima versão fosse compreendida por todos. 30

No ano de 2005 Lima e Barbosa, realizaram um estudo na Policlínica do Centro Universitário de Adventista de São Paulo – UNASP, que consistiu em avaliar a dor e a funcionalidade em pacientes que apresentavam diagnostico clinico de síndrome do impacto através da UCLA. Foram avaliados sete indivíduos ambos do sexo feminino com idade variando de 25 a 77 anos que estavam sendo atendidos na clinica. A escala UCLA foi aplicada no inicio e no final da intervenção fisioterapêutica. Considerando que a UCLA avalia a funcionalidade, ficou evidente nesse estudo que após a intervenção houve melhora significante da funcionalidade dos indivíduos. Estes resultados são ratificados pelos dados encontrados após a intervenção. O aumento da funcionalidade e a diminuição da dor resultaram em aumento da satisfação referente a sua condição anterior ao tratamento. 20

No ano de 2014, Jacoby e Brandalise avaliaram 09 pacientes que realizavam tratamento fisioterapêutico no Sistema de Atenção à Saúde do Trabalhador (SAST) de Chapecó- SC. Os indivíduos foram submetidos a entrevista seguindo a “ “Escala Funcional da University of California at los Angeles” que é utilizado para a função do ombro e satisfação do paciente tendo como especificidade a funcionalidade do ombro. Através desse estudo ficou comprovado que indivíduos com lesão do supra espinhoso apresentam uma redução da funcionalidade do ombro e aumento do quadro álgico , sendo que quanto menor a funcionalidade maior o quadro álgico. Os dados do presente estudo indicam que após 10 sessoes do tratamento fisioterapêutico obteve-se uma melhora da funcionalidade e dor em pacientes com lesão na musculatura citada. 22

É de fundamental importância a utilização da escala de avaliação de ombro UCLA em serviços de fisioterapia, pois permite conhecer melhor as características funcionais pertinentes as individualidades dos pacientes, auxiliando no tratamento. Sendo assim o objetivo do estudo foi traçar um perfil dos indivíduos com síndrome do impacto que realizaram avaliação no serviço de fisioterapia do Centro de Reabilitação do Instituto de Medicina Integral Profº Fernando Figueira de acordo com a UCLA.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo de corte transversal, aprovado pelo comitê de Ética em pesquisa , seguindo os padrões éticos da resolução 466/12, com o numero de protocolo com numero de parecer 1.781.562. Todos os envolvidos receberam explicação previa sobre a pesquisa, concordaram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Durante o período de Janeiro a Dezembro de 2016 foram convocados 49 pacientes que foram admitidos para realizar terapia individual que estavam na lista de espera do serviço de fisioterapia no setor de traumato-ortopedia adulto do Centro de Reabilitação Ruy Neves Baptista do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP . Foram incluídos todos com idade acima de 40 anos de ambos os gêneros com lesão no musculo supra-espinhoso. Segundo critérios pre-estabelecidos foram excluídos 19 individuos, 12 por não ser possível o contato telefônico e 07 que não se interessaram em participar da pesquisa, totalizando uma amostra de 30 pacientes.

Foi utilizada a ficha de avaliação funcional do ombro – UCLA que contem domínios para a avaliação da dor, função, flexão ativa, força de flexão anterior satisfação do paciente . Sua aplicação foi feita através de uma entrevista com os pacientes.

Após a aplicação da ficha de coleta de dados contendo a avaliação funcional do ombro (UCLA), a dor, a função, a flexão ativa, a força de flexão do paciente foram categorizadas segundo os escores indicando a pontuação alcançada em percentagem. A pontuação é classificada da seguinte forma: 34-35 (excelente), 28-33 ( Bom), 21-27 ( Razoável) e 00-20 ( pobre).

Para a analise das variáveis foi empregada uma distribuição de frequências absolutas e relativas. As variáveis relativas a idade foram expressas em media e desvio padrão da média. Os dados foram agrupados e processados através do Microsoft Excell.

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

No que se refere as principais características da população estudada a pesquisa identificou um predomínio de indivíduos do sexo feminino( 86,6%) com faixa etária variando entre 45 e 70 anos e media de 56,46 anos conforme a tabela 1.

Em relação a dor o estudo identificou que 36,6% dos pacientes indicaram o escore 2 caracterizando a dor como presente a todo tempo, suportável e utilização de analgésicos fortes. Da mesma maneira para o domínio da função mais da metade dos pacientes (66,6%) escolheram o escore 2 indicando que conseguem realizar apenas algumas atividades leves conforme a tabela 2.

Em relação a flexão ativa do ombro 40% dos pacientes apresentam amplitude de movimento >150®. Quanto ao domínio de força de flexão anterior a maioria dos pacientes ( 86,6%) obtiveram o Grau de força 3 (regular) de acordo com a escala de avaliação de força muscular MRC ( Medical Research Council).

Em relação a satisfação do paciente 93,3% se mostraram insatisfeitos com a escala devido a avaliação de fatores altamente incapacitantes como dor e função. Tabela 3

Na analise dos resultados todos os pacientes tiveram escore abaixo de 20. Tabela 4

A síndrome do impacto é uma afecção musculoesquelética muito frequente nos membros superiores, sendo considerada uma das principais causas de dor no ombro podendo levar a diminuição da função da articulação e redução da qualidade de vida. Sendo assim a torna-se necessário a utilização de instrumentos de avaliação que forneçam informações do impacto que a doença pode causar nos mesmos.25

Atualmente a avaliação e tratamento dos pacientes em alguns serviços de saúde é feita somente de acordo com o exame físico, que inclui testes de força muscular, mobilidade articular e avaliação dos exames de imagens. Essa forma de avaliação não deveriam ser utilizadas de forma exclusiva para direcionar o tratamento, considerando que existem uma variedade de quadros clínicos em pacientes acometidos pela síndrome do impacto, Diante disso é necessário que uma avaliação seja acompanhada por um instrumento clínico amplamente utilizado em publicações internacionais.33

A UCLA foi traduzida e adaptada para a língua portuguesa com a finalidade de auxiliar nas avaliação de pacientes com diversas disfunções do ombro e por ser de fácil entendimento e extremamente viável para aplicações em ambientes de reabilitação.30

Segundo Lazaro et al (2004) que avaliaram através da UCLA 10 pacientes portadores de síndrome do impacto na clinica de fisioterapia da Unioeste – Paraná, a dor é considerada uma das principais queixas dos pacientes com SI devido a agressão dos tendões , decorrente do atrito e impacto que estas estruturas sofrem contra a tuberosidade maior do úmero , ligamento coracoacromial e borda anterior do acrômio e também o suprimento sanguíneo inadequado a da inserção do tendão do supra espinhal. Os achados dos autores foram semelhantes ao estudo onde muitos pacientes escolheram o escore que indica que a dor está presente o tempo todo.

Em relação a qualidade de vida e funcionalidade do membro acometido pela SI, Albuquerque et al realizou na Promédica – Salvador um estudo com pacientes adultos acometidos por desordens do manguito rotador, utilizando a UCLA. Nos seus achados a SI foi a mais frequente correspondendo a 72,5% dos indivíduos . Essas desordens que são caracterizadas pela dor e a limitação para as atividades de vida diária frequentemente acarreta incapacidade e, perda funcional e diminuição da qualidade de vida.

Marcondes & Rosa avaliaram a força do manguito rotador em 48 indíviduos com síndrome do impacto de ambos os gêneros com sintomas por mais de três meses utilizando um protocolo de avaliação utilizado no setor de fisioterapia da Irmandade da Santa casa de São Paulo. Os estudos mostraram que a síndrome do impacto pode levar a diminuição da força da musculatura do manguito rotador concordando com os resultados achados neste estudo, uma explicação pode ser a diminuição progressiva da força que ocorre com o envelhecimento2

No de 2012 Boeck & Dohnert realizaram um estudo na universidade Luterana do Brasil (ULBRA) que consistiu em avaliar a efetividade de um protocolo de reabilitação em cadeia cinética fechada em 20 pacientes que apresentaram síndrome do impacto do manguito rotador utilizando a UCLA. Obtiveram uma pontuação pobre com o escore considerado de 12-19

Quanto ao domínio de satisfação, considerando que a população estudada estavam realizando avaliação para inicio de tratamento no setor de Fisioterapia Oku et al(2006), sugere que esse critério seria aceitável somente durante a evolução do tratamento, sendo dispensável em uma avaliação inicial.

 

CONCLUSÃO

A utilização da UCLA como ferramenta clinica para avaliar as diversas alterações em uma patologia de ombro mostrou-se importante, pois permitiu conhecer melhor o perfil funcional do paciente de maneira mais ampla e objetiva respeitando a sua individualidade. Dessa maneira este estudo pode contribuir para melhor investigação de indivíduos acometidos pela síndrome do impacto e ajudar na elaboração do plano de tratamento adequado que atenda as demandas específicas de cada paciente.

 

TABELAS

Tabela 1: Caracterização dos participantes do estudo

Legenda: N (número de indivíduos)

 

Tabela 2: Domínios e escores referentes a Dor, função, flexão ativa e Força de Flexão anterior de acordo com a Escala de Avaliação Funcional de ombro _ UCLA

 

Tabela 3: Domínios referentes à satisfação do paciente

 

Tabela 4: Análise da pontuação final

 



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Open chat
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.
Powered by