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Atuação do Fisioterapeuta na Extubação Paliativa: Revisão Sistemática

Atuação do Fisioterapeuta na Extubação Paliativa: Revisão Sistemática

Introdução

Historicamente as Unidades de Terapia Intensiva-UTI, tiveram seu surgimento no início do século XX, que inicialmente eram chamadas de salas de recuperações, pois os pacientes que passavam por neurocirurgia necessitavam de um atendimento um pouco mais cuidadoso, o Hospital Johns Hopkins, NY-EUA foi o pioneiro neste serviço. No Brasil o implemento ocorreu em 1970, inicialmente no Hospital Sírio Libanês, SP, composto por dez leitos1.

O perfil dos pacientes internos nos leitos das Unidades de Terapia Intensiva eram vítimas de traumas, violência e pós-operatório, os cuidados eram prestados pelos médicos cirurgiões e anestesistas, mas o perfil dos pacientes mudou sendo mais presente as doenças crônicas não transmissíveis, neoplasias e diabetes, além da mudança do perfil dos pacientes devido ao aumento da expectativa de vida. Por esse motivo se fez necessário aprimorar as Unidades de Terapia Intensiva, com equipe multidisciplinar especializada de forma continua e integral, equipamentos de tecnologia avançada com o objetivo de prolongar o tempo de vida21.

O avanço das tecnologias, contribui para um melhor tratamento dos pacientes oncológicos, porém não influencia na redução nos números de casos, causando um elevado número de óbitos por neoplasia que ocorrem na grande maioria nos hospitais, especificamente na Unidade de Terapia Intensiva. A necessidade de internação desse
paciente é dada pelo agravamento da doença e piora dos sintomas, o que faz necessário equipe multiprofissional, cuidados integrais e contínuos32.

Por esse motivo os Cuidados Paliativos se fazem de grande importância para o serviço de saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde- OMS, Cuidados Paliativos tem como objetivo promover a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, diante da doença que ameaça a vida, através da prevenção e alivio do sofrimento, pois se inicia de forma precoce desde a avaliação ao tratamento da dor e outros problemas de origem física, psicossocial e espiritual4.

Cuidados Paliativos não se baseiam em protocolos, mas sim em princípios. Esses princípios são os pilares dos Cuidados Paliativos, sendo eles: Promover o alívio da dor e outros sintomas desagradáveis, Afirmar a vida e considerar a morte como um processo normal da vida, Não acelerar nem adiar a morte, Integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente, Oferecer um sistema de suporte que possibilite o paciente viver tão ativamente quanto possível, até o momento da sua morte, Oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e a enfrentar o luto, Abordagem multiprofissional para focar as necessidades dos pacientes e seus familiares, incluindo acompanhamento do luto, Melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da doença e por fim, Deve ser iniciado o mais precocemente possível, juntamente com outras medidas de prolongamento da vida, como quimioterapia e radioterapia e incluir todas as investigações necessárias para melhor compreender e controlar situações clinicas estressantes5.

Diante de todos esses princípios não se fala em terminalidade, mas em doença que ameaça a vida, remetendo não a possibilidade de cura da doença, mas na possibilidade ou não de tratamento modificador da doença, assim não utilizamos mais a fala “não se tem mais o que se fazer”. A abordagem dos Cuidados Paliativos se inicia desde a avaliação, para que o profissional entenda a necessidade do paciente, qual o manejo a ser adotado, as complicações dos sintomas e o avançar da doença.

O tratamento paliativo se faz indicado para várias patologias, mas iremos falar em especial para os pacientes oncológicos. Mesmo nos casos de portadores de neoplasia avançada que se faz importante o tratamento cirúrgico, radioterápico ou quimioterápico que será de grande importância para o controle dos sintomas, mas, também trará
alterações devastadora na forma física, emocional e psicológica do paciente, o que se faz necessário a adoção de forma precoce de condutas terapêuticas dinâmicas, ativas e que sempre respeite os limites do paciente dentro da situação de incurabilidade6.

Quando se fala em situação incurável e prolongamento de vida por meios invasivos, resulta em maior sofrimento para o paciente e seus familiares, fazendo-se assim necessária intervenção da equipe multidisciplinar através de técnicas que realiza a remoção dos equipamentos que prolonguem a vida do paciente. Uma técnica utilizada é a Extubação Paliativa definida como, a retirada do tubo orotraqueal e desconexão da ventilação mecânica para que o paciente espere a morte em um curto espaço de tempo.

Para que essa técnica seja realizada existe o processo de comunicação que envolve a percepção, compreensão e transmissão da mensagem na interação entre paciente, familiares e os profissionais da equipe multidisciplinar para que o procedimento realizado seja ofertado da melhor forma possível7.

É comunicado para os familiares que durante o procedimento o paciente terá o controle dos sintomas para que os mesmos permaneçam durante todo o período com o paciente e a equipe multiprofissional fica disponível durante todo o procedimento para prestar a atenção necessária para os familiares e o paciente, destaca-se a fisioterapia/ fisioterapeuta como a área mais envolvida nesse processo. O fisioterapeuta se destaca na atuação direta da ventilação mecânica, para que isso ocorra se faz necessário o desmame dos parâmetros ventilatórios, alteração na modalidade ventilatória e extubação do paciente7.

Dessa forma essa pesquisa tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica, e destacar a importância da Fisioterapia em Cuidados Paliativos, quais as decisões e procedimentos realizados pelo fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva.

Materiais e Métodos

O presente estudo se trata de uma revisão sistemática, tendo base de conhecimento a partir de referências teóricas publicadas em estudos científicos anteriores. Utilizando de uma abordagem qualitativa, bibliográfica e cunho descritivo, aprofundando as informações e o conhecimento sobre o tema exposto.

A pesquisa foi realizada por meio virtual, via internet, utilizando de material publicado nesse meio, em bases de dados referentes na área de saúde: Scientific Eletronic Library (ScIELO), Literatura Latino Americana do Caribe em Ciências e Saúde (LILACS), Instituto Nacional de Câncer Jose de Alencar da Silva (INCA), Ministério da Saúde (MS), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), PubMed, sendo captado artigos científicos, trabalhos de conclusão de cursos de doutorado, mestrado e especialização, Ebook, cartilhas e documentos científicos.

Foi utilizado descritores como: Unidade de Terapia Intensiva, UTI, Fisioterapia, Fisioterapia Paliativa, Cuidados Paliativos, Extubação Paliativa, mas a pesquisa foi realizada utilizando os termos isolados e posteriormente a associação entre eles.

Foi incluído publicações dos últimos 10 anos, em português e inglês, através das bases de dados já citadas. Na pesquisa o material selecionado inicialmente pelo título, posteriormente pelo ano da publicação, pelo resumo, os que abordaram o tema deste estudo, foram lidos na íntegra buscando sintetizar e responder a problemática deste estudo, o que a literatura aborda sobre a Fisioterapia Paliativa na Unidade de Terapia Intensiva, Cuidados Paliativos, Extubação Paliativa.

Foram coletados vinte e três (23) documentos científicos coletados para pesquisa quinze (15) foram excluídos e oito (8) foram colocados para formulação e escrita dos resultados encontrados, culminando com a conclusão do artigo.

Figura 1- Fluxograma da seleção dos artigos

Autores Titulo Objetivos Métodos Resultados Conclusão
Barreto;
Bueno;
Vitti;
Serrão
Junior
Cuidados Paliativos
em terapia
intensiva: uma
revisão integrativa
de literatura
Analisar por meio
de uma revisão
integrativa da
literatura, o que
vem sendo
discutido sobre os
benefícios da
abordagem dos
Cuidados Paliativos
dentro da Unidade
de Terapia
Intensiva adulto,
quais as suas
limitações atuais e
quais os protocolos
utilizados nos
últimos cinco anos.
Revisão
integrativa de
literatura entre os
períodos de
2014-2018
26 Trabalhos
selecionados;
4 Trabalhos excluídos;
16 Utilizados.
A utilização dos Cuidados Paliativos se mostrou
positiva no ambiente da Unidade de Terapia Intensiva,
diminuindo o uso do suporte artificial de vida e dando
melhor qualidade dos cuidados de fim de vida prestados
aos pacientes. Porém o ambiente da Unidade de Terapia
Intensiva ainda tem um objetivo curativista, por falta de
equipes multiprofissional especialista em Cuidados
Paliativos.
Cardoso Extubação
Paliativa: revisão
de literatura
Revisão de
literatura para saber
como e quando
realizar a
Extubação Paliativa
Revisão de
literatura
184 Trabalhos
selecionados;
144 Excluídos em uma
primeira analise, 31
Excluídos em uma
segunda analise;
9 Utilizados.
O estudo concluiu que para se realizar o procedimento
de Extubação Paliativa, se faz necessário ter uma equipe
multiprofissional especializada. E quando o
procedimento ocorre de forma correta e com
profissionais capacitados, tem como resultado melhor
qualidade na hora da morte, alivio e bem-estar ao
paciente.
Coelho;
Yankaskas
Novos conceitos
em Cuidados
Paliativos na
Unidade de Terapia
Intensiva
Foi discutido como
realizar o controle
dos sintomas e o
papel da dieta, da
diálise e da
ventilação
mecânica em
pacientes críticos
com doenças terminais.
Finalmente,
salientaremos como
os sistemas de
cuidados paliativos
e um sistema de
hospice podem ser
integrados com a
equipe da Unidade
de Terapia
Intensiva.
Revisão de
literatura
O artigo não especifica
quantos artigos foram
capitados para a
realização do trabalho.
Foi possível perceber que a mortalidade nas unidades de
terapia intensiva permanece elevada, e as equipes de
profissionais de saúde das unidades de terapia intensiva
constantemente enfrentam situações complexas, nas
quais o tratamento e as medidas de suporte avançado de
vida não atingem os objetivos de evitar a morte, nem
respeitam a vontade dos pacientes e seus familiares.
Precisamos estar preparados para discutir com os
pacientes e suas famílias as limitações da tecnologia para curar e também proporcionar cuidados de conforto.
Por esse motivo se faz necessário que os hospitais
desenvolvam protocolos para situações de conflito que
envolvam as especialidades
Lacerda;
Silva;
Brandão;Forte;
Besen
Retirada da
ventilação
mecânica como
procedimento paliativo em uma
unidade de terapia
intensiva brasileira
Caracterizar
pacientes com
Ventilação
Mecânica Invasiva admitidos a uma
única unidade de
terapia intensiva
(Unidade de
Terapia Intensiva)
com uma decisão de
limitar ou retirar
terapias de suporte
de vida,
comparando os
pacientes que foram
submetidos à
retirada da
ventilação
mecânica com os que não tiveram
retirada da
ventilação
mecânica.
Estudo de coorte
retrospectivo,
realizado entre
janeiro de 2014 e dezembro de
2018.
Dentre 282 pacientes
com limitações a terapias
de suporte à vida, 31
(11%) foram submetidos à retirada da ventilação
mecânica. Não houve
diferenças iniciais entre
os grupos. As taxas de
mortalidade na unidade
de terapia intensiva e no
hospital foram,
respectivamente, de 71%
versus 57% e 93% versus
80%, entre os pacientes
submetidos à retirada da
ventilação mecânica e os
que não o foram. O
tempo mediano de
permanência na unidade de terapia intensiva foi de
7 versus 8 dias (p = 0,6),
e o tempo de
permanência no hospital
foi de 9 versus 15 dias
(p = 0,015). A
mortalidade hospitalar
não foi significantemente
diferente (25/31;
81% versus 29/31; 93%;
p = 0,26) após o
pareamento. O tempo
mediano desde a retirada
da ventilação mecânica
até o óbito foi de 2 dias [0 – 5] e 10/31 (32%) dos
pacientes morreram
dentro de 24 horas após a
retirada dessa ventilação.
Concluísse que a remoção da ventilação mecânica não
está associada ao aumento da mortalidade no ambiente
hospitalar, em comparação aos pacientes ventilados
com terapias limitadas de suporte a vida que foram extubados, mas percebesse que o tempo de internação
hospitalar foi reduzido. As taxas de mortalidade se
assemelhou ao dos países desenvolvidos, pois a
aceitação dos familiares e pacientes contribuíram para
esse resultado. Porém os autores ressaltam que se faz
necessário a realização de estudos do tipo multicêntrico
no Brasil.
Louro;
Paiva;
Estevão
Extubação Paliativa
em pacientes
terminais: revisão
integrativa
O objetivo deste
estudo é realizar
uma revisão
integrativa
e
analisar/apresentar
o impacto da
Extubação Paliativa
em pacientes
terminais.
Foi realizado
busca de artigos
em bases
eletrônicas,
realizadas no
período de junho
de 2019. Não foi
escolhida uma
data para corte
devido à baixa
quantidade de estudos
disponíveis. Os
artigos utilizados
foi de 2001 a
2019.
Foram coletados 44
antigos científicos;
29 artigos foram
excluídos;
15 artigos foram
utilizados na pesquisa
Os autores relataram que mesmo sendo realizado a
pesquisa com um pequeno número de estudos, foi
possível observar que a Extubação paliativa se faz
eficaz para os pacientes. Tais dados foram relatados
pelos familiares, pois os mesmos observaram que aos
pacientes submetidos a esse procedimento tinham uma
melhor qualidade de vida e uma morte mais tranquila e
sem mais sofrimentos.
Andrade;
Sera;
Yasukawa
O papel do
fisioterapeuta na
equipe
Descrever a atuação
do Fisioterapeuta
no meio dos
Cuidados
Paliativos.
Capitulo escrito
no Manual de
Cuidados
Paliativos-
ANCP, 2012.
É descrito do documento
várias técnicas que é
utilizada pelo
Fisioterapeuta, com o
objetivo de ofertar
conforto dos sintomas e
qualidade nos
procedimentos
realizados.
É papel do fisioterapeuta instituir um plano de
assistência que ajude o paciente a se desenvolver o mais
ativamente possível, facilitando a adaptação ao
progressivo desgaste físico e suas implicações
emocionais, sociais e espirituais, até a chegada de sua
morte.
Natividade
;
Coelho;
Aguiar;
Da Silva;
Silva;
Soeiro
Extubação
Paliativa: reflexões
bioéticas sobre
cuidados em fim de
vida
Discutir sobre a
Extubação Paliativa
no âmbito dos
cuidados em saúde,
eixo de discussão as
contribuições da
bioética.
Estudo
bibliográfico
realizado por
revisão narrativa.
A pesquisa ocorreu no
período de outubro de
2019 a fevereiro de 2020.
Foi selecionado 40
artigos publicados em
periódicos;
4 eram manuais sobre o
tema;
3 resoluções do Conselho
Federal de Medicina;
2 capítulos de livro e o
atual Código de Ética
Medica.
Extubação Paliativa é um procedimento já realizado em
todo o mundo, mas no Brasil ainda é pouco utilizado,
como também há poucas pesquisas sobre a temática. E
existe os valores morais e religiosos que tem grande
influência em nosso País.
Nunes;
Biazus;
Moretto
A fisioterapia no
Cuidado Paliativo de pacientes com
neoplasia maligna
afetados pela
Síndrome de
Imobilismo
Mostra a atuação da
fisioterapia com diversas técnicas e
recursos no
Cuidado Paliativo
ao paciente com
neoplasia maligna,
acometido pela
síndrome do
imobilismo.
Capitulo do Ebook,
O cuidado na
multidimensiona
lidade do
envelhecimento
humano; 2015.
O autor relata que o
fisioterapeuta é um dos profissionais que atua de
forma direta na
intervenção do paciente
oncológico, não só
durante o período de
reabilitação, mas também
na fase paliativa da
doença.
A fisioterapia tem papel importante nos Cuidados
Paliativos, pois atua utilizando, além de técnicas mecânicas, mas técnicas manuais que também agem no
sistema neuropsíquico, otimizando e humanizando o
atendimento aos pacientes em estágio terminal.
Rebelatto Análise descritiva
dos pacientes
submetidos à
Extubação Paliativa
Avaliar o perfil
clínico
demográfico dos
pacientes
extubados
paliativamente na
Unidade de Terapia Intensiva do
Hospital
Universitário da
Universidade
Federal de Santa
Catarina
(HU/UFSC)
Dissertação de
mestrado
profissional
Estudo de Coorte
histórico, cujos
dados foram coletados através
das fichas
preenchidas por
médicos
intensivistas.
Incluídos os
pacientes que
morreram na
UTI/HU/UFSC,
após indicação
de Limite de
esforço
terapêutico, entre
janeiro/2011 e
dezembro/2014.Foram
selecionados os
pacientes que
foram ExPl,
sendo anotados
seus dados
clínicos e
epidemiológicos
Limite de esforço
terapêutico foi apontado
em 374 (53,8%)
pacientes, sendo 23
(6,1%) ExPl. A média da
idade dos ExPl foi de
73,8 anos, 10 tinham mais de 60 e 9 mais de 80
anos. Dez (43,4%)
pacientes já haviam sido
internados previamente
na unidade de terapia
intensiva. O tempo médio
entre a internaçãoextubação
foi 4,4 dias e
entre extubação-morte
foi de 2,5 dias. Doença
neurológica foi a
principal causa da morte
dos pacientes ExP1.
Todos os familiares
estavam cientes da extubação. Familiares de
2 pacientes
acompanharam a
extubação. Morfina foi a
medicação analgésica
mais prescrita.
Os pacientes que foram ExPl eram mais idosos,
acometidos preferencialmente por doenças
neurológicas e o tempo médio entre a extubação e o
óbito foi de 2,5 dias.

Discussão

Após a coleta de dados, foi possível identificar a importância dos Cuidados Paliativos na UTI e os benefícios da utilização da Extubação Paliativa para os pacientes, foi possível observar a importância do Fisioterapeuta como membro fundamental da equipe multidisciplinar.

Destaca-se a importância dos Cuidados Paliativos o ambiente de terapia intensiva, pois aumenta a qualidade dos cuidados de fim de vida, que é prestado aos pacientes que não tem possibilidade de cura. A utilização dos protocolos de Cuidados Paliativos contribui de forma positiva para a rede hospitalar, gerando redução nos gastos hospitalares, pois, os pacientes terão qualidade no cuidado de fim de vida, com menor permanência na unidade de terapia intensiva o que também diminuirá o tempo de uso da ventilação mecânica invasiva e procedimentos invasivos2.

A técnica de Extubação Paliativa que é utilizada mundialmente, pois ocorre a retirada do suporte de vida e apresenta resultados bem-sucedidos. A Extubação Paliativa é utilizada quando a doença já não apresenta mais objetivo de cura, dessa forma se realiza a técnica para diminuir o sofrimento do paciente8.

O preparo do paciente para que a Extubação Paliativa seja segura para o paciente, familiar e profissionais. O preparo inicia pela equipe multidisciplinar, que irá oferecer uma assistência digna ao paciente até o fim da vida, desconectar os monitores, medicamentos desnecessários, alimentação enteral deve ser retirada 12 horas antes do procedimento e retirar bloqueadores neuromusculares. Deve ser garantido ao paciente medicação endovenosa para controle ou alivio dos sintomas que ocorre diante da remoção da ventilação mecânica invasiva, os sintomas mais comuns durante o processo de morte ativa é a ansiedade, dispneia ou agitação, como forma de tratamento pode utilizar opioide,
benzodiazepínico ou sedação paliativa9.

Os cuidados ofertados ao paciente levam além de conforto para o mesmo também ofertam segurança para os familiares e o controle dos sintomas, evita o procedimento de reintubação. Os dados coletados no seu estudo avaliaram que, os pacientes que tiveram a remoção da ventilação mecânica invasiva tiveram a mortalidade mais elevada na UTI, porém quando comparado o número de óbitos dos pacientes submetidos a Extubação Paliativa o número de óbitos hospitalares se igualaram10.

O tempo de morte do paciente pode oscilar, pois dependerá da gravidade da doença e não só da retirada do suporte ventilatório, o tempo de vida até o óbito foi em média 24 horas, porém em pacientes mais graves que estavam em uso de ventilação com oferta de FiO2 maior que 70% e uso de vasopressores se levou um tempo menor para o óbito. Após a retirada do tubo orotraqueal, os pacientes podem evoluir com edema de glote, hipersecreção ou obstrução das vias aéreas o que pode contribuir para o desconforto respiratório após a Extubação11.

Dessa forma a fisioterapia utiliza de conhecimentos e recursos próprios para tratar desordem psíquicas, sociais e físicas do paciente. O fisioterapeuta é um membro da equipe multidisciplinar, a sua atuação é dada desde a avaliação especifica com o objetivo de utilizar recursos, técnicas ou exercícios, para proporcionar alívio de sintomas, além da
assistência a família em enfrentar o luto de uma forma mais confortável12.

Mas, o fisioterapeuta raramente é envolvido nas reuniões da equipe multidisciplinar e dos familiares, o que levaria a falta de interesse de participar desse procedimento, porém muitos dos sintomas que acontecem no procedimento de Extubação Paliativa como desconforto respiratório, acumulo de secreção, dispneia, poderiam ser evitados. O seu estudo mostrou que em alguns hospitais os fisioterapeutas participaram do procedimento e os mesmos acharam de grande importância a participação a sua atuação, pois a sua presença melhora a qualidade de vida do paciente e leva alivio no fim da vida, mas se faz necessário a padronização de protocolos de atendimento para essa população11.

Porém, existe a importância da equipe multidisciplinar, onde o fisioterapeuta integra a mesma, e listam como é importante utilizar de técnicas que reduza a secreção oral após a extubação, realizar a elevação da cabeceira do leito entre 35-45°, realizar desmame de oxigênio para respiração em ar ambiente, iniciar a redução dos parâmetros ventilatórios em 50%. Durante o processo de extubação se o paciente se mostrar confortável, evoluir com a redução da pressão de suporte e pressão positiva expiratória final observando se o mesmo não irá apresentar desconforto, paciente evoluído confortável é possível realizar a extubação, após o procedimento pode ser ofertado oxigênio via mascara reservatório com umidificação além da associação de opiodes9.

Por esse motivo o fisioterapeuta pode atuar com técnicas que tenha ação direta no sistema respiratório, cardiovascular, neuropsíquico e na dor. Para o sistema respiratório pode se utilizar oxigenioterapia, técnicas de higiene brônquica, para diminuir a dor e o desconforto, no sistema cardiovascular pode ser utilizado de métodos profiláticos como drenagem linfática em membros inferiores, elevação dos membros e o uso de bandagens elásticas, no sistema neuropsíquico pode ser utilizado de massoterapia para induzir o relaxamento muscular, diminuindo estresse e a ansiedade, na dor, o fisioterapeuta pode utilizar de recursos analgésicos como eletroterapia, termoterapia, massoterapia ou crioterapia13.

A técnica de remoção da ventilação mecânica pode ser realizada pelo profissional intensivista, podendo ser realizado o procedimento com a remoção imediata da ventilação ou realizar um desmame ventilatório, diminuindo de forma progressiva os parâmetros ventilatórios e por fim ocorre a retirada do tubo orotraqueal e a ventilação mecânica é
desligada. Mesmo sendo um procedimento que traz benefícios para o paciente e os familiares envolvidos ainda é uma técnica pouco realizada no Brasil devido tabus religiosos, familiares e a falta de informação e a preparação da equipe para o procedimento14.

Pois o maior estresse para realização da Extubação Paliativa está ligado inicialmente aos familiares dos pacientes, e posteriormente os mesmos relataram sintomas de depressão, o fator cultural e religioso influência na decisão da técnica, pois ainda é vista como distanásia. Quando se fala dos profissionais da saúde os mesmos apresentam muita resistência a realização do procedimento, pois eles realizam a associação de bem-estar do paciente ao suporte de oxigênio e a sua retirada causa dispneia e desconforto, a falta de preparação da equipe com fundamentação teórica faz com que os profissionais associem a retirada da ventilação mecânica com eutanásia15.

Referências Bibliográficas

1 Costa SP, Sacheti L, Cassemiro M, Pietro P. Enfermeiro no âmbito da gerencia na Unidade de Terapia Intensiva: uma revisão integrativa, Revista Gestão e Saúde. 2019; 21 (1): 23- 33.

2 Barreto TL, Bueno LR, Vitti JD, Serrão Junior NF. Cuidados Paliativos em terapia intensiva: uma revisão integrativa de literatura, Revista Interdisciplinar de Promoção da Saúde. 2020; 3 (2): 75- 82.

3 Santos DCL, Silva MM, Moreira MC, Zepeda KGM, Gaspar RB. Planejamento da assistencia ao paciente em Cuidados Paliativos na terapia intensiva oncológica, Acta Paul Enferm. 2017; 30 (3): 295-300.

4 INCA- Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Cuidados Paliativos. 2021.

5 Matsumoto DY. Cuidados Paliativos: conceito, fundamentos e princípios. Paliativos, Academia Nacional de Cuidados. Manual de Cuidados Paliativos ANCP. 2. Ed.São Paulo: Solo Editora & Design Gráfico, 2012. Cap. 1. p. 1-592.

6 ANCP- Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Manual de Cuidados Paliativos. 2. Ed.São Paulo: Solo Editora & Design Gráfico, 2012. Cap. 1. p. 1-592.

7. Peixoto FM, Nascimento, FBS, Paschoini BAS, Santana DSP. Os benefícios da Extubação Paliativa na qualidade de morte. Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social. 2020; 8 (2): 306-314.

8 Cardoso MS. Extubação Paliativa: revisão de literatura. DSpace Repository. 2020; 1: 1-31.

9 Coelho CBT, Yankaskas JR. Novos conceitos em Cuidados Paliativos na Unidade de Terapia Intensiva. Revista Brasileira Terapia Intensiva. 2017; 29 (2): 222- 230.

10 Lacerda FH, Checoli PG, Silva CMD, Brandão CE, Forte DN, Besen BAMP. Retirada da ventilação mecânica como procedimento paliativo, em uma unidade de terapia intensiva brasileira. Revista Brasileira Terapia Intensiva. 2020; 32 (4): 528-534.

11 Louro B, Paiva BKR, Estevão a. Extubação Paliativa em pacientes terminais: revisão integrativa. Revista Brasileira de Cancerologia. 2020; 66 (4): 1-8.

12 Andrade BA, Sera CTN, Yasukawa AS. O papel do fisioterapeuta na equipe. Manual de Cuidados Paliativos ANCP. 2012; 2: 353-357.

13Nunes RB, Biazus M, Moretto CF. A fisioterapia no Cuidado Paliativo de pacientes com neoplasia maligna afetados pela Síndrome de Imobilismo. O cuidado na multidimensionalidade do envelhecimento humano, Livraria e EditoraMéritos Ltda.2015, 123-139.

14 Natividade TSS, Coelho PYC, Aguiar DR, Silva GL, Silva RB, Soeiro ACV. Extubação Paliativa: reflexões bioéticas sobre cuidados em fim de vida. Revista Bioética. 2021; 29 (3): 558-566.

15 Rebelatto G. Análise descritiva dos pacientes submetidos à Extubação Paliativa. Repositório Institucional UFSC. 2015: 1-46.

Artigo Publicado: 21/04/2022



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