Digite sua palavra-chave

post

As Afasias

As Afasias

O objetivo deste artigo é o de fornecer ao profissional da área de saúde um conhecimento geral sobre o sujeito afásico permitindo, assim, uma abordagem multidisciplinar.

A afasia se caracteriza por alteração de processos lingüísticos de significação de origem articulatória e discursiva, incluindo aqui os aspectos gramaticais, produzida por lesão focal adquirida no sistema nervoso central, em zonas responsáveis pela linguagem, podendo ou não se associarem a alterações de outros processos cognitivos.

As afasias podem ser decorrentes de lesão corticais ou subcorticais (lesão talâmica esquerda ou gânglio basal) e são classificados como não fluentes (lesão focal em lobo frontal anterior esquerdo) ou fluentes (lesão focal em região temporal posterior ou em lobo parietal esquerdo). As afasias não fluentes seriam as motoras, enquanto que as fluentes seriam as sensoriais. A sintomatologia das Afasias manifestadas pelos pacientes é bastante heterogênea, sendo desta forma importante valorizar o aspecto único, pois há influência de muitas variáveis como:

  • localização;
  • extensão da lesão;
  • variações interpessoais (idade e aspecto sócio-culturais).

A sintomatologia da expressão oral podem ser de redução ou deformação:

  • Redução: exteriotipias, que é um único segmento linguístico evocado toda vez que o paciente tenta se comunicar; agramatismo que é a dificuldade na evocação de frases por ausência de artigos/preposições e conjugação inadequada de verbos; anomia que é a dificuldade na evocação de nomes e etc.
  • Deformação: jargão que é uma enxurrada de sons sem significado, enfim discurso sem mensagem; parafasia que é substituição de uma palavra por outra, que pode acontecer quando se substitui um fonema ou a troca de uma palavra por outra, dentro do mesmo campo categorial. Temos também o neologismo (invenção de palavras).

O comum nas afasias motoras são os sintomas de redução, enquanto que nas afasias sensoriais ocorrem mais os sintomas de deformação.

O fato de classificar a afasia, só nos auxilia na identificação sindrômica do paciente, não trazendo assim esclarecimentos quanto a reabilitação.

Através do advento das técnicas modernas de mapeamento cerebral de eletrocefalografia, e de estudos utilizando tomografia, ressonância magnética é possível desvendar muitos detalhes da representação neural do processamento verbal, que permitem hoje uma melhor compreensão da fisiologia da linguagem. Descobriu-se então que lesões do sistema frontal comprometem também a compreensão da linguagem e por outro lado lesões do sistema temporal comprometem a identificação de classes de nomes e conceitos. Desta forma podemos dizer que toda afasia apresenta alterações do processo de expressão e recepção, sendo que na maioria um dos dois processos é mais significativo.

O importante no processo de investigação (avaliação) é valorizar o conjunto dos sintomas e a partir daí poder entender as alterações manifestadas pelo sujeito afásico.

São muitas as variáveis que vão interferir no prognóstico, sendo elas:

  • etiologia;
  • idade;
  • sistema geral;
  • fatores psicológicos;
  • sócio-culturais;
  • extensão da lesão.

Temos então, que dependendo da causa primária, ou seja, a origem do AVE, TCE, herpes cerebral e etc., haverá diferença significativa na evolução do quadro; assim também como idade, fatores psicológicos sendo o mais comum “a depressão” trarão sem dúvida uma particularidade na evolução do quadro.

Chamo atenção aqui para os casos de múltiplos AVE e a idade avançada, que é o perfil em sua grande maioria, pois a estes a afasia tem caráter particular.

É importante analisar os sintomas levando em consideração o processo de envelhecimento normal da linguagem, ou seja, os que fazem parte da senescência e por outro lado diferenciar as características demenciais. É importante o diagnóstico diferencial, pois este será um marco para a conduta terapêutica adequada.

A conduta terapêutica em afásicos e em demenciados é bastante distinta, o que torna necessário o diagnóstico diferencial, que é realizado através de uma avaliação de linguagem e avaliação médica. Como a maior parte dos afásicos são de terceira idade, e muitas vezes com história de múltiplos AVE, é importante valorizar uma investigação detalhada, para uma adequada condução terapêutica.

Dependendo da precocidade do encaminhamento, a freqüência de estimulação diária é indicada, pois esta terá como objetivo a reorganização da linguagem e orientação a familiares quanto a estimulação do meio.

O importante na reabilitação é oferecer ao afásico uma linguagem funcional, pois o mais importante é que ele consiga se comunicar mesmo que seja através de meios alternativos. Pois só assim ele será visto pela sociedade como um “sujeito”, e o fonoaudiólogo terá que buscar sempre dentro da deficiência a eficiência. Outro aspecto importante, é a terapia em grupo, que tem como proposta a socialização, conversação e atualização sobre noticiários, proporcionando assim a estes sujeitos um espaço para ser ouvido e também a aprender a ouvir.

O tratamento de um afásico há de ter o caráter interdisciplinar e para um conhecimento profundo da afasia, se faz necessário o estudo de várias disciplinas, como: lingüística, neuropsicologia, neurologia, psicologia e etc. O importante é tentar entender o porque das alterações para a partir daí eleger estratégias de intervenção.

Abaixo estão relacionadas algumas orientações quanto ao falar, ouvir e entender o sujeito afásico.

  • Falar um de cada vez, quando se tem mais de um interlocutor.
  • Falar de maneira objetiva, sem ser artificial e se necessário fazer uso de gestos e expressão facial.
  • Se necessário, repetir quantas vezes o paciente necessitar a solicitação verbal.
  • As vezes o uso da escrita beneficia a compreensão (escrever a solicitação por escrito).
  • Não falar alto e sim manter uma articulação clara e pausada.
  • Ter disponibilidade para ouvir o paciente e tentar mediar com recursos alternativos.
  • Quando não o entende, transmita a ele que você não o entendeu. Nunca tente adivinhar o que ele diz.
  • Devolva a ele sempre o que você entendeu, e caso não seja correto mantenha estabilidade psicomotora e tenha muita disponibilidade.
  • Favoreça sempre a comunicação, mesmo que seja de forma alternativa (escrita, programas específicos, gestos e etc).

 



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

×
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.