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Analise Ergonômica do Trabalho: Setor de Corte

Analise Ergonômica do Trabalho: Setor de Corte

Introdução
Ergonomia: Por definição dos radicais temos ‘ergon’, que significa trabalho, e ‘nomos’, que significa leis, normas e regras (as normas para o trabalho).
Do ponto de vista técnico, entende-se por ERGONOMIA o conjunto de parâmetros que devam ser estudados e implantados de forma a permitir a adaptação das condições de trabalho às características físicas, psíquicas e cognitivas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente, sem que o trabalho ou o ambiente venham a serem fontes de doenças. Gera retorno financeiro para empresa, pois diminui gastos com despesas médicas, absenteísmo.

Gera subsídios para a formulação de normas relacionadas com:
1) Levantamento, transporte e descarga individual de materiais;
2) Mobiliário do posto de trabalho;
3) Equipamentos do posto de trabalho;
4) Condições ambientais;
5) Organização do trabalho.

Estuda vários aspectos, dentre eles:
a) interfaciais (adaptação a superfícies, apoios e alcances da interface homem x máquina),
b) posturais (sentado, semi-sentado, em pé, empurrando, puxando, levantando carga, etc),
c) psicológicos (emocionais e cognitivos),
d) arquiteturais – espaciais,
e) físico/químico – ambientais (ruído, vibração, iluminação, clima, agentes químicos, partículas em suspensão, temperatura),
f) informacionais, psicofisiológicos, cognitivos (captados pelos sentidos e processados pelo cérebro),
g) organizacionais (cargos, tarefas, organização e metodologia do trabalho).
As grandes áreas da ergonomia aplicadas ao trabalho são:

 

Ergonomia Física

Ergonomia no Esforço Físico
Trata-se de planejar o sistema de trabalho em atividades pesadas, ou seja, atividades de alto dispêndio energético, no sentido de que não sejam fatigantes; a fadiga decorrente da atividade fisicamente pesada é aquela que vem com acúmulo de ácido lático no sangue, com a possibilidade de acidose metabólica; nesta área da ergonomia,
também estudamos o trabalho em ambientes de altas temperaturas, devido à enorme frequência com que o trabalho pesado é complicado pelas condições adversas de temperatura do ambiente, analisamos a movimentação manual de materiais, o confinamento, pressão e transporte de carga.

Biomecânica Ocupacional
Biomecânica significa o estudo dos movimentos humanos sob a luz da mecânica; esta é, sem dúvida, a área de maior aplicação prática da ergonomia em relação ao trabalho.
Nesta área estudamos a coluna vertebral humana e a prevenção de lombalgias; as posturas no trabalho e a prevenção da fadiga e outras complicações; a mecânica dos membros superiores e as causas de tenossinovites e outras lesões por traumas cumulativos e ainda, estudamos o que acontece com o ser humano quando trabalha na posição sentada e de pé.

Antropometria Funcional
Através da antropometria pode-se medir as dimensões humanas e seus ângulos de conforto e desconforto, e com base nisso, planejar postos de trabalho corretos, tanto para se trabalhar sentado quanto para se trabalhar de pé e semi-sentado, tanto para o trabalho leve como para o trabalho pesado, etc. Como regra básica, a ergonomia se
contenta quando se consegue planejar um posto de trabalho/condição de trabalho que atenda a 90% da população, e para isso, o conhecimento do padrão antropológico da população trabalhadora se constitui em item fundamental.

Ergonomia Cognitiva

Prevenção do Stress Psíquico no Trabalho
A ergonomia atua na prevenção da fadiga física e da fadiga psíquica; neste caso, procura-se entender a fundo porque o trabalhador entra em fadiga, e a ergonomia propõe regras capazes de diminuir ou compensar os fatores de tal sobrecarga.

Prevenção do Erro Humano
É uma área que procura adotar as medidas necessárias para que o indivíduo acerte no seu trabalho. Naturalmente, nem toda forma de erro humano é devida a condições cognitivas ergonômicas adversas, porém elas constituem em causa relativamente frequente de erro humano; e conhecer as regras norteadoras para aumentar a confiabilidade humana no desenho de painéis e de demais elementos do posto de trabalho se constitui mandatório, principalmente quando a ocorrência de erro pode originar tragédias, por exemplo, na condução de aeronaves ou mesmo na supervisão do funcionamento de uma planta química perigosa.

Ergonomia Organizacional
Concerne à otimização dos sistemas sócio técnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevantes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de tripulações (domínio aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações em rede, tele trabalho e gestão da qualidade.

Ergonomia de Concepção
Permite agir desde a fase inicial, sobre um produto ou posto de trabalho, criando condições de trabalho adaptadas e perspectivadas no sentido da eficácia, da segurança e do conforto.

A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é a apreciação preliminar do Posto de Trabalho, do Ambiente e da Tarefa, objetivando detectar possíveis riscos e desconfortos ao trabalhador. Os problemas são classificados, criticados e apresentados para priorização de soluções ou conhecimento do grau de risco ergonômico.

Objetivo, Metodologia e Corpo Técnico

Objetivo
Apresentar os principais aspectos relacionados com as condições de trabalho dos funcionários da empresa, relacionando-os com os possíveis Custos Humanos originados de seus impactos, constantes das Normas Vigentes;
Propor soluções para eliminação ou redução dos riscos encontrados.

Metodologia
Análise Ergonômica do trabalho foi realizada através de observação do posto de trabalho, utilizando ferramentas como fotos, vídeos, questionários, check list, avaliação antropométrica e avaliação biomecânica.
Esta Analise visa esclarecer as demandas trazidas inicialmente, definir a natureza dos problemas, propor recomendações de mudanças uteis, práticas e adequação as normas e dispositivos legais.

Corpo Técnico
Dra. Adriana Rocha – Fisioterapeuta do trabalho e Ergonomista
Dra. Camila Gasoni – Fisioterapeuta do trabalho e Ergonomista
Dra. Márcia Barreto – Fisioterapeuta do trabalho, Ergonomista e Tec. Segurança do trabalho.

Justificativa da demanda
Atendimento NR 17

Empresa solicitante
Razão social: FLOR D´ELIS CONFECÇÃO DE ROUPAS
CNPJ: 12.219.860/0001-08
Endereço: Rua Amadeu Lara 1185 – Galpão, Centro – Nilópolis – RJ.
CEP: 26540-140
Tel.: 2791-5433
CNAE: 14.11-8-01
Atividade: confecção de malharias
Grau de risco: 2
Nº total de funcionários na unidade: 16
Efetivo: Masculino: 02 Feminino: 14

Característica

Empresa do ramo de confecção em malharia, atuando no mercado de trabalho aproximadamente 3 anos. Confeccionando roupas para vendas em estabelecimentos próprios: 2 lojas em Nilópolis, 2 em Nova Iguaçu, 1 Cabo Frio, 2 lojas no feirão das malhas em Duque de Caxias e possuem vendedores externos. Possui 3 concorrentes nas proximidades.

Horário de funcionamento
Administrativo: 07:00 às 17:00 hs
Almoço: 1 hora de almoço
Lanche: 15:00 às 15:15 h

Setor de corte

Trabalho prescrito
Programam riscos por processo manual ou digital, enfestam e cortam tecidos e não tecidos, preparam lotes e pacotes para o setor de costura de roupas. Distribuem peças cortadas para as costureiras, retiram, revisam, contam e dobram peças acabadas. Trabalham em conformidade as normas técnicas de qualidade, meio ambiente e saúde.

Trabalho real

Recebe mercadorias, verifica nota fiscal, anota os modelos e a quantidade e leva para o escritório. Calcula o valor de cada peça para diminuir o custo; não pega peso, trabalha o tempo todo em pé e às vezes sobe em cima da bancada para riscar os moldes no meio do papel. Risca o molde, enfesta e depois corta o tecido, separando as peças.

Equipamentos e mobiliários

1 bancada de 8,23 metros de comprimento e 1.90m de largura, tesoura, piloto, régua, papel manteiga, molde de papel, máquina de corte e contra peso.

EPI
Não utiliza

Apresentação
Análise Ergonômica do Trabalho
É uma recomendação da NR-17 (Norma Regulamentadora), que constitui num meio a serviço de um laudo de uma recomendação de melhoria. (Couto, 1995).

Adaptação das Condições de Trabalho
Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a Análise Ergonômica do Trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho conforme estabelecido nesta norma regulamentadora.

[Características do ambiente de trabalho/posto
Setor de Corte
O setor de corte localiza-se no 1º andar em um salão grande, onde o posto é dividido em duas bancadas de corte, setor de arremate e controle de qualidade das peças, existe ainda no 1º andar a sala da administração, banheiro masculino e feminino, sendo que o feminino existe chuveiro para higienização dos colaboradores, e ainda uma copa
improvisada.
Teto rebaixado com isopor, ventilação ambiente através de uma janela e um ventilador e uma abertura que dar acesso ao banheiro e a copa, por onde também entra ar. Existe ainda no posto um splinter desligado, iluminação fria com lâmpada fluorescente, instalação elétrica no teto juntamente com a instalação de iluminação. Piso de coloração verde de concreto alisado. Escada de acesso ao 1º andar é de concreto.

Colaboradores

Existem no setor de corte dois colaboradores do sexo masculino, há um bom relacionamento entre os mesmo. Eles não foram treinados para a realização da tarefa e também, não participam de nenhum programa da saúde do trabalhador e qualidade de vida.
São sedentários.

 Agravantes na Execução da Tarefa

Pressão Temporal
Não existe pressão temporal, pois eles não sofrem pressão por produtividade. Do Corpo Humano
O colaborador realiza suas atividades laborais de pé e se movimentando o tempo. Sobrecarregando algumas vezes a coluna vertebral, membros superiores e membros inferiores.

Da coluna vertebral
Coluna cervical flexionada, chegando aproximadamente a 40º de flexão, durante o processo de riscar o molde e em alguns momentos durante o corte. E durante a maior parte do corte, mantém a coluna cervical em hiperextensão.

Tronco em flexão
Chegando algumas vezes em ângulo de 90º, inclinação lateral, região abdominal a todo momento em contato com a quina viva da bancada.

Membro Superior Esquerdo
O colaborador trabalha a maior parte do tempo com o braço flexionado a 90º, cotovelos estendidos, antebraço em pronação, mão espalmadas com dedos abduzidos.

Membro Superior Direito
Braço em flexão com abdução no ângulo de 90º, cotovelos a maior parte do tempo fletido, mas ao decorrer do corte realiza extensão completa, antebraço em posição neutra, dedos da mão em flexão palmar e dedo indicador estendido e ligeiro desvio radial do punho.

Membro Inferior Esquerdo
Em extensão, com o pé oscilando em apoio no chão e apoio em ante-pé

Membro Inferior Direito
Em extensão, chegando a algumas vezes ficando em elevação e abduzido, pé em alguns momentos elevados e a maior parte do tempo apoiado sobre o ante-pé.

Do Trabalho Cognitivo
A atividade cognitiva é bastante exigida, pois o colaborador não pode errar se não estraga a peça e consequentemente a produção.

Dos Fatores Organizacionais
Observa-se falta de organização no ambiente de trabalho, pois os rolos de tecidos
encontram- se no chão e embaixo da bancada de serviço, podendo ocasionar um
acidente.

DIAGNÓSTICO

Pressão temporal
Inexistente. O colaborador tem autonomia para realizar sua tarefa sem exigência de
produtividade. Não tem ciclo de repetitividade.

Do ambiente de trabalho
Posto de trabalho amplo, com espaço suficiente para realização da tarefa. Porém
desorganizado.

Do corpo humano
O corpo humano nesse posto de trabalho é muito exigido, haja vista que o colaborador
trabalha em pé se movimentando o tempo todo e adota uma postura desalinhada,
sobrecarregando bastante os membros e coluna.

Membro Superior Direito

É o mais solicitado, pois o colaborador trabalha boa parte do tempo com flexão e
abdução do braço no ângulo de 90º, movimenta o membro a todo o momento durante
sua tarefa. Oscila bastante o movimento do braço, cotovelo e mão. Pega o piloto para
riscar o molde, segura a máquina para o corte, desenrola o tecido para enfestar.

Membro Superior Esquerdo
Também bastante solicitado durante a tarefa de cortar e enfestar e riscar o molde. O braço se mantém a maior parte do tempo fletido e abduzido, só que abaixo de 90°, cotovelos estendidos e mãos espalmadas sobre o tecido.
Apoia o tecido na hora do corte, segura a régua para riscar o molde, pega o molde com a mão esquerda e retira as peças que já foram cortadas.

Coluna Vertebral
Muito solicitada, pois o colaborador mantém o seu tronco a maior parte do tempo flexionada sobre a bancada, a coluna cervical se apresenta flexionada no momento de riscar o molde e em hiperextensão durante o corte.

Membros Inferiores
Bastante exigido, como o trabalhador realiza o seu trabalho de pé, e muitas vezes apoiando o peso de seu corpo em único pé ou perna, ele pode apresentar dores nos membros inferiores.

Trabalho Cognitivo
O colaborador necessita ter muita atenção na realização do seu trabalho, a parte cognitiva é muito exigida, pois ele não pode errar se não estraga todo o seu trabalho.

Fatores Organizacionais
Ambiente de trabalho desorganizado, apresentando rolos de tecidos no chão e retalhos que podem ocasionar acidentes. Há quebra de produtividade, pois o próprio colaborador tem que retirar e amarrar os moldes que já foram cortados.

RECOMENDAÇÕES POSTURAIS
– Evitar flexionar o tronco sobre a bancada;
– Evitar o contado do abdômen com a quina viva da bancada;
– Manter os dois pés no chão;
– Evitar apoiar o peso do corpo em uma só perna;
– Evitar esticar demais o membro superior para cortar a peça e pegar um objeto;
– Realizar micro pausas e praticar exercícios de alongamento, no próprio posto de trabalho.
– Evitar ficar agachado sobre a bancada para cortar os moldes.

CONCLUSÃO
Após a avaliação do posto de trabalho do setor de corte de de uma confecção de roupas e ter seguido as orientações da NR-17 , os resultados obtido com os check list e a ferramenta RULA , obtivemos como escore final 7. Orientamos a investigar e mudar imediatamente os fatores de riscos que podem ocasionar lesão na coluna vertebral e membros superiores do colaborador.
Foi sugerido que trocasse a bancada de corte por uma com borda arredondada e com uma largura menor para evitar posturas inadequadas dos membros superiores e coluna vertebral. Troca do banco por uma cadeira com encosto. Se possivel trocar a maquina de corte por uma mais moderna e segura, para evitar acidentes . Como também foi sugerido a adequação da parte elétrica de acordo com o estabelecido pela NR-10 e NBR 5410, para evitar incêndio.
Para um maior conforto do trabalhador foi sugerido a colocação de ventiladores ou ligar o ar condicionado existente no local, para melhorar a temperatura local que se encontra muito elevada , o aumento da temperatura diminue a tolerância do trabalhador à atividade física e mental.
Foi orientado pausas para descanso, exercícios de alongamento durante a pausa no próprio local de trabalho, implementação de ginástica laboral, treinamento para realização da atividade laboral e programas de qualidade de vida.



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