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ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE LESÕES EM ATLETAS DE CROSSFIT: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE LESÕES EM ATLETAS DE CROSSFIT: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

Introdução

O CrossFit é um programa de condicionamento e força de alta intensidade, que tem como objetivo criar um modelo de condicionamento físico abrangente, inclusivo e generalizado (GLASSMAN, 2010). A modalidade é formada por “workouts of the day” (WODs). Os WODs são planejados para abranger movimentos funcionais realizados em alta intensidade (MEHRAB et al., 2017). Os WODs são constantemente variados, abrangendo movimentos diversos de
diferentes modalidades como Ginástica Olimpica (pullup, pushup, toes to bar, kneetoelbows, muscleup, hand stand pushup, ropeclimbs, pistol, entre outros), Powerlifting (squat, deadlift, press/pushpress, benchpress), Weightlifting (snatch, clean andJerk), e exercícios aeróbicos (remo, corrida, burpee, saltos, corda, bicicleta, nado, entre outros), e são realizados em menos tempo possível, com pouco ou nenhum tempo de descanso (BIANCHI MARTINS et al., 2018). A maneira em que a lesão é associada ao CrossFit está relacionada a um padrão comum a todas as lesões nas diferentes modalidades esportivas, e depende de fatores intrínsecos e extrínsecos. Os intrínsecos são aqueles ligados ao organismo, como desequilíbrio anatômico e biomecânico, composição do corpo, condicionamento cardiovascular e cardiorrespiratório, densidade óssea e características antropométricas. Já os extrínsecos são aqueles que direta ou indiretamente estão relacionados à preparação ou à prática de Crossfit, envolvem erros de execução e planejamento do treinamento, condicionamento físico, problemas na superfície do treino, duração, força e equilíbrio (FERREIRA et al., 2012). No entanto, dados científicos sobre a prática do CrossFit são escassos. Contudo, dados científicos
FACULDADE REDENTOR INTERFISIO PÓS-GRADUAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA TRAUMATO ORTOPÉDICA E DESPORTIVA
sobre a prática do CrossFit não são abundantes. Logo, o objetivo deste estudo é analisar a epidemiologia das lesões em atletas CrossFit.

Materiais e Métodos

Foi realizada uma consulta na base de dados PubMed, no período de Maio a Junho de 2018, com as palavras-chave CrossFit, Injury e Injuries. Ao encerrar as buscas, um total de 23 (vinte e três) artigos foi encontrado.
Em seguida, foi realizada a leitura do título e do resumo, selecionando os artigos que estabeleciam relação com o objetivo do presente estudo, elegendo o total de 18 artigos.
Posteriormente foi feita a leitura dos artigos por completo, utilizando os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados no período de 2013 a 2018, obter como público alvo praticantes de CrossFit e analisar a incidência e/ou a prevalência de lesão em sua prática. Os critérios de exclusão foram: artigos que não apresentavam a versão completa e artigos do tipo revisão sistemática. 10 artigos foram excluídos por não completarem os critérios de inclusão.
Depois de todos os processos de seleção, 8 artigos foram incluídos na revisão.

 

Resultados e Discussão

O público estudado foi de jovens/adultos, com faixa etária entre 13 e 58 anos. O método utilizado para investigação foi através de questionário, grande parte deles online.
A taxa de incidência de lesões para atletas participantes de CrossFit no estudo de Mehrab et al., (2017) foi de 56,1%. De acordo com o autor, as partes
do corpo mais comumente feridas eram ombro, costas e joelho. No estudo de Weisenthal et al., (2014) os participantes relataram ferir seus ombros, joelhos e lombar mais frequentemente, lesões essas que estariam relacionadas a exercícios de levantamento de peso e movimentos de ginástica, de acordo com relatos dos atletas. Moran et al., (2017) demonstrou em seu estudo que a taxa global de incidência de lesões foi de 2,10 por 1000 horas de treinamento. A parte do corpo mais comumente ferido foi a região lombar, seguida do joelho, punho, coxa, ombro, cotovelo e pé. A maioria das lesões foi categorizada como aguda. Exercícios de levantamento de peso foram citados pelos atletas como causa mais comum de lesão. Injúrias de coluna e ombro também foram as mais frequentes encontradas no estudo de Hopkins et al., (2017), sendo 20,9% e 18,3%, respectivamente de um total de 523 lesões. Montalvo et al., (2017) apresentou 62 lesões em seu estudo. Destacam-se entre as mais comunmente encontradas a lesões no ombro, no joelho e na região lombar. Xavier e Lopes (2017) demonstraram em seu estudo que os locais mais acometidos por injúrias foram o ombro 44,2%, a coluna 40,3% e o joelho 35,1%. Foram significativamente associadas à ocorrência de lesão as variáveis: sexo, tempo de prática de atividades físicas e tempo diário de treino de CrossFit. De acordo com Hak, Hodzovic e Hickey, (2013), um total de 186 feridos foram relatados. 7,0% da amostra sofreram uma lesão que exigiu intervenção cirúrgica. Os locais mais acometidos por lesão foram ombro, coluna, seguidos de braço / cotovelo. Summitt et al., (2016) relatou quarenta e seis casos de lesões de ombro. Os participantes atribuíram as lesões a movimentos de ginástica como a principal causa.
À frente dos resultados, 100% dos autores relataram lesões na articulação do ombro, 90% na coluna e 50% na
articulação do joelho. Alguns associam as lesões diretamente com exercícios específicos de ginastica e levantamento de peso olímpico, dados que corroboram com o estudo de Bukva et al., (2018). É importante a necessidade de realizar os movimentos e os gestos esportivos de maneira correta, para minimizar assim a possibilidade de lesões, pois se trata de uma rotina de exercícios complexos que é realizada enquanto o atleta é levado a uma fadiga muscular. Outra questão fundamental é a presença de um instrutor, pois a falta dele está associada a uma maior incidência de lesões. (WEISENTHAL et al., 2014).
No geral, os atletas da CrossFit são geralmente jovens com prática esportiva anterior. Eles se sentem atraídos por essa modalidade de treinamento dinâmico para promover seu condicionamento físico. A prática de CrossFit por jovens menores de 18 anos pode apresentar um maior risco de lesões, embora Eather, Morgan e Lubans (2016) tenha mostrado que a prática da modalidade é viável e segura e promove melhora do condicionamento físico e a saúde em crianças.
Quando comparado o CrossFit com a modalidade de atividade física mais popular no Brasil, o futebol, observa-se taxas de lesões muito maiores no futebol (de 57% para 61,8%, quase o dobro da incidência de lesões CrossFit) (NILSTAD et al., 2014). Porém a utilização de questionário para avaliar lesões é conflitante, pois muitas lesões podem ser confundidas, omitidas ou até mesmo, por não saberem quem está preenchendo e a veracidade das respostas.

Conclusão

O CrossFit é uma modalidade que está sendo focada no condicionamento físico e se tornando popular em eventos competitivos. Conclui-se que a incidência de lesões na prática de CrossFit foram baixas quando comparadas a outros esportes. O número de lesões aumentará consequentemente de acordo com o aumento gradual no número de atletas. Fisioterapeutas, médicos do esporte e ortopedistas devem tomar conhecimento desta nova modalidade, dos mecanismos de lesões e do gestual, para que possam avaliar e tratar seus pacientes de forma adequada.



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