Digite sua palavra-chave

post

Abordagem Fisioterapêutica com Ênfase no Treinamento do Equilíbrio em Paciente Portador de Alzheimer

Abordagem Fisioterapêutica com Ênfase no Treinamento do Equilíbrio em Paciente Portador de Alzheimer

Em um futuro próximo, teremos um acentuado crescimento do número de pessoas cada vez mais idosas, que podem atingir 80, 90 anos ou até mais, em estado satisfatório de saúde física e mental.

Considerando-se os dados epidemiológicos atuais, tem-se que a população idosa vem crescendo substancialmente nos últimos tempos e que a partir da década de 70 iniciaram-se as modificações no perfil da população brasileira, que vem perdendo sua característica de população jovem [1].

A senescência tem importantes implicações clínicas e sociais, visto que é acompanhada de inúmeras alterações fisiológicas desencadeadoras de declínio funcional [2].

A qualidade da velhice fica por conta das atitudes básicas desenvolvidas em relação às perdas ocorridas nessa etapa, e à natureza dessas perdas.

As quedas incidem sobre o homem nos dois extremos da vida, mas é na senescência que elas causam maiores danos à saúde [3].

A partir do momento que a expectativa de vida do brasileiro aumenta, o mesmo acontece com o número de pessoas que recebem o diagnóstico de Demência de Alzheimer, onde hoje no Brasil estima-se que 1.200.000 pessoas tenham a doença [5]. Fazendo com que a demência passasse a ser um dos mais importantes problemas de saúde pública da atualidade, fato este reconhecido pela OMS – Organização Mundial de Saúde.

As neurodegenerescências, termo atualmente empregado nas pesquisas em neurociência, designam síndromes demenciais de caráter progressivo, de diversas causas, tendo sido associadas comumente ao processo de envelhecimento. A demência de maior incidência em todo o mundo é a Doença de Alzheimer, também conhecida como demência do mesmo nome, onde ocorre um declínio das habilidades intelectuais, como memória, linguagem, percepção, planejamento e alterações das atividades motoras.

A Demência de Alzheimer (D.A.) foi descrita pela primeira vez no ano de 1907, assim como outros quadros demenciais, causam profundas e irreversíveis alterações neuroanatômicas e funcionais.

Nesta patologia, ocorre uma atrofia generalizada do córtex cerebral, com perda neuronal extensa no núcleo basal de Meynert e no hipocampo, além da formação de placas senis e emaranhados neurofibulares.

Apesar de tratar-se de uma doença predominantemente senil, essa questão deve preocupar, também, públicos de qualquer idade, porque em um futuro próximo, o número de doentes passará a fazer parte das perspectivas de vida daqueles que ainda são jovens [6].

A prevalência da demência duplica em cada cinco pessoas após os 60 anos, resultando em um aumento exponencial com a idade [7].

É um mal incurável e progressivo, que geralmente leva ao óbito de cinco a oito anos. Atinge 18% da população acima de 65 anos de idade e devido a sua abrangência, a Doença de Alzheimer, passa a ser um problema de ordem econômica e social, com particular e especial repercussão no núcleo familiar.

As causas da D.A. são de origens obscuras, mas existem várias hipóteses: podem ser de origem tóxica ou infecciosa, neuroquímica, genética, pela liberação de radicais livres, vascular, mitocôndria ou metabólica. Pode ocorrer ainda, a interação de alguns desses fatores.

A anatomia fisiopatológica evidencia a presença de placas senis e degeneração neurofibrilar, particularmente no neocórtex, hipocampo e amígdala. As lesões do hipocampo produzem distúrbios da memória e comportamento, e suas extensões ao neocótex se relacionam aos complexos de afasia-apraxia-agnosia [8].

Como fator de risco temos a idade, que é o mais conhecido e aceito universalmente. À medida que a idade avança, torna-se maior a probabilidade da doença ocorrer. Ela ocorre mais em pessoas do sexo feminino. Parece estar ligada ao fato das mulheres terem maior sobrevida que o homem. Pacientes portadores da Síndrome de Down ao atingirem a maturidade, assim como aqueles que sofreram traumatismo craniano também apresentam um risco aumentado de desenvolver a doença [9].

A Demência de Alzheimer é de início insidioso, lento, gradual e em períodos de vários anos. O curso é progressivo, sem fases de melhora. A memória e o intelecto estão sempre comprometidos [9].

Para facilitar a descrição dos sintomas e avaliar a progressão da síndrome, a Doença de Alzheimer, é dividida em três fases e o tempo de duração de cada uma dessas fases varia de acordo com cada paciente. Fase inicial: dura, em média, de dois a quatro anos, há perda da memória recente, dificuldade para aprender e reter novas informações, distúrbios de linguagem e dificuldade progressiva para as AVD’s, apresenta instabilidade emocional, agitação, perde o interesse pela vida e apresenta desorientação visuo-espacial; Fase intermediária: essa fase dura em média de três a cinco anos, caracteriza-se pelo agravamento dos sintomas, demonstra dificuldade de raciocínio, de leitura e escrita, pára de reconhecer familiares e amigos, deambula bem, mas apresenta risco de quedas ou acidentes por confusão, requer assistência para realizar as AVD’s, apresenta afasia, agnosia e apraxia; Fase final: dura em média de um a três anos, o paciente não se reconhece no espelho, é incapaz de andar, fica incontinente, comunica-se por gritos, pela imobilidade corre mais risco de ter pneumonia, desnutrição e úlceras de pressão, levando-o a óbito [9].

Sendo assim, entre outras problemáticas, uma delas é que o declínio funcional coloca os indivíduos portadores dessa patologia em maior risco de instabilidade postural, quedas e suas complicações, onde as mesmas representam um grande problema de saúde para os idosos, muitas vezes ocasionando a morte, onde cerca de 75%das mortes acidentais em idosos são decorrentes de quedas [3].

Devido a esta problemática, foi desenvolvido o teste Timed Up and Go (TUG), com o propósito de realizar uma avaliação rápida, a fim de detectar problemas de equilíbrio que afetam a capacidade de mobilidade em idosos, onde através do tempo gasto para realização da prova é possível realizar a classificação dos idosos com risco de quedas.

A intervenção fisioterapêutica tem como propósito minimizar o processo de declínio funcional, tendo como enfoque principal o treino de marcha e equilíbrio, diminuindo o risco de quedas, onde a fisioterapia vai atuar para assistir o paciente e promover a facilitação dos movimentos e o planejamento motor, e o desenvolvimento ou refinamento de pistas ambientais e cognitivas, para ajudar a realizar tarefas complexas. O cuidador deve ajudar somente quando necessário, deixando o paciente realizar o máximo de AVD’s possível [6].

Sendo assim, o estudo proposto objetiva analisar a eficácia de um programa de fisioterapia, enfatizando o treinamento da marcha e do equilíbrio no paciente portador de Demência de Alzheimer; analisar os efeitos do treinamento da marcha e do equilíbrio com o propósito de minimizar ou conter a alteração do equilíbrio, reduzindo o risco de quedas; investigar o processo demencial nos diversos aspectos, bem como a progressão das alterações; avaliar a eficácia do teste TUG como preditor de quedas.

Esta tem como intuito ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde e auxiliar no importante atendimento para com o portador da Demência de Alzheimer, preocupando-se com o bem estar, uma melhora qualidade de vida e independência pelo maior tempo possível. Contribuindo desta forma com embasamento científico para os profissionais fisioterapeutas, levando em consideração a limitação bibliográfica abordada no tema em questão.

MATERIAIS E MÉTODOS

POPULAÇÃO E AMOSTRAS

O método utilizado é do tipo estudo de caso, onde consta um paciente do sexo feminino, 70 anos de idade, do lar, sedentária, com diagnóstico clínico de Doença de Alzheimer, elaborado por profissional da área médica, onde o mesmo encaminhou a paciente ao setor de Fisioterapia da Clínica Escola da Universo, com queixa principal de desequilíbrio com risco de queda.

INSTRUMENTOS DE MEDIDAS

Foi utilizado um protocolo de avaliação previamente elaborado, incluindo o teste Timed Up and Go ; para aplicação do teste foi utilizado: uma cadeira sem braços, um cronômetro digital e uma ficha para anotação dos dados; para aplicação do programa de fisioterapia: será utilizado fita crepe para elaboração de uma linha reta no chão, escada de quatro degraus associada a rampa, balanço de propriocepção, bola suíça número 65 e bola cravo. Primeiramente foi analisado a avaliação elaborada segundo os protocolos propostos, incluindo o teste Timed Up and Go (TUG), o qual representa um instrumento de avaliação quantitativa e rápida da mobilidade funcional em pessoas idosas a fim de detectar problemas de equilíbrio e classificar o idoso quanto à propensão a quedas.

O TUG consiste em ordenar ao idoso que se levante da cadeira, caminhe uma distância de três metros, retorne à cadeira e sente-se num menor tempo possível. O resultado do teste TUG desempenhado em menos de 20 segundos considera o indivíduo independente em suas atividades básicas do cotidiano. Num tempo maior que 30 segundos, apresenta maior dependência, portanto, maior risco de quedas. Os idosos que gastam entre 20 a 29 segundos para realizar o teste apresentam risco intermediário de quedas [4].

PROCEDIMENTOS

Aplicou-se o programa de fisioterapia para treino da marcha e equilíbrio e dissociação de cinturas, o qual faz parte: marcha sobre a linha reta – pé/calcanhar; marcha cruzada; treinamento na escada associada à rampa, subindo e descendo elevando o joelho à 90º; treinamento de equilíbrio e dissociação de cinturas, jogando a bola cravo para o paciente em várias direções e altura; exercício de propriocepção na bola suíça e balanço de propriocepção; com atendimento individual, freqüência de uma vez na semana e duração de uma hora por sessão, por um período de três meses.

Ao final do tratamento o paciente passou por uma reavaliação e reaplicação do teste Timed Up and Go , para comparação dos dados iniciais e os dados obtidos pós-terapia.

RESULTADOS

Tabela 1. Resultado do teste Timed Up and Go, pré e pós terapia

Resultado inicial

(pré – terapia)

Resultado final

(pós – terapia / 8 sessões)

24 seg. 19 seg.

Através da reaplicação do teste Timed Up and Go foi possível realizar uma análise comparativa antes e após a execução do programa proposto. Desta forma, o resultado apresentado (tabela 1), sugere uma melhora significativa das condições de equilíbrio com diminuição do risco de queda e maior independência nas AVD’s. É importante ressaltar que o paciente incluído no estudo obteve algumas faltas em virtude de motivos variados.

DISCUSSÃO

A primeira meta da reabilitação é criar um ambiente que dê suporte para às dificuldades do paciente. A meta final é ajudar os pacientes a sentirem que eles são capazes, de modo que continuem a tentar fazer por si próprios, coisas que possam fazer com segurança. O contato físico durante o exame pode ser interpretado pelo paciente como agressão, se ele não souber o que está se passando e entender as ações do fisioterapeuta como intimidação [6].

Como a Doença de Alzheimer é uma patologia progressiva, que tende a apresentar falta de flexibilidade articular, diminuição da endurance, fraqueza muscular e edemas. A progressão desses sinais e sintomas leva à imobilidade e ao aumento do risco de pneumonias, úlcers de decúbito, rigidez articular, osteoporose, trombose e outros [6].

Logo, o papel do fisioterapeuta é atuar, previnindo e tratando esses diversos acometimentos, através de várias terapias, como por exemplo: alongamentos, mobilização articular, fortalecimento muscular, bicicleta ergométrica, hidroterapia, fisioterapia respiratória com higiene brônquica, mudanças de decúbito, treino de marcha, equilíbrio e propriocepção [6].

Foi mostrado que em 1995, a autora Pomeroy, chegou à conclusão, de que o aumento dos estímulos sensoriais é capaz de melhorar a capacidade funcional dos pacientes com demência, pois estes apresentam vários problemas de mobilidade [10]. Confirmando que a intervenção fisioterapêutica sobre o modelo funcional de controle motor e equilíbrio refletirá na manutenção da função e, portanto da independência funcional do sujeito, repercutindo em sua qualidade de vida e interferindo na progressão desmedida da Demência de Alzheimer.

Quando a patologia está na fase inicial o tratamento deve ser bastante criativo, os exercícios devem ser realizados sempre na mesma seqüência. O fisioterapeuta deve orientar as fases de movimento e, quando necessário, praticá-los junto com o paciente, estimulando a memória sempre que possível, nomeando os exercícios, para depois poder solicitá-los pelo nome. Os treinos de equilíbrio e da marcha devem ser realizados para manter a deambulação pelo maior tempo possível [11].

Na fase intermediária, a família deve estar bem orientada quanto ao cuidado com quedas, facilitar ao máximo o dia-dia do paciente, colocando sinais para identificar quartos, banheiros entre outros, manter sempre uma lâmpada a noite e programar os eventos diários em horários fixos e também adotar medidas de segurança. Já na fase final deve-se prevenir ao máximo o aparecimento de complicações secundárias; para isso é necessário que aja mobilização passiva de todas as articulações, assim como mudanças de posturas várias vezes ao dia e a prevenção de problemas respiratórios [11].

A Demência de Alzheimer apresenta manifestações clínicas definidas, sendo uma delas a diminuição do equilíbrio, predispondo o indivíduo a um maior risco de quedas, sendo que as complicações decorrentes das quedas representam um grande problema de saúde para os idosos, muitas vezes ocasionando a morte.

O principal recurso fisioterapêutico usado para minimizar esse sintoma somático é o treino da marcha, do equilíbrio e da propriocepção, que é um importante impulso sensorial para o controle e suporte postural.

CONCLUSÃO

Diante da análise dos resultados apresentados, o treino da marcha e do equilíbrio mostrou-se eficaz na melhora do mesmo, contribuindo para a diminuição do risco de quedas no paciente portador da Demência de Alzheimer.

Embora as conclusões extraídas dos resultados desse estudo inicial estão limitadas pelo pequeno número da amostra, eles dão suporte para o uso do treinamento anteriormente descrito e utilização do teste Timed Up and Go (TUG), como preditor de quedas nos pacientes com a Doença de Alzheimer. Os resultados também sugerem que, baseado na modalidade de tratamento, eles podem ser uma diferença no tempo e magnitude da independência para determinadas AVD’s. Existem algumas sugestões que a influência da intervenção fisioterapêutica interferiria no processo de evolução desmedida da DA pela manutenção da função. Por causa do pequeno número da amostra e fraco poder deste estudo inicial, não podem ser determinadas conclusões definitivas; entretanto informações essenciais foram colhidas para designar um estudo clínico futuro.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

•  PASCHOAL, S. M. P. Epidemiologia do envelhecimento . Rio de Janeiro; Atheneu; 2000.

•  REIS E.D.S. et al . Terapia de grupo – Uma abordagem Fisioterapêutica com idosos institucionalizados: Efeitos sobre o Equilibrio. Revista Reabilitar Vol.5, n° 21, p.20-24, out./dez., 2003.

•  LOTH E.A. et al . Avaliação do Timed Up and Go como preditor de quedas em uma amostra de idosas que relataram quedas em 2003. Revista Reabilitar Vol.6, n° 22, p.9-12, 1° trimestre, 2004.

•  SOARES A.V. et al . Estudo comparativo sobre a propensão de quedas em idosos institucionalizados e não institucionalizados através do nível de mobilidade funcional. Revista Fisioterapia Brasil . Vol. 4, n° 1, p.13-15, jan/fev, 2003.

•  FRANCO G.M. et al . Projeto Alzheimer, Relatório de atividades do projeto de pesquisa de acompanhamento fisioterapêutico de sujeitos com demência – Doença de Alzheimer: análise de processos práxico-cognitivos. Revista FisioBrasil . n° 64, p.12-16, mar./abr., 2004.

•  CANÇADO G.H.L. et al. A Doença de Alzheimer: uma Abordagem Anatomopatológica, Tratamento Fisioterapêutico e Orientação para as Avd’s. Revista FisioBrasil . vol. 8, n° 70, p.8-15, mar./abr., 2005.

•  CARAMELLI P., BARBOSA M.T. Como diagnosticar as quatro causas mais freqüentes de demência? Revista Brasileira de Psiquiatria . Vol. 24, suppl.1, p.7-10, abr., 2002.

•  NETTO M.N., FILHO E.T.C . Geriatria: Fundamentos, clínica e terapêutica . São Paulo; Atheneu; 2000.

•  SAVONITTI B.H.R.A. Cuidando do idoso com demência . São Paulo; Atheneu; 2000.

•  KUNANEC S., SIMOSON J.M. Problemas psiquiátricos . 2ed. São Paulo: Santos; 2000.

•  YUASO D.R., SGUIZZATTO G.T. Fisioterapia em pacientes idosos . São Paulo; Atheneu; 2002.



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Open chat
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.