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A Utilização da Realidade Virtual no Equilíbrio de Idosos com Doença de Parkinson

A Utilização da Realidade Virtual no Equilíbrio de Idosos com Doença de Parkinson

00INTRODUÇÃO

O envelhecimento da população mundial vem ocorrendo de forma acelerada e será um dos maiores desafios para a saúde pública. Em 2016, o Brasil tinha uma estimativa da população mundial com total de 206 milhões de habitantes, sendo 14,3% idosos com expectativa de vida de 75 anos e 9 meses e devido ao aumento da população idosa, faz se necessário a implementação de novas estratégias para o cuidado com esse público que apresenta diversas particularidades e alta prevalência de doenças crônicas degenerativas. (SILVA e CARVALHO, 2019)

A Doença de Parkinson (DP) é uma das doenças crônicas degenerativas e progressivas do sistema nervoso central (SNC), sendo uma das patologias que mais acometem os idosos. Sua incidência equivale de 1 a cada 1000 acometimentos em indivíduos acima de 65 anos e 1 a cada 100 indivíduos acima dos 75 anos, afetando mais pessoas do sexo masculino na proporção de 2:1. Sua manifestação tem como sintomas característicos de tremor, hipocinesia, rigidez, bradicinesia, anormalidades posturais, perda dos reflexos posturais e déficit no equilíbrio. (EZEQUIEL, VIANA e RIBEIRO, 2019; RAMOS et. al 2018)

O avanço da idade e/ou fragilidade do idoso pode ser um fator de risco de quedas. Os pacientes com algum distúrbio musculoesquelético ou neurológico, como a DP, tem mais predisposição ao desequilíbrio, o que pode levar a insegurança. O desequilíbrio é causado por dificuldade na capacidade de controlar o centro de gravidade na base de apoio durante as atividades de vida diária, podendo levar a queda ou quase queda. Para reduzir o desequilíbrio, é necessário um programa de treinamento de equilíbrio com a junção dos sistemas sensório-motor incluindo a visão, sistema vestibular e a propriocepção. (LOPES et al., 2021; MOURA et. al, 2021)

A realidade virtual (RV) é uma tecnologia computadorizada que pode simular estímulos ambientais reais para promover uma interação entre a pessoa e a máquina a partir de uma resposta sensorial, cognitiva, psicológica e motora permitindo mais repetições de tarefas complexas e vem sendo bastante utilizada para auxiliar na melhora do equilíbrio de idosos com DP. (BRAZ et. al, 2018)

Sendo assim, o objetivo deste estudo foi verificar por meio de uma revisão integrativa se há melhora no equilíbrio de idosos com Doença de Parkinson, através da utilização da realidade virtual.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de uma revisão integrativa levando em conta artigos com publicações nos últimos 7 anos, sendo considerados nos idiomas português e inglês.

A busca de dados para realizar a pesquisa foram feitas nas plataformas mais utilizadas na área da saúde, sendo elas: Lilacs, PubMed e SciElo. Os descritores utilizados como meio de pesquisa foram: doença de Parkinson, realidade virtual e equilíbrio.

Também foram utilizados artigos pesquisados no Google Acadêmico nos anos 2015 a 2022 para enriquecer a introdução e a discussão.

Os critérios de inclusão foram: idosos com 60 anos ou mais com doença de Parkinson, estudos nos idiomas português e inglês, artigos publicados entre os anos de 2015 e 2022. Já os critérios de exclusão foram artigos em idiomas diferentes de português e inglês, que tivessem como metodologia revisão da literatura e estudos com pessoas com idade inferior a 60 anos.

RESULTADOS

Conforme a metodologia utilizada neste estudo, a busca nas plataformas resultou em um total de 114 artigos encontrados. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados o total de 4 artigos (Figura 1).

Os resultados encontrados nos estudos selecionados estão apresentados na tabela 1. Para tornar a leitura mais clara, simplificada e de fácil entendimento, os artigos estão descritos de forma individual, detalhada e objetiva, contendo as seguintes informações: autor/ano, amostra(n)/ idade/ grupos, método/instrumentos, duração/intervenção e os resultados.

DISCUSSÃO

A escolha da Realidade Virtual como meio de intervenção vem apresentando um aumento do uso em diversas áreas, principalmente na reabilitação física. As características da RV proporcionam grandes realizações de meta na reabilitação, além de incentivar a aprendizagem e a participação ativa dos pacientes. (Santana et al., 2015)

No estudo de Nogueira, (2017) foi avaliado o efeito da terapia por RV no equilíbrio postural de indivíduos acometidos com DP, sendo feito com uma amostra de 9 pacientes, sendo 3 mulheres e 6 homens. Este estudo obteve resultado positivo com melhora significativa do equilíbrio na escala de Equilíbrio de Berg após a intervenção com RV. Corroborando com os estudos da presente pesquisa onde todos os artigos obtiveram resultados positivos.

A utilização da RV no treino de equilíbrio tem fundamento nos princípios da biomecânica dos exercícios de controle postural proporcionados pelos jogos, especialmente os que envolvem atividade esportiva. Diante disso, os games proporcionam alterações do centro de gravidade, estímulos proprioceptivos, vestibular e visual, ativando musculatura profundas o que possibilita um bom treino de equilíbrio. (Brandín-De la Cruz et al. 2020)

No estudo de Nuic, (2020) além de se obter melhora no equilíbrio dos pacientes utilizando a RV, obteve-se também um aumento significativo no desempenho dos jogos e os pacientes tiveram boa aceitação e percepção emocional, aumento da velocidade da marcha, aumento visual do ambiente virtual e do número de movimentos para ser realizado.

Ramos, (2016) realizaram um estudo com 11 pacientes, sendo 6 homens e 5 mulheres, onde o objetivo da pesquisa foi verificar a influência da RV na melhora do equilíbrio, da qualidade de vida e no medo de quedas. O medo de queda é frequente nos pacientes com DP, porém, nesse estudo os indivíduos não mostraram diferenças significativas no início e no final da pesquisa. Em contrapartida, os resultados da pesquisa feita por Rebêlo, (2020) foram positivos para melhora do medo da queda.

Freitas, (2018) realizaram um estudo com 4 pessoas, sendo 3 homens e 1 mulher, onde o objetivo foi analisar os efeitos da RV no equilíbrio e independência funcional de indivíduos com DP. Neste estudo também obtiveram resultados positivos no equilíbrio e na independência funcional dos idosos participantes da pesquisa.

CONCLUSÃO

Com base nas informações obtidas neste estudo, conclui-se que a reabilitação do equilíbrio dos portadores de doença de Parkinson por meio da utilização da realidade virtual, mostrouse uma ferramenta eficaz. Além da melhora do equilíbrio e da velocidade da marcha, a RV mostrou-se um instrumento com potencial de reduzir o medo de quedas, melhorando a autoconfiança, a capacidade funcional e a qualidade de vida dos pacientes.

REFERÊNCIAS

BRANDÍN-DE LA CRUZ, N. et al. Immersive virtual reality and antigravity treadmill training for gait rehabilitation in Parkinson’s disease: a pilot na feasibility study. Rev. Neurol. v. 71, n. 12, p. 447-454, 2020.

BRAZ, N. F. T. et al., Eficácia do Nitendo Wii em desfechos funcionais e de saúde de indivíduos com doença de Parkinson: uma revisão sistemática. Fisioter Pesqui. v. 25, n.1, p. 100-106, 2018.

EZEQUIEL, D. J. S.; VIANA, J. V. A. e RIBEIRO, N. M. S. Efeitos da utilização da realidade virtual na marcha e no equilíbrio de indivíduos com doença de Parkinson: Uma revisão sistemática. Rev. Ciênc. Méd. Biol., v. 18, n.3, p. 402-407, 2019.

FREITAS, N. A. R. et al. Efeitos de um protocolo de exercícios de realidade virtual no equilíbrio e independência funcional de indivíduos com Doença de Parkinson – estudo clínico. Revista Kairós-Gerontologia. v. 21, n. 4, p. 259-275, 2018.

LOPES, M. R. et al., Avaliação do equilíbrio e do medo de queda em pacientes com Doença de Parkinson. Revista Saúde Santa Maria. v. 41, n. 1, p. 1-12, 2021.

MOURA, A. K. et al. Realidade Virtual como abordagem fisioterapêutica na Reabilitação do desequilíbrio em pessoas com Doença de Parkinson – revisão narrativa. Brazillian Journal of Development. v. 7, n. 8, p. 80026-80042, 2021.

NOGUEIRA, P. C. et al. Efeito da terapia por realidade virtual no equilíbrio de indivíduos acometidos pela doença de Parkinson. Fisioter Bras. v. 18, n.5, p. 547-552, 2017.

NUIC, D. et al. The feasibility and positive effects of a customised videogame rehabilitation programme for freezing of gait and falls in Parkinson’s disease patients: a pilot study. Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation. v. 31, n. 15, p. 1-11, 2018.

RAMOS, R. A. A. et al. Realidade Virtual na reabilitação de portadores da doença de Parkinson. Fisioter Bras. v. 17, n. 3, p. 179-187, 2016.

RAMOS et al., A influência da realidade virtual no equilíbrio e na qualidade de vida dos portadores de doença de Parkinson. Revista da Universidade Vale do Rio Verde. v. 16, n. 1, p. 1-8, 2018.

REBÊLO, F.L., et al. Realidade virtual não imersiva no treino de equilíbrio em idosos: estudo experimental não controlado. R. bras. Ci. e Mov. v. 28, n. 4, p. 110-119, 2020.

SANTANA, C. M. F. et al. Efeitos do tratamento da realidade virtual não imersiva na qualidade de vida de indivíduos com Parkinson. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. v. 18, n. 1, p. 49-58, 2015.

SILVA, T. P. e CARVALHO, C. R. A. Doença de Parkinson: o tratamento fisioterapêutico ocupacional na perspectiva dos profissionais e idosos. Cad. Bras. Ter. Ocup., v. 27, n. 2 p. 331-344, 2019.

ARTIGO PUBLICADO EM 11/07/2024



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