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A importância dos exames complementares no prognóstico do Acidente Vascular Encefálico

A importância dos exames complementares no prognóstico do Acidente Vascular Encefálico

Métodos mais avançados, como os que existem hoje em dia, permitem separar exatamente a região que foi acometida e possibilitam visualizar o estado das regiões circundantes. A topografia funcional do cérebro nos ajuda a estabelecer a relação entre a função cerebral e o modelo espaço-temporal das fontes neurais.

Um dos grandes avanços da tecnologia consiste em dois exames chamados de PET (Positron Emission Tomography) e SPECT (Single Photon Emission Computerized Tomography) que, de diferentes formas, conseguem avaliar mais acuradamente o estado do Sistema Nervoso Central pois podem estabelecer a medida do fluxo de sangue cerebral por regiões e seu metabolismo. Segundo Seitz e colaboradores ( 1996), A mensuração do fluxo sangüíneo cerebral nos dá a oportunidade de mapear as estruturas cerebrais incluindo o controle motor. No exame do tipo PET, trilhas radioativas emitem positrons que colidem com elétrons que estavam posicionados em locais determinados. A SPECT usa trilhas radioativas que dão a posição de cada photon. Com estes tipos de exame, podemos ter uma maior certeza do que cada parte do cérebro realiza, ou seja, sua função. Por exemplo, através de estudos com estes exames, há dados suficientes para dizer que a região fronto-cerebral está envolvida na decisão de iniciar o movimento.

Os exames antigos eram capazes de mostrar o estado geral do cérebro mas pouco abordavam sobre a função. Até o próprio eletroencefalograma mostrava apenas a atividade elétrica. Hoje, também foram feitas certas modificações neste aparelho e que com o chamado potencial evocado pode-se ter dados mais profundos sobre as ondas e suas funções.

Devido a nossa atividade, podemos constatar um aumento do número de indivíduos acometidos por Acidente Vascular Encefálico (AVE), que é uma doença do Sistema Nervoso Central (SNC) por resultado de um episódio de restrição na irrigação sangüínea do cérebro, por alteração isquemica ou hemorrágica, causando lesão celular e danos funcionais principalmente nas áreas sensitivas e motoras. Esta patologia acontece independente de sexo ou da classe sócio – econômica que se encontram. São pessoas que estão inseridas no mercado de trabalho e, que por causa deste evento, se tornam, muitas vezes, incapacitadas de retornar ao tipo de ocupação pregressa, ou mesmo, em outra atividade do mercado de trabalho. Em uma análise social, estes pacientes passam a se tornar dependentes e necessitam de ajuda para realizar tarefas simples como abotoar uma camisa ou amarrar o sapato. Se analisarmos a questão econômica onde há o gasto com medicação, acompanhante e o próprio fato desta pessoa não contribuir mais financeiramente com o orçamento familiar nos faz pensar que é de extrema utilidade estudar este assunto e procurar novas formas de reabilitar tais indivíduos.

Tais pacientes, após o tratamento médico e fisioterápico, começam a apresentar determinadas respostas motoras. Estas respostas dependem basicamente, da área lesada, da extensão da lesão, da velocidade e da intensidade do tratamento, da idade do paciente e do tipo de estimulação motora que este é submetido. Os exames complementares, podem nos dar a base para entendermos a lesão e estabelecermos um prognóstico a respeito da doença. O AVE é uma das doenças incapacitantes mais comuns e estima-se que 5% da população mundial já tenha sofrido um episódio isquêmico ou hemorrágico.

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é amplamente pesquisado em todo o mundo. Diversos laboratórios procuram formas de prevenção e de tratamento para esta patologia tão comum. Os estudos recaem sobre o papel de exames complementares como o eletroencefalograma, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética em mostrar as variações quantitativas e qualitativas das alterações provocadas pelo déficit circulatório causado por uma isquemia ou hemorragia no Sistema Nervoso Central (SNC).

Através dos exames complementares se é capaz de visualizar os caminhos que o cérebro encontra para restabelecer a função de determinado segmento. Sabatini e colaboradores (1994) em seu artigo Motor Recovery After Early Brain Damage: a case report, relata o caso de um paciente de 31 anos que sofreu um episódio de isquemia cerebral à direita, com seqüela de hemiplegia à esquerda e que após ser submetido a um programa de trabalho de reabilitação motora, apresentou, além da melhoria funcional no movimento da mão, alterações nas áreas corticais que não haviam sofrido injúria, caracterizando o papel ipsilateral nas trilhas de restabelecimento motor. Esta idéia é também havia sido observada por Weiller e colaboradores (1993), que em seu artigo afirmam que aconteceu uma ativação bilateral de trilhas e recrutamento de novas áreas motoras quando pesquisado tarefas motoras, através de exames complementares, em pacientes que haviam apresentado um episódio de isquemia cerebral. Honda e colaboradores (1996), investigaram as respostas cerebrais de pacientes com hemiparesia quando estes realizavam tarefas motoras simples e repetidas da mão. Através de exame do potencial cortical dos movimentos correlacionados (movement-related cortical potential) eles concluíram que há um papel importante da região motora ipsilateral para explicar a melhora clinica da fraqueza muscular conseqüente do AVE.

As alterações da atividade elétrica cerebral em pacientes acometidos por AVE vem sendo alvo de estudos como representa a pesquisa de Lukashevich e colaboradores (1999) que colocam que as lesões de condução entre estruturas corticais e subcorticais conseqüentes de doença circulatória são acompanhadas por mudanças locais na atividade elétrica do córtex. Além de verificar a atividade elétrica cerebral, o eletroencefalograma, pode diferenciar alterações biológicas das patológicas que são freqüentes nos pacientes idosos, como aborda em seu artigo Elwan e colaboradores (1994). Molnár e colaboradores (1997), também estudou os resultados de eletroencefalograma em um paciente acometido de AVE como relata em seu artigo Dimensional Complexity of the EEG in Subcortical Stroke – a case report.

Como podemos concluir, há uma busca incessante para se descobrir quais são as alterações fisiológicas e funcionais que a restrição do fluxo sangüíneo do cérebro, provocada pelo chamado Acidente Vascular Encefálico (AVE), produz nos seres humanos para que assim fique mais fácil traçar novas abordagens de tratamento desta patologia.

Bibliografia

ELWAN, O et alli. Cognitive deficits in ischemic strokes: psychometric, electrophysiological and cranial tomographic assessment. Journal of the Neurological sciences, v.125, 1994

HONDA, M. et alli, Movement-related cortical potentials and regional cerebral blood flow change in patients with stroke after motor recovery. Journal of the Neurological Sciences. V.146, n 1-2, 1997.

LUKASHEVICH, I. P. et alli. The effects of lesions to subcortical conducting pathways on the electrical activity of the human cerebral cortex. Neuroscience and behavioral physiology. V.29, n1-3, 1999, New york, USA.

MOLNAR, M. et alli. Dimensional complexity of the EEG in subcortical stroke – a case study. International Journal of Psychophysiology, v.25, n1-3, 1997, Londres, UK.

ROTHSTEIN,J.M. & ROY, S.H. & WOLF, S.L. The rehabilitation specialists’s handbook. F.A Davis company, second edition, 1998, Philadelphia, USA

SABATINI,U et alli. Motor recovery after early brain damage: a case report. Stroke, V.25, n 1-3, 1994, Dallas, USA.

SEITZ, R. et alli. Neurophysiology of the human supplementary motor area. Advances in Neurology, vol 70, 1996, Philadelphia, USA.

SULLIVAN, S.B. & SCHMITZ, T.J. Fisioterapia avaliação e tratamento. Editora Manole, 2a edição, 1993, São Paulo, BR.

WEILLER, C. et alli. Individual patterns of functional reorganization in the human cerebral cortex after capsular infarction. Annals of neurology, v. 33, n 1-3, 1993, Boston,USA.



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