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A Importância de Exercícios Físicos na Prevenção e Controle de Diabetes Mellitus Gestacional: Revisão de Literatura

A Importância de Exercícios Físicos na Prevenção e Controle de Diabetes Mellitus Gestacional: Revisão de Literatura

INTRODUÇÃO

Durante o período da gravidez ocorrem diversas modificações endócrino-metabólicas, com intuito de suprir as necessidades tanto maternas e do feto, entre tantas modificações o pâncreas pode acarretar intolerância à glicose, o que possibilita o surgimento do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) 1,2. Esta afecção é definida como uma variação da intolerância ao carboidrato durante o período gestacional, proporcionando uma disfunção materna, com redução na sensibilidade à insulina, apresentada em diversos graus de intensidade, persistindo ou não, após o parto 1,2,3.

O DMG é uma condição que pode resultar em prejuízo tanto a mãe quanto ao feto 4. A sua prevalência está a cerca de 2,4% a 7,2% causando grande impacto social e econômico, pois a mortalidade materna representa um grave problema de saúde pública 4,5. Estima-se que 600 mil mulheres morram anualmente no mundo durante a gestação ou mesmo durante o parto tendo um percentual relevante associado ao desenvolvimento desta patologia 1.

Qualquer mulher durante o período gestacional pode desenvolver DMG, mas existem fatores que acentuam esse risco, sendo estes:  idade acima de 30 anos, obesidade ou ganho excessivo de peso durante a gestação, história familiar de diabetes, baixa estatura, macrossomia fetal em gestações anteriores, hipertensão, antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal 4,5,6.  A hiperglicemia durante o primeiro trimestre da gravidez está associada com risco mais elevado de malformações congênitas, como também o aumento das taxas de aborto como consequência desta afecção por altas taxas glicêmicas, chegando a mais que 21% em comparação a mulheres normoglicêmicas, que é de 9,5% 4,5.

Os comprometimentos atingem tanto a mãe quanto o feto, sendo estes: hipertensão, pré-eclâmpsia, aumento do risco de parto prematuro, fetos grandes para a idade gestacional (GIG); hiperglicemia fetal; óbito fetal. O tratamento do DMG inclui dieta, exercícios físicos e uso de medicação, muitas vezes com aplicação de insulina 6,7,8.

Os Exercícios Físicos, proporcionam melhoras importantes aos indivíduos em diversos aspectos relacionados a saúde da mãe quanto do feto, sendo este, coadjuvante na manutenção da glicemia materna, melhorando assim, consideravelmente a qualidade de vida (QV), mesmo sendo está uma característica subjetiva 6-10.

A literatura apresenta revisões prévias que avaliaram os efeitos dos exercícios físicos no controle de peso, QV, mostrando bons resultados, porém nenhum dos estudos com foco na prevenção 9. Portanto, o presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre a importância do exercício físico na DMG, como mecanismo de prevenção e controle.

MÉTODOS

Uma revisão de literatura.

Critérios de elegibilidade

A presente revisão incluiu ensaios clínicos que avaliaram a importância do exercício físico na DMG, como prevenção e controle. Tais estudos foram selecionados independentemente do status de publicação ou tamanhos. Houve restrição de idioma para as buscas, incluindo apenas estudos publicados em inglês e português. Os estudos que envolveram indivíduos com outra patologia, foram excluídos desta revisão.

Estratégia de busca

A busca foi realizada nas bases de dados eletrônicas Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE/PUBMED), Latin American and Caribbean Literature on Health Sciences (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), ScienceDirect e Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) nos últimos 20 anos. Um protocolo padrão para a busca foi desenvolvido e, sempre que possível, foram utilizados descritores controlados (MESH/DECS). Os descritores utilizados foram: “physical exercises”; “physiotherapy”; “gestation”, “Diabetes mellitus gestacional”; “exercícios físicos”; “fisioterapia”; “gestação”; “gestational”; “diabetes mellitus”; com  and/or.

Coleta e análise dos dados

A estratégia de busca foi usada para obter títulos e resumos de estudos relevantes para esta revisão. Cada resumo identificado na pesquisa foi avaliado de forma independente considerando uma referência elegível, o texto completo foi obtido por avaliação completa. Critérios de inclusão: Artigos publicados em revistas indexadas, abordando o tema em questão e ensaios clínicos publicados de preferência nos últimos 20 anos. Critérios de exclusão: Artigos de revisão.

RESULTADOS

Descrição dos artigos selecionados

A pesquisa bibliográfica inicial resultou na identificação de 20 artigos. Após análise dos títulos, 7 resumos foram selecionados para análise detalhada, considerados como potencialmente relevantes. A seleção final, por meio dos critérios de elegibilidade, resultou na inclusão de 3 artigos.  Segue a mostra o diagrama de fluxo de estudos nesta revisão.

Figura 1 – Pesquisa bibliográfica e seleção de estudos para inclusão na revisão.

Características dos Estudos

Na tabela 2 estão descritos os dados, características, amostras e resultados dos artigos selecionados.

A amostra dos estudos variou entre 20 e 116, a idade não foi bem descrita em alguns estudos, não definindo a idade mínima ou mesmo a idade máxima. Os estudos incluíram pacientes de com diagnostico de DMG. Todos os estudos foram experimentais com avaliação pré e pós-intervenção.

Nos estudos analisados nesta revisão, o controle glicêmico, por teste especifico, a dor pela escala visual analógica (EVA), o comportamento de promoção da saúde e a qualidade de vida pela foi avaliado pela Escala NO.

As características dos programas de exercícios, teve duração que variou de 3 semanas até o parto, com frequência das sessões entre 3 a todos os dias da semana e o tempo de cada sessão variou entre 30 e 45 minutos. As características dos estudos estão apresentadas individualmente na tabela 2.

Tabela 2: Características dos ensaios clínicos incluídos

Grupos de intervenção Desfechos (Instrumentos)
Autor/Ano Amostra Tratamento Controle Duração/ Frequência Controle glicêmico Dor Promoção de     Saúde Resultados
Carvalho e colaboradores; 2005 Total =20 Técnicas respiratórias, exercícios metabólicos, mobilização global, orientações quanto as AVD’s e exercícios de relaxamento Cuidados habituais 30 minutos por sessão, 3 sessões por semana, durante 4 semanas O TOTG (Teste Oral de Tolerância à Glicose) NA Questionário padrão Técnicas respiratórias, exercícios metabólicos, mobilização global, orientações quanto as AVD’s e exercícios de relaxamento.
Sampaio e colaboradores; 2008. Total = 84 Fisioterapia convencional Cuidados habituais 30 minutos por sessão, todos os dias da semana. NA NA escala NOC Dentre os indicadores avaliados, o uso de apoio social para promoção da saúde e o desempenho de hábitos de saúde apresentaram mediana < 2. O comportamento de promoção da saúde apresentou mediana = 3.
Wei Bao C. et al; 2014 Total =
116
Fisioterapia convencional por DVD Cuidados habituais 45 minutos. Questionário padrão Incidente DM2 identificados através de auto-relato e confirmada por meio de questionários suplementares, foram documentados 635 incidentes casos DM2 durante 59287 pessoas-anos de follow-up. O incremento da atividade física total, por 100 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada, foi relacionado a um risco 9% menor de diabetes mellitus tipo 2, sendo inversa ao índice de massa corporal (IMC). Além disso, um aumento da atividade física foi associado com um menor risco de desenvolver DM tipo 2.
GT = Grupo de Tratamento; GC = Grupo Controle; NA = Não avaliado.

DISCUSSÃO

A presente revisão mostra evidências de que a implementação de um programa de exercício físico na DMG, pode contribuir para prevenção e controle. O exercício físico foi avaliado na marioria dos estudos incluídos, apresentando resultados positivos superiores nos grupos de tratamento comparado aos grupos controle em quase todos os estudos 8-11. O controle glicêmico é a capacidade de avaliar de forma qunatitativa o controle de acucar no sangue, o exercício no tratamento do DMG é observado como coadjuvante, sendo um fator significante na tríade, juntamente com a dieta e a insulinoterapia, alcançando manutenção da glicemia 6-13.  Portanto, essa evidência fornece suporte positivo num programa de exercícios com o objetivo de reduzir as limitações funcionais a esta população.

O estudo de COETZZE, 2009 14 sugere que a prática de exercícios específicos tem impacto preventivo no tratamento da Diabetes Gestacional, entretanto poucos estudos tem força suficiente para detectar diferenças significantes na prevenção de complicações durante o DG ou diferenças negativas significantes para o feto nesta gestação 10-14.

O estudo de HARRIS, 2005 15; COETZZE, 2009 14 relatou o exercício físico supervisionado deve ser recomendado para pacientes com DMG, podendo prevenir o uso de insulina neste período confirmam e demonstram efeitos positivos 14,15. Entretanto, o impacto de uma única sessão de exercício físico para a gestante diabética é modesto 10-15. O efeito do exercício físico crônico para a gestante diabética pode promover uma alternativa efetiva, visto que a prescrição de exercício físico para o DG requer conhecimento adequado sobre a fisiologia da gravidez e o potencial dos riscos para a mãe e para o feto 8,9,14.

As variações de exercícios podem ser aeróbicas ou de resistência, mas os exercícios aeróbios moderados são os mais indicados 16,17,18. A gestante que já praticava esportes antes da gestação geralmente pode continuar, porém, deve se preocupar com a intensidade 18. Na comparação entre o tratamento e o grupo controle, os resultados demonstraram melhorias após três semanas de intervenção16,18. A realização de exercícios aeróbicos regulares, com o devido aquecimento e resfriamento, mostra-se eficaz para a redução da glicose em jejum em gestantes sedentárias com DMG 10,15,18.

Em relação a prescrição da intensidade do exercício, deve-se utilizar a frequência cardíaca do teste de esforço16,18,19.   Para praticar o exercício físico com segurança, recomenda-se manter a frequência cardíaca máxima entre 60 e 70% do total de batidas por minuto, os sinais vitais devem ser verificados antes, durante e após cada sessão de exercício

físico, principalmente a frequência cardíaca 18,19. O exercício físico deve ter intensidade moderada, sendo ideal utilizar a escala de BORG entre 11 e 13 19.

Para o desfecho que ccompreende-se, a promoção da saúde deve comportar  todas as esferas de saúde, visto que os governos sozinhos são incapazes de resolver esta situação, devido as grandes demandas sociais que determinam a saúde. Sendo hoje um grande desafio da saúde, estimulando o planejamento de políticas públicas capazes de promover a saúde, investindo em pesquisas e ações que incidam na melhoria da QV desta população, entretanto, os estudos não demonstraram ganhos significativos, comparado ao grupo controle 10,11. Esses resultados podem ter ocorrido em razão do tamanho da amostra, ou a utilização de medidas e técnicas diferentes, visto que muitas vezes os grupos foram heterogêneos, o que não facilita a correlação 10,11.

Os exercícios respiratórios beneficiam particularmente esta população, são importantes para manter uma boa ventilação alveolar e a oxigenação dos tecidos, uma posição adequada do diafragma, por meio de uma reeducação respiratória tóraco-abdominal, a qual pode ser associada à expiração com freno labial, beneficia-se particularmente esta população 8,10,11.

A adesão ao tratamento foi pouco descrita entre os estudos, entretanto para obter melhores resultados em programas tratamento devem ser mais detalhados, e se possível sempre incluir o apoio da equipe multidisciplinar. Futuras pesquisas devem surgir, com intuito de identificar e encontrar programas adequados para diminuir os riscos desta afecção, com intuito de maximizar os benefícios, além de explanar de forma mais específica os efeitos de diferentes tipos de programas, sua intensidade, frequência e duração neste perfil de pacientes, buscando assim promoção de saúde.

CONCLUSÃO

É possível concluir que o exercício físico pode ser eficaz no tratamento DMG, sendo bem tolerado. Seu efeito tem um papel fundamental no plano de bem-estar antes, durante e após a gravidez, sendo que os efeitos positivos do tratamento específico podem variar significativamente dependendo do tipo de tratamento, intensidade, frequência, duração do programa de exercícios de cada paciente. Com base nestes achados, exercício físico comparado à indicação de cuidados habituais mostrou ser uma intervenção segura, porém com uma supervisão direta durante o tratamento são essenciais.

Sendo assim, este estudo concluiu que a o exercício físico deve, sim, fazer parte do tratamento do DMG, que devem organizar programas de exercício físico regular, com profissionais capacitados podendo promover uma gestação tranquila e bebês saudáveis, prevenidos problemas no futuro. Entretanto, novos estudos devem ser realizados, com o objetivo de padronizar dados mais concretos e substanciais, sobre a importância da Fisioterapia e a prescrição de Exercícios Físicos, conseguindo uma maior eficácia na prevenção e controle dos índices glicêmicos em gestantes.


REFERÊNCIAS

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