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A Importância da Fisioterapia Respiratória em Pacientes com Microcefalia Relacionadas ao Vírus Zika

A Importância da Fisioterapia Respiratória em Pacientes com Microcefalia Relacionadas ao Vírus Zika

INTRODUÇÃO

O vírus Zika (ZIKV) é pertencente à família Flaviridae e ao gênero Flavivirus sendo, portanto, aparentado do ponto de vista evolutivo com outros arbovírus transmitidos por mosquitos.¹ A infecção pelo Vírus Zika, apesar de bastante conhecida da comunidade científica, com relatos de casos em outros países há pelo menos 60 anos, é transmitida pelo Aedes aegypti, mesmo vetor do vírus da dengue, que é de comportamento benigno, baixíssima virulência e letalidade. Mas pouco se sabia sobre uma possível teratogenicidade ligada ao Vírus Zika, o que passou a ser investigado por conta dos vários casos apresentados no Brasil.²⸴³

Em 2015, houve um surpreendente crescimento dos casos de microcefalia. Uma doença pouco conhecida em sua história natural, perfil clínico e aspectos epidemiológicos, mas que fez inúmeras vítimas. Ela foi ganhando maiores proporções quando passou a atingir gestantes. O Ministério da Saúde confirmou em novembro de 2015 a relação entre a infecção pelo Vírus Zika e a ocorrência de microcefalia.³

A microcefalia é uma anomalia em que o perímetro cefálico é inferior a menos dois desvios-padrão, ou seja, mais de dois desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional e sexo. Para os recém-nascidos a termo, depois de revisões, foi definido o ponto de corte menor que 31,9 centímetros para menino e menor que 31,5 para meninas³⸴⁴.

É comum observar nesses pacientes, alterações associadas à microcefalia em relação a déficit intelectual e a outras condições que incluem epilepsia, paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento de motor e de linguagem, na deglutição e respiração, estrabismo, desordens oftalmológicas, cardíacas, renais, do trato urinário, entre outras.⁵⸴⁶

O objetivo desse estudo foi realizar uma avaliação da literatura sobre a importância da fisioterapia respiratória no tratamento de pacientes portadores de microcefalia relacionada ao Vírus Zika.

MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo é uma revisão da literatura. Foram lidos, avaliados e considerados artigos que tiveram suas publicações entre 2005 a 2017 nos idiomas português e inglês.

Para tanto, empregou-se a pesquisa de artigos científicos nas bases indexadas SciELO, LILACS e PubMed, compreendendo modalidades fisioterapêuticas na reabilitação de crianças com microcefalia, utilizando como palavras-chave na pesquisa: Microcefalia, Vírus Zika, Fisioterapia, Fisioterapia Respiratória.

 

RESULTADOS

Foram encontrados 30 artigos. Mas após análise, foram excluídos 10 por irrelevante contribuição e considerados 20, pois aprofundavam melhor o tema proposto. Sendo que 15 deles relataram o Vírus Zika como causa do grande surto da microcefalia.

 

DISCUSSÃO

A microcefalia associada ao Vírus Zika na gestação, tem alarmado a população mundialmente. ⁴

No Brasil, o estado de Pernambuco foi o primeiro a notificar, e continua sendo o que tem maior número de suspeitas e confirmações de casos. ⁷,⁸,⁹,¹⁰,¹¹,¹²

A microcefalia é uma malformação congênita em que o cérebro do recém-nascido não desenvolve adequadamente, e que pode levar a problemas no desenvolvimento neurológicos e alterações cerebrais.¹²  Ela tem origem heterogênea, incluindo causas genéticas e/ou fatores ambientais.⁴,⁷,¹³

As genéticas podem ser por  Síndrome de Down, Síndrome de Cornelia de Lange, Síndrome Cri du chat, Síndrome de Rubinstein – Taybi, Síndrome de Seckel, Síndrome de Smith-Lemli–Opitz, Síndrome de Edwards. Os fatores ambientais podem estar associados a drogas, alterações vasculares, infecções maternas transmitidas no período pré-natal e perinatal como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, sífilis e herpes e mais a recentemente descoberta que é o Vírus Zika.⁶,⁸,¹¹,¹³,¹⁴

As mais comuns alterações associadas à microcefalia são déficit cognitivo, epilepsia, paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento de linguagem e/ou motor, estrabismo, desordens oftalmológicas, cardíacas, renais, do trato urinário, incoordenação das funções de deglutição e sucção e respiração inadequada para a idade.⁵⸴⁶,¹⁵

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas a um retardo mental. ⁸ As manifestações neurológicas estão frequentemente relatadas pelos cuidadores com crises epiléticas. ¹⁰

Em relação a paralisia cerebral, a  causa principal de deformidade é a hipertonia. Ela cria um desequilíbrio entre os músculos espásticos e seus antagonistas fracos, gerando alterações  da mecânica respiratória e que leva ao encurtamento dos músculos inspiratórios e a musculatura abdominal ficar enfraquecida e tensa. Essa permanente tensão promove deficiência do fluxo respiratório, elevando o volume corrente e a capacidade residual funcional.¹⁶

Para uma boa compreensão dos aspectos da microcefalia relacionada ao Vírus Zika, é necessário interação de uma equipe multidisciplinar que envolve profissionais da pediatria, neurologia, oftalmologia, ortopedistas, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapeutas, dentre outros.⁸

A precoce participação dessa equipe influenciará numa melhor adaptação desses pacientes e dará maior apoio à família. ⁸

O fisioterapeuta, como parte da equipe multidisciplinar, atua nas áreas motora e respiratória. A fisioterapia respiratória intervém aplicando técnicas que possibilitem a melhora do padrão respiratórios das crianças.¹⁸,¹⁹

São complicações comuns na paralisia cerebral as escolioses e cifoescolioses. Alongamentos da musculatura acessória e técnicas manuais de mobilização torácica, são boas alternativas de tratamento desses pacientes. A mobilização do tronco permite uma expansibilidade torácica mais eficaz, e os alongamentos dos músculos relacionados à respiração proporcionam uma capacidade de contração muscular que melhora o desempenho respiratório.¹⁶

Nos casos mais graves, neonatos com microcefalia apresentam desconforto respiratório que podem levá-los a admissão em Unidade de Terapia Intensiva ou a maior período de internação hospitalar. ²⁰

Como a microcefalia pode apresentar múltiplas deficiências, não há um protocolo de tratamento. Porém é importante que a equipe multidisciplinar seja treinada e capacitada para conduzir a criança ao serviço especializado adequado.⁵,⁶

 

CONCLUSÃO

A microcefalia relacionada ao Vírus Zika pode provocar várias alterações, entre elas, padrão respiratório inadequado. O profissional fisioterapeuta como parte da equipe multidisciplinar, tem papel fundamental no tratamento desses pacientes.

Depois do grande surto de microcefalia no Brasil, muitos estudos foram feitos, mas dando maior ênfase a déficits motores e cognitivos e pouco se relata sobre deficiências no trato respiratório.

Sugerimos a intensificação de novos estudos, levando em conta o comprometimento do padrão respiratório do paciente com microcefalia e a importância da fisioterapia respiratória no processo de reabilitação.



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