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A Fisioterapia nos Cuidados Paliativos em Pediatria e Neonatologia: Uma Revisão Bibliográfica

A Fisioterapia nos Cuidados Paliativos em Pediatria e Neonatologia: Uma Revisão Bibliográfica

28Introdução

Cuidados paliativos (CP) são estratégias utilizadas para proporcionar uma qualidade de vida para pacientes adultos,
pediátricos e neonatais que estão acometidos por doenças que ameacem a vida (Organização Mundial da Saúde (OMS), 2020). Essa classificação foi descrita pela OMS na década de 90, porém ainda carece de qualificação dos
profissionais envolvidos e informações mais esclarecedoras para a população, principalmente para o paciente e familiares que estão envolvidos em tal situação.

Os CP estão ganhando visibilidade no Brasil, principalmente nos últimos anos, devido a alteração do pensamento equivocado que se tinha a respeito de que não existia nada a ser realizado diante de doenças incuráveis ou que fossem ameaçadoras a vida. Nota-se ainda que na população pediátrica e neonatal o tema é ainda menos debatido e esclarecido tanto para a equipe multidisciplinar, tanto para os familiares. O presente trabalho possui o objetivo de, através de uma revisão bibliográfica, relatar a importância da atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos em neonatologia e pediatria.

Materiais e Métodos

Para a realização do presente estudo foram realizadas buscas utilizando as palavras chaves Pediatria, Neonatologia, Cuidados paliativos, Fisioterapia. Junto com os equivalentes em inglês e espanhol. Foram usados como critérios de inclusão artigos que foram publicados de 2002 até 2022. Estudos que abordassem os Cuidados Paliativos em pacientes da ala pediátrica e/ou neonatal. Como critérios de exclusão foram os artigos publicados há mais de 20 anos, que não abordassem as estratégias utilizadas para pacientes em cuidados paliativos.

As bases de dados eletrônicas utilizadas foram: MEDLINE, Scielo, PEDro, nos idiomas inglês, espanhol e português. Foram encontrados 135 artigos, sendo selecionados 21 artigos e 7 artigos para análise.

Resultados

A Fisioterapia nos Cuidados paliativos Os fisioterapeutas visam intervenções, cujo objetivo seja melhorar o bem-estar do paciente, diminuir o tempo de internação, proporcionar autonomia física, emocional, social e espiritual, devido ao diagnóstico de uma doença grave que ameace a vida. De maneira a visar tratamentos, técnicas e exercícios que proporcionem dignidade, conforto e qualidade de vida na parte motora e respiratória do paciente. Desse modo a presença do fisioterapeuta na equipe multidisciplinar do campo CP é indispensável.

A fisioterapia é responsável pela reabilitação física, seja de forma preventiva, curativa ou paliativa considerando o estágio da doença se adequando ao foco de proporcionar uma melhor funcionalidade, independência e qualidade de vida do paciente.

Com recursos fisioterapêuticos consegue-se proporcionar melhor qualidade de vida devido as terapias proporcionarem alívio dos sintomas psicofísicos, úlceras de pressão, atuarem nas complicações osteomioarticulares, reabilitação das complicações cardiorrespiratórias, complicações linfáticas, diminuição de fadiga, alterações neurofuncionais.

Atuação do fisioterapeuta nos CP na ala pediátrica e neonatal

O fisioterapeuta possui diversos objetivos nos CP com as crianças, lactentes e recém natos, como diminuir quadro
álgico, diminuir tempo de internação, preservar e/ou recuperar marcos motores, preservar e/ou ganhar autonomia motora, respiratória dos pacientes.

A mobilização precoce do paciente crítico possui benefícios para paciente, reduzindo o tempo de ventilação mecânica
(VM), reduzindo e/ou evitando os impactos causados pelo tempo VM, como perca e/ou perca de desenvolvimento dos marcos motores. Para os pacientes em VM são utilizadas abordagens que proporcione o desmame, boa acoplagem do paciente ao ventilador, se o paciente estiver restritivo ou secretivo o fisioterapeuta usa manobras desobstrutivas ou reexpansivas para proporcionar o melhor para o paciente.

Para estimular os pacientes pediátricos a evitar os danos gerados pela imobilidade, para proporcionar ganho de arco de movimento, ganho de força muscular o fisioterapeuta pode utilizar recursos como gameoterapia, onde se utiliza da realidade virtual para estimulara as crianças.

Os desafios dos profissionais nos CP

Os estudos demostram que o controle do quadro álgico é uma das tarefas mais difíceis para os cuidadores, o que dificulta o adequado manejo nos pacientes em cuidados de final de vida. Com isso, torna-se explicito a adequada comunicação entre os cuidadores e a equipe multidisciplinar desses pacientes, para que se consiga aplicar adequada manipulação de medicamentos, terapias para garantir melhor qualidade de vida para paciente e familiares.

O primeiro pensamento quando se ouve o termo CP é morte, sabe-se que é de extrema importância a desconstrução desse pensamento. A técnica do enfrentamento está na possibilidade e coexistência da paliação e da técnica curativa tendo em consideração que, com o passar dos estágios da doença, o significado e a execução dos CP se tornam mais precisos e frequentes para proporcionar melhor qualidade de vida para o paciente.

Uma das dificuldades encontradas pelos profissionais é a falta de capacitação, á ausência de sistematização do serviço de saúde para abordagem nos CP e a exaustiva jornada de trabalho.

Nas universidades as abordagens, técnicas e ensinos são voltadas em prol da cura dos pacientes, com isso ocorre a falta de habilidade dos profissionais em lidar com a morte, devido a visão aprendida na academia.

Discussão

Segundo Araújo et Al, a aplicação de técnicas reexpansivas, desobstrutivas proporciona melhor resultado para o paciente, diminuindo o tempo de VM, e assim evitando maior perda motora e da parte respiratória do paciente.

Esteves & Dias, 2020, relatam os benefícios da utilização de realidade virtual, gameoterapia para manter e/ou aumentar a capacidade funcional dos pacientes. Permitindo aumento de arco de movimento, fortalecimento muscular e aumentando a capacidade respiratória do paciente.

Rodrigues JL, 2019, aponta a importância da atuação da fisioterapia para melhora da qualidade do sono do paciente e de seus responsáveis. Sabendo que o sono rem, estado do sono profundo, é quando produz hormônios essenciais para o nosso organismo e retém novos aprendizados.

A Comissão Intergestores Tripartite em 2018 por meio da resolução N° 41 tornou política pública os CP, que deve ser
oferecido em todos os níveis de atenção de saúde em território nacional. A resolução n°539 do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, reconhece a atuação do fisioterapeuta em CP. Em 2021, os CP foram reconhecidos como área de atuação da fisioterapia, evidenciando a importância de especialização por parte dos
profissionais, sejam com cursos reconhecidos, artigos e pós-graduações especificas sobre o tema.

Conclusão

Conclui-se após a realização da presente pesquisa a importância da fisioterapia para os pacientes em CP. Devido a proporcionar melhor qualidade de vida para o mesmo e para os familiares/cuidadores.

A realização da fisioterapia melhora a qualidade do sono, capacidade funcional, capacidade respiratória e qualidade de vida para o paciente e responsáveis.

Observar-se o déficit de uma base cientifica adequada para os fisioterapeutas a respeito de CP em pediatria e neonatologia. São baixos os números de artigos, programas e projetos de formação de fisioterapeutas nessa área específica, o que dificulta a aplicação em crianças em cuidados paliativos, apesar dos benefícios observados.

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ARTIGO PUBLICADO EM: 28/12/23



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