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A Atuação do Fisioterapeuta na Fisioterapia Motora em Pacientes Dialíticos

A Atuação do Fisioterapeuta na Fisioterapia Motora em Pacientes Dialíticos

INTRODUÇÃO

De acordo com Juriatti (2020, p. 11):
Os rins possuem a capacidade de controlar a homeostase de líquidos e minerais no organismo, assim filtrando, removendo os resíduos metabólico e controlando a acidez, além de produzirem alguns hormônios. Quando a função renal é comprometida, ocorre a perda progressiva da sua capacidade funcional, tendenciando o desenvolvimento da doença renal crônica (DRC), caracterizado como o último estágio da doença, o que significa que os rins estão funcionando com 15% da função normal e com taxa de filtração abaixo de 15 mL/min/1,73m2 . Os pacientes que se encontram nesse estágio da doença necessitam de uma terapia de substituição e as modalidades disponíveis são a hemodiálise (HD), diálise peritoneal ou transplante renal.

A doença renal crônica além de causar a perda progressiva e irreversível da função dos rins, é uma síndrome composta por muitas alterações metabólicas envolvendo a uremia, anemia, deficiência hormonal, estresse oxidativo, inflamação crônica e comprometimento do sistema imunológico. Esse quadro clínico também se associa com a diminuição da força e resistência muscular, existindo um consenso de que os pacientes dialisados possuem baixa tolerância ao exercício pela perda da capacidade funcional (FUKUSHIMA; COSTA; ORLANDI, 2018).

Além disso, doença cardiovascular é prevalente em pacientes com doença renal crônica desde os estágios iniciais da doença e os fatores de risco mais evidentes são a hipertensão, diabetes e tabagismo. As limitações físicas, sociais e
emocionais causadas como consequência à DRC, interferem diretamente na qualidade de vida dos portadores. Além disso, o estado nutricional comprometido também influencia não apenas nas taxas de mortalidade nos mais variados
desfechos, mas também na qualidade de vida relacionada à saúde (LARA, 2013).

A Insuficiência Renal Crônica (IRC) é definida por uma síndrome que caracteriza perda lenta, progressiva e irreversível da capacidade excretora renal. Doença multifatorial, apresentando vários fatores de risco. Os principais fatores que vêm sendo observados como fatores de risco para o surgimento da IRC são as doenças sistêmicas como diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica não controlada, principalmente; mas também, glomerulonefrite crônica; pielonefrite; obstrução do trato urinário; lesões hereditárias (doença renal policística); distúrbios vasculares; infecções; medicamentos; agentes tóxicos; agentes ambientais e ocupacionais (chumbo, cádmio, mercúrio e cromo) (CARDOSO; GIASSON; ANGHINONI, 2018, p. 472).

A fadiga associada à DRC é atribuída a diversos fatores: níveis anormais de ureia e hemoglobina; fatores psicológicos, como depressão e disfunção do sono e déficits nutricionais; fatores associados ao tratamento dialítico (baixo sódio no dialisado e ultrafiltração excessiva). Além da fadiga, a perda muscular avançada e rápida é mais um sintoma esperado nos pacientes, sendo um dos maiores preditores de mortalidade em DRC. A perda de musculatura ocorre por desequilíbrio nutricional, sedentarismo, obesidade e é concomitante com diminuição da extração
de oxigênio pelos tecidos, redução da síntese proteica, inflamação sistêmica e resistência à insulina (DOMARESK, 2022).

A relevância desse estudo encontra-se na importância da atuação do fisioterapeuta, no tratamento da doença e conhecer as ações fisioterápicos visando a diminuição e o controle do processo inflamatório das regiões acometidas, através de recursos analgesia e diminuição da inflamação, assim proporcionando uma boa qualidade de vida (ARAÚJO FILHO, 2016).

Além de contribuir para que os profissionais da área da saúde aprimorem seus conhecimentos e trazer inúmeros benefícios ao paciente, destacando principalmente o alivio da dor, esse trabalho também pode ser útil e de grande ajuda aos familiares, já que irão entender a importância dos exercícios físicos no cotidiano desse paciente (JURIATTI, 2020).

A fisioterapia pode ser também um método eficaz no tratamento de doenças reumáticas. Entre os benefícios, encontra-se a atenuação ou o controle dos sintomas causados pela doença, como, por exemplo, a diminuição da dor, a melhora da força muscular, e a promoção de ganhos funcionais; consequentemente, ocorre a melhora da qualidade de vida dos indivíduos acometidos pela Insuficiência Renal Crônica (LARA, 2013).

Existe muitos exercícios que são simples e que colaboram bastante na vida e na saúde do paciente, alguns deles são: fazer caminhada em linha reta, fazer o uso de alguns minutos de uma bicicleta ergométrica, fazer uma caminhada na esteira com a ajuda do fisioterapeuta, exercícios com bolas, camas elásticas, mas, esses exercícios vão variar de acordo com o déficit que a hemodiálise causou na vida do paciente (FUKUSHIMA; COSTA; ORLANDI, 2018).

O último censo realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia em 2017 estimou que 126.583 pacientes realizavam diálise, sendo que esse número representa um incremento de 51% nos últimos 5 anos. Desses, 91,8% efetuam tratamento por HD, sendo que 82% dos pacientes realizam o tratamento financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 18% financiado por outros convênios. O número estimado de óbitos em 2017 foi de 25.187, o que corresponde a uma taxa de mortalidade bruta de 19,9%. Os gastos anuais do SUS para financiamento do tratamento de HD são em média de 2,2 bilhões de reais. O número total de centros ativos de diálise teve um aumento de 37,8%, de 550 em 2009 para 758 em 2017, enquanto o número de pacientes aumentou 159,4% no mesmo período (LARA, 2013, p. 166).

A fisioterapia respiratória e motora durante a hemodiálise também pode auxiliar na diminuição do risco cardíaco, estabilizando a pressão arterial (PA), podendo contribuir na melhora da força muscular, aumento da tolerância ao
exercício, redução do nível de dor, e melhora no desempenho de atividades como subir e descer escadas e atividades de vida diária que necessitem força física, condicionamento cardiovascular e respiratório. Desta forma, os pacientes podem notar melhoras na sua qualidade de vida, aumento de autonomia, independência e reintegração social (DOMARESK, 2022).

Todos os aspectos descritos acima sobre os pacientes dialíticos e a fisioterapia motora justificam a relevância do tema escolhido. Além disso, cabe salientar que são escassos os estudos na literatura que demonstrem os efeitos de
um treinamento combinado de exercícios motores e respiratórios nesta população (ARAÚJO FILHO, 2016).

MATERIAIS E MÉTODOS

Como metodologia, foi realizada uma revisão integrativa da literatura. Este tipo de revisão é uma metodologia de pesquisa, análise e definição de um eixo da ciência em busca de resposta a uma pergunta específica. O termo literatura abrange todo o conteúdo importante que é elaborado a respeito de um tema: artigos científicos, livros, periódicos, relatórios, artigos de jornais, monografias, teses, dissertações, dentre outros. Ela se divide em três tipos. São eles: narrativa, sistemática e integrativa (PAIVA, 2016).

Para a realização da revisão integrativa da literatura, é necessário seguir 6 etapas. Na etapa 1 é preciso elaborar a pergunta norteadora; na etapa 2 é realizada a busca ou amostragem dentro de literatura; já na etapa 3, é hora categorizar as informações que serão extraídas dos estudos selecionados e coletar os dados (SOUZA; SILVA; CARVALHO, 2010).

O objetivo da etapa 4 é fazer uma análise crítica dos estudos incluídos na pesquisa; a discussão dos resultados é executada na etapa 5; e finalmente, na etapa 6, é apresentada a revisão integrativa, onde todas as etapas anteriores serão cumpridas com todo o rigor e transparência metodológicas (SOUZA; SILVA; CARVALHO, 2010).

Para guiar a revisão integrativa, foi elaborado o questionamento: Qual é o papel do fisioterapeuta na fisioterapia motora em pacientes dialíticos? Como critérios de inclusão dos estudos foram considerados os seguintes elementos: artigos científicos brasileiros, com textos completos, publicados nos últimos 05 anos e gratuitos. Os critérios de exclusão considerados foram: Teses, dissertações, monografias, assim como revisões de literatura narrativas ou
integrativas. Pretendeu-se alcançar o objetivo da pesquisa baseando em artigos científicos completos disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS – scielo, medline, lilacs, dentre outros). Os dados foram coletados utilizando os descritores: fisioterapia motora; papel do fisioterapeuta; pacientes dialíticos; hemodiálise.

As informações extraídas dos estudos selecionados, foram: título, objetivos e abordagem. Após a realização da pesquisa dos artigos, foi realizada uma leitura, na íntegra, e os dados foram observados, analisados, relatados, interpretados e elaborados através de quadros, a partir do programa Microsoft Office (Word). Após a busca por meio da combinação dos descritores, foram encontradas 138 publicações nas bases de dados da BVS. Destas, foram eliminados, 87 por estarem escritos em outras línguas que não o português; por terem sido publicados em datas anteriores ao ano de 2017 e/ ou por não estarem disponíveis escritos na íntegra, restando 51 artigos. Desses, 27 não apresentavam proximidade ao tema em seu título ou resumo. Por fim, foram selecionados 24 artigos, como pode ser
verificado na figura 1.

Após a realização de uma leitura na íntegra dos 24 artigos, percebeu-se fuga ao tema em 16 deles. Dessa forma, para a obtenção dos resultados e escrita da discussão, foram utilizadas 08 publicações.

RESULTADOS

O gráfico 1 apresenta, de acordo com os 08 artigos estudados, que o número de autores do sexo feminino predominou, totalizando 05 autoras (58%). O sexo masculino correspondeu ao número de três autores (42%)

De acordo com o gráfico 2, 50% dos autores são formados em medicina. Os outros 51% foram subdivididos entre as formações de Medicina (33%), Enfermagem (10%) e Terapia Ocupacional (8%).

Os resultados foram interpretados por meio da comparação dos dados encontrados nos estudos com os teóricos que dissertam sobre o assunto. Foi feito um apanhado do que estava sendo relatado nos estudos e elencadas as possíveis
pesquisas que ainda precisam ser realizadas a respeito do tema. A disposição dos resultados foi feita através de categorias selecionadas através dos artigos estudados, para que assim, fosse apresentada a discussão.

O quadro 1 mostra a distribuição dos artigos selecionados para leitura na íntegra e escrita dos resultados e discussão de acordo com o título, objetivos e abordagem.

DISCUSSÃO

Há estudos que demonstram que a abordagem fisioterapêutica pode contribuir com a melhora da qualidade de vida do doente renal. Os pacientes em hemodiálise precisariam receber atendimentos contínuos de fisioterapia, uma vez
que trabalhos demonstram inúmeros benefícios como aumento da força da musculatura respiratória, diminuição da dispneia, melhora da mobilidade articular, diminuição dos marcadores inflamatórios13 e melhora da capacidade funcional no dia a dia.

A maioria dos pacientes portadores de IRC submetidos à hemodiálise apresenta redução da capacidade funcional, o que está associado a diversos fatores, como: diminuição da atividade física, fraqueza muscular, anemia, disfunção
ventricular, controles metabólico e hormonal anormais. E também perda de massa muscular, ou seja, a musculatura se atrofia e, como consequência, ocorre no organismo uma fraqueza generalizada causada pela perda de força. Já as
alterações pulmonares mais encontradas são a limitação ao fluxo aéreo, desordens obstrutivas, redução da capacidade de difusão pulmonar, diminuição da endurance e força muscular respiratória (DOMARESK, 2022).

Pôde-se concluir, por meio dos artigos revisados, que alongamentos, relaxamentos, fortalecimento muscular, bem como exercício físico, seja aeróbico, isotônico e/ou de resistência, possuem efeitos de desenvolvimento na capacidade funcional, função muscular e contribuição para a qualidade de vida de pacientes com IRC. No entanto não se pode ter uma conclusão, por meio desta revisão, a real efetividade do exercício físico sobre a variável frequência cardíaca devido aos resultados não mostrarem diferença em nenhum dos parâmetros da FC, pois apresentou apenas valores não significantes.

O profissional da fisioterapia deve estar apto a atender as necessidades de pacientes portadores de IRC, e em seu trabalho devem objetivar a melhoria na qualidade de vida do paciente, bem como a estabilização do quadro clínico e a melhora dos sintomas. Dessa forma, se faz necessária uma abordagem multifatorial da atuação do profissional no tratamento.

A fisioterapia nos pacientes dialíticos tem como objetivo melhorar e recuperar alguns movimentos que foram perdidos, trazendo de volta a capacidade motora. A fisioterapia deve ser iniciada o mais rápido possível, pode ser até mesmo quando está ainda no hospital, realizando as atividades fisioterapêuticas diariamente, pois fazendo essa estimulação diária pode haver uma recuperação mais rápida do paciente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, João Otávio et al. Benefícios da fisioterapia em pacientes renais crônicos submetidos a hemodiálise. Revista do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium-Araçatuba (São Paulo), p. 91.

ARAÚJO FILHO, José Candido de et al. Nível de atividade física de pacientes em hemodiálise: um estudo de corte transversal. Fisioterapia e Pesquisa, v. 23, p. 234-240, 2016.

BUENO, Aline Felício. Espessura muscular do peitoral maior e do reto abdominal e nível de atividade física em pacientes em hemodiálise crônica. 2016.

CARDOSO, Êmile Oliveira; GIASSON, Gabriela Vitória; ANGHINONI, Gabriela. Fisioterapia em pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise: Revisão Sistemática. CEP, v. 9502, p. 472, 2018.

DAIBEM, Celio Guilherme Lombardi. Exercício físico resistido em pacientes com doença renal crônica em hemodiálise: ensaio clínico randomizado controlado. 2014.

DE ALMEIDA¹, Ana Paula Gonçalves; MEJIA, Dayana Priscila Maia. Efeito da atividade fisioterapêutica sobre a qualidade de vida em portadores de insuficiência renal crônica.

DOMARESK, Paola Naiury et al. Atuação da fisioterapia em pacientes renais crônicos. ANAIS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, v. 19, n. 19, 2022.

FERNANDES¹, Paula Nayanne Ribeiro; GARDENGHI, Giulliano. Fisioterapia intradialítica nas unidades de terapia intensiva, uma revisão sobre as barreiras, segurança e viabilidade.

FUKUSHIMA, Raiana Lídice Mór; COSTA, José Luiz Riani; ORLANDI, Fabiana de Souza. Atividade física e a qualidade de vida de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise. Fisioterapia e Pesquisa, v. 25, p. 338-344, 2018.

JURIATTI, Anelize. Efeitos de um protocolo de fisioterapia respiratória e motora em pacientes renais crônicos durante a hemodiálise: ensaio clínico randomizado e controlado. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Saúde, 2020.

LARA, Clarissa Rios et al. Qualidade de vida de pacientes renais crônicos submetidos à fisioterapia na hemodiálise. Ciência & Saúde, v. 6, n. 3, p. 163-171, 2013.

LIBERATO, Roseane da Silva. Exercício físico em pacientes em hemodiálise: uma pesquisa em revistas nacionais. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso.

RAMOS, Jenniffer Souza et al. Análise Comparativa dos Efeitos de um Programa de Exercícios para o Quadríceps em Pacientes durante a Hemodiálise. Revista Científica Linkania Master, v. 2, n. 2, 2012.

SANTOS, Laura Simon et al. Análise longitudinal da função cognitiva de pacientes em hemodiálise. In: Congresso Internacional em Saúde. 2021.

SILVA, Ana Paula Pereira da; MAYNARD, Kenia; CRUZ, Mônica Rodrigues da. Efeitos da fisioterapia motora em pacientes críticos: revisão de literatura. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 22, p. 85-91, 2010.

ARTIGO PUBLICADO EM 22/08/2024



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