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A Atuação da Fisioterapia Dermatofuncional nas Correções de Micropigmentação de Sobrancelhas

A Atuação da Fisioterapia Dermatofuncional nas Correções de Micropigmentação de Sobrancelhas

Introdução

Anatomicamente, as sobrancelhas têm a função de fornecer proteção para o globo ocular, mas também acabam por apresentar grande importância social, psicológica e estética, fazendo com que seu formato correto e harmonioso seja de extrema importância para a autoestima, em especial a feminina (RAMIRO, ARAUJO, 2014).

As sobrancelhas dão expressão e embelezam o rosto e por isso há atualmente uma valorização do embelezamento das sobrancelhas e, consequentemente, um crescente aumento na busca por um delineamento adequado das mesmas (RAMTHUM, SILVA, PAGANINI, 2010). RAMIRO e ARAUJO, 2014 relatam que sobrancelhas danificadas, com pouca quantidade de pelos ou falhas podem gerar uma baixa autoestima (RAMIRO, ARAUJO, 2014).

Um procedimento estético que vem sendo muito utilizado para delinear as sobrancelhas é a micropigmentação e, de acordo com Pires (2014), a micropigmentação pode ser definida como uma tatuagem cosmética, e é utilizada com o objetivo de melhorar aspetos estéticos. Wetzel (2012) complementa, afirmando que se trata de uma aplicação cosmética permanente que, quando utilizada como delineador nos olhos, cria um ângulo para cima dando um efeito de elevação dos olhos. Quando utilizada nos lábios, cria um efeito de plenitude dos lábios, ou lábios volumosos e quando nas sobrancelhas é possível mascarar ou minimizar uma assimetria, além de alongar ou suavizar a aparência do rosto. Desta forma Wetzel (2012) afirma que as aplicações cosméticas permanentes são capazes de dar o efeito de elevação, de criar o efeito de plenitude ou volume, de aprimorar o formato tornando uma área do rosto mais focal e de minimizar ou mascarar a assimetria.

Esta técnica inclui a maquiagem permanente, que permite melhorar a aparência de pálpebras, sobrancelhas, olhos e lábios e, pode também ser utilizada para disfarçar áreas calvas, cicatrizes além de reconstruir o complexo mamiloareolar após uma mastectomia (PIRES, 2014).

Gonçalves (2018) salienta que, inclusive, em casos de mulheres com câncer, cujo tratamento leva a perda de cílios e sobrancelhas, a realização de tratamentos estéticos básicos, como a micropigmentação de sobrancelhas, é capaz de mudar sua percepção de autoimagem e melhorar sua qualidade de vida.

Da mesma forma, mulheres que sofrem de madarose (perda de cílios e/ou da sobrancelha) sentem-se inferiorizadas e diferentes de outras mulheres, e a reconstrução do desenho e contorno da sobrancelha, através da micropigmentação, auxilia na recuperação da autoestima e da satisfação no convívio social (PEIXOTO et al, 2009).

É importante salientar que a concentração de pigmentos nessa técnica de micropigmentação é menor do que a realizada por uma tatuagem, porque suas cores são projetadas para imitar os tons da pele ou do pelo. O pigmento utilizado é simples, com tom homogêneo e suas partículas estão presentes em menor número da derme. Esses fatores facilitam sua remoção posterior, em casos onde o resultado final não se mostra satisfatório, podendo ser realizada por meio do uso do laser ou por uma despigmentação a base de ácidos (MARTINS, MARTINS, MARTINS, 2009).

O objetivo da micropigmentação é deixar as sobrancelhas com aspecto totalmente natural. É um processo muito delicado que exige técnica e preparo.

A técnica, porém, vem sendo utilizada de forma ampla até mesmo por profissionais não qualificados, sem o devido conhecimento de conceitos fundamentais como a fisiologia da pele, anatomia da face, colorimetria e materiais
adequados para cada caso, o que resulta em procedimentos assimétricos e de cor alterada. O que difere no resultado final da micropigmentação é o profissional estar ou não capacitado a realizar o procedimento de forma adequada, com domínio da técnica e principalmente a cor do pigmento a ser utilizada (MARTINS, MARTINS, MARTINS, 2009).

Em virtude da falta de conhecimento têm-se algumas complicações a serem corrigidas por meio da despigmentação, camuflagem e neutralização.

A despigmentação pode ser feita com ácido ou laser. Quando feita com ácido é necessário o uso de um aparelho chamado dermógrafo. Conforme Martins, Martins e Martins (2009), a técnica de despigmentação com ácido, consiste em depositar na região da sobrancelha uma mistura de ácido manipulado e realizar uma “varredura” com a agulha levemente sobre a sobrancelha, com o objetivo de realizar a renovação celular através do ácido, fazendo com que o pigmento suba para a superfície da pele sendo eliminado a cada sessão por meio da aceleração da descamação da pele. Ainda conforme as autoras, para que a despigmentação ocorra, é necessário que o ácido utilizado seja depositado em camada mais profunda do que aquela em que a pigmentação inicial foi realizada.

Logo após cada sessão de despigmentação é formada uma “casca” (crosta) de cicatrização no local, que com o passar dos dias (em torno de 10 dias) vai se soltando. Após saírem todas as cascas é possível observar o clareamento, que
chegar a ser de 30% a cada sessão.

Martins, Martins e Martins (2009) explicam que a camuflagem é uma técnica indicada para pequenas assimetrias e sem saturação. São utilizados os pigmentos à base de titânio (branco, aréola ou bege), que devem ser aplicados com técnica de sobreposição, de forma suave, para que não ocorra sua pigmentação, pois o objetivo dessa técnica é apenas fornecer o fundamento da cor, no intuito de obter um efeito mais suave da cor da assimetria.

A neutralização da cor é indicada para corrigir tonalidades quando a cor se apresenta alterada e/ou indesejada, com aspecto não impregnado e saturado. Geralmente essa técnica é utilizada em trabalhos que se mostram simétricos, ou
após o uso de despigmentações, onde se objetiva a diminuição da saturação do pigmento inicial (MARTINS, MARTINS, MARTINS, 2009).

Para a escolha adequada das cores, tanto para primeira micropigmentação, como para uma correção, é necessário o conhecimento do círculo cromático (Figura 1) e das recomendações de cores para corrigir os resultados insatisfatórios (Figura 2 e Tabelas 1 e 2).

Dessa forma, a camuflagem funciona como um “apagador”, procurando aproximar a área camuflada ao tom da pele, enquanto a neutralização procura harmonizar a cor indesejada que está na sobrancelha e aproximá-la do tom correto. Assim, se utiliza uma cor que, combinada com a que está presente, irá fornecer um resultado final mais próximo do tom adequado (tom acastanhado).

A relevância do tema reside no fato de que resultados estéticos insatisfatórios, especialmente na face, podem causar uma série de transtornos emocionais, psicológicos e na autoestima da pessoa atingida, levando a alterações
comportamentais, depressão e ansiedade.

Justifica-se, portanto, a importância deste trabalho, que apresenta uma forma de corrigir problemas de micropigmentação de sobrancelhas, proporcionando novos resultados, mais satisfatórios, melhorando a autoestima da cliente.

O objetivo geral do estudo é demostrar a efetividade do trabalho de correção da micropigmentação da sobrancelha. Como objetivos específicos, este artigo irá: destacar a importância estética e psíquica das sobrancelhas femininas; explicar como é feita a micropigmentação de sobrancelhas; citar alguns erros que podem ocorrer nesta técnica e suas consequências estéticas; descrever a técnica utilizada neste estudo para despigmentar e corrigir a micropigmentação de sobrancelhas e apresentar os resultados de três casos clínicos.

Metodologia

O artigo é uma série de casos, composta por três casos clínicos. Para embasar o estudo, foi realizada uma pesquisa em livros e em artigos publicados, trazendo informações sobre a micropigmentação de sobrancelhas, seus efeitos e
problemas que podem ocorrer.

Os artigos foram pesquisados nos bancos de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e no Google Acadêmico, além de sites de profissionais da área que traziam relatos de casos de correção de coloração de micropigmentação de sobrancelhas. A pesquisa dos artigos foi feita nos meses de janeiro e fevereiro de 2019.

O estudo traz o resultado de três pacientes para correção de coloração de micropigmentação de sobrancelhas. Para a correção foram utilizadas as seguintes técnicas: despigmentação; camuflagem (de micropigmentação); neutralização (de micropigmentação). Segundo Martins, Martins e Martins (2009), as duas últimas são utilizadas para amenizar a assimetria e a alteração da cor, resultantes da despigmentação.

Para definir qual a técnica adequada a cada paciente foi realizada uma avaliação visual com o uso de uma lupa de 5,5 dioptrias, observando simetria e saturação dos pigmentos na pele.

Nas três pacientes foi realizada higienização facial com gel de limpeza a base de ácido salicílico e água. Em sequência foi aplicado anestésico tópico contendo lidocaína – 70mg/g e tetracaína – 70mg/g em bisnaga de 30 gramas.

Após 40 minutos o anestésico foi retirado com o uso de lenço umedecido neutro antisséptico, sendo feita uma nova higienização com gel de limpeza facial e água. A seguir foi dado início ao procedimento que foi definido durante a avaliação de acordo com a necessidade de cada paciente, visando corrigir as alterações encontradas.

No presente estudo, a mistura de ácido manipulado foi realizada com a seguinte fórmula: Ácido glicolico – 3%; Ácido lático – 3%; Ácido salicílico – 3%; Ácido mandélico – 3%; Salicilato de Metila – 2%; D Pantenol – 1%; Alfa Bisabol – 0,5%; Mentol – 0,05%; EDTA – 0,2%; e Gel Base QSP – 10G.

O número de sessões para cada paciente foi definido nas reavaliações, onde foi utilizado o critério de comparação de imagem fotográfica feita antes da realização do procedimento e após 30 dias do mesmo. A percepção visual da autora e a satisfação de cada paciente com o resultado alcançado também foram levados em consideração para determinar o número de sessões.

Em cada paciente foram utilizadas agulhas de formas e tamanhos diferentes, variando de acordo com o procedimento realizado. Em todos os procedimentos foi utilizado o equipamento dermógrafo.

Relato de casos

O primeiro caso é o da paciente A, que havia realizado uma micropigmentação anos atrás, por ser portadora de madarose e ter perdido todos os pelos da sobrancelha. Porém, o trabalho anterior havia seguido o padrão da época
para sobrancelhas, que valorizava sobrancelhas muito finas. Além disso, a mesma se apresentava muito azulada, saturada e desarmônica. Foi necessário a despigmentação e correção de formato.

Entretanto, a paciente não desejava utilizar ácidos, pois estava realizando um outro tratamento e tinha receio do uso de ácidos neste momento. Mas a paciente teria um evento festivo adiante e queria uma aparência melhor de sua sobrancelha. Portanto, o trabalho nessa paciente foi divido em duas etapas, sendo que nessa primeira não foi realizada a despigmentação. Neste caso, na primeira sessão, em 27 de fevereiro de 2017, foi realizada uma neutralização em toda a sobrancelha com pigmento de cor ocre (base quente) e uma camuflagem na angulação mais alta do lado esquerdo, com pigmento de cor aréola (base quente).

A segunda sessão foi realizada no dia 27 de março de 2017, reforçando os procedimentos da primeira sessão: a neutralização da sobrancelha com o pigmento ocre e a camuflagem na angulação mais alta do lado esquerdo com o pigmento cor aréola, pelo fato de a mesma ainda apresentar um tom azulado.

No dia 17 de abril foi realizada a terceira sessão, sendo efetuada uma micropigmentação esfumada com o pigmento castanho médio.

Nas três sessões foi utilizada a agulha de 3 pontas circular. Essa foi a primeira fase do tratamento da paciente A, sendo realizada a segunda etapa do tratamento cerca de um ano depois. A Figura 3 mostra os resultados dessa primeira etapa.

A segunda etapa do tratamento da paciente A teve início com a primeira sessão no dia 24 de janeiro de 2018. Nessa segunda etapa a paciente concordou com o uso de ácidos para a despigmentação. Observa-se, na foto da Figura 4, que mesmo com o tratamento anterior, ainda é visível a linha azulada da primeira micropigmentação realizada, tendo em vista que ainda não havia sido feita a despigmentação. Nessa primeira sessão, foi então realizada a primeira despigmentação, com uma agulha de 5 pontas linear para retirar uma maior quantidade de pigmento, sendo finalizada com uma agulha de 5 pontas circular, que é menos agressiva à pele. Como o despigmentante é base gel, há uma necessidade de penetração suave e lenta desse gel na epiderme.

O gel despigmentante age desintegrando o pigmento em pequenas partículas, que são expulsas até a superfície. Para isso são necessárias várias “passadas” do dermógrafo com a agulha sobre a área, o que justifica a escolha de uma agulha menos agressiva e com boa penetração.

A segunda despigmentação foi realizada em 28 de fevereiro de 2018. Na terceira sessão em 11 de abril de 2018 foi realizada a micropigmentação com a técnica de fio a fio, utilizando agulha de uma ponta e pigmento castanho escuro,
sendo finalizado o trabalho com essa cliente, como mostra a Figura 4.

De acordo com Fonseca e Tozo (2017), a técnica fio a fio é a mais utilizada, pois confere grande naturalidade, sendo utilizada uma agulha monoponta, posicionada a cerca de 60º, realizando-se traços ascendentes, no sentido de
crescimento dos pelos.

O segundo caso se refere a paciente B, que chegou até a clínica se queixando da coloração muito alaranjada de sua sobrancelha. Após a avaliação, também foi verificado que necessitava de uma leve correção no formato.

Foram realizadas 3 sessões de despigmentação. A primeira foi realizada no dia 9 de agosto de 2017, com uma agulha de 5 pontas linear. A segunda sessão foi realizada no dia 06 de setembro de 2017, e a terceira e última sessão foi realizada no dia 09 de outubro de 2017. Em 08 de novembro de 2017 foi feita uma neutralização, com uma agulha de 5 pontas circular e um pigmento castanho claro (base fria), com fundamento de cor verde (cor secundária).

Em seguida, no dia 1 de dezembro de 2017 finalizou-se o trabalho nessa paciente com uma micropigmentação fio a fio, utilizando agulha de uma ponta e pigmento castanho escuro.

As Figuras 5 e 6 trazem os resultados desse tratamento.

O terceiro caso relatado é o da paciente C, que chegou até a clínica em janeiro de 2018 insatisfeita com a cor de sua sobrancelha, que estava avermelhada. A proposta inicial era despigmentar e neutralizar o tom.

Foi realizada a despigmentação no dia 24 de janeiro de 2018 e a paciente deveria retornar 4 semanas depois para continuar o trabalho. Porém, descobriu que estava grávida e não foi possível dar prosseguimento ao tratamento. Ainda assim, ficou muito satisfeita com o resultado da despigmentação (Figura 7).

A despigmentação foi realizada com uma agulha de 5 pontas linear, finalizada com uma agulha de 5 pontas circular. No caso dessa paciente houve um clareamento significativo com apenas uma sessão.

A foto acima mostra como a pele reage durante o processo de despigmentação, com a formação de crostas no intervalo de 3 a 7 dias e seu posterior clareamento em aproximadamente 30%.

Discussão

As sobrancelhas possuem a propriedade de dar expressão ao rosto. Sendo assim, quando essas são inexistentes no rosto ou apresentam irregularidades, as pessoas recorrem a técnicas de micropigmentação com o objetivo de corrigir este padrão inestético. Para evitar que erros ocorram na realização do procedimento, o profissional precisa possuir domínio das técnicas, além de saber adequá-las a cada paciente, uma vez que cada pessoa apresenta um biotipo e personalidades diferentes, e a imagem que essa pessoa quer transmitir deve apresentar harmonia com esses aspectos (FONSECA, TOZO, 2017).

Outra preocupação necessária para um profissional que for trabalhar com a colorimetria na micropigmentação é a respeito dos fototipos de pele. Quando mais claro for o tom da pele, menor seu peso molecular, enquanto as peles mais escuras possuem um alto peso molecular. Portanto, entender que terá que somar cores e identificar os tipos de pele é de suma importância para o dia a dia do micropigmentador que deve saber reconhecer cada fototipo ao preparar a mistura de pigmentos e escolher o tom que melhor se adequa a cada paciente. (BORGES, 2018).

Ao realizar o procedimento, a preocupação apenas com o tom do pigmento e não com o fototipo da paciente, o profissional corre um grande risco de que, após passar 21 dias da sessão, essa paciente poderá ficar insatisfeita porque o tom ficou inadequado. A classificação de fototipos mais utilizada é a criada pelo médico Thomas B. Fitzpatrick, da Escola de Medicina de Harvard: Escala de Fitzpatrick. Ele classificou a pele em 6 fototipos, a partir da capacidade de cada pessoa em se bronzear sob exposição solar e sua sensibilidade e tendência a ficar vermelha sob
os raios solares: I) Branca: queima com facilidade, nunca bronzeia; II) Branca: queima com facilidade, bronzeia muito pouco; III) Morena clara: queima e bronzeia moderadamente; IV) Morena moderada: queima pouco, bronzeia com facilidade; V) Morena escura: queima raramente, bronzeia bastante; VI) Negra: nunca queima, totalmente pigmentada (BORGES, 2018).

De acordo com Lino (2016), a escolha correta do pigmento a ser utilizado na micropigmentação é um dos fatores mais importantes para um resultado natural e satisfatório. Para isso, deve-se saber identificar qual o fototipo da paciente. A melanina é o pigmento natural responsável pela cor da pele, pelos e cabelos, e que define se a pessoa é clara, morena, morena escura ou negra. Mas, além desses tons, existe também o sub tom de pele, que é definido pela cor que predomina na mistura de cores de pele.

Lino (2016) explica que quando for realizar uma correção de micropigmentação e se deparar com uma sobrancelha azul escuro é sinal de que faltam ainda duas cores para que ela fique marrom, que são o vermelho e o amarelo
ou uma mistura de ambas, o laranja, com maior quantidade de amarelo no intuito de promover um clareamento. Em uma cliente com sobrancelhas roxas ou rosadas, sabe-se que essa cor se originou da união do azul com vermelho, portanto falta a cor amarela para a neutralização. Já em clientes com sobrancelhas esverdeadas, falta a cor vermelha, uma vez que o verde já possui azul e amarelo. Nesse caso, se neutraliza com a cor laranja. E em sobrancelhas vermelhas ou alaranjadas, se neutraliza como o verde. Outro detalhe colocado pela autora é que para neutralizar
uma cor não é preciso implantar apenas a cor que dará a neutralidade e depois a cor que ficará bem na cliente. Essas cores podem ser misturadas entre si, evitando um número maior de passadas e uma agressão maior na pele. Afinal, mesmo misturadas as cores farão seu papel, independente de qual será implantada primeiro.

No caso 1 relatado no presente estudo, seguiu-se essa orientação, onde a paciente A apresentava uma sobrancelha azulada, realizando-se a neutralização com o pigmento ocre, com base quente e fundamento amarelo. No caso 2, cuja
sobrancelha da cliente se mostrava alaranjada, foi utilizado um pigmento castanho claro, que possui uma base fria, com fundamento de cor verde.

Portanto, em micropigmentações mal executadas, a cliente pode se arrepender do procedimento, pois fica com sobrancelhas com colorações erradas, artificiais, assimétricas ou com tom escuro ou claro demais. Com isso, observa-se que o profissional de micropigmentação deve ser um especialista em várias vertentes, como no design de sobrancelhas, simetria, geometria, visagismo e colorimetria. Caso contrário, o resultado pode não ser satisfatório (BAVARESCO, 2018).

Além disso, Leite (2019) recomenda que o profissional que realizará a despigmentação reserve um tempo para conhecer o perfil de sua cliente, para ser capaz de compreender o motivo de sua insatisfação com as sobrancelhas e,
também, para tomar conhecimento de algumas questões técnicas, como: há quanto tempo a pessoa fez a micropigmentação; qual a cor do pigmento; e qual sua rotina e cuidados com a face.

Martins, Martins e Martins (2009) lembram que é importante informar aos clientes que a realização do procedimento de correção de um trabalho de micropigmentação não oferece um resultado 100% satisfatório, tendo em vista que o primeiro trabalho, incorreto, poderá apenas ser amenizado, e que retoques anuais deverão ocorrer,
pois, em geral, a pigmentação antiga acaba sendo predominante.

Conclusão

Percebe-se que a alteração das sobrancelhas é um problema importante para as pacientes que passam esta situação. Os tratamentos realizados para as correções foram capazes de produzir resultados satisfatórios às pacientes.

Entretanto, para que o resultado seja o melhor possível, o profissional que realizar essa correção deverá ser minucioso, e possuir domínio da técnica de colorimetria aplicada à micropigmentação, bem como sobre as técnicas de neutralização e camuflagem.

Ainda, é preciso deixar claro para a paciente que esse trabalho, por melhor que seja executado, apenas irá amenizar o problema, já que não é possível eliminar por completo o pigmento que foi depositado no trabalho inicial.

Referências

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